quarta-feira, junho 28, 2023

Foguetório de verão.

 


Foguetório de verão.

Hoje em dia, o slogan vazio entra pelo ruido continuamente debitado como uma lâmina, sem qualquer explicação da parte de quem o larga e o mantém, como se de cana de foguete pirotécnico se tratasse. O importante é o pessoal ir apanhando as canas. Para tal o lançamento controlado de fogo pirotécnico, o slogan.

Há décadas que ouço o slogan vazio, o tal das Urgentes Reformas Estruturais.

 


terça-feira, junho 20, 2023

 

Ao longe a cidade reluz.

A cidade nova de prédios novos e altos. Deixámos para trás a paisagem bruta onde afloravam alguns pequenos terrenos com plantios recentes de castