Terça-feira, Fevereiro 28, 2012

Contributos para A Cor do Horto Gráfico


TEXTO HUMORÍSTICO , SÔBRE O ACÔRDO ORTOGRÁFICO DA
" LÍNGUA PORTUGUESA "






DIVULGAÇÃO…

____________________



O acordo ortográfico e o futuro da língua portuguesa…



Tem-se falado muito do Acordo Ortográfico e da necessidade de a língua evoluir no sentido da simplificação, eliminando letras desnecessárias e acompanhando a forma como as pessoas realmente falam .

Sempre combati o dito Acordo mas, pensando bem, até começo a pensar que este peca por defeito. Acho que toda a escrita deveria ser repensada, tornando-a mais moderna, mais simples, mais fácil de aprender pelos estrangeiros .

Comecemos pelas consoantes mudas: deviam ser todas eliminadas .

É um fato que não se pronunciam .

Se não se pronunciam, porque ão-de escrever-se ?

O que estão lá a fazer ?

Aliás, o qe estão lá a fazer ?

Defendo qe todas as letras qe não se pronunciam devem ser, pura e simplesmente, eliminadas da escrita já qe não existem na oralidade .

Outra complicação decorre da leitura igual qe se faz de letras diferentes e das leituras diferentes qe pode ter a mesma letra .

Porqe é qe “assunção” se escreve com “ç” e “ascensão” se escreve com “s” ?

Seria muito mais fácil para as nossas crianças atribuír um som único a cada letra até porqe, quando aprendem o alfabeto, lhes atribuem um único nome. Além disso, os teclados portugueses deixariam de ser diferentes se eliminássemos liminarmente o “ç” .

Por isso, proponho qe o próximo acordo ortográfico elimine o “ç” e o substitua por um simples “s” o qual passaria a ter um único som .

Como consequência, também os “ss” deixariam de ser nesesários já qe um “s” se pasará a ler sempre e apenas “s” .

Esta é uma enorme simplificasão com amplas consequências económicas, designadamente ao nível da redusão do número de carateres a uzar. Claro, “uzar”, é isso mesmo, se o “s” pasar a ter sempre o som de “s” o som “z” pasará a ser sempre reprezentado por um “z” .

Simples não é? se o som é “s”, escreve-se sempre com s. Se o som é “z” escreve-se sempre com “z” .

Quanto ao “c” (que se diz “cê” mas qe, na maior parte dos casos, tem valor de “q”) pode, com vantagem, ser substituído pelo “q”. Sou patriota e defendo a língua portugueza, não qonqordo qom a introdusão de letras estrangeiras. Nada de “k” .Ponha um q.

Não pensem qe me esqesi do som “ch” .

O som “ch” será reprezentado pela letra “x”.

Alguém dix “csix” para dezinar o “x”? Ninguém, pois não ?

O “x” xama-se “xis”.

Poix é iso mexmo qe fiqa .

Qomo podem ver, já eliminámox o “c”, o “h”, o “p” e o “u” inúteix, a tripla leitura da letra “s” e também a tripla leitura da letra “x” .

Reparem qomo, gradualmente, a exqrita se torna menox eqívoca, maix fluida, maix qursiva, maix expontânea, maix simplex .

Não, não leiam “simpléqs”, leiam simplex .

O som “qs” pasa a ser exqrito “qs” u qe é muito maix qonforme à leitura natural .

No entanto, ax mudansax na ortografia podem ainda ir maix longe, melhorar qonsideravelmente .

Vejamox o qaso do som “j” .

Umax vezex excrevemox exte som qom “j” outrax vezex qom “g”- ixtu é lójiqu?

Para qê qomplicar ? ! ?

Se uzarmox sempre o “j” para o som “j” não presizamox do “u” a segir à letra “g” poix exta terá, sempre, o som “g” e nunqa o som “j” .

Serto ?

Maix uma letra mud

a qe eliminamox .

É impresionante a quantidade de ambivalênsiax e de letras inuteix qe a língua portugesa tem !

Uma língua qe tem pretensõex a ser a qinta língua maix falada do planeta, qomo pode impôr-se qom tantax qompliqasõex ?

Qomo pode expalhar-se pelo mundo, qomo póde tornar-se realmente impurtante se não aqompanha a evolusão natural da oralidade ?

Outro problema é o dox asentox.

Ox asentox só qompliqam !



Se qada vogal tiver sempre o mexmo som, ox asentox tornam-se dexnesesáriox .

A qextão a qoloqar é: á alternativa ?

Se não ouver alternativa, pasiênsia.

É o qazo da letra “a” .

Umax vezex lê-se “á”, aberto, outrax vezex lê-se “â”, fexado .

Nada a fazer.

Max, em outrox qazos, á alternativax .

Vejamox o “o”: umax vezex lê-se “ó”, outrax lê-se “u” e outrax, lê-se “ô” .

Seria tão maix fásil se aqabásemox qom isso !

qe é qe temux o “u” ?

Se u som “u” pasar a ser sempre reprezentado pela letra “u” fiqa tudo tão maix fásil !

Pur seu lado, u “o” pasa a suar sempre “ó”, tornandu até dexnesesáriu u asentu.

Já nu qazu da letra “e”, também pudemux fazer alguma qoiza :

quandu soa “é”, abertu, pudemux usar u “e” .

U mexmu para u som “ê” .

Max quandu u “e” se lê “i”, deverá ser subxtituídu pelu “i” .

I naqelex qazux em qe u “e” se lê “â” deve ser subxtituidu pelu “a” .

Sempre. Simplex i sem qompliqasõex .

Pudemux ainda melhurar maix alguma qoiza: eliminamux u “til” subxtituindu, nus ditongux, “ão” pur “aum”, “ães” – ou melhor “ãix” - pur “ainx” i “õix” pur “oinx” .

Ixtu até satixfax aqeles xatux purixtax da língua qe goxtaum tantu de arqaíxmux.

