quinta-feira, setembro 20, 2018

A Origem do Mundo, pintura de Gustave Courbet, 1866.





A Origem do Mundo, pintura de Gustave Courbet, 1866.

quarta-feira, setembro 19, 2018

A noite foge do dia



O sol rompeu pelo lado da serra enquanto a enorme parede de nevoeiro continua erguida do lado do mar, negra, quase medonha, absorvendo os raios da luz pela frente e largando o negro escuro por trás, para o lado da noite que foge do dia, mar adentro.


terça-feira, setembro 18, 2018

Coisas a evitar




Ultimamente tem-me custado ver e ouvir certas coisas.
Talvez por isso as evito e ignoro, pois pouco me tem vindo a surpreender, nem a estupidez humana.

sexta-feira, setembro 14, 2018

É disto que o povo gosta



É disto que o povo gosta, gritava o adepto do clube de futebol a quando da marcação do golo que lhe daria o título almejado.
E resto? O resto não interessa. O que interessa é que ganhámos, somos campeões!
Afinal o que interessa são umas bifanas de porco assado no pão numa mão e uma bejeca na outra, ao som do Pimba-pimba que o Malhão-malhão já passou de moda, e que o partido daquele senhor ganhe as eleições outra vez cá na terra para que se possa manter o recibozito verde a funcionar.

Ando farto de Malhão
O Pimba é que está a dar
Um pouco de pornografia
É que vem mesmo a calhar

quinta-feira, setembro 13, 2018

Alguém tem cinquenta cêntimos de entusiasmo que me possa dispensar?




A mente humana é um universo insondável.
O que se passará na mente de uma pessoa que durante o seu tempo de trabalho efectua tarefas curtas, rotineiras e repetitivas? Deverá pensar nas actividades curtas que faz. Sim, pensará, mas será como um autómato, como tantos outros em outras tantas actividades, sendo algumas consideradas como mais nobres. Mais nobres só porque ao momento estão a preencher uma necessidade especial do momento, pois de nobre pouco terá na prática, mas como sendo apresentada de outra maneira, é neste momento a mais desejada, sendo só uma questão de tempo para se banalizar, passando logo a ser mais do mesmo.
Os pensamentos que se desenvolvem em paralelo com o automatismo humano serão simples, isto é, digo eu: comida, conforto, sexo, pequenos e grandes desejos sonhados, planeamento de actividades curtas e aquisições imediatas e longo prazo e futebol. Talvez muito futebol e novelas. 
Talvez pense em ganhar o totoloto! Este desejo é o que mais, talvez, active as dopaminas e a felicidade sonhada deverá escorrer a rodos pelos neurónios.
Depois, quer em viajem, quer em casa, há o bombardeamento constante de promessas de felicidade nas constantes ofertas publicitárias ao consumo. 
O que mais se pode desejar?
Alguém tem cinquenta cêntimos de entusiasmo que me possa dispensar? É que eu tenho o reservatório do entusiasmo completamente vazio.

quinta-feira, setembro 06, 2018

Eppur si muove








Imagens recolhidas da Net de um terramoto de magnitude 6,7 que atingiu esta quinta-feira a ilha de Hokkaido, no Japão.


terça-feira, setembro 04, 2018

A Terra continua o seu trabalho de formação.



Segundo notícias lidas a quando da minha chegada à Fábrica, um sismo de magnitude 4,6 na escala de Richter foi registado às 07.12, tendo sido sentido no centro e norte de Portugal. Nesse momento eu estava em condução na A17, e pela hora indicada estaria já a norte de Mira, talvez a passar Vagos, e não senti os tais tremores que as pessoas testemunharam sentir.
Numa consulta rápida recolhi que foi um sismo ligeiro de efeitos significativos, mas com danos importantes improváveis.
A Terra continua o seu trabalho de formação.

segunda-feira, setembro 03, 2018

Expectativas



Na frente o velho e recorrente projecto que não surpreende.
Se fosse há dez anos seria um mergulho imediato, e de cabeça. Hoje assim não é, pois não entusiasma.
Já não corro a foguetes.

quinta-feira, agosto 30, 2018

Leituras subversivas



Leituras subversivas
Decrescimento é uma corrente de pensamento político, económico e social favorável à redução regular controlada da produção económica, com o objectivo de estabelecer uma nova relação de equilíbrio entre o ser humano e a natureza, mas também entre os próprios seres humanos.


