sexta-feira, julho 20, 2018

As pessoas andam muito confusas.



A cimeira da crise e a pós-democracia.
As pessoas andam muito confusas.
Trump e Putin, nesta capa da Time, estão sintonizados ideológica e afectivamente como é mostrado.
Ainda há muitas pessoas que pensam como no século passado, e andam muitos confusas.


terça-feira, julho 10, 2018

Um problema do Diabo




Às vezes acordo como com a ideia que posso organizar o meu futuro.
Depois, olhando a memória, a realidade foi sempre teimosa, ganhou-me sempre a aposta, trazendo-me aqui apesar de esta ter encontrado este outro teimoso pela frente, pois uma teimosa nunca teima sozinha, terá que teimar com alguém, em última análise teima com a realidade, essa teimosa suprema. A realidade é teimosa, e a todos embrulha no papel que fazemos no teatro da vida sem grande controlo do futuro.
Não há futuro para além daquele que já sabemos, que tudo será pior que hoje, já que tudo piora.
A tecnologia, essa salvadora, é agora a ferramenta usada para o ser supremo nos escravizar.
Depois do feito ida à Lua, não resolvemos, porque não reconhecemos a nossa ignorância em não evitar o derrame de uma simples gota de óleo num rio. Não falo na irradicação da fome no mundo, que aí já nós sabemos que assim é que está bem, que há pessoas que não podem conhecer outra coisa, e que é assim que corre a notícia.
Até parece que os pobres foram convencidos, pelos poucos ricos claro, que tem mesmo que ser pobres, enquanto a catequese do futuro salvífico aí continua a encher os canais de informação, agora cada vez mais controlados, usando essa tecnologia e conhecimentos avançados, cada vez menos por nós planeado.
Enganam-nos quando nos dizem que temos futuro, tal como um slogan eleitoral, mas caso as respostas das pessoas não sejam dentro do padrão desejado, não se coíbem em passar a mensagem que não há futuro, que tudo será tão mau, que o menos mau já é bom, mas o futuro que a divindade suprema nos impõe.
Há 40 anos os padres, nas homilias, falavam de um plano divino, como se fosse um determinismo divino em que todos os resultados do somatório dos esforços humanos como de um esforço divino se tratassem. Agora o ser supremo assim aplica o plano. Agora as homilias não referem mais o lugar de choro e ranger de dentes, o inferno. Agora, o lugar é outro. As ameaças de banca rota, dívida e deficit, são os terramotos e dilúvios resultado dos pecados da sociedade que despertou a ira do novo ser supremo. Condenações aos que não seguem esta nova lei divina são apregoadas. São hereges a serem lançados à fogueira da clandestinidade, ostracização e silenciamento. Os subversivos serão derrotados, pois o senhor é o senhor do dinheiro que compra os exércitos.

Como se a culpa principal fosse dos partidos políticos.
Do que sei, os partidos políticos não passam de associações de pessoas. A ideia de que são os culpados de todo o mal, vem da ideia veiculada constantemente pelos fazedores de opinadelas, e posteriormente replicadas em câmara de eco primeiro pelos emails e agora pelas redes sociais, estes sim ao serviço de algo mais obscuro, dado que mesmo servindo-se das pessoas que vivem à babuje dos partidos, quando os votos, as leis, os tribunais, incluindo constitucionais, e outros entraves e estorvos à propagação da actual boa nova, as sociedades criaram para sua organização.
É efectivamente por aí, vindos das escolas da ideia vigente, garotos ambiciosos nos governam, denegrindo, até, os partidos que os pariram, ultimamente têm colocado, também, no poder alguns de cabelo pintado de preto, mas estes são ainda mais manhosos que os primeiros, que costumam atacar os salvadores. Escolhido o alvo, e quando a coisa tiver a massa crítica, mesmo a da indiferença que funciona sempre para o seu lado, aparecerão no seu esplendor. O esplendor dos ditadores de capas pobres e discretas.


