quinta-feira, novembro 15, 2018

Dolce fare niente


Mais um dia a estar!
Coisa importante é esta de estar e nada fazer. Sentar e fazer umas coisas. Olhar para o trabalho feito e assim nesta coisa de estar, só que vai quase para um tempo grande, bem mais tempo do que aquele que planeei, e não estou assim tão avançado na coisa como eu desejaria. Parece que as coisas têm que ser baldeadas, misturadas entre elas, para que possam fermentar, levedar e crescer, pois sempre encontro dificuldades várias em colocar em trabalho efectivo aquilo que penso.
Quem diz que é fácil engana-vos. É muito difícil atingir o dolce fare niente. Não é para todos!

Rodagem ao motor





Antigamente a um carro novo aconselhava-se efectuar uma rodagem cuidada. Para isso o proprietário efectuava, de um modo geral, umas viagens longas para assim os componentes do motor se acomodassem uns aos outros. 
Por volta dos 1500 Km efectuados a viatura voltava à oficina, mudavam-se os filtros e o óleo, e no caso da Citroen reapertavam-se os parafusos da cabeça do motor.

quinta-feira, novembro 08, 2018

Evolução na população da Gândara de Cadima ( freguesias de Cadima, Sanguinheira e Tocha)

Evolução na população da Gândara de Cadima ( freguesias de Cadima, Sanguinheira e Tocha)
Com lugares desta freguesia foi criada pela Lei nº 23/86, de 19 de Agosto, a freguesia de Sanguinheira


quarta-feira, novembro 07, 2018

Escoural, 25 de Outubro de 1573



Neste dia de 25 de Outubro do ano de 1573 , Simão Fernandes do Escoural, baptizou a sua filha na Igreja de Cadima.

terça-feira, novembro 06, 2018

Fakebook



Fakebook.
Acreditamos mais facilmente nas mentiras que nas denúncias destas falsidades. É usual dizer-se que a Mentira dá a volta ao mundo antes de a Verdade ter tempo para se vestir.
Neste tempo de redes sociais, é nestas que as pessoas vão buscar a informação em primeira mão. Se estas tiverem mais que um parágrafo e não tiverem uma foto e título apelativos, não serão lidas pela maioria.
Nas minhas mensagens eu sou abusador a escrever. Muitas vezes uso mais que um parágrafo junto fotos e desenhos a provocar a leitura do texto. Assim, como é que um visitante do meu perfil do Facebook consegue ler dez mensagens minhas, que coloquei na rede, em menos de um minuto, pois colocou um clique gosto em cada uma?
Fica aqui mais uma provocação, e façam o favor de ser felizes. Cuidado não tropecem em muitas fake news, nem as repassem sem filtrar primeiro.



quarta-feira, outubro 31, 2018

A eterna satisfação das Divinas ofensas


A eterna satisfação das Divinas ofensas


“ Veríssimo de Mendonça, irmão do autor da História Universal dos Terremotos, não tem hesitações a esse respeito: «He sem duvida,» - escreve - «que no centro da terra há o fogo do Inferno, que tantas vezes nos lembra a Escriptura Sagrada. E ainda que este fogo seja destinado para o tormento das almas dos condemnados, e eterna satisfação das Divinas offensas, sempre he verdadeiro fogo, e da mesma natureza, que o elementar; bem que pela matéria sulphurea, e betuminoza seja mais denso, e abrazador» . “
(As interpretações dadas, na época, às causas do terramoto de 1 de Novembro de 1755)
Rómulo de Carvalho, Comunicação apresentada à Classe de Ciências, na sessão de 29 de Outubro de 1987