Rejeita a meta do próprio crescimento económico do neoliberalismo. Tem sua fundamentação teórica em escritores e pensadores do século XX (entre os quais destacam-se o Clube de Roma e o economista Nicholas Georgescu-Roegen)


terça-feira, agosto 28, 2018

Estou de arado feito


Estou de arado feito para margear nabos.
Margear nabos é abrir sulcos com arado, e colocando um fueiro atravessando arrasando ambas as leivas que o arado forma, cria-se duas margens que cobrem as sementes previamente lançadas à terra.
Fazer os "amargidos, "amargear".

segunda-feira, agosto 27, 2018

Os erros passados não justificam os crimes do presente



O medo invade o espaço que foi dos pinhais, agora contaminado por eucaliptos, acácias, tojos, silvas e matagais. Entra quintais adentro, substituindo a invasão das areias dunares que, ao sabor dos ventos mareiros, em tempos idos abafavam paulatinamente os cultivos.
A seca está aí a despontar a continuação deste Verão, agora a começar a aquecer, até ao Outono. A secura afunda-se terra adentro. É o que me parece, neste receio do que está para vir e que não controlamos.
Não nos tentem enganar, como se erros passados justificassem crimes do presente.

Não podemos ter medo em usar as palavras.


    
A manipulação e alienação têm estado na vanguarda no uso da tecnologia, em doses doses elevadas as que estão a ser administradas às pessoas. Já vai na segunda geração do domínio do financeiro sobre a economia. Urge usar a tecnologia para libertar em vez de alienar. 
Nas duas últimas gerações o uso dos recursos naturais só tem mostrado o aumento das desigualdades,  notando-se estas  na nossa sociedade. Este tem estado na origem das migrações em massa de pessoas, resultado de guerras pelo controlo dos recursos, produção e distribuição, arrastando violência religiosa, racismos, nacionalismos fanáticos, e ultimamente, graças à manipulação e uso das técnicas e tecnologias cada vez mais avançadas, o aparecimento de homens fortes de ideias fracas. 
Tem sido estes fortes de ideias fracas que falam da necessidade de “reformas estruturais” a cada passo, onde se pode observar que, cometendo os mesmos erros do passado, se cometem os crimes de hoje e do futuro. A corrente que a hoje domina, esmagando a economia e as liberdades das pessoas deve ser combatida, com o aprofundando a Democracia Social. 
Como actuar? 
Aprendendo a actuar com Leis, que a tecnologia é para ser usada. 
Não podemos ter medo em usar as palavras.

quinta-feira, agosto 02, 2018

Tanto aço, um só tipo de sapato



Estamos a ser governados, falo a nível global, pelos números do desempenho. Isto vem no seguimento do que por aí se repassa nas redes sociais, que a humanidade começou ontem a viver a crédito do planeta.
Este problema do crescimento pelo crescimento está a levar-nos ao desperdício poluente do nosso planeta e da nossa vida. Em vez de definirmos o trabalho como concluído com a tarefa ou a obra feita, estamos a trocar tudo isso por coisas a que chamamos objectivos, onde as regras do jogo e os números a apresentar mudam constantemente. Uma corrida de loucos.
Estamos a repetir erros do passado, parecendo cair sempre nas mesmas armadilhas.
Nas economias planificadas do século passado, atingir os objectivos dos planos quinquenais era fundamental para os gestores. Assim estes eram sempre atingidos e até superados como se pode confirmar pelas notícias da época, graças à fraude contabilística, que era regra usada por todos, pois ninguém tinha coragem de a denunciar para não cair em desgraça.
Um exemplo foi de um plano quinquenal da RDA com um aumento significativo de produção de aço. Atingido o objectivo, para dar seguimento ao uso de tanto aço, uma fábrica de tractores começou por aumentar o peso dos mesmos, reduzindo assim a eficiência dos equipamentos. É caso que prova que era tanto aço, e um só tipo de sapato.
Hoje, na globalização usada como ferramenta neoliberal, o lucro pelo lucro está fazer ainda pior do que as economias do passado fizeram. Não é possível um crescimento infinito num planeta finito. Isto é radical, coloca em causa as ideias vigentes, que apesar de andarem a tratar o assunto com os paninhos quentes do “desenvolvimento sustentável”, seguem o caminho do desperdício. Teremos que reduzir a produção de lixo e especialmente o consumo, isto é, decrescer.
Deveríamos começar pelo decréscimo do consumo voluntário e criterioso.
Eu já pratico.

quarta-feira, agosto 01, 2018

Os erros do passado e os crimes do presente



Os erros do passado e os crimes do presente.
São as tecnologias, ou melhor dizendo, as mudanças tecnológicas a alteram as relações na sociedade. Hoje estamos a viver uma espécie de fim do trabalho tal qual o conhecemos até agora, sendo este mesmo tipo de relação que nos trouxe até aqui, cujo fim nos está a empurrar para uma espécie de uberização que já se vê em nosso redor. Para além das relações individuais, também está a uberizar empresas e negócios, colocando em causa o próprio tradicional uso da propriedade, além de poder levar a uma progressiva desumanização do trabalho, colocando em causa a tradicional remuneração, pode trazer consigo o desejado pelos neoliberais, estes que se julgam sempre acima deste problema, o retorno à mercantilização pura e dura do trabalho.
Antigamente o senhor do escravo tinha a “obrigação” moral de ter consigo o escravo velho ou adoentado. Agora, com esta desejada mercantilização, o trabalhador será empurrado para um assistencialismo mínimo.
Não nos tentem enganar, sempre a falar do passado, como se os erros passados justificassem os crimes presentes. Às tecnologias devemos usá-las, assim como mudar e criar novas relações no trabalho e na sociedade. Devemos é estar atentos e contornar, rejeitando o neoliberalismo sem rosto que cavalga a demagogia, os nacionalismos racistas e os novos ismos protoditatoriais de nova vaga.

terça-feira, julho 31, 2018

O mal que grassa.



O mal que grassa.
O invejoso sente e alimenta rancor pela frustração que sente de não possuir, ou de ter acesso, algo que o invejado tem.
José Gil, autor do Medo de Existir, afirmou que a inveja tem muita força em Portugal porque somos uma sociedade fechada.
Apesar de todas pessoas não se considerarem invejosas, este mal é pior mal que grassa na nossa sociedade.
Teve o seu auge no reinado de D. Manuel I com a expulsão dos judeus.

segunda-feira, julho 30, 2018

Do eclipse lunar de 2018





A propósito do eclipse lunar de 2018
A Lua desaparece de um lado do mundo para aparecer depois do lado oposto ao que se foi esconder. Desaparece para os lados do sol quando este começa a acordar a madrugada, e três noites depois aparece quando ele se está a pôr na noite, lá para as bandas do mar. Esteve três noites sem dar a cara aos pobres humanos e viventes de Deus, sem os governar. Que fará ela nas noites em que fica a sós com o Sol? Que farão eles ambos os dois? Ninguém sabe de tais poderes. Ninguém sabe de tais afazeres. Mas imaginamos. Imaginamos que sim, que se juntam bem um ao outro, que ficam lá na cama da noite do Sol a fazer o que se tem que ser feito. Depois ela segue o seu caminho até se mostrar no seu esplendor de fertilidade.


quarta-feira, julho 25, 2018

Rosácea



Recordo-te, meu bom amigo, que uma régua e um compasso bastam para o traçado do plano de uma rosácea.
Se trabalhares um volume necessitarás de um imprescindível esquadro, e para ergueres uma construção de um nível e um prumo, mas primeiro terás que talhar uma pedra.

Vou combater o burnout.




Eu com esta experiência de vida, em que pouca coisa me parece surpreender, não deveria estar assim tão tenso.
Respiro fundo e prometo a mim mesmo não me envolver nos assuntos que estão a arder.
Digo para mim que estes assuntos não são os meus.
Mas afinal são.
São, porque me afectam.
Vou combater o burnout.

terça-feira, julho 24, 2018

O que são as reformas estruturais?






O que são as reformas estruturais?
O neoliberalismo actual é muito diferente do liberalismo clássico que até aqui nos trouxe.
Para o neoliberalismo, cujos pregadores avençados fazem opinião, e digo avençados porque efectivamente recebem uma avença para usarem os púlpitos que o sistema tem, clama a todo o momento por uma coisa chamada “reformas estruturais”, que é tratar a lei que rege o contrato social como subordinada ao “mercado legal”, ou seja, a lei deve depender dos resultados financeiros.

sexta-feira, julho 20, 2018

As pessoas andam muito confusas.



A cimeira da crise e a pós-democracia.
As pessoas andam muito confusas.
Trump e Putin, nesta capa da Time, estão sintonizados ideológica e afectivamente como é mostrado.
Ainda há muitas pessoas que pensam como no século passado, e andam muitos confusas.
Trump deverá ter o rabo entalado com a "alta finança" russa.


terça-feira, julho 10, 2018

Um problema do Diabo




Às vezes acordo como com a ideia que posso organizar o meu futuro.
Depois, olhando a memória, a realidade foi sempre teimosa, ganhou-me sempre a aposta, trazendo-me aqui apesar de esta ter encontrado este outro teimoso pela frente, pois uma teimosa nunca teima sozinha, terá que teimar com alguém, em última análise teima com a realidade, essa teimosa suprema. A realidade é teimosa, e a todos embrulha no papel que fazemos no teatro da vida sem grande controlo do futuro.
Não há futuro para além daquele que já sabemos, que tudo será pior que hoje, já que tudo piora.
A tecnologia, essa salvadora, é agora a ferramenta usada para o ser supremo nos escravizar.
Depois do feito ida à Lua, não resolvemos, porque não reconhecemos a nossa ignorância em não evitar o derrame de uma simples gota de óleo num rio. Não falo na irradicação da fome no mundo, que aí já nós sabemos que assim é que está bem, que há pessoas que não podem conhecer outra coisa, e que é assim que corre a notícia.
Até parece que os pobres foram convencidos, pelos poucos ricos claro, que tem mesmo que ser pobres, enquanto a catequese do futuro salvífico aí continua a encher os canais de informação, agora cada vez mais controlados, usando essa tecnologia e conhecimentos avançados, cada vez menos por nós planeado.
Enganam-nos quando nos dizem que temos futuro, tal como um slogan eleitoral, mas caso as respostas das pessoas não sejam dentro do padrão desejado, não se coíbem em passar a mensagem que não há futuro, que tudo será tão mau, que o menos mau já é bom, mas o futuro que a divindade suprema nos impõe.
Há 40 anos os padres, nas homilias, falavam de um plano divino, como se fosse um determinismo divino em que todos os resultados do somatório dos esforços humanos como de um esforço divino se tratassem. Agora o ser supremo assim aplica o plano. Agora as homilias não referem mais o lugar de choro e ranger de dentes, o inferno. Agora, o lugar é outro. As ameaças de banca rota, dívida e deficit, são os terramotos e dilúvios resultado dos pecados da sociedade que despertou a ira do novo ser supremo. Condenações aos que não seguem esta nova lei divina são apregoadas. São hereges a serem lançados à fogueira da clandestinidade, ostracização e silenciamento. Os subversivos serão derrotados, pois o senhor é o senhor do dinheiro que compra os exércitos.

Como se a culpa principal fosse dos partidos políticos.
Do que sei, os partidos políticos não passam de associações de pessoas. A ideia de que são os culpados de todo o mal, vem da ideia veiculada constantemente pelos fazedores de opinadelas, e posteriormente replicadas em câmara de eco primeiro pelos emails e agora pelas redes sociais, estes sim ao serviço de algo mais obscuro, dado que mesmo servindo-se das pessoas que vivem à babuje dos partidos, quando os votos, as leis, os tribunais, incluindo constitucionais, e outros entraves e estorvos à propagação da actual boa nova, as sociedades criaram para sua organização.
É efectivamente por aí, vindos das escolas da ideia vigente, garotos ambiciosos nos governam, denegrindo, até, os partidos que os pariram, ultimamente têm colocado, também, no poder alguns de cabelo pintado de preto, mas estes são ainda mais manhosos que os primeiros, que costumam atacar os salvadores. Escolhido o alvo, e quando a coisa tiver a massa crítica, mesmo a da indiferença que funciona sempre para o seu lado, aparecerão no seu esplendor. O esplendor dos ditadores de capas pobres e discretas.


Há tempo para tudo



Estou no tempo em que ele me mostra que para estar bem não necessitaria de despender tanto esforço.
É que tudo tem o seu tempo determinado e há tempo para tudo debaixo deste céu, parafraseando Eclesiastes 3:1.

segunda-feira, julho 09, 2018

Lembranças


Tenho memórias daquele meu tempo de infância de catequese do medo. Medo do pecado, do inferno e do medonho fim do mundo que estava próximo.
As vincadas secções de catequese dominical eram ministradas pela velha freira, a irmã da leprosaria, que seria a que hoje chamaríamos de meia-idade, mas para a criança seria velha nesse tempo dos muito velhos. Decorria o tempo, soube-o mais tarde, de um tal Concílio do Vaticano, o segundo, em que “até o Caredo passou a ser diferente”, e Deus Nosso Senhor deixou de perceber Latim, esse linguajar único e intraduzível foi substituído por um bem mais familiar, mas de igual modo incompreensível. O mulherio de negro lá continuou nas mesmas contrições, desfiando contas de Rosário de bichibichis em surdina.

quinta-feira, julho 05, 2018

O novos bufos


Nas redes sociais há uma grande percentagem de pessoas que se limita a repassar trampa.
Desde as fack news a coisas mesquinhas, de mentiras lançadas de propósito pelos profissionais da manipulação a soldo de interesses obscuros não recomendáveis, potenciando os receios, alguns legítimos e reais, das pessoas.
A nível local há uns especializados em cão de silveira, vulgo peniqueiro, o tal canídeo que o caçador que afirma não ter sequer Facebook, muito menos navega na Net, diz ele, instiga a entrar no esconderijo do coelho a ser abatido, a empurrá-lo para fora do seu terreno, onde os cães de fila poderão morder e caçar sem que o mandante dispare um tiro sequer.
A bufaria está activa e recomenda-se.

quarta-feira, julho 04, 2018

Procrastinar





O slogan fazer parte da solução e não do problema parece estar roto e esfarrapado, não pelo seu uso, mas pelo seu abuso.
Cada vez mais as coisas parecem replicar-se, como que a desejarem a renovação dos velhos assuntos não resolvidos e sempre adiados.
Procrastinar como agora eu ouço dizer.

segunda-feira, julho 02, 2018

Estava o Inverno para vir


O que escrevi 40 dias depois do Natal.
Estava o Inverno para vir.


2018-02-02
Frio matinal, com um céu limpo e azul, a mostrar a seca que preciste em não nos abandonar. Uma fina camada de geada, quase imperceptível, sobre a pouca erva. Abri o sítio de meteorologia, que esta seca que tem estado teimosa preocupa-me, e eu nem sou agricultor. Toda a Europa está apresentada como coberta de nuvens, excepto  a Península Ibérica.
Teimosias do Clima e dia da Nossa Senhora das Candeias. Se a vires a sorrir, está o Inverno para vir. Que venha o Inverno.

quarta-feira, junho 27, 2018

Um comunismo que tudo arrasa



   Estávamos no ano 1975 e era Verão. 
   Lembro!
  Eu tinha 16 anitos,  e as preocupações eram as borbulhas, o cabelo comprido, as voltas na motorizada nova, a trial de cor amarela, entre outras coisas, mais do que com o que se passava com a política portuguesa daquela época.
   O meu vizinho da aldeia dizia para quem o quisesse ouvir:
   - Vem aí um comunismo que arrasa tudo! Vamos perder o dinheiro, as terras, as casas.
   Hoje o meu vizinho está com uma idade avançada, e até parece que os tempos lhe estão a dar alguma razão.

segunda-feira, junho 25, 2018

O largo



   O largo, o enorme Largo do Santuário, tem outros caminhos traçados para nele se entrar e sair: o caminho das Baleiras do Mar, o caminho dos Salgueiros, o caminho do Monte do Cabeço, o caminho da Lagoa da Areia e o caminho para a Terra Alta que também dá para a Vila Velha, mas o mais importante é aquele, vai entrar bem a meio, vindo do carreiro do Couto de Sant’Amaro.

(Manuel Ribeiro, Os Caminhos do Santuário)

quinta-feira, junho 21, 2018

A catástrofe anunciada



Estamos em Junho de 2018 e recordo aqui o que publiquei em Julho de 2008.
Nunca imaginei que viesse o queimo que tudo levou, deixando as pessoas cá das areias a negarem o óbvio como quem ainda não caiu na realidade.
O Poder Local deve estar a fazer qualquer coisa, mas o quê eu não sei. Mas se calar eu nem tenho nada que saber, pois parece que até nem são contas do meu rosário. No entanto lembro que eu também sou vítima da catástrofe de 15 de Outubro, pois as minhas propriedades florestais foram comidas pelo fogo.
Tal qual a maioria dos meus vizinhos, eu não vivo da agricultura. Somos herdeiros de terra que estava organizada para um uso que hoje se apresenta como obsoleto, que serviu até meados do século passado.
O que vem aí será bem mais difícil de resolver, e as catástrofes estão anunciadas.
Limpemos à volta das habitações. Assim teremos mais possibilidade de minimizar estragos futuros.

Terça-feira, julho 01, 2008
A desertificação da Gândara
Não estou a afirmar que a Gândara deixou de ser verde! O que quero dizer é que está a ficar deserta em termos agrícolas, ao abandono, sem população activa e em exclusão rural. A Gândara, a velha Gândara agrícola que se afirmou como tal, definha e morre. Foi excluída, tal como a maioria do país rural, da Política Agrícola Comum desenhada para a agricultura de alguns países. Entre estes, temos a França como exemplo. Foi o então primeiro-ministro Cavaco Silva, o primeiro-ministro que mais votos teve do mundo rural, o que mais esqueceu a Agricultura abandonada por Bruxelas, levando à transformação dos agricultores em serventes das obras que agora entulham as cidades. Depois vieram outros que se limitaram a gerir ajudas e subsídios comunitários, faltando uma política que seja activa na promoção da sustentabilidade agrícola e ambiental. Depois do deserto cheio de eucaliptos do Sr. Cavaco Silva, os primeiros ministro que lhe seguiram até parecem julgar que a dita árvore australiana de origem passou a ser autóctone, enquanto o tecido social agrícola da Gândara está degradado, onde o mato e as silvas tomam conta das terras.


O cheiro a queimo relampejado que vem de cima.



Todo o areal, daqui do Monte do Cabeço até ao mar, estremece debaixo da forte chuva batida por uma trovoada que larga e queima enxofre, rasgando o ar abafado da noite quente de Maio. As fortes gotas de água caem como ovos de passarinho tombados do ninho do alto pinheiro desfazendo-se em chapadas, laradas de água ao baterem no chão de areia. Um cheiro a terra levanta-se no ar ao encontro do cheiro a queimo relampejado que vem de cima. 
(Manuel Ribeiro, Os Caminhos do Santuário)

segunda-feira, junho 18, 2018

A pobreza herda-se



Uma família portuguesa de baixos recursos pode demorar 125 anos até que os seus descendentes consigam alcançar um salário médio, isto segundo um estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, OCDE.
Por cá os partidos dos pobres não comentam, talvez com o receio de perderem a causa da razão da sua existência.
No entanto a existência de pobres tem dado um jeitão a muita boa e rica gente, desde o negócio da caridade, lavagem e salvação de almas e garantia de votos em dia de eleições.
A pobreza herda-se.

quinta-feira, junho 14, 2018

A ignorância estuda-se







   É uma aprendizagem contínua para ser um ignorante assumido.
Não tem sido fácil, pois só se percebem as coisas passado um tempo depois de passar por elas e só depois de ver os outros a passar por situações idênticas ou similares.
   - O que mudou?
   - Muito pouco.
   As coisas seguem o seu caminho e as vantagens que muitos afirmam, na realidade teimosa não existem como eles as imaginam, são de outra forma e outro nível que eles nem verbalizam.
   É que a ignorância estuda-se.


segunda-feira, junho 11, 2018

Registos



Os registos surpreendem-nos.
Lemos o que escrevemos há uns anos e ficamos surpreendidos pela actualidade do que escrevia-mos.
Por isso é que devemos escrever o que pensamos.
Escrever é, afinal, registar o que somos.


quinta-feira, junho 07, 2018

Mar calmo nunca fez bom marinheiro.






Os calendários de agora já não indicam as estações do ano, nem as fases da Lua, como os de antigamente, mas ainda se vendem o Borda d’Água e o Seringador no Mercado de Domingo. Se há a vender, é por haverá quem compre. Até nos calendários se fala de tudo menos nos dias. Tal como na televisão, as vidas das pessoas são enleadas pelas notícias sem nexo, quando antigamente eram guiadas pela Lua e pelo Sol.
Vivemos um tempo em que uma pessoa é levada a aceitar que a Liberdade é sinónimo de dia de folga.
No entanto, mar calmo nunca fez bom marinheiro.


Quando o fácil é difícil, ou foi pancada do dia.
Neste tempo de trabalho na era digital, onde tudo se apresenta como facilitado, eu vejo uma realidade bem mais difícil.
Em vez dos computadores estarem ao nosso serviço, parece-me que já estamos a trabalhar numa organização no modelo de trabalho dos computadores, não num modelo humano, mas num modelo subordinado aos números.
 Depois falaremos.

terça-feira, junho 05, 2018



Nós vínhamos da feira da vila.
Era S. João e a velha Ana estava a ralhar com o Gomes Rico acerca de quem era dono do velho e enorme pinheiro, aquele que estava ferido pelos cubos das rodas dos carros, sempre a largar resina pela ferida abaixo, na borda do caminho que subia o Monte do Cabeço, o que foi atingido nesse Verão pelo raio que o rasgou de alto abaixo e se foi afundar pelo chão, onde caiu em luz e estrondo.
(Manuel Ribeiro, Os Caminhos do Santuário, página 135)



quarta-feira, maio 30, 2018

Um espaço virtual



Este espaço já não é, se é que alguma vez o foi, o mais indicado para uma discussão serena de troca de ideias sobre temas que nos tocam ou virão a tocar em futuros próximos.
Para tal, eu tenho outros espaços bem mais reais que virtuais, e aí ouço e participo quando bem entender e julgar, dentro da minha liberdade.
Talvez por isso os meus escravinhanços se apresentem, às vezes, um pouco encriptados enroupados e até travestidos, dado que opinar é uma constante construção suportada no que se vai adquirindo da vida, e eu estou a aprender que isso pode chocar algumas pessoas que se acostam e ancoram a verdades e certezas que, para elas, assumem como absolutas.


quinta-feira, maio 17, 2018

Horas apertadas



   O homem entra pátio adentro pela cancela feita de trandeiras que estava entreaberta, disse algo ininteligível à mulher que deu a entender que percebeu enquanto se apoia no cabo do engaço como que para descansar um pouco, desloca-se a passos largos enquanto, atabalhoadamente, se liberta dos atilhos que prendem as remendadas e sujas calças de pano-cru à cintura, dirige-se ao lado esquerdo do pátio, aquele que dá para a cerca das galinhas de portinhola de tábuas costaneiras e raras e fecha-se à pressa no escuro onde tudo vê de dentro para fora. As galinhas correm para debaixo da tosca palafita na ânsia de aproveitar aquela borla do cagaçal.


segunda-feira, maio 14, 2018

Bailarico



Domingo, 10 de Abril de 1932
   A pequena sala está iluminada por uma luz limpa saída do candeeiro de vidro, novinho em folha, comprado na feira de propósito para o evento que vai enregar esta safra de bailaricos. Sempre dará uns tostões disponibilizar a casa. As moças precisam e com tanta luz todos se darão ao respeito, não que ele falte por estas bandas, pois a gente da nossa terra não é como a das outras donde só se sabe poucas vergonhas. E não são só as solteiras que depois acabam por não casar, mas até casadas que teimam ir aos bailes e outras coisas piores. 

quinta-feira, maio 10, 2018

Santa Preguiça



Loriot, 1965: "Segundo descobertas científicas, mulheres demoram mais para pegar no sono do que homens."