Há tempo para tudo



Estou no tempo em que ele me mostra que para estar bem não necessitaria de despender tanto esforço.
É que tudo tem o seu tempo determinado e há tempo para tudo debaixo deste céu, parafraseando Eclesiastes 3:1.

segunda-feira, julho 09, 2018

Lembranças


Tenho memórias daquele meu tempo de infância de catequese do medo. Medo do pecado, do inferno e do medonho fim do mundo que estava próximo.
As vincadas secções de catequese dominical eram ministradas pela velha freira, a irmã da leprosaria, que seria a que hoje chamaríamos de meia-idade, mas para a criança seria velha nesse tempo dos muito velhos. Decorria o tempo, soube-o mais tarde, de um tal Concílio do Vaticano, o segundo, em que “até o Caredo passou a ser diferente”, e Deus Nosso Senhor deixou de perceber Latim, esse linguajar único e intraduzível foi substituído por um bem mais familiar, mas de igual modo incompreensível. O mulherio de negro lá continuou nas mesmas contrições, desfiando contas de Rosário de bichibichis em surdina.

quinta-feira, julho 05, 2018

O novos bufos


Nas redes sociais há uma grande percentagem de pessoas que se limita a repassar trampa.
Desde as fack news a coisas mesquinhas, de mentiras lançadas de propósito pelos profissionais da manipulação a soldo de interesses obscuros não recomendáveis, potenciando os receios, alguns legítimos e reais, das pessoas.
A nível local há uns especializados em cão de silveira, vulgo peniqueiro, o tal canídeo que o caçador que afirma não ter sequer Facebook, muito menos navega na Net, diz ele, instiga a entrar no esconderijo do coelho a ser abatido, a empurrá-lo para fora do seu terreno, onde os cães de fila poderão morder e caçar sem que o mandante dispare um tiro sequer.
A bufaria está activa e recomenda-se.

quarta-feira, julho 04, 2018

Procrastinar





O slogan fazer parte da solução e não do problema parece estar roto e esfarrapado, não pelo seu uso, mas pelo seu abuso.
Cada vez mais as coisas parecem replicar-se, como que a desejarem a renovação dos velhos assuntos não resolvidos e sempre adiados.
Procrastinar como agora eu ouço dizer.

segunda-feira, julho 02, 2018

Estava o Inverno para vir


O que escrevi 40 dias depois do Natal.
Estava o Inverno para vir.


2018-02-02
Frio matinal, com um céu limpo e azul, a mostrar a seca que preciste em não nos abandonar. Uma fina camada de geada, quase imperceptível, sobre a pouca erva. Abri o sítio de meteorologia, que esta seca que tem estado teimosa preocupa-me, e eu nem sou agricultor. Toda a Europa está apresentada como coberta de nuvens, excepto  a Península Ibérica.
Teimosias do Clima e dia da Nossa Senhora das Candeias. Se a vires a sorrir, está o Inverno para vir. Que venha o Inverno.

quarta-feira, junho 27, 2018

Um comunismo que tudo arrasa



   Estávamos no ano 1975 e era Verão. 
   Lembro!
  Eu tinha 16 anitos,  e as preocupações eram as borbulhas, o cabelo comprido, as voltas na motorizada nova, a trial de cor amarela, entre outras coisas, mais do que com o que se passava com a política portuguesa daquela época.
   O meu vizinho da aldeia dizia para quem o quisesse ouvir:
   - Vem aí um comunismo que arrasa tudo! Vamos perder o dinheiro, as terras, as casas.
   Hoje o meu vizinho está com uma idade avançada, e até parece que os tempos lhe estão a dar alguma razão.

segunda-feira, junho 25, 2018

O largo



   O largo, o enorme Largo do Santuário, tem outros caminhos traçados para nele se entrar e sair: o caminho das Baleiras do Mar, o caminho dos Salgueiros, o caminho do Monte do Cabeço, o caminho da Lagoa da Areia e o caminho para a Terra Alta que também dá para a Vila Velha, mas o mais importante é aquele, vai entrar bem a meio, vindo do carreiro do Couto de Sant’Amaro.

(Manuel Ribeiro, Os Caminhos do Santuário)

quinta-feira, junho 21, 2018

A catástrofe anunciada



Estamos em Junho de 2018 e recordo aqui o que publiquei em Julho de 2008.
Nunca imaginei que viesse o queimo que tudo levou, deixando as pessoas cá das areias a negarem o óbvio como quem ainda não caiu na realidade.
O Poder Local deve estar a fazer qualquer coisa, mas o quê eu não sei. Mas se calar eu nem tenho nada que saber, pois parece que até nem são contas do meu rosário. No entanto lembro que eu também sou vítima da catástrofe de 15 de Outubro, pois as minhas propriedades florestais foram comidas pelo fogo.
Tal qual a maioria dos meus vizinhos, eu não vivo da agricultura. Somos herdeiros de terra que estava organizada para um uso que hoje se apresenta como obsoleto, que serviu até meados do século passado.
O que vem aí será bem mais difícil de resolver, e as catástrofes estão anunciadas.
Limpemos à volta das habitações. Assim teremos mais possibilidade de minimizar estragos futuros.