Pensu qe ainda puderiamux prupor maix algumax melhuriax max parese-me qe exte breve ezersísiu já e sufisiente para todux perseberem qomu a simplifiqasaum i a aprosimasaum da ortografia à oralidade so pode trazer vantajainx qompetitivax para a língua purtugeza i para a sua aixpansaum nu mundu .

Será qe algum dia xegaremux a exta perfaisaum ?

(recebido por email)



Segunda-feira, Fevereiro 27, 2012

As horas do prazer voam ligeiras

SONETO DO PRAZER EPHEMERO


Dizem que o rei cruel do Averno immundo
Tem entre as pernas caralhaz lanceta,
Para metter do cu na aberta greta
A quem não foder bem ca neste mundo:

Tremei, humanos, deste mal profundo,
Deixae essas lições, sabida peta,
Foda-se a salvo, coma-se a punheta:
Este prazer da vida mais jucundo.

Si pois guardar devemos castidade,
Para que nos deu Deus porras leiteiras,
Sinão para foder com liberdade?

Fodam-se, pois, casadas e solteiras,
E seja isto ja; que é curta a edade,
E as horas do prazer voam ligeiras!








Quarta-feira, Fevereiro 22, 2012

As coisas são como são.

Corria o mês de Março de 2006 quando decidi entrar no mundo da blogosfera.


Era tudo novidade, onde a maioria das pessoas desconhecia o Youtube e o fenómeno Facebook estava longe de ser familiar aos internautas.



Tal como a Política Agrícola Comum destruiu a agricultura gandaresa, o eucalipto secou a floresta e Cavaco Silva matou a Política, o Facebook veio fazer algo semelhante à blogosfera ao aglutinar o e-mail, os fóruns, as notícias e outras coisas. Desde a época em que o Youtube era praticamente desconhecido até agora, muito mudou no universo internauta. Naturalmente os blogs acabaram por definhar. Este blog foi e é um espaço livre e aberto, na linha do quanto mais regional mais universal.



As mudanças climáticas ocorridas no ambiente internauta, a forma de vida cada vez mais global que a minha actividade profissional me vai exigindo, empurrou-me, também, para o facilitismo e imediatismo facebookiano.



Esta tasca, pois é assim que tenho designado este espaço, esteve e está de portas escancaradas. No entanto o seu terreno tem estado um pouco como a terra gandaresa na actualidade, isto é, com registo predial, contribuições pagas, estremas definidas, mas com um aspecto para o poisio.



As coisas são como são.



Terça-feira, Fevereiro 14, 2012

Oração

Neste estado de seca letárgica que vive a Gândara, em que o gandarês parece ter desistido de lutar com a Areia Madrasta, talvez lhe reste a oração ao divino e pedir piedade.

Não a piedade para si e para os seus, mas sim para os homens públicos e em especial os políticos desta politiquinha pequenina em que vivem e nos empurraram a viver.

Pedir ao divino que tenha piedade deles e, em especial, dos seus parentes jotinhas, seus criados e bajuladores, para que esse mesmo divino nunca faça deles políticos também.

Amén!







Domingo, Fevereiro 05, 2012

Ser gandarês é uma questão culrural.


Mais do que nascer ou ser criado na Gândara, ser gandarês é saber reconhecer o cheiro da terra estreme,da terra baldeada e o odor do vento mareiro filtrado pelos pinhais.

Quarta-feira, Fevereiro 01, 2012

Vamos todos à merda com um cesto

A seca invade a agrícola Gândara.


Como na Gândara a bosta é a riqueza das pobres areias estremes, e como temos uma ministra da Agricultura que nem imagina o que é a seca, muito menos o que é a Agricultura, mande-se a senhora chamada Cristas à merda, já que nem a mais pequena preocupação tem demonstrado com a situação de seca severa que está a ser enfrentada pela agricultura portuguesa.



Somos governados por ignorantes!!!!!

Terça-feira, Janeiro 24, 2012

Manifesto anti-Cavaco escrito por Mário Viegas

MANIFESTO ANTI-CAVACO

BASTA PUM BASTA

Manifesto Anti-Cavaco escrito por Mário Viegas e inspirado em o Manifesto Anti-Dantas

Uma geração que consente deixar-se representar por um Professor Aníbal Cavaco Silva é uma geração que nunca o foi. É um coio d´indigentes, d´indignos e de cegos! É uma resma de charlatães alaranjados e de vendidos, e só pode votar e parir abaixo de zero!

Abaixo a geração laranja!

Pôrra pró Cavaco, pôrra! Pim!

Uma geração com um Cavaco Silva a cavalo, é um burro algarvio incompetente!

Uma geração com um Eng. António Guterres à proa é uma canoa em seco!

O Manuel Monteiro é um magano!

O Fernando Nogueira é meio-mangano!

O Anibal Silva saberá gramática, saberá sintaxe, saberá vender gasolina, saberá inglês, saberá tudo, menos dirigir económica e politicamente o País, que é a única coisa que ele quer fazer e nunca o fez bem, nem soube fazer!


O Cavaco pesca tanto de Economia, que até faz quadras à António Aleixo, com as ligas da sua Maria Cavaca!

O Guterres é um habilidoso!

O Carlos Carvalhas veste-se mal!

 
O Manuel Monteiro usa ceroulas de malha!

 
O Paulo Portas especula e inocula os concubinos!



O Cavaco é Aníbal!



O Cavaco é Guterres!



Pôrra, também pró Gueterres, pôrra! Pim!



O Professor Cavaco tem feito uma política para Portugal, que tanto podia ser como a do Fernando Nogueira ou a Maria Cavaca ou a Leonor Beleza, ou o Eng. António, ou a Teresa Patrício Gouveia, ou a Nau Catrineta, ou a cantora Dina do Partido Popular!



E o Cavaco teve claques e maiorias absolutas!



E o Nogueira teve palmas! E o António Guterres agradeceu de mão dada com o Jaime Gama!



O Francisco Louçã é um manganão!!



Não é preciso ir para a Fonte Luminosa vestido de laranja, para se ser uma laranjada!



Não é preciso saber contar pelos dedos, para se ser Professor de Economia, basta fazer contas pelos dedos como o Silva! Basta não ter escrúpulos, nem morais, nem artísticos, nem humanos! Basta andar com as modas europeias, com as políticas comunitárias e com as opiniões de Bruxelas! Basta usar o tal sorrizinho com escuma ao canto dos lábios, basta ser muito penteadinho por um barbeiro de bairro, usar figos algarvios e cócos marroquinos e olhos de Sá-Carneiro mal morto em Camarate! Basta ser Judas! Basta ser Fernando Cavaco Nogueira Silva!



Pôrra pró Cavaco! Pôrra! Pim!



O Professor Aníbal Cavaco Silva nasceu para provar, que nem todos os que governam sabem governar.



O Fernando Nogueira é um autómato extra-terrestre que deita para fora o que os trabalhadores pobres já sabem que vai sair… Mas é preciso que os trabalhadores pobres paguem impostos! Os ricos, não!!



O Nandinho Nogueira é um verso-de-pé-quebrado dele próprio!



O Cavaco em génio nem chega a uma garrafinha de mau-cheiro e em talento o Nogueira é pim, pam, pum!



O Cavaco nu é horroroso!



O Cavaco escuma dos cantos da boca!



Pôrra pró Cavaco, Pôrra! Pim!



O Nogueira é o escárnio da consciência!



Se o Cavaco Silva é Europeu eu quero ser Australiano!



O Vasco Graça Moura é a vergonha da intelectualidade portuguesa!



O Vasco Pulido Valente é a meta da decadência mental!



E ainda há quem não core quando diz que apoia o Cavaco!



E ainda há quem lhe estenda a mão!



E quem lhe lave a roupa, manchada de sumo de laranja, que custa imenso a sair!



E quem tenha dó da gazolineira dos Cavacos!



E ainda há quem esteja indeciso de que se votar no Nogueiro-Cavaco não vale nada, e que não serve para nada, e que nem é inteligente, nem decente e é um voto contra si próprio, que nem chega a zero!



Vocês não sabem quem é a senhora Mariani do Cavaco? Eu vou-lhes contar:



A princípio, por notícias das “Olás”, entrevistas, tempos de antena e outras preparações com as quais nada temos a ver, pensei tratar-se da cantora lírica Francesca De Mariani, italiana, que lhe escreveu várias cartas em italiano, apaixonadíssima por ele quando o viu a dormir na primeira fila do S. Carlos, durante uma récita, há uns anos atrás e a subir a um coqueiro em S. Tomé. Depois de ler todas as “Revistas do coração”, de “Maria” a “Manuel”, da “Dona” ao “Diabo”, do “Crime”, ao “Jornal de Letras e Artes e Ideias”, também não fui capaz de distinguir, porque a lâmpada da minha mezinha de cabeceira é muito fraca, era noite muito escura e só a meio dum pesadelo, aí pela madrugada é que tive um sobressalto e lembro-me de consultar a “Nova Gente”, a “Visão” e “Casa, Jardim e Decoração”. E não é que descubro que a tal Mariani do Cavaco era a sua Vivenda algarvia! Adormeci mais descansado e comecei a sonhar o que seria viver naquele paraíso algarvio, só possível à nova sociedade de novos-ricos, criados pelo cavaquismo.



Sonho que a Maria Cavaco vem descendo uma escada estreitíssima, mas não vem só, traz também o Jacques Chirac, que eu não cheguei a ver, ouvindo apenas uma voz muito conhecida dum apaixonado por experiências nucleares e repressões aos Emigrantes em França. Pouco depois o agente do SIS é que me disse que ele vinha com uma camisola do PS, com um grande coração laranja.



A Maria Cavaco e o Chirac estão sozinhos na Vivenda, e às escuras, dando a entender perfeitamente que estiveram indecentemente a conspirar à beira da piscina, sobre a candidatura do Aníbal, à presidência da República, e o tabú do Aníbal. Depois o Chirac, completamente francês e satisfeito, despede-se e salta pela janela, com grande mágoa da Maria Laranjada borbulhante e lacrimosa. E ainda hoje os pobres turistas algarvios, a GNR, a Guarda-Fiscal, a Guarda Florestal, a PSP, e os agentes do SIS têm ocasião de observar a janela arrombada do primeiro andar da Vivenda Mariani, perto de Boliqueime, na Rua do Touro, (perdão, do Aníbal), por onde se diz que fugiu o célebre político em Portugal e bombista nuclear em Paris.



A Maria que é histérica, começa a chorar desatinadamente nos braços da sua confidente e excelente pau de cabeleira, a famosa tia Anica de Loulé…



… Vêm descendo pla dita estreitíssima escada, varias Marias todas iguais e de cigarros acessos, menos uma que usa óculos, dentes saídos para fora como uma vampira, horrorosamente feia, o que quer dizer que é a deputada Conceição Monteiro.



E seria até uma excelente personificação das bruxas de Goya, se quando falasse não tivesse aquela voz tão fresca e maviosa da ex-secretária de Sá-Carneiro. E reparando nos dois vultos interroga espaçadamente com cadência social-democrata, austeridade e imensa falta de camarate:



“Quem está aí?! E de cigarros apagados?”



- Foi o Freitas do Amaral, foi o Otelo, foi o General Eanes, foi o Mário Tomé, foi o Eng. Carlos Marques, foi o Mário Soares, foi o Álvaro Cunhal, foi o Major Canto e Castro, foi o Pinto Balsemão, foi a viúva do Soares Carneiro, foi o vento… dizem as pobres inocentes “Marias Vão Com As Outras”, varadas de terror pluripartidário… E a Conceição Monteiro que só é horrrorosa nos dentes saídos, nos binóculos, nos destroços da avioneta, e em andar sempre a chatear todos os grupos parlamentares, telefona imediatamente para a sede do SIS, em Faro, que é um dó d´alma ouvi-la assim tão sá-carneirista desempregada. Vão todas para a casa de banho, mas eis que, de repente, batem no portão e sem se anunciar nem limpar-se da poeira nortenha, sobe a escada e entra p´lo salão o Eng. Eurico de Melo, que quando era novo fez brejeirices com a menina da alfarroba e da fava-rica algarvia.