Sinto uma sonolência que nada me passa pela mente. Agora, se tal fosse possível, dormiria uma sesta e não mais queixaria da vida por hoje. Não tenho vida para este tipo de vida e só lamento que a preguiça  não tenha sido, ainda,  canonizada, essa santa.
Santa Preguiça - rogai por nós!

O mundo está cada vez mais velho



Uma calma invadia-o a ponto de se sentir como parte integrante da Natureza de onde ele tinha vindo e da qual foi feito e assim se ia desfazendo sem custos notados, como os astros se vão dando pouco a pouco e assim se fazem uns em outros de outras formas e maneiras. Sentia-se como feito da matéria que ao ser fabricada por uma força enormíssima, ainda guardava energia e força desse pontapé inicial, vindas da eternidade do começo, que a eternidade tem um começo e um fim que será ela própria, não existindo.
Sente-se bem com todas as suas forças a reorganizarem-se de uma outra forma de estar, como a ser, ele próprio, o fio de novelo de sediela no guiamento de um risco a outras enosilhadas e atadilhos, para onde cada parte segue o caminho lógico traçado desde este coice inicial que vem do fundo de tudo.
O pensamento voa pela Natureza e esfuma-se como poeira de estrelas.
Estava a constatar que o mundo está cada vez mais velho

terça-feira, maio 08, 2018

Maio

Maia ou Maia Maiestas conhecida também como, Bona Dea a “Boa Deusa”, uma deusa romana da terra e da fertilidade.
Maio, o mês da fertilidade, que o cristianismo apropriou do paganismo da deusa Primavera (primeira verdade), e o catolicismo transformou no mês da deusa (Fátima).
O ciclo, à escala curta da Humanidade, é como se fosse eterno, contínuo como os fios brancos embutidos da lágrima das minhas guitarras.

A peça única



Uma vez, tendo eu à mão uma enchó, comecei a escavar um pedaço de tronco de madeira com o objectivo de fazer um instrumento musical que ressoasse aquele som mavioso que me enlevasse do ruído mundano.
E lá comecei eu a retirar o material que estaria a mais daquele pedaço de madeira, com aquele meu jeito que vocês desconhecem e que eu nem sabia que tinha.
Trabalhei com a alegria da descoberta, fibra após fibra da madeira arrancada em cada apara, e a obra lá foi evoluindo mais a jeito dos veios da madeira onde se guardavam as memórias de estios, invernos, ventos e geadas tardias vividas por aquele tronco enquanto árvore.
Quando já não tinha mais madeira para arrancar ao pedaço, quando as aparas e lascas já cobriam todo o chão daquele estaleiro de construção, parei um pouco e afastei-me, olhei a obra de largo e, assim afastado conclui que não tinha mais nada a fazer.
Como imaginam o resultado final de tão laborioso trabalho esforçado não foi efectivamente uma cítara, nem algo parecido. Também não chegou a ser sequer um pequeno barco de brincadeira de menino para navegar na pequena lagoa lá da aldeia.
Eu tinha, ali na minha frente, nem mais nem menos que um cocho de madeira onde poderia dar de comer ao porco.
É um cocho único como não há mais nenhum.
Foi assim que eu fiz uma peça única, moldada pelas intempéries dos anos que fustigaram um tronco de uma árvore.

sexta-feira, maio 04, 2018

Formosa como a Lua


Capela (Quinta do Bom Nome)


Nunca negues os fantásticos poderes da Lua.
As mulheres de virtudes sabem disso como ninguém, pois as outras nunca o saberão destrinçar nem depois da passagem pelos seus terríveis efeitos secundários, e nem assim estão em condições de dar conselhos como as primeiras, que apesar de apontarem um sentido ou o seu contrário, sempre apontam um sentido.
Vamos nós lá entender tais poderes!

quinta-feira, maio 03, 2018