Terça-feira, julho 01, 2008
A desertificação da Gândara
Não estou a afirmar que a Gândara deixou de ser verde! O que quero dizer é que está a ficar deserta em termos agrícolas, ao abandono, sem população activa e em exclusão rural. A Gândara, a velha Gândara agrícola que se afirmou como tal, definha e morre. Foi excluída, tal como a maioria do país rural, da Política Agrícola Comum desenhada para a agricultura de alguns países. Entre estes, temos a França como exemplo. Foi o então primeiro-ministro Cavaco Silva, o primeiro-ministro que mais votos teve do mundo rural, o que mais esqueceu a Agricultura abandonada por Bruxelas, levando à transformação dos agricultores em serventes das obras que agora entulham as cidades. Depois vieram outros que se limitaram a gerir ajudas e subsídios comunitários, faltando uma política que seja activa na promoção da sustentabilidade agrícola e ambiental. Depois do deserto cheio de eucaliptos do Sr. Cavaco Silva, os primeiros ministro que lhe seguiram até parecem julgar que a dita árvore australiana de origem passou a ser autóctone, enquanto o tecido social agrícola da Gândara está degradado, onde o mato e as silvas tomam conta das terras.


O cheiro a queimo relampejado que vem de cima.



Todo o areal, daqui do Monte do Cabeço até ao mar, estremece debaixo da forte chuva batida por uma trovoada que larga e queima enxofre, rasgando o ar abafado da noite quente de Maio. As fortes gotas de água caem como ovos de passarinho tombados do ninho do alto pinheiro desfazendo-se em chapadas, laradas de água ao baterem no chão de areia. Um cheiro a terra levanta-se no ar ao encontro do cheiro a queimo relampejado que vem de cima. 
(Manuel Ribeiro, Os Caminhos do Santuário)

segunda-feira, junho 18, 2018

A pobreza herda-se



Uma família portuguesa de baixos recursos pode demorar 125 anos até que os seus descendentes consigam alcançar um salário médio, isto segundo um estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, OCDE.
Por cá os partidos dos pobres não comentam, talvez com o receio de perderem a causa da razão da sua existência.
No entanto a existência de pobres tem dado um jeitão a muita boa e rica gente, desde o negócio da caridade, lavagem e salvação de almas e garantia de votos em dia de eleições.
A pobreza herda-se.

quinta-feira, junho 14, 2018

A ignorância estuda-se







   É uma aprendizagem contínua para ser um ignorante assumido.
Não tem sido fácil, pois só se percebem as coisas passado um tempo depois de passar por elas e só depois de ver os outros a passar por situações idênticas ou similares.
   - O que mudou?
   - Muito pouco.
   As coisas seguem o seu caminho e as vantagens que muitos afirmam, na realidade teimosa não existem como eles as imaginam, são de outra forma e outro nível que eles nem verbalizam.
   É que a ignorância estuda-se.


segunda-feira, junho 11, 2018

Registos



Os registos surpreendem-nos.
Lemos o que escrevemos há uns anos e ficamos surpreendidos pela actualidade do que escrevia-mos.
Por isso é que devemos escrever o que pensamos.
Escrever é, afinal, registar o que somos.


quinta-feira, junho 07, 2018

Mar calmo nunca fez bom marinheiro.






Os calendários de agora já não indicam as estações do ano, nem as fases da Lua, como os de antigamente, mas ainda se vendem o Borda d’Água e o Seringador no Mercado de Domingo. Se há a vender, é por haverá quem compre. Até nos calendários se fala de tudo menos nos dias. Tal como na televisão, as vidas das pessoas são enleadas pelas notícias sem nexo, quando antigamente eram guiadas pela Lua e pelo Sol.
Vivemos um tempo em que uma pessoa é levada a aceitar que a Liberdade é sinónimo de dia de folga.
No entanto, mar calmo nunca fez bom marinheiro.


Quando o fácil é difícil, ou foi pancada do dia.
Neste tempo de trabalho na era digital, onde tudo se apresenta como facilitado, eu vejo uma realidade bem mais difícil.
Em vez dos computadores estarem ao nosso serviço, parece-me que já estamos a trabalhar numa organização no modelo de trabalho dos computadores, não num modelo humano, mas num modelo subordinado aos números.
 Depois falaremos.