Agora completamente nortenho e emendado, revela à dentuças, que sabe por relatórios secretos do ministro Dias Loureiro que há homens que vão com as “Marias Vão Com As Outras”, na Vivenda e que ainda há pouco, fora detectado, por radar, um a saltar pela janela. A Sãozinha Monteiro diz que efectivamente já há tempos que Maria Cavaco vinha dando p´la falta de figos e galinhas no quintal e tão inocentinha, coitada, que naqueles oitenta anos, ainda não teve tempo para descobrir a razão da humanidade estar dividida entre homens e mulheres do PSD e homens e mulheres do PS e de outros partidos. Depois de sérios embaraços do tio Eurico é que ela deu com o atrevimento político e mandou chamar as Marias de há pouco, com os cigarros apagados. Nesta altura, este meu pesadelo policial toma um pedaço de interesse, porque o engenheiro Melo ora parece o Loureiro disfarçado de polícia-sinaleiro, ora um polícia de trânsito com a falta de educação dum agente da polícia de choque, e tão perspicaz que descobre em menos de meio minuto, o que o povinho está farto de saber - que o Cavaco anda a dormir com o Guterres!!!



O pior é que a Maria Silva foi à serra com as indiscrições do Barão do Norte e desata a berrar, a berrar como quem se estava marimbando para tudo aquilo. Esteve mesmo muito perto de se estrear com um par de murros na coroa do Chefe do Grupo da Sueca, no que se mostrou de um atrevimento, de uma insolência e de decisão social-democrata que excedeu todas as expectativas.



Ouve-se uma corneta tocar o Hino da Comunidade Europeia e da França e Maria, sentindo no ruído do escape do avião super-sónico francês, toda a alma tricolor do ser preferido, foi qual passarinha engaiolada, a correr até ao portão da Vivenda Mariani, a gritar desalmadamente pelo seu Jacques. Grita, assobia e redopia e pia e rasga-se e magoa-se e cai de costas com um acidente, de que já previamente tinha avisado o jornal “O Público” e a bandeira gigante do PSD também cai e os antigos votantes sociais-democratas também caem em si e desatam numa dessas ondas de contestação, abstenção e arrependimento tão enorme e tão monumental, que todos os jornais de Lisboa, Loulé e do Porto, no dia seguinte, foram unânimes naquele êxito político do Engenheiro Eurico de Melo e da Conceição Monteiro.



A única consolação que os ex-votantes decentes tiveram, foi a certeza de que aquilo não se tinha passado na Residência Oficial de S. Bento, mas na Vivenda Mariani em Boliqueime, com uma Maria escavacada e encavacada, que tem cheliques e exageros esquerditas.



Continue o Sr. Cavaco a mandar governar assim, que ha-de ganhar muito com as cavacas das Caldas e há-de ver que ainda apanha uma estátua de prata laranja por um ourives de Loulé e uma Exposição das maquetas pelo seu monumento erecto por subscrição social-democrata pelo “Povo Livre” a favor das vítimas da sua péssima política de apoio aos Timorenses, e a praça Dr. Francisco Sá-Carneiro mudada em Praça Professor Aníbal Cavaco Silva e com festas da cidade no Centro Cultural de Belém e sabonetes em conta. “Aníbeis Silvas” e pastas Cavacas prós dentes, e graxa Guterres prás botas, e bananas Jardim, e Niveína Durão Barroso, e comprimidos Paulo Mendo, e autoclismos Santanas e Santanas, Santanas, Santanas, Santanas… E limonadas Ferreira do Amaral - Magnésia.



E fique sabendo o Fernando Nogueira que se um dia houver justiça em Portugal, todo o mundo saberá que o autor de “Os Lusíadas” foi a Agustina Bessa Luís, que num rasgo memorável de modéstia só consentiu a glória do seu pseudónimo “A bruxa da Areosa”.



E fique sabendo o Carlos Carvalhas que se todos votassem como eu, haveria tais munições de punhos fechados, de “Esquerda a Valer” e não “A Necessária” que levariam dois séculos a gastar, sem “sair da rotina da esquerda” do Francisco Louçã!



Mas julgais que nisto se resume a política portuguesa? Não! Mil vezes não!



Temos além disto o Jorge Sampaio, que já fez decretos para a Câmara de Lisboa, que deixou de ser a derrota do machão Macário Correia, para poder passar a ser a derrota do Dr. Sampaio, com notas negativas do Professor Rebelo de Sousa.



E as pinoquices do Vasco Pulido Valente passadas no tempo em que “emborcava copos” na Secretaria de Estado da Cultura e no semanário “O Independente”! E as infelicidades de Carlos Pimentinha? E o talento insólito de Urbano Rodrigues! E as gaitadas do Vilhena! E as traduções só para homens do ilustríssimo excelentíssimo senhor António Barreto? E o Frei Hermano da Câmara!



E a Leonor Beleza co-responsável por uma série de contaminações de sangue nos nossos hospitais! E as imbecilidades do Pacheco Pereira! E mais pedantices do Albeto Pimenta! E o Pinto Coelho, o cavaquista do desenho! E alguns jornalistas cavaquistas, socialistas e fascistas d´”O Público”, e da “Capital”, e do “Diário de Notícias”, e d´ “O Diabo”, e d´ “O Dia”, e d´ “O Crime”, e do “Correio da Manhã”, e do “Expresso” e de todos, todos os jornais que não derem sempre notícias sobre a UDP nas primeiras páginas e ainda tempos de antena diários de meia hora na rádio e na TV.



E os Actores de todos os quatro canais de televisão e de todos os teatros pseudo-vanguardistas! Mário Viegas, incluído.



E todos os artistas que andaram a mamar dinheiro de Lisboa Capital Europeia da Cultura de 94 e futuramente da Expo 98 de que nós já desconfiamos! E os Valentins Loureiros do Porto e os palermas de Coimbra que não votarem UDP! E a estupidez do caso das gravuras de Foz Coa e o Dr. José de Figueiredo e oh oh os Mota Pinto hu hi e os burros de Boliqueime e os menus das festas do Centro Cultural de Belém e a Caixa Geral dos Depósitos feitos pelo Michel! E o raquítico Marques Mendes, palerma do PSD a quem o Dr. Soares com imensa piada intrujou que era mais alto do que parecia numa recepção em Belém! E todos os que são Políticos e Artistas, excepto os da UDP, como é evidente.



E as Exposições anuais no A.C.A.R.T.E. da Gulbenkian! E todas as obras de fachada? E as do Eduardo Prado Coelho em Paris; e os Vaz da Silva, os Estrela, os Josés de Magalhães, os Pintos da Costa, os Louçãs, os Arnaldos Matos, os Hermínios Martinhos, os Almeidas Santos, os Narcisos de Miranda, os Falcões e Cunha, os Jaimes Gamas, os Torres Coutos, os Fernandos Gomes, os velhos antigos salazaristas, os idiotas eanistas, os arranjistas socialistas, os racistas, os impotentes do PSN, os celerados do PP, os vendidos do PRD, os imbecis do MRPP, os párias vendedores de droga, os ascetas democratas-cristãos, os Fernandos Teixeiras da Maçonaria, os das coligações das Câmaras, os diabo que os leve, os Filipes Menezes, os Jardins, os Ricardos Pais, os La Férias, os Guedes, os Manúeis Alegres, os Esteves Cardosos, os Abrunhosas, as Veras Lagoas, os Motas Pinto, os Joões Bosco, os Alpoins Galvões, os Duartes Pios de Bragança, os Silvas Melos, os Marcos Paulos, as Zitas Seabras, as Simonetas Luz Afonso, os Mendes Botas, os Jaimes Neves, e todos os laranjas cor de rosa que houver por aí!!!!!



E as convicções urgentes do Soares Pai e as convicções catitas do Soares Filho!…



E os concertos de “Os Madre de Deus”! E as estátuas a fascistas, ao Amaro da Costa e ao despertar e a tudo! E tudo o que seja Arte e Cultura, em Portugal! E tudo! Tudo por causa do Cavaco disfarçado de Nogueira afónico!



Pôrra pró Cavaco, pôrra! Pim!



Portugal que com todos estes senhores conseguiu a classificação de País mais atrasado da Europa e de todo o Mundo! O País que tão pouco tem ajudado os irmãos Africanos e Timorenses! O exílio dos desiludidos, dos abstencionistas e dos desacreditados e indiferentes dos políticos! A África reclusa dos europeus! O entulho de lixos tóxicos europeus, da poluição e da entrada de droga internacional! O Paraíso dos ricos que não pagam impostos, nem pagam a Crise e a Fome! Portugal inteiro (incluíndo Madeira e Açores) há de abrir os olhos no dia 1 de Outubro de 1995 - se é que a sua cegueira não é incurável - e então gritará comigo, a meu lado, a necessidade que Portugal tem de ter vozes diferentes na Assembleia da República, Deputados duma “Esquerda a Valer”! Deputados da UDP, claro, e a necessidade que Portugal tem de ser qualquer coisa de asseado e despoluído.



Pôrra pró Cavaco, (e seus camaradas de várias cumplicidades, cores, silêncios e futuros compromissos), Pôrra! Pim!



Mais de oitenta anos depois do Manifesto dum tal Almada Negreiros.

Domingo, Janeiro 22, 2012

Os arranhões do Silva

Eis o início do arrastamento de Cavaco Silva pela Presidência da República.

Nem a máquina da propaganda paga pelos antigos favores do BPN o safará de se arranharar nos seus próprios espinhos de Silva que é.

Além do tremelique da mão, Cavaco Silva deverá ter outra ordem de tremuras.

Daqui em diante, só debitará escritos elaborados pelos seus escrivinhadores de discursos, aqueles que lhe mantêm a página do facebook activa, decorará umas frases feitas só para perguntas préviamente autorizadas, e recolherá ao centro de dia de Belém.

O que será necessário para despedir um presidente da República?



Quinta-feira, Janeiro 19, 2012

Feira da Tocha

O Público e o Povo

Há muita coisa errada que não está certa neste acordo e em especial neste barulho que se ouve, pois nem as associações empresariais representam todo o universo dos empresários e a UGT ou mesmo as duas centrais sindicais representam os trabalhadores.

Este acordo e todo o ruído à volta só serve de megafone para baralhar o Público.

 
Faço notar que Marcelo Caetano chamava Público ao que mais tarde se passou a chamar Povo. Na verdade isto é mais um Público que um Povo.



Quarta-feira, Janeiro 18, 2012

Mecânica de fluidos

Mecânica de fuidos.


Um fluido é uma substância que se deforma continuamente quando submetida a uma tensão de corte, não importando o quão pequena possa ser essa tensão.

Quarta-feira, Janeiro 11, 2012

Sábado, Janeiro 07, 2012

Quarta-feira, Janeiro 04, 2012

Fregueses


O problema dos custos não é as freguesias, mas sim as Câmaras com despesas eleitorais, empresas municipais, empregos de compra de votos..... Os gajos da troika devem ter confundido a tradução de freguesia, autarquias e paróquias. O principal problema é os herdeiros da ANP e o seu sindicato de voto que está em risco. Por isso se fala só nas freguesias.

Mas há mais: existem concelhos que a Câmara Municipal, directa e indirectamente, é o grande empregador, e a questão que se coloca neste momento como é que transformar o trabalho dessa gente em trabalho de economia.

Nota: A Acção Nacional Popular (ANP) foi uma organização política portuguesa período do Estado Novo. Tratava-se, na realidade, de um Partido único, como organização com carácter permanente que era, num contexto em que era proibida a constituição de partidos políticos e que à oposição apenas eram permitidas algumas formas extremamente limitadas de organização, sem liberdade de expressão e objecto de controlo pela polícia politica, em períodos de escassas semanas imediatamente anteriores às eleições.