segunda-feira, outubro 29, 2018

Os Cultos ancestrais originais do Mediterrâneo à Senhora da Conceição



Os Cultos ancestrais originais do Mediterrâneo à Senhora da Conceição

A Humanidade cedo se apercebeu do calendário e dos ciclos da Natureza, com a noite a alternar com o dia, e os movimentos dos astros a repetirem-se ciclicamente.
O primeiro calendário a ser usado foi o calendário lunar, regendo o astro errante as marés e influenciando as plantas e os animais.
A esta observação sistemática, os Humanos associaram os movimentos relativos do Sol em conjugação com a observação estrelar do céu nocturno em cada época do ano.
Foi assim que a Humanidade começou a encontrar justificações para a constante renovação da Natureza no livro aberto que é a abóbada celeste que nos envolve a visão.
Cedo o Homem começou a levantar o olhar para o céu e de lá buscar o entendimento das coisas terrenas, coisa que hoje em dia não acontece dada a poluição luminosa existente que a todos vai cegando.
Perante o nosso olhar para a visão nocturna da abóbada celeste, esta apresenta uma rotação anual completa, fechado o círculo e iniciando outro de renovação. Assim se dividiu a faixa zodiacal em doze, que deu origem aos doze signos do Zodíaco, doze meses do ano, doze horas do dia e as mesmas doze horas da noite. O nome Zodíaco deriva do facto de a humanidade reconhecer desenhos de animais nas estrelas, tal a importância deles nas suas vidas.
No entanto observava-se a olho nu que certos “astros” não cumpriam a rotação perfeita da esfera celeste.
Sendo assim, estes corpos celestes teriam cada um espaço próprio além do elemento ar, e daí influenciariam toda a vida das pessoas, animais, plantas e mar. Algo de importante teriam e seriam. Daí merecerem um tratamento especial, ou seja a sua divinização.
Eles são sete, a saber pela ordem dos luzeiros celestes principais até então conhecidos: Sol, Lua, Marte, Mercúrio, Júpiter, Vénus e Saturno, e segundo nossa observação da Terra, temos: Lua, Mercúrio, Vénus, Sol, Marte, Júpiter e Saturno.
Dos sete “divinos celestiais astros” temos os sete dias da semana.
Segundo o relato bíblico, Deus fez o mundo em seis dias e descansou ao sétimo dia
O número sete é usado como suporte de certas regras e rituais humanos.
Até 7 horas depois de nascido, não se sabia se o novo ser é apto para a vida.
 Aos 14 dias (2 vezes sete) os olhos da criatura podem seguir a luz.
 Aos 21 dias (3 vezes sete) volta a cabeça impelido pela curiosidade.
 Aos 7 meses saem-lhe os primeiros dentes.
 Aos 14 meses (2 vezes 7), anda.
Aos 21 meses (3 vezes 7) exprime seu pensamento por meio da voz e do gesto.
 Aos 7 anos rompem-lhe os segundos dentes.
Aos 14 anos desperta-se nele a energia sexual.
Aos 21 anos (3 vezes 7) chega à maior idade e está fisicamente formado.
 Aos 28 anos (4 vezes sete) cessa o desenvolvimento físico e começa o espiritual.
 Aos 35 anos (5 vezes sete) chega ao máximo de força e actividade.
 Aos 42 anos (6 vezes sete) chega ao máximo da aspiração ambiciosa
 Aos 49 anos (7 vezes 7) chega ao máximo de discrição e começa a decadência física.
 Aos 56 anos (8 vezes 7) atinge a plenitude do intelecto.
 Aos 63 (9 vezes 7) prevalece a espiritualidade sobre a matéria.
 Aos 70 anos (10 vezes 7) inicia-se a inversão mental e sexual.
Isto não é regra rígida, mas todos nós sabemos com que idade se inicia a escola, e até qual a idade mínima para ser, em Portugal, candidato a presidente da República.
Na ancestral filosofia de vida do ser humano presumia-se a vida do dia-a-dia integrada e fazendo parte de toda esta transcendente engrenagem.
Os seres divinos governam a esfera com funções específicas, em que seus ditames  ampliam os efeitos positivos ou os negativos, todos eles conjugados e sobrepostos uns aos outros, resultando em benefícios ou não para os humanos que vivendo integrados com a Natureza, tinham como principal objectivo, tal qual hoje, a sobrevivência.
Como animais sociais que somos, cedo se compreendeu que a sobrevivência individual está interligada com a garantida segurança do grupo e na sua renovação geracional.
Assim, as crianças deixavam de pertencer à mãe, para lentamente pertencer à tribo. A tribo, por sua vez, defendia em primeiro lugar as crianças e as mães.
Nos primórdios da sociedade a vida estava intimamente associada aos ciclos naturais, e a necessidade de crianças para o grupo estava ligado às divindades supremas, nomeadamente à Lua.
Tal foi assim tão vincado até aos nossos dias que, quando uma criança é bem-nascida, se diz que ela nasceu de rabo virado para a Lua.
Depois, a Lua com os seus efeitos de maré no mar e na atmosfera, arrasta fenómenos meteorológicos importantes para a sobrevivência humana, que as antigas práticas agrícolas com os seus adágios que às vezes nós ainda a eles recorremos.
A primeira Lua Cheia depois do equinócio de Março, início da Primavera, sempre foi um marco extraordinário para a Humanidade fustigada pelas agruras do Inverno,
A Lua no seu esplendor arrastava a esperança num novo provir trazido nos efeitos de maré atmosférica, e associado aos raios criadores do Sol. Estas festas cíclicas, que seguem o calendário Lunar associado ao calendário solar, Equinócio, são de tempos imemoriáveis  encontros de conciliação para a abundância desejada.
São interessantes as associações que os nossos antepassados faziam entre a chuva da Páscoa, ou a sua ausência e a previsão da fartura agrícola para o ano vindouro. Temos os exemplos de “Páscoa molhada, chuva abençoada”, “ não há Entrudo sem Lua Nova nem Páscoa sem Lua Cheia” e “a festa do Natal é em casa, a da Páscoa na praça, a do Espírito Santo no campo”. No caso deste último rifão popular, são vincadas as festas Lunar móveis Páscoa e Espirito Santo em relação à festa fixa solar, que é o Natal.
Natal e São João são efectivamente festas solares.
É de notar que na antiguidade o ano começava pela Primavera, e daí o mês sete fosse Setembro, o oitavo Outubro, o nono Novembro e o décimo Dezembro, isto como reminiscência latinista do império romano.
Temos aqui uma importância dada à Lua, a sua relação com o equinócio de Março, a Páscoa, a chuva da Páscoa, a renovação e o renascimento da Natureza.
Certos animais como a cobra, da observação da muda de sua pele pela Primavera, aos olhos das pessoas é um simbólico renascer enigmático.
Para a compreensão da vida integrada no seu universo, a Humanidade recorre ao simbólico do Sol que tudo cria, das estrelas que formam a abóboda Zodiacal, da Lua que dá a renovação da vida e da cobra que é a prova disso.
Assim a Senhora que concebe, a Senhora da Conceição, terá ao colo e num dos braços seu filho vingado e escorreito, na outra mão um símbolo de fartura, desde uma fruta, flor, espiga, ou uma luz (círio), a sua coroa zodiacal de doze estrelas, a Lua em Quarto Crescente que dá a renovação e a cobra a comprová-la.

quarta-feira, outubro 24, 2018

Quando de lá eu estava a vir é que deveria ter ido.



Quando de lá eu estava a vir é que deveria ter ido. Seria outra coisa, não a que foi, mas foi o que foi e não o que eu, agora, desejaria que tivesse sido. Ao perturbar a minha zona de conforto, algo de construtivo me fez, pois quando tudo me parece estar bem é que eu começo a estar mal. Talvez, também por isso do desejo à posterior, as nossas memórias sejam sempre um pouco ficcionadas e se alteram no tempo à medida que o acontecimento se afasta no tempo passado. Teimosamente buscamos a felicidade e ela não existe.

sexta-feira, outubro 19, 2018

Provocações



Provocações 
A reciclagem também serve para as pessoas manterem a consciência limpa enquanto consomem. 
Os materiais que usamos, só uma pequena percentagem, talvez menos de 20%, têm a possibilidade de serem efectivamente reciclados.
O sistema baseado no crescimento não é o adequado para o futuro, pois é suportado do aumento do consumos e da produção de mais bens de usa e deita fora, neste caso para tranquilizar consciências, reciclar.
Imaginam os montes de esterco e o fedor que tinham  as cidades antes da vulgarização do motor de combustão interna?



segunda-feira, outubro 15, 2018

A cavalgada no vento




A cavalgada no vento de 13 de Outubro de 2018.

Durante todo o dia o fim do mundo foi anunciado por um funil de almude. As TVs marcavam-se umas às outras, desde Setúbal até Vila Real, imagine-se, onde as imagens eram de calmaria, em antecipação de directos.
Finalmente às 22:30, e até às 23:15, o Diabo cavalgou o vento, após tantos directos televisivos e informação de rodapé ter passar. A essa hora passou ele pelo sítio onde eu estava e onde aguardava a sua passagem.
Uma calmaria, logo de seguida de uma chuvinha estranha que antecedeu a um céu estrelado a anunciar a cavalgada diabólica, a partir, a derrubar pinheiros e eucaliptos e a destelhar telhados numa noite escura só iluminada pelo céu. Nesses três quatros de hora, o Diabo ainda teve mais que tempo para partir e derrubar postes de energia, telefone e aterrorizar a cadela Estrela. Depois sumiu-se, após tudo ter espezinhado por estas bandas.

quarta-feira, outubro 10, 2018

Sol de Outono




O Sol do início de Outono cai pelos pinhais abaixo, direito ao Mar.
Há uma teimosia nas palavras em se manterem e em nos cilindrar: pinhais! Continuamos a dizer pinhais, a chamar pinhais, nós os mais velhos no contacto com o mundo, pois pinheiros já há poucos, cada vez menos.
Dantes o Sol descia no seu caminho da noite por detrás dos grandes pinheiros de serra que cresciam devagar, muito lentamente, naquela pequena elevação, restos de uma duna que o tempo e o uso arredondaram, e a que se chegou a chamar Cabeço. Hoje esse pequeno cabeço de areia já não existe. Teria uns dois metros de altura e duas dúzias de passos de largura e a lonjura de um tiro de caçadeira, ou mais. Os pinheiros foram cortados, dando jus ao seu nome e tamanho, pois estavam mesmo a pedir machado e serra, e a areia, onde as suas raízes se fincavam, carregada em camiões de taipas feitas de metal, vedados e tapados com uma lona, para não se espalhar nenhuma pelos caminhos de estradas de alcatrão, fugindo, dizem, à Guarda pois iriam sem quaisquer guias ou autorização, aquelas coisas que os fiscais tanto desejam ver e justificam o seu trabalho. Hoje o Sol cai pelos enormes eucaliptos abaixo, direito ao Mar.
O rebento grande do enxerto de pereira feito no velho tronco já começou a largar as folhas. Foi assim de repente que deixaram de ser verdes e passaram a amarelecer. A seca antecipa esta mudança, e a planta poupa os alimentos para o Inverno.
O calor aqueceu toda a tarde e o ar até aos astros, mostrando que nos próximos tempos não teremos grande mudança de tempo, talvez até perto do Natal. As formigas andam baralhadas e as ervas secas estalam debaixo das passadas.

terça-feira, outubro 09, 2018

E o dia se cumpriu!




E o dia se cumpriu!
O Sol já está para lá das Bandas do Mar, e dentro de pouca espera, quando a luz da esfera baixar na sua intensidade, do lado dos Montes do Nascente, surgirá o Sete-Estrelo a anunciar a certeza que não dependerá de mim, nem de ninguém.

"... procurai o que faz o Sete-estrelo e o Órion, e torna a sombra da noite em manhã, e escurece o dia como a noite; o que chama as águas do mar e as derrama sobre a terra..." (Amós 5-8)

quarta-feira, outubro 03, 2018

O Livro aberto



A Lua agora vai no direito do Sol uma mão-travessa à distância do braço esticado por cada dia que passa. Depois ficará farta dele e, com a mesma passada certa, fugirá dele na dança do sim e do não, do bem e do malmequer. No Livro aberto pode-se ver o Sete-Estrelo, Oríon com a sua cintura bem cingida e a brilhante Sírius do cão companheiro do eterno caçador.
Um vento suão enxuga o ar debaixo deste céu que começa a clarear.

quinta-feira, setembro 27, 2018

Vaidosas pancinhas




Sente-se como observado por si mesmo na sua juventude. Aqueles ali nada devem fazer, pois não mexem uma palheira do chão. Assim pensou a quando da sua mirada observativa dos velhos a conversar na mesa do restaurante, sem pressas e ele sempre de um lado para o outro, na tentativa de perceber um pouco, um pouco sequer seria muito bom, da confusão que o rodeava. Será que aqueles ali sentados na frente dos seus petiscos de cheiro e aspecto apetitosos, de um jarro de vinho a que um deles se refere como uma pinga de estalo, estarão assim tão seguros com o dia de amanhã? Claro que estavam cheios de certeza, só pode assim ser, pois se assim não fosse, eles assim não estariam. E lá continuam eles na sua conversa só deles, sobre coisas que para quem está de fora serão banais, e mesmo assim pareciam abordar nela assuntos que ele nem sonhara, sequer, existirem. Estão certos do que afirmavam nas suas posturas doutorais. Talvez porque teriam uma gaveta com dinheiro, ou então não, talvez fosse do tempo que tinham para si que seria mesmo assim calmo e usado com parcimónia de quem o saboreia, tal qual o vinho jorrava pelas goelas em redor daquela mesa.
O tempo passou. Os velhos passaram. Já nem se recorda dos nomes que foram deles, muito menos das caras, das feições, mas na memória está marcada as mãos de unhas limpas, e que dois deles usavam sempre gravata e a mesma camisa de mangas arregaçadas, pois era o tempo da gravata mesmo no pino do Verão, e das redondas e vaidosas pancinhas que exibiam.

segunda-feira, setembro 24, 2018

Murmurai murmuradeiras


(Foto de Rocha Pato)

O que iriam dizer as murmuradeiras ao soalheiro se ela não fosse  lá? Seria mais um marmuradoiro das covelheiras  de vida alheia ainda mais do que por aí falam, isto que ela sabe, mais aquilo que nem imagina. Lembrou-se da cantiga de antigamente.

Marmurai marmuradeiras
Grande é o vosso marmurar
O Inferno já está cheio
Mas pra vós inda há lugar.

quinta-feira, setembro 20, 2018

A Origem do Mundo, pintura de Gustave Courbet, 1866.





A Origem do Mundo, pintura de Gustave Courbet, 1866.

quarta-feira, setembro 19, 2018

A noite foge do dia



O sol rompeu pelo lado da serra enquanto a enorme parede de nevoeiro continua erguida do lado do mar, negra, quase medonha, absorvendo os raios da luz pela frente e largando o negro escuro por trás, para o lado da noite que foge do dia, mar adentro.


terça-feira, setembro 18, 2018

Coisas a evitar




Ultimamente tem-me custado ver e ouvir certas coisas.
Talvez por isso as evito e ignoro, pois pouco me tem vindo a surpreender, nem a estupidez humana.

sexta-feira, setembro 14, 2018

É disto que o povo gosta



É disto que o povo gosta, gritava o adepto do clube de futebol a quando da marcação do golo que lhe daria o título almejado.
E resto? O resto não interessa. O que interessa é que ganhámos, somos campeões!
Afinal o que interessa são umas bifanas de porco assado no pão numa mão e uma bejeca na outra, ao som do Pimba-pimba que o Malhão-malhão já passou de moda, e que o partido daquele senhor ganhe as eleições outra vez cá na terra para que se possa manter o recibozito verde a funcionar.

Ando farto de Malhão
O Pimba é que está a dar
Um pouco de pornografia
É que vem mesmo a calhar

quinta-feira, setembro 13, 2018

Alguém tem cinquenta cêntimos de entusiasmo que me possa dispensar?




A mente humana é um universo insondável.
O que se passará na mente de uma pessoa que durante o seu tempo de trabalho efectua tarefas curtas, rotineiras e repetitivas? Deverá pensar nas actividades curtas que faz. Sim, pensará, mas será como um autómato, como tantos outros em outras tantas actividades, sendo algumas consideradas como mais nobres. Mais nobres só porque ao momento estão a preencher uma necessidade especial do momento, pois de nobre pouco terá na prática, mas como sendo apresentada de outra maneira, é neste momento a mais desejada, sendo só uma questão de tempo para se banalizar, passando logo a ser mais do mesmo.
Os pensamentos que se desenvolvem em paralelo com o automatismo humano serão simples, isto é, digo eu: comida, conforto, sexo, pequenos e grandes desejos sonhados, planeamento de actividades curtas e aquisições imediatas e longo prazo e futebol. Talvez muito futebol e novelas. 
Talvez pense em ganhar o totoloto! Este desejo é o que mais, talvez, active as dopaminas e a felicidade sonhada deverá escorrer a rodos pelos neurónios.
Depois, quer em viajem, quer em casa, há o bombardeamento constante de promessas de felicidade nas constantes ofertas publicitárias ao consumo. 
O que mais se pode desejar?
Alguém tem cinquenta cêntimos de entusiasmo que me possa dispensar? É que eu tenho o reservatório do entusiasmo completamente vazio.

quinta-feira, setembro 06, 2018

Eppur si muove








Imagens recolhidas da Net de um terramoto de magnitude 6,7 que atingiu esta quinta-feira a ilha de Hokkaido, no Japão.


terça-feira, setembro 04, 2018

A Terra continua o seu trabalho de formação.



Segundo notícias lidas a quando da minha chegada à Fábrica, um sismo de magnitude 4,6 na escala de Richter foi registado às 07.12, tendo sido sentido no centro e norte de Portugal. Nesse momento eu estava em condução na A17, e pela hora indicada estaria já a norte de Mira, talvez a passar Vagos, e não senti os tais tremores que as pessoas testemunharam sentir.
Numa consulta rápida recolhi que foi um sismo ligeiro de efeitos significativos, mas com danos importantes improváveis.
A Terra continua o seu trabalho de formação.

segunda-feira, setembro 03, 2018

Expectativas



Na frente o velho e recorrente projecto que não surpreende.
Se fosse há dez anos seria um mergulho imediato, e de cabeça. Hoje assim não é, pois não entusiasma.
Já não corro a foguetes.

quinta-feira, agosto 30, 2018

Leituras subversivas



Leituras subversivas
Decrescimento é uma corrente de pensamento político, económico e social favorável à redução regular controlada da produção económica, com o objectivo de estabelecer uma nova relação de equilíbrio entre o ser humano e a natureza, mas também entre os próprios seres humanos.


Rejeita a meta do próprio crescimento económico do neoliberalismo. Tem sua fundamentação teórica em escritores e pensadores do século XX (entre os quais destacam-se o Clube de Roma e o economista Nicholas Georgescu-Roegen)


terça-feira, agosto 28, 2018

Estou de arado feito


Estou de arado feito para margear nabos.
Margear nabos é abrir sulcos com arado, e colocando um fueiro atravessando arrasando ambas as leivas que o arado forma, cria-se duas margens que cobrem as sementes previamente lançadas à terra.
Fazer os "amargidos, "amargear".

segunda-feira, agosto 27, 2018

Os erros passados não justificam os crimes do presente



O medo invade o espaço que foi dos pinhais, agora contaminado por eucaliptos, acácias, tojos, silvas e matagais. Entra quintais adentro, substituindo a invasão das areias dunares que, ao sabor dos ventos mareiros, em tempos idos abafavam paulatinamente os cultivos.
A seca está aí a despontar a continuação deste Verão, agora a começar a aquecer, até ao Outono. A secura afunda-se terra adentro. É o que me parece, neste receio do que está para vir e que não controlamos.
Não nos tentem enganar, como se erros passados justificassem crimes do presente.

Não podemos ter medo em usar as palavras.


    
A manipulação e alienação têm estado na vanguarda no uso da tecnologia, em doses doses elevadas as que estão a ser administradas às pessoas. Já vai na segunda geração do domínio do financeiro sobre a economia. Urge usar a tecnologia para libertar em vez de alienar. 
Nas duas últimas gerações o uso dos recursos naturais só tem mostrado o aumento das desigualdades,  notando-se estas  na nossa sociedade. Este tem estado na origem das migrações em massa de pessoas, resultado de guerras pelo controlo dos recursos, produção e distribuição, arrastando violência religiosa, racismos, nacionalismos fanáticos, e ultimamente, graças à manipulação e uso das técnicas e tecnologias cada vez mais avançadas, o aparecimento de homens fortes de ideias fracas. 
Tem sido estes fortes de ideias fracas que falam da necessidade de “reformas estruturais” a cada passo, onde se pode observar que, cometendo os mesmos erros do passado, se cometem os crimes de hoje e do futuro. A corrente que a hoje domina, esmagando a economia e as liberdades das pessoas deve ser combatida, com o aprofundando a Democracia Social. 
Como actuar? 
Aprendendo a actuar com Leis, que a tecnologia é para ser usada. 
Não podemos ter medo em usar as palavras.

quinta-feira, agosto 02, 2018

Tanto aço, um só tipo de sapato



Estamos a ser governados, falo a nível global, pelos números do desempenho. Isto vem no seguimento do que por aí se repassa nas redes sociais, que a humanidade começou ontem a viver a crédito do planeta.
Este problema do crescimento pelo crescimento está a levar-nos ao desperdício poluente do nosso planeta e da nossa vida. Em vez de definirmos o trabalho como concluído com a tarefa ou a obra feita, estamos a trocar tudo isso por coisas a que chamamos objectivos, onde as regras do jogo e os números a apresentar mudam constantemente. Uma corrida de loucos.
Estamos a repetir erros do passado, parecendo cair sempre nas mesmas armadilhas.
Nas economias planificadas do século passado, atingir os objectivos dos planos quinquenais era fundamental para os gestores. Assim estes eram sempre atingidos e até superados como se pode confirmar pelas notícias da época, graças à fraude contabilística, que era regra usada por todos, pois ninguém tinha coragem de a denunciar para não cair em desgraça.
Um exemplo foi de um plano quinquenal da RDA com um aumento significativo de produção de aço. Atingido o objectivo, para dar seguimento ao uso de tanto aço, uma fábrica de tractores começou por aumentar o peso dos mesmos, reduzindo assim a eficiência dos equipamentos. É caso que prova que era tanto aço, e um só tipo de sapato.
Hoje, na globalização usada como ferramenta neoliberal, o lucro pelo lucro está fazer ainda pior do que as economias do passado fizeram. Não é possível um crescimento infinito num planeta finito. Isto é radical, coloca em causa as ideias vigentes, que apesar de andarem a tratar o assunto com os paninhos quentes do “desenvolvimento sustentável”, seguem o caminho do desperdício. Teremos que reduzir a produção de lixo e especialmente o consumo, isto é, decrescer.
Deveríamos começar pelo decréscimo do consumo voluntário e criterioso.
Eu já pratico.

quarta-feira, agosto 01, 2018

Os erros do passado e os crimes do presente



Os erros do passado e os crimes do presente.
São as tecnologias, ou melhor dizendo, as mudanças tecnológicas a alteram as relações na sociedade. Hoje estamos a viver uma espécie de fim do trabalho tal qual o conhecemos até agora, sendo este mesmo tipo de relação que nos trouxe até aqui, cujo fim nos está a empurrar para uma espécie de uberização que já se vê em nosso redor. Para além das relações individuais, também está a uberizar empresas e negócios, colocando em causa o próprio tradicional uso da propriedade, além de poder levar a uma progressiva desumanização do trabalho, colocando em causa a tradicional remuneração, pode trazer consigo o desejado pelos neoliberais, estes que se julgam sempre acima deste problema, o retorno à mercantilização pura e dura do trabalho.
Antigamente o senhor do escravo tinha a “obrigação” moral de ter consigo o escravo velho ou adoentado. Agora, com esta desejada mercantilização, o trabalhador será empurrado para um assistencialismo mínimo.
Não nos tentem enganar, sempre a falar do passado, como se os erros passados justificassem os crimes presentes. Às tecnologias devemos usá-las, assim como mudar e criar novas relações no trabalho e na sociedade. Devemos é estar atentos e contornar, rejeitando o neoliberalismo sem rosto que cavalga a demagogia, os nacionalismos racistas e os novos ismos protoditatoriais de nova vaga.

terça-feira, julho 31, 2018

O mal que grassa.



O mal que grassa.
O invejoso sente e alimenta rancor pela frustração que sente de não possuir, ou de ter acesso, algo que o invejado tem.
José Gil, autor do Medo de Existir, afirmou que a inveja tem muita força em Portugal porque somos uma sociedade fechada.
Apesar de todas pessoas não se considerarem invejosas, este mal é pior mal que grassa na nossa sociedade.
Teve o seu auge no reinado de D. Manuel I com a expulsão dos judeus.

segunda-feira, julho 30, 2018

Do eclipse lunar de 2018





A propósito do eclipse lunar de 2018
A Lua desaparece de um lado do mundo para aparecer depois do lado oposto ao que se foi esconder. Desaparece para os lados do sol quando este começa a acordar a madrugada, e três noites depois aparece quando ele se está a pôr na noite, lá para as bandas do mar. Esteve três noites sem dar a cara aos pobres humanos e viventes de Deus, sem os governar. Que fará ela nas noites em que fica a sós com o Sol? Que farão eles ambos os dois? Ninguém sabe de tais poderes. Ninguém sabe de tais afazeres. Mas imaginamos. Imaginamos que sim, que se juntam bem um ao outro, que ficam lá na cama da noite do Sol a fazer o que se tem que ser feito. Depois ela segue o seu caminho até se mostrar no seu esplendor de fertilidade.


quarta-feira, julho 25, 2018

Rosácea



Recordo-te, meu bom amigo, que uma régua e um compasso bastam para o traçado do plano de uma rosácea.
Se trabalhares um volume necessitarás de um imprescindível esquadro, e para ergueres uma construção de um nível e um prumo, mas primeiro terás que talhar uma pedra.

Vou combater o burnout.




Eu com esta experiência de vida, em que pouca coisa me parece surpreender, não deveria estar assim tão tenso.
Respiro fundo e prometo a mim mesmo não me envolver nos assuntos que estão a arder.
Digo para mim que estes assuntos não são os meus.
Mas afinal são.
São, porque me afectam.
Vou combater o burnout.

terça-feira, julho 24, 2018

O que são as reformas estruturais?






O que são as reformas estruturais?
O neoliberalismo actual é muito diferente do liberalismo clássico que até aqui nos trouxe.
Para o neoliberalismo, cujos pregadores avençados fazem opinião, e digo avençados porque efectivamente recebem uma avença para usarem os púlpitos que o sistema tem, clama a todo o momento por uma coisa chamada “reformas estruturais”, que é tratar a lei que rege o contrato social como subordinada ao “mercado legal”, ou seja, a lei deve depender dos resultados financeiros.

sexta-feira, julho 20, 2018

As pessoas andam muito confusas.



A cimeira da crise e a pós-democracia.
As pessoas andam muito confusas.
Trump e Putin, nesta capa da Time, estão sintonizados ideológica e afectivamente como é mostrado.
Ainda há muitas pessoas que pensam como no século passado, e andam muitos confusas.
Trump deverá ter o rabo entalado com a "alta finança" russa.


terça-feira, julho 10, 2018

Um problema do Diabo




Às vezes acordo como com a ideia que posso organizar o meu futuro.
Depois, olhando a memória, a realidade foi sempre teimosa, ganhou-me sempre a aposta, trazendo-me aqui apesar de esta ter encontrado este outro teimoso pela frente, pois uma teimosa nunca teima sozinha, terá que teimar com alguém, em última análise teima com a realidade, essa teimosa suprema. A realidade é teimosa, e a todos embrulha no papel que fazemos no teatro da vida sem grande controlo do futuro.
Não há futuro para além daquele que já sabemos, que tudo será pior que hoje, já que tudo piora.
A tecnologia, essa salvadora, é agora a ferramenta usada para o ser supremo nos escravizar.
Depois do feito ida à Lua, não resolvemos, porque não reconhecemos a nossa ignorância em não evitar o derrame de uma simples gota de óleo num rio. Não falo na irradicação da fome no mundo, que aí já nós sabemos que assim é que está bem, que há pessoas que não podem conhecer outra coisa, e que é assim que corre a notícia.
Até parece que os pobres foram convencidos, pelos poucos ricos claro, que tem mesmo que ser pobres, enquanto a catequese do futuro salvífico aí continua a encher os canais de informação, agora cada vez mais controlados, usando essa tecnologia e conhecimentos avançados, cada vez menos por nós planeado.
Enganam-nos quando nos dizem que temos futuro, tal como um slogan eleitoral, mas caso as respostas das pessoas não sejam dentro do padrão desejado, não se coíbem em passar a mensagem que não há futuro, que tudo será tão mau, que o menos mau já é bom, mas o futuro que a divindade suprema nos impõe.
Há 40 anos os padres, nas homilias, falavam de um plano divino, como se fosse um determinismo divino em que todos os resultados do somatório dos esforços humanos como de um esforço divino se tratassem. Agora o ser supremo assim aplica o plano. Agora as homilias não referem mais o lugar de choro e ranger de dentes, o inferno. Agora, o lugar é outro. As ameaças de banca rota, dívida e deficit, são os terramotos e dilúvios resultado dos pecados da sociedade que despertou a ira do novo ser supremo. Condenações aos que não seguem esta nova lei divina são apregoadas. São hereges a serem lançados à fogueira da clandestinidade, ostracização e silenciamento. Os subversivos serão derrotados, pois o senhor é o senhor do dinheiro que compra os exércitos.

Como se a culpa principal fosse dos partidos políticos.
Do que sei, os partidos políticos não passam de associações de pessoas. A ideia de que são os culpados de todo o mal, vem da ideia veiculada constantemente pelos fazedores de opinadelas, e posteriormente replicadas em câmara de eco primeiro pelos emails e agora pelas redes sociais, estes sim ao serviço de algo mais obscuro, dado que mesmo servindo-se das pessoas que vivem à babuje dos partidos, quando os votos, as leis, os tribunais, incluindo constitucionais, e outros entraves e estorvos à propagação da actual boa nova, as sociedades criaram para sua organização.
É efectivamente por aí, vindos das escolas da ideia vigente, garotos ambiciosos nos governam, denegrindo, até, os partidos que os pariram, ultimamente têm colocado, também, no poder alguns de cabelo pintado de preto, mas estes são ainda mais manhosos que os primeiros, que costumam atacar os salvadores. Escolhido o alvo, e quando a coisa tiver a massa crítica, mesmo a da indiferença que funciona sempre para o seu lado, aparecerão no seu esplendor. O esplendor dos ditadores de capas pobres e discretas.


Há tempo para tudo



Estou no tempo em que ele me mostra que para estar bem não necessitaria de despender tanto esforço.
É que tudo tem o seu tempo determinado e há tempo para tudo debaixo deste céu, parafraseando Eclesiastes 3:1.

segunda-feira, julho 09, 2018

Lembranças


Tenho memórias daquele meu tempo de infância de catequese do medo. Medo do pecado, do inferno e do medonho fim do mundo que estava próximo.
As vincadas secções de catequese dominical eram ministradas pela velha freira, a irmã da leprosaria, que seria a que hoje chamaríamos de meia-idade, mas para a criança seria velha nesse tempo dos muito velhos. Decorria o tempo, soube-o mais tarde, de um tal Concílio do Vaticano, o segundo, em que “até o Caredo passou a ser diferente”, e Deus Nosso Senhor deixou de perceber Latim, esse linguajar único e intraduzível foi substituído por um bem mais familiar, mas de igual modo incompreensível. O mulherio de negro lá continuou nas mesmas contrições, desfiando contas de Rosário de bichibichis em surdina.

quinta-feira, julho 05, 2018

O novos bufos


Nas redes sociais há uma grande percentagem de pessoas que se limita a repassar trampa.
Desde as fack news a coisas mesquinhas, de mentiras lançadas de propósito pelos profissionais da manipulação a soldo de interesses obscuros não recomendáveis, potenciando os receios, alguns legítimos e reais, das pessoas.
A nível local há uns especializados em cão de silveira, vulgo peniqueiro, o tal canídeo que o caçador que afirma não ter sequer Facebook, muito menos navega na Net, diz ele, instiga a entrar no esconderijo do coelho a ser abatido, a empurrá-lo para fora do seu terreno, onde os cães de fila poderão morder e caçar sem que o mandante dispare um tiro sequer.
A bufaria está activa e recomenda-se.

quarta-feira, julho 04, 2018

Procrastinar





O slogan fazer parte da solução e não do problema parece estar roto e esfarrapado, não pelo seu uso, mas pelo seu abuso.
Cada vez mais as coisas parecem replicar-se, como que a desejarem a renovação dos velhos assuntos não resolvidos e sempre adiados.
Procrastinar como agora eu ouço dizer.

segunda-feira, julho 02, 2018

Estava o Inverno para vir


O que escrevi 40 dias depois do Natal.
Estava o Inverno para vir.


2018-02-02
Frio matinal, com um céu limpo e azul, a mostrar a seca que preciste em não nos abandonar. Uma fina camada de geada, quase imperceptível, sobre a pouca erva. Abri o sítio de meteorologia, que esta seca que tem estado teimosa preocupa-me, e eu nem sou agricultor. Toda a Europa está apresentada como coberta de nuvens, excepto  a Península Ibérica.
Teimosias do Clima e dia da Nossa Senhora das Candeias. Se a vires a sorrir, está o Inverno para vir. Que venha o Inverno.

quarta-feira, junho 27, 2018

Um comunismo que tudo arrasa



   Estávamos no ano 1975 e era Verão. 
   Lembro!
  Eu tinha 16 anitos,  e as preocupações eram as borbulhas, o cabelo comprido, as voltas na motorizada nova, a trial de cor amarela, entre outras coisas, mais do que com o que se passava com a política portuguesa daquela época.
   O meu vizinho da aldeia dizia para quem o quisesse ouvir:
   - Vem aí um comunismo que arrasa tudo! Vamos perder o dinheiro, as terras, as casas.
   Hoje o meu vizinho está com uma idade avançada, e até parece que os tempos lhe estão a dar alguma razão.

segunda-feira, junho 25, 2018

O largo



   O largo, o enorme Largo do Santuário, tem outros caminhos traçados para nele se entrar e sair: o caminho das Baleiras do Mar, o caminho dos Salgueiros, o caminho do Monte do Cabeço, o caminho da Lagoa da Areia e o caminho para a Terra Alta que também dá para a Vila Velha, mas o mais importante é aquele, vai entrar bem a meio, vindo do carreiro do Couto de Sant’Amaro.

(Manuel Ribeiro, Os Caminhos do Santuário)

quinta-feira, junho 21, 2018

A catástrofe anunciada



Estamos em Junho de 2018 e recordo aqui o que publiquei em Julho de 2008.
Nunca imaginei que viesse o queimo que tudo levou, deixando as pessoas cá das areias a negarem o óbvio como quem ainda não caiu na realidade.
O Poder Local deve estar a fazer qualquer coisa, mas o quê eu não sei. Mas se calar eu nem tenho nada que saber, pois parece que até nem são contas do meu rosário. No entanto lembro que eu também sou vítima da catástrofe de 15 de Outubro, pois as minhas propriedades florestais foram comidas pelo fogo.
Tal qual a maioria dos meus vizinhos, eu não vivo da agricultura. Somos herdeiros de terra que estava organizada para um uso que hoje se apresenta como obsoleto, que serviu até meados do século passado.
O que vem aí será bem mais difícil de resolver, e as catástrofes estão anunciadas.
Limpemos à volta das habitações. Assim teremos mais possibilidade de minimizar estragos futuros.

Terça-feira, julho 01, 2008
A desertificação da Gândara
Não estou a afirmar que a Gândara deixou de ser verde! O que quero dizer é que está a ficar deserta em termos agrícolas, ao abandono, sem população activa e em exclusão rural. A Gândara, a velha Gândara agrícola que se afirmou como tal, definha e morre. Foi excluída, tal como a maioria do país rural, da Política Agrícola Comum desenhada para a agricultura de alguns países. Entre estes, temos a França como exemplo. Foi o então primeiro-ministro Cavaco Silva, o primeiro-ministro que mais votos teve do mundo rural, o que mais esqueceu a Agricultura abandonada por Bruxelas, levando à transformação dos agricultores em serventes das obras que agora entulham as cidades. Depois vieram outros que se limitaram a gerir ajudas e subsídios comunitários, faltando uma política que seja activa na promoção da sustentabilidade agrícola e ambiental. Depois do deserto cheio de eucaliptos do Sr. Cavaco Silva, os primeiros ministro que lhe seguiram até parecem julgar que a dita árvore australiana de origem passou a ser autóctone, enquanto o tecido social agrícola da Gândara está degradado, onde o mato e as silvas tomam conta das terras.