terça-feira, junho 05, 2018



Nós vínhamos da feira da vila.
Era S. João e a velha Ana estava a ralhar com o Gomes Rico acerca de quem era dono do velho e enorme pinheiro, aquele que estava ferido pelos cubos das rodas dos carros, sempre a largar resina pela ferida abaixo, na borda do caminho que subia o Monte do Cabeço, o que foi atingido nesse Verão pelo raio que o rasgou de alto abaixo e se foi afundar pelo chão, onde caiu em luz e estrondo.
(Manuel Ribeiro, Os Caminhos do Santuário, página 135)



quarta-feira, maio 30, 2018

Um espaço virtual



Este espaço já não é, se é que alguma vez o foi, o mais indicado para uma discussão serena de troca de ideias sobre temas que nos tocam ou virão a tocar em futuros próximos.
Para tal, eu tenho outros espaços bem mais reais que virtuais, e aí ouço e participo quando bem entender e julgar, dentro da minha liberdade.
Talvez por isso os meus escravinhanços se apresentem, às vezes, um pouco encriptados enroupados e até travestidos, dado que opinar é uma constante construção suportada no que se vai adquirindo da vida, e eu estou a aprender que isso pode chocar algumas pessoas que se acostam e ancoram a verdades e certezas que, para elas, assumem como absolutas.


quinta-feira, maio 17, 2018

Horas apertadas



   O homem entra pátio adentro pela cancela feita de trandeiras que estava entreaberta, disse algo ininteligível à mulher que deu a entender que percebeu enquanto se apoia no cabo do engaço como que para descansar um pouco, desloca-se a passos largos enquanto, atabalhoadamente, se liberta dos atilhos que prendem as remendadas e sujas calças de pano-cru à cintura, dirige-se ao lado esquerdo do pátio, aquele que dá para a cerca das galinhas de portinhola de tábuas costaneiras e raras e fecha-se à pressa no escuro onde tudo vê de dentro para fora. As galinhas correm para debaixo da tosca palafita na ânsia de aproveitar aquela borla do cagaçal.


segunda-feira, maio 14, 2018

Bailarico



Domingo, 10 de Abril de 1932
   A pequena sala está iluminada por uma luz limpa saída do candeeiro de vidro, novinho em folha, comprado na feira de propósito para o evento que vai enregar esta safra de bailaricos. Sempre dará uns tostões disponibilizar a casa. As moças precisam e com tanta luz todos se darão ao respeito, não que ele falte por estas bandas, pois a gente da nossa terra não é como a das outras donde só se sabe poucas vergonhas. E não são só as solteiras que depois acabam por não casar, mas até casadas que teimam ir aos bailes e outras coisas piores. 

quinta-feira, maio 10, 2018

Santa Preguiça



Loriot, 1965: "Segundo descobertas científicas, mulheres demoram mais para pegar no sono do que homens."

Sinto uma sonolência que nada me passa pela mente. Agora, se tal fosse possível, dormiria uma sesta e não mais queixaria da vida por hoje. Não tenho vida para este tipo de vida e só lamento que a preguiça  não tenha sido, ainda,  canonizada, essa santa.
Santa Preguiça - rogai por nós!

O mundo está cada vez mais velho



Uma calma invadia-o a ponto de se sentir como parte integrante da Natureza de onde ele tinha vindo e da qual foi feito e assim se ia desfazendo sem custos notados, como os astros se vão dando pouco a pouco e assim se fazem uns em outros de outras formas e maneiras. Sentia-se como feito da matéria que ao ser fabricada por uma força enormíssima, ainda guardava energia e força desse pontapé inicial, vindas da eternidade do começo, que a eternidade tem um começo e um fim que será ela própria, não existindo.
Sente-se bem com todas as suas forças a reorganizarem-se de uma outra forma de estar, como a ser, ele próprio, o fio de novelo de sediela no guiamento de um risco a outras enosilhadas e atadilhos, para onde cada parte segue o caminho lógico traçado desde este coice inicial que vem do fundo de tudo.
O pensamento voa pela Natureza e esfuma-se como poeira de estrelas.
Estava a constatar que o mundo está cada vez mais velho

terça-feira, maio 08, 2018

Maio

Maia ou Maia Maiestas conhecida também como, Bona Dea a “Boa Deusa”, uma deusa romana da terra e da fertilidade.
Maio, o mês da fertilidade, que o cristianismo apropriou do paganismo da deusa Primavera (primeira verdade), e o catolicismo transformou no mês da deusa (Fátima).
O ciclo, à escala curta da Humanidade, é como se fosse eterno, contínuo como os fios brancos embutidos da lágrima das minhas guitarras.

A peça única



Uma vez, tendo eu à mão uma enchó, comecei a escavar um pedaço de tronco de madeira com o objectivo de fazer um instrumento musical que ressoasse aquele som mavioso que me enlevasse do ruído mundano.
E lá comecei eu a retirar o material que estaria a mais daquele pedaço de madeira, com aquele meu jeito que vocês desconhecem e que eu nem sabia que tinha.
Trabalhei com a alegria da descoberta, fibra após fibra da madeira arrancada em cada apara, e a obra lá foi evoluindo mais a jeito dos veios da madeira onde se guardavam as memórias de estios, invernos, ventos e geadas tardias vividas por aquele tronco enquanto árvore.
Quando já não tinha mais madeira para arrancar ao pedaço, quando as aparas e lascas já cobriam todo o chão daquele estaleiro de construção, parei um pouco e afastei-me, olhei a obra de largo e, assim afastado conclui que não tinha mais nada a fazer.
Como imaginam o resultado final de tão laborioso trabalho esforçado não foi efectivamente uma cítara, nem algo parecido. Também não chegou a ser sequer um pequeno barco de brincadeira de menino para navegar na pequena lagoa lá da aldeia.
Eu tinha, ali na minha frente, nem mais nem menos que um cocho de madeira onde poderia dar de comer ao porco.
É um cocho único como não há mais nenhum.
Foi assim que eu fiz uma peça única, moldada pelas intempéries dos anos que fustigaram um tronco de uma árvore.

sexta-feira, maio 04, 2018

Formosa como a Lua


Capela (Quinta do Bom Nome)


Nunca negues os fantásticos poderes da Lua.
As mulheres de virtudes sabem disso como ninguém, pois as outras nunca o saberão destrinçar nem depois da passagem pelos seus terríveis efeitos secundários, e nem assim estão em condições de dar conselhos como as primeiras, que apesar de apontarem um sentido ou o seu contrário, sempre apontam um sentido.
Vamos nós lá entender tais poderes!

quinta-feira, maio 03, 2018

segunda-feira, abril 23, 2018

Os donos do teu dinheiro




O dinheiro digital é de uma entidade privada que gere um banco de dados, autorizada por alguém. Essa “coisa de dados” registada numa base faz a contagem por nós, pois em vez de transportar dinheiro físico, movimenta-o através de mensagens electrónicas via internet, telemóvel, etc., e o chamado nosso banco só recebe essa transacção de dados.
O dinheiro já não é dos estados, mas sim dessa entidade privada e nós não temos por onde fugir a esta teia.
Assim se criam activos, produtos financeiros e imparidades, coisas de nomes propositados de maneira a serem ininteligíveis aos comuns mortais, ludibriando-os através de uma pingadeira controlada com que o vão entretendo e manipulando.
Alguns pensam e outros poucos vivem fora do redil, enquanto a Terra gira em volta do Sol que vai arrefecendo como as estrelas no poema de António Gedeão.

Combustão perene e fria.
Corpo que a arder arrefece.
Incandescência sombria.
Tudo é foi.
Nada acontece.

terça-feira, março 27, 2018

Carro das vacas


(1





       Carros chadeiros: Carros das vacas de eixo de madeira, sendo as duas rodas de cambas solidárias a este. Voltear o carro carregado era muito difícil e evitava-se a todo o custo pois uma roda, como atrás mencionado, não é independente da outra. O eixo apoia directamente nas chedas solidárias ao toiço através do manto do carro, donde era puxado por uma junta de vacas apeaçadas à canga apoiada no tamboeiro e fixa por uma chavelha de engate. O apoio de eixo nas chedas é directamente no eixo que roda em contacto de madeira com madeira, recorrendo a um lubrificante à base de gordura animal, o unto que é transportado dentro de um recipiente feito de um corno. A ausência da película lubrificante e as cargas elevadas transportadas levava a que o carro em carga cantasse, chiando. Cada carro de vacas tinha o seu bilhete de identidade sonoro, conhecido de todos os vizinhos.

quinta-feira, março 15, 2018

Money




Há dois tipos de dinheiro.
O dinheiro vivo é aquele que é representado pelo sistema de notas e moedas físicas, e que usamos para fechar as transacções de venda e compra.
Este é de todos, mais de poucos que de muitos, mas passando de mão em mão, é no fim dinheiro público. Todos nós sentimos a necessidade e a sua facilidade de uso, assim como reconhecemos a sua utilidade.
Não passa de uma invenção humana.
Uma invenção milenar que hoje nos é apresentada como suja, não pelo seu manuseamento directo e sem regras de higiene, mas pela sua relação com a corrupção, tráfico ilegal, logo lucrativo, crime e guerra.
Será que é por ser de livre acesso?
Depois temos o dinheiro digital, …

quarta-feira, março 14, 2018

Unidades de venda e de compra



Uma pessoa que tenha baixo rendimento não terá qualquer valor para os bancos e intermediários dos pagamentos com unidades electrónicas de venda e de compra, o vulgo dinheiro de plástico. Na verdade, há uma intenção clara em empurrar as pessoas para esta situação que chamam “progresso”, como se disso se tratasse. A pretexto de destruir a “economia paralela”, e como os bandidos, dizem, que usam dinheiro vivo, acabando com este acabariam os bandidos. Impingem-nos cada coisa!
Enquanto isto vaia andando, os resistentes e os excêntricos, lentamente são encurralados pelo sistema. Os espaços onde se negoceia com dinheiro vivo cada vez são menos.