Segunda-feira, Janeiro 02, 2012

Negócios verdes

Vivemos esta época de mudança, um indício do fim de uma era no modo de vida dito ocidental. A forma tradicional de fazer negócios, como se entendem que se devem ser feitos, e com se fizeram até hoje, com financiamento, desregulação dos mercados e privatizações, parecem indicar que não são mais opção, apesar da informação catequética contínua que nos tem bombardeado, penso que de propósito, com manobras de diversão bem estudadas.

O que se prepara são novos tipos de regulação política criados pelos mercados, os tais gajos que ninguém conhece e que até se irritam tal qual um deus, e os governos, quer sejam resultantes de votação popular ou não, procura de novos espaços económicos para acumular dividendos.

Além desta crise financeira que arrastou consigo a economia, temos uma grave crise política, dai nos parecer que não existem políticos nem políticas, uma crise climática que a todos nos toca e uma nova crise resultado da mistura promíscua no eco sistema, pela necessidade constante da expansão da acumulação de dinheiro.

Estamos viver um tempo de negócios verdes que só estão a explorar o colectivo e a contribuir para a bio crise.



(Fazer chover no molhado)

Sábado, Dezembro 31, 2011

Desejo um Bom Ano 2012.

A linguagem existe para as pessoas comunicarem entre si num dado instante, dissipando-se as palavras rapidamente. Assim se esquece o dito e se poderá dar o dito pelo não dito, pois muitos esquecem o que dizem ou o que ouvem, e na melhor das hipóteses apenas se lembrarão de parte do essencial. Quando existe a vontade de comunicar, criamos e conservamos esse registo para que o afirmado vá para além do que se diz numa dada ocasião.

Considerava efémera a comunicação via Blog do Manel, isto numa média superior a 12 mensagens por mês. Agora já assim não penso desde que aderi ao Facebook, mais porque os meus amigos e conhecidos, agora todos considerados amigos, por lá estavam e por lá paravam, do que a necessidade comunicação instantânea. Faço e fiz parte de grupos onde poderia expor os meus corrimentos de pensamento. Ali, parecia-me que teria o espaço que o Blog estava a perder.

Reconheço que tenho encontrado na rede social Facebook, pessoas de estima e de elevada intelectualidade, e são essas as que me mantém ligado à rede.

A linguagem do Facebook é efémera, demasiado efémera, onde a autoridade do texto nem sequer é posta em causa, pois caso tenha mais que duas linhas não será lido, isto quando qualquer texto, em princípio, reclamaria para si uma certa autoridade.

Tirando as honrosas excepções, a vacuidade reina no Facebook, roçando o Voyeurismo.



Como não aceito a chamada autoridade suprema, única atribuída ao texto sagrado, reconheço e aceito as diversas autoridades do texto e da palavra. Gostaria que a sociedade fizesse o esforço mínimo na preservação da autoridade do texto e da palavra, neste momento em que o medo é rei e a ditadura avança atrás da pobreza.

Como escrevi em tempos no meu Blog, o problema principal da Gândara é cultural. Eu vejo todo o mundo na minha aldeia.

Desejo um Bom Ano 2012, com Liberdade, Fraternidade, Igualdade na Diferença e Solidariedade.

Que se divida o Bem pelas aldeias.

Segunda-feira, Dezembro 12, 2011

Estou farto de financeiros

Se a riqueza não for o somatório da riqueza de cada um, mas sim a capacidade colectiva em a criar, declaro que estou farto de financeiros. Já tivemos um que …. Só falta a ditadura militar, pois a opinião pública (publicada) é a que temos.

Quarta-feira, Dezembro 07, 2011

Segunda-feira, Novembro 28, 2011

Comunicado do tasqueiro

Aos frequentadores desta minha tasca informo que as portas continuam escancaradas. Entrem e sirvam-se apesar deste tasqueiro não se apresentar tão assiduamente atrás do balcão.
Andam por aí outras superfícies que, além de oferecerem uns copos dessas bebidas com nomes e cores mais apelativas ao consumo imediato, apresentam muita luz e ainda mais espelhos.
O país que actualmente que mais se parece com o Portugal antes do 25 de Abril de 1974 é o Portugal actual, agora que união monetária europeia está em colapso, onde tudo me indica e aponta o desintegrar da moeda, um país que buscou a modernidade, mais uma vez, na aparência.
Coisa boa aí não vem!

Sexta-feira, Novembro 25, 2011

Quarta-feira, Novembro 23, 2011

Quinta-feira, Novembro 17, 2011

Segunda-feira, Novembro 07, 2011

Sanguinheira

Sanguinheira. A Gândara antes do terramoto de 1755.

Gândara

A Confraria das Almas. Sanguinheira 06-11-2011.

Domingo, Novembro 06, 2011

Ameriquices e cavacadas

Mais uma cavacada do Silva. uma belezuma de primeira. O Presidente da República evocou, este domingo, em Nelas, a figura lendária do Moiral, que todos os dias levava o rebanho para a Serra da Estrela, para pedir o melhor do esforço dos portugueses no trabalho. «Para esse Moiral, que conduzia ao longo dos séculos os seus rebanhos para as terras altas, não havia fim-de-semana, não havia férias, não havia feriados, não havia tão pouco pontes em nenhumas circunstâncias». Mais uma ameriquice do Aníbal.

Quarta-feira, Novembro 02, 2011

Segunda-feira, Outubro 31, 2011

S. Tomé de Mira

O altar do S. Tomé de Mira e o anjo tocador de viola barroca.

Terça-feira, Outubro 25, 2011

A Justiça do cacete Caniceiro

A mobilidade do chão gandarês, como é do entendimento geral, nunca poderia deixar marcas do passado como as que existem a Norte, acima do Douro e na Galiza, onde a construção pétrea, os castros, legado mais importante que apareceu como construção não relacionado com rituais funerários ou de religiosidade pagã. Mesmo estes, nos areais da Gândara, não têm referências de registo físico, mas eu estou certo que existiram, dadas as lendas e estórias chegadas até nós.
Sem reivindicar uma visão romântica, esta hipótese que aqui se vai apresentar sem lendas de mouros nem epopeias, de conquistas de terras prometidas, baseia-se na transmissão oral chegada até mim.
O isolamento forçado pelas dunas levou a que os caniceiros se organizassem por si mesmos, com muita pouca influência do poder religioso, político e administrativo da justiça da época.
Há uma Caniceira antes e uma outra depois da sementeira das dunas das Cantanhede e Mira, assim como antes e depois da luta pela defesa do Pinhal do Povo. Outro marco importante nas alterações da forma de vida e vivência dos caniceiros foi a abertura da Estrada nacional 109, que não respeitou ninguém no seu traçado, cortando a aldeia a meio.
As regras da vida social dos caniceiros eram as da Gândara, desde o tratar de casamentos, partilhas, questões e casos de conflitos entre eles.
Os casamentos eram tratados pelos familiares (pais e mães) em reunião para o efeito em casa dos pais da moça. Tais tratos eram festejados pelos atentos vizinhos com o bater de latas pela noite dentro e pela invasão da casa, onde as iguarias da mesa eram logo devoradas pelos barulhentos intrusos, como um enregar da boda ali contratada. Os casamentos , regra geral, eram entre jovens da aldeia. Poucas, mas mesmo muito poucas, foram nessa época as excepções. As partilhas tinham em atenção os altos, isto é, locais de casas e quintais, e as terras de cultivo que eram repartidas em partes iguais uma por uma pelos herdeiros, para que ninguém ficasse prejudicado, assim com o pinhal novo ou de serra, terras frias ou quentes, de produção serôdia ou temporã, fragmentando em courelas os areais pobres de agricultura incerta.
A família era um conceito de parentesco muito mais alargado que o de hoje, pois primo de muitos graus ainda era considerado da família, mesmo que por afinidade. Assim, as disputas e questões que ocorressem eram resolvidas nas esferas familiar e da aldeia, sem qualquer interferência exterior, numa justiça de primitiva derivada da famosa Lei do Pinhal.
A economia dessa época e o modo de sobrevivência dos caniceiros, além de uma agricultura pobre, de subsistência, muito dependente das condições climatéricas, era o trabalho sazonal e ocasional das companhas, empresas de pesca organizadas por safra, do início do S. João (Junho) aos Santos (Novembro) da arte xávega, uns como rapoleiros, os que puxavam a rede à mão cujo trabalho era pago individualmente com uma teca de peixe, quantidade de pescado que de um modo geral carapau, petinga ou lavadinha, que pode ser contido em duas mãos abertas juntas, outros como aparelhadores de barco que constava de prepara as artes, que consta de saco da rede, mangas, cordas, bóias, enfim tudo o necessário para ir ao mar, colocação de rolos de madeira para 3mpurarrar o barco para o mar, às ordens do arrais, empurrado pela muleta, vara de desenho específico com que se empurra todo o barco para a água.
O trabalho de retirar o barco do mar para a praia, no regresso da faina de lançar a s redes era também da responsabilidade da mesma equipa que tinha elementos da Companha e outros não efectivos, mas que eram aceites de bom grado, pois o alívio do esforço era sempre bem-vindo. O pagamento era em peixe e sempre em proporção ao tamanho do lance. Por fim havia os pescadores experimentados. Faço aqui a minha singela homenagem á memória dos homens que morreram no naufrágio de 20 de Junho de 1942 no Mar da Tocha.
Na barcada de homens que se afundou iam muitos caniceiros que ali pereceram. Também iam pescar para o mar dos palheiros de Mira, conforme consta no registo do naufrágio no início do século XX, fatal para um Caniceiro, Maricato era o seu nome de família.
Importante para a economia era também a pastorícia de gado bovino (vacas bravas) pelas Dunas e areais da Gelfa, transumância com os campos do Mondego (Carapinheira). Daí as rixas constantes e os ditos pouco abonatórios entre os originários destas duas terras. Os caniceiros diziam dos da Carapinheira: terra rica, terra de merda.
Percorriam as poucas pastagens que existiam entre as dunas de Quiaios e a Barra de Aveiro, e levavam consigo os apanhadores de bosta, cujas regras de vida eram escrupulosamente cumpridas ao longo desses extensos areais, onde qualquer conflito era solucionado ali mesmo.
Era a Lei do Pinhal, com o seu cumprimento lega, não por ter um enquadramento do tipo, mas para que de lição servisse ao prevaricador e de exemplo a potenciais candidatos à justiça do cacete Caniceiro ao longo das costas e acima dos artelhos. Era válida e aplicável em caso de flagrante delito, acompanhado de testemunhas para o efeito.
Depois, tudo seria tirado a limpo, isto é, até às famílias dos contendores, se ia tirar perguntas, se tal fosse preciso e a justiça estava feita. Caso contrário, a coisa mudava de figura e já se pode imaginar que o justiceiro falhado, mais tarde ou mais cedo, receberia o retorno do erro judicial.
A Lei do Pinhal aplicava-se aos conflitos relacionados com o bem mais precioso para a agricultura da época, a bosta, para adubar as areias estremes trazidas do mar pelo vento e ali depositas nos fundos das baleiras (dunas).
A malhada, como se designa na Caniceira a cerca do gado onde este passava a noite e a sesta a ruminar, era local exclusivo e único de recolha do valioso adubo pelo dono da manada. Todas e quaisquer bosteiras que estivessem do lado de fora da malhada eram de quem a recolhesse.
Assim, grupos de homens, em especial jovens antes de irem às sortes, devidamente apetrechados com um cesto feito de vime, traçado ao ombro e costas por uma correia feita de um entrançado de corres, uma espécie de escalracho (panicum repens) existente ao longo dos baixios das dunas, seguiam as manadas de relveiro, nome dado aos baixios de relva onde o gado podia pastar, em relveiro, de malhada em malhada, recolhendo as bosteiras com a palma da mão e lançando-a para trás, por cima do ombro, até encher o alforge da moínha. Devido ao tipo de alimentação seca do gado, as bosteiras eram consistentes e de fácil manejo pela palma da mão, mesmo ainda quentes e acabadas de cagar pelo gado em contínuo andamento.
Devido á escassez de lenha, e apesar de os caniceiros serem os criadores da inigualável iguaria que é a batata assada na areia que tanta lenha necessitava para a sua confecção, era usual o uso de bosta seca para confeccionar uma simples sardinha assada ou uma batata cozida.
A bosta recolhida era colocada em montes ao longo do trajecto entre relveiros e malhadas. Cada seguidor das pisadas do gado tinha os seus montes de moinha e todos sabiam a quem pertenciam. Estes seriam recolhidos, mais tarde pela carroça da vaca marinha o carro puxado pelas vacas, para casa da família.
Roubar, mesmo que parcialmente, o rico produto depois de tão aturado e laborioso esforço, tinha a imediata aplicação da Lei do Pinhal. Umas cacetadas, no caso de ser apanhado em flagrante, ou não cairia no chão em futuro próximo se tal não fosse remediado e corrigido a tempo. Até mim chegaram relatos de casos em que foram justas e acertadas as justas amaciadelas do Cacete Caniceiro. Desconheço os casos em que a injustiça foi excepção, ou talvez porque se fez justiça de olho por olho e dente por dente, e assim se terá apagado os registos orais das actas de tais sentenças.
Os jovens eram instruídos neste regime de aplicação da Lei do Pinhal, sendo o cajado, o célebre Cacete Caniceiro, companhia para a vida adulta e sénior.
Casos mais bicudos, envolvendo alguém exterior á aldeia, eram resolvidos pelo cerrar de fileiras, um autêntico “um por todos e todos por um”. Estes casos “heróicos” serviam de reforços de hierarquia, reconciliações, pagamento de dívidas atrasadas ou reconhecimento público. Daí a fama do Cacete Caniceiro extravasara as fronteiras de Gândara.
A lei do Cacete Caniceiro foi assim aplicada até às lutas dos Defensores do Pinhal do Povo, luta justa dos caniceiros na defesa daquilo que lhes dizia respeito e onde foram reconhecidos por toda a região. Tal conhecimento até chegou aos corredores do poder fascista, o vigente à época.
O Cacete Caniceiro era agora bem conhecido extra muros arenosos do castro.
A abertura da Estrada Nacional 109, as novas realidade sociais do reforço dos regimes totalitários e o 2º conflito mundial, levaram os jovens a novos desafios, isto é, o sucesso da fuga à enxada.
O regime, atento a esta gente habituada a resolver os seus problemas intra e extra muros, logo deu primazia a alguns que nessa fuga ao baldear areia chamariam outros. Desta forma os caniceiros ocuparam rapidamente os lugares da Guarda florestal, Guarda-fiscal, cantoneiros para limpar valetas da recém aberta EN 109, Guarda nacional Republicana e Polícia de Vigilância e Defesa do Estado. Além de se aculturarem e promoverem socialmente, os jovens apanhadores de bosta que estavam preste a ter o seu mister obsoleto devido à sementeira da floresta e fim anunciado da pastorícia, também domesticariam as rebeldias no uso de Cacete Caniceiro, ficando este obsoleto.
As questões de justiça, mesmo aquelas que o cacete rapidamente resolvia, passaram a ser dadas em Cantanhede, onde eram expostas as vidas de cada um em terra estranha, perante desconhecidos de palavras ininteligíveis, os comedores de Cantanhede, assim chamados para os lados das areias brancas e estremes.
A transição da justiça do cacete Caniceiro para a barra do Tribunal de cantanhede ainda levou algum tempo. A última questão que o Cacete resolveu foi um caso de heranças, doações e testamentos, que o Meritíssimo Juiz do Tribunal de Cantanhede se mostrou incompetente para fazer justiça, sendo esta executada nos caminho de regresso à aldeia, no meio das vinhas de Cadima, com umas cacetadas certeiras e, dizem os relatos que justas, pois o caso ficou ali mesmo resolvido. Tão justas nos bairros de Cadima como nas areias da Caniceira.
Ficou o famoso caso conhecido como a Sentença do Arinto, em honra à casta que existia na vinha.
Foi esta a última sentença, conhecida, do Cacete Caniceiro.