quarta-feira, março 07, 2018

Accionem a emergência


Accionem o botão de emergência!
Só assim se desligarão da corrente as múltiplas ventoinhas para onde se tem lançado tanta trampa. Com tanta sujidade colocada na frente da ventilação forçada, nada escapa de levar salpicos e mais salpicos excrementais.
O pedaço de pano que cobre os olhos da senhora da espada e da balança fede a bosta rara e estreme.


segunda-feira, março 05, 2018

Sobreviver é fundamental


Sobreviver é fundamental no tempo que vivemos.
Nunca como hoje o esforço de tantos gerou tão pouco retorno.
No entanto, sigamos o caminho que se faz caminhando.
Que se faça o que se pode, pois como alguém que eu estimo afirmou, quem faz o que pode faz o que deve.


terça-feira, fevereiro 27, 2018

Mexe-te!


Atinge o ponto da dormência. Os olhos ficam semicerrados e a vista como a ordenar o dormitar, esforçando o olhar como que uma névoa se formasse em seu redor. A saliva, ainda com o sabor do pedaço de pão comido pela manhã, escorre pelos cantos internos da boca, por entre as gengivas. Se pudesse, voltaria para a cama, aproveitando o embalo da fria chuva morrinha que se vê para além do alpendre, a sumir-se pelos pinhais adentro.
Mexe-te, pensou! Mexe-te que os gestos arrebitam qualquer um.


Chove


Chove como se os astros estivessem a pedir desculpa da pouca água que nos têm dado. Mais um trovão ressoa em estrondo como a marcar o ritmo das bátegas de água contra a vidraça. Ouve-se mais um ribombo, e após uns poucos segundos do clarão relampejante. O ritmo da chuva parece amainar, talvez efeito dos estrondos celestes. Os pingos cantam na vidraça da janela como se fossem pequenos grãos de areia lançados por uma mão invisível. Ao longe voltou-se a ouvir um trovão e a intensidade da chuva abranda, indo-se embora, para outros lados, a magra bênção.

segunda-feira, fevereiro 26, 2018

Conversa fiada


A conversa já estará a meio?
Fala-se de tudo e de nada, de modo a que já se fala só por falar, com o som das palavras a entrarem e a saírem sem terem qualquer efeito nas coisas a fazer, e isto cansa, dá sonolência a meio da manhã.
Apetece fruir das coisas mais simples e gostosas, pois sente que deve existir gente que nem imagina a existência de tais situações e momentos.
E por aí foram com a conversa, com a ideia de voltarem um belo dia à felicidade.
É a meio da manhã e apetece-lhe soltar a rédea à sonolência, e fazer uma sesta matinal.
Afinal o nonsense invadiu-lhes, a todos, os pensamentos.
A conversa continua com o mesmo tom e monocórdica.


Trocar trabalho por salário



Trabalho de apito.
O apito tocou para a paragem da bucha, cigarro, mudar momentaneamente de postura corporal.
O martelador na sua função de martelar com a sua ferramenta o martelo, estava com o braço no ar, de martelo em riste pronto para o acto, baixou-o, estranhamente, com doçura e sensibilidade.
Trocar trabalho por salário.

Afinal o nonsense existe




A conversa estará a meio? Fala-se de tudo e de nada, de modo a que Já se fala por falar, com o som das palavras a entrarem e a saírem sem terem qualquer efeito nas coisas a fazer, e isto cansa, dá sonolência a meio da manhã.
Apetece fruir das coisas mais simples e gostosas, pois sente que deve existir gente que nem imagina a existência de coisas simples e gostosas.
E por aí forma, em busca de voltarem, um belo dia, à felicidade
É a meio da manhã e apetece-lhe soltar a rédea à sonolência, e fazer uma cesta matinal.
 Afinal o nonsense invadiu-lhe os pensamentos.

Trabalho de apito.




Trabalho de apito.
O apito tocou para a paragem da bucha, cigarro, mudar momentaneamente de postura corporal.
O martelador na sua função de martelar com a sua ferramenta o martelo, estava com o braço no ar, de martelo em riste pronto para o acto, baixou-o, estranhamente, com doçura e sensibilidade.


O contínuo nonsense!




A falta que faz um lápis e uma turquês!
O nonsense invade os pensamentos. Neste caso não é um estilo de humor, mas a quase realidade á sua volta, a cerca que sempre quis afastada.
Continua o nonsense!

terça-feira, fevereiro 06, 2018

A trampa, mais uma vez



Mais uma vez, a trampa.
Os chamados órgãos de comunicação social, em especial as TVs, estão uma autêntica vergonha. Sintoma das falências das linhas editoriais e das empresas que suportam tais ditos meios?
Estar à espera de uma coisa tipo espécie chamada conferência de imprensa do presidente do Sporting, que se apresentou como patética para seguidamente os canais televisivos alertarem as suas programações, a ponto de colocarem uma cambada, cambada é termo forte, a explicarem aos pategos o que o totó acabou de dizer, me trouxe à lembrança umas férias que um senhor interrompeu, com sacrifício elevado, para falar acerca dos Açores.
Oh TVs, oh chamados OCS, ide-vos catar para longe, de forma que o cheiro trazido pelo vento me poupe um pouco as narinas.

Apesar de não ter visto a peça, obra-prima do jornalismo, o dia seguinte dos OCS, redes sociais, etc., me têm bombardeado que, eu sinto-me incomodado, pois não vivo numa redoma estanque a esta trampa.

quinta-feira, fevereiro 01, 2018

A terra também apanha calos.



A terra também apanha calos.


O número de poças de lama e lavacheiros do caminho aumentam à medida que o caminho entra aldeia adentro. Pequenos charcos malcheirosos, resultado da busca contínua de fertilizante para o amanho da terra que nos enche a barriga e tapará de vez a boca, apesar da tentativa do vizinho da frente em tapar os buracos na estrada com cacos do alguidar que os gatos feitos em arame de ferro não conseguiram unir, restos de uns adobos e um monte de conchas de cricos (berbigões) depois de comidos com uma rodela de cebola e um finíssimo fio de azeite, que para ali foram chapados com o resto de sal reimoso a quando da limpeza da salgadeira. Caminha-se a passo com dificuldade por estas terras de Deus quando as águas do céu se abrem, mesmo com o sol a enxugar, que a terra batida e calcada sempre no mesmo sítio também apanha calos.

segunda-feira, janeiro 22, 2018

Confraria do porco no espeto

A população votante nunca foi nem será coerente. Um porco no espeto, uma bejeca na mão e uma palmada nas costas resolve tudo. Não sei se sabes que a confraria do porco no espeto tem os seus capítulos de acordo com o calendário eleitoral?

sexta-feira, janeiro 19, 2018

É tempo de semear as batatas de SantAmaro



Hoje, quando o Sol descia para as bandas do mar, pude observar o fio de Lua crescente a Ocidente depois de 3 dias escondida do outro lado que vai do Oriente, passando pelo Nadir, e voltando hoje a aparecer quase ao lado do Sol Poente. 
Depois do Sol ter passado 3 noites com a Lua, hoje fugia dela. Depois será a vez dele andar atrás dela, até se encontrarem a Oriente bem pela manhã, no final do seu minguante.

É tempo de semear as batatas de SantAmaro.

quinta-feira, janeiro 11, 2018

Miguelismo

O problema é quando D. Miguel, em manobra de "agitprop", assume o nome do primo que assassinou, à velha maneira do falsete. Pensa que é a "psico" do costume: "Há que pôr os frades, por esse país fora, a bradar dos púlpitos contra os inimigos de Deus. Há que procurar, em cada regimento, um oficial que se preste a dizer aos soldados que a Pátria se encontra ameaçada pelos inimigos de dentro... Os estados emotivos, srs. governadores, dependem da música que se tem no ouvido". "E, agora, meus senhores, ao trabalho!".

quinta-feira, dezembro 14, 2017

Espera no caminho que dá ao Natal.
Uma espera de tempo sem que nada se acrescente ao turbilhão das coisas.
Que passe o tempo de espera que une e resolve os assuntos, que têm que ser resolvidos pelo próprio tempo, no vazio da espera. 
Não mexer na merda já é bom para o ambiente.

Este é o tempo metáfora que hoje vivemos. 
Há que ter a praça moralista sempre activa e entretida com a sua central e inquisitorial fogueira bem ateada.

quinta-feira, novembro 23, 2017

Ordinário! Marche!
Esquerda, direita, 1, 2.
Defendo, isto é, trabalho, a minha Liberdade e a dos que me rodeiam, e à medida que me referencio à verticalidade como ser pensante e me nivelo ao humano que sou, cada vez menos aprecio os rótulos que por aí se colam a esmo.