Quinta-feira, Outubro 20, 2011

Quarta-feira, Outubro 19, 2011

Terça-feira, Outubro 04, 2011

Um grito de "Viva a República"

Tinha eu 15 anos quando ouvi pela primeira vez um “Viva a República”. Lembro-me que descíamos, eu e os meus colegas de Escola Industrial e Comercial da Figueira da Foz, a rua que dá directamente à Praça da República da cidade, passando, à época, em frente a pequena esquadra da Polícia de Segurança Pública. Um pequeno grupo de homens já de idade, de fato escuro e chapéu, como que vestidos para passearem ao Domingo, lançavam de vez em quando um grito “Viva a República” descobrindo respeitosamente a cabeça, enquanto vagueavam pela praça. Era a meio da manhã do dia 25 de Abril de 1974.

Zé Penicheiro

Gândara

O mapa de Alvarez, séculoXVI, onde se pode ver Monte Arcado, Pocariça, Cantanhede, Cadima, Mira, Montemor-o-Velho, etc, a região a que chamamos hoje Gândara. Faço notar que à época os mapas eram orientados a Oriente e não a Norte como hoje os representamos. Daí a palavra orientação.

Gândara

Taboeira antes do terramoto de 1 de Novembro de 1755.

Tuna da Linha do Sol

Ensaio da Tuna da Linha do Sol no dia internacional da Música.

Segunda-feira, Outubro 03, 2011

Regiões

Para pensar.

Sábado, Outubro 01, 2011

A guitarra que nasceu a 30-09-2011

Aos meus amigos que pretendam começar a construir guitarras, só peço que guardem este segredo bem guardado.
Guitarra portuguesa.
Comprimento total: 850 mm
Comprimento de corda vibrante: 470 mm
Largura: 370 mm
Altura de caixa: 75 mm
Braço: Cedro das Honduras
Tampo: Espruce
Fundo: Pau santo
Ilhargas: Pau santo
Escala: Ébano
Pestana e Cavalete: Osso de vaca
Leque e Atadilho: Feito pelo Fanan
Design da rosácea: Meste Alves André