Não os aprecio, como os rejeito.

terça-feira, outubro 17, 2017

Agradecimento

Agradecimento
Venho agradecer a todos os meus amigos a Força que me ofereceram.
Foram momentos terríficos que vivi com a minha família, unido aos meus amigos vizinhos, no combate pela defesa do que é nosso.
Aos incansáveis rapazes das cisternas com água e seus tractores, aos vigilantes, aos nossos valentes e fortes jovens, homens e mulheres, a minha imensa gratidão.
Com a sorte do vento e a vinda da chuva, conseguimos.

Um abraço a todos.

terça-feira, outubro 10, 2017

De Espanha nem bom vento nem bom casamento.

De Espanha nem bom vento nem bom casamento. 
O que está a acontecer com Catalunha e Madrid não me agrada. 
Não tenho conhecimentos suficientes acerca da questão Catalã para fundamentar uma opinião válida. 
Não tomo partido, mas que a questão existe, existe, e que o que está a acontecer não é bom. 
Nada será como até aqui, disso temos a certeza.
Vamos aguardar pelo bom senso, que é uma coisa que abunda, dá para todos, pois cada um toma a quantidade que quer.



quinta-feira, setembro 21, 2017

É o tempo do peniqueiro aparecer nas redes sociais




Este é o tempo do peniqueiro aparecer nas redes sociais, só porque o chefe vai a votos, só agora publica as fotos que o chefe manda.as fotos que o chefe manda.


O peniqueiro nunca publica as suas opiniões.
O peniqueiro só tem uma opinião: a do chefe,
O peniqueiro, só lê as opiniões dos outros.
O peniqueiro é uma espécie resistente apesar de amorfa e sem espinha.
O peniqueiro constipa-se só porque o chefe espirra.
Tendo sempre à mão o utensílio que lhe dá o nome, corre desalmadamente para o chefe mal este aproxime, por qualquer motivo, a mão da verguilha.
O peniqueiro é mais perfeccionista, mais pontual e mais alinhado que o chefe.
O peniqueiro faz tudo pelo chefe, e até lhe ofertaria o dito se o chefe o pedisse.
O peniqueiro é elemento de uma praga maior que os chatos, apesar de eu não saber até ao momento o que é isso, mas assim deverá ser.
O peniqueiro é enxotado pelo chefe, mas se houver mudança de chefe, o peniqueiro será o primeiro a pendurar-se no seu saco, um autêntico e exímio “ puxa saco” para desespero do chefe e sobrevivência do peniqueiro.
O peniqueiro vive e come directa ou indirectamente do que lhe colocam na gamela, existindo peniqueiros por todo lado mais do que se possa imaginar. Uma praga!


segunda-feira, setembro 18, 2017

Há cheiros na memória


Um cheiro único a salitre mareiro, misturado com o do breu das tábuas ressequidas pelo sol, paira entre os palheiros, nas passagens entre eles e na areia varrida pelo vento alisada à espera das primeiras marcas de pisadas de pés descalços. 

quarta-feira, setembro 13, 2017

Aranhiços


   São uns enormes aranhiços, negros, saídos do mar, a caminho de terra, os palheiros de madeira empoleirados em estacas de pau, que se vêem a andar por cima da grande duna, aquela que cerca o mar de entrar terra adentro.

terça-feira, setembro 12, 2017

O Tempo não é linear.


Ontem, teimosamente na noite dos meus pinhais, apesar da teimosa poluição luminosa que nos é imposta, brilhava do Norte a estrela que é ponto central do eixo da Esfera. A cabeça da Ursa Maior estava nas sete horas e Cassiopeia nas duas horas do relógio celeste. O Tempo dá estas rodas á volta, a indicar o fim do ciclo e preparar o balanço de meia volta para se renovar. É o tempo de aguardar as mais belas luzes de Oríon, mais tarde a estrela Sírius, agora olhando para Sul.
Para mim, o calendário muda de página no equinócio de Setembro.
É que já anoitece de manhã.



segunda-feira, setembro 04, 2017

O caminho é sempre uma construção



O caminho é sempre uma construção das pessoas que o percorreram e percorrem. Nesta memória temos uma construção viva e alterável no tempo, olhada do lado do nosso umbigo e todos julgam estar do lado certo da história, havendo quem queira verdades absolutas e negue os pontos de vista de os outros.
Hoje as ditaduras estão aí à espreita e usam a subtileza das tecnologias para se irem impondo, exultando medos e culpas várias.
Estejamos atentos e, já agora, às vezes a tintos.
Saúde!

Bom dia e boa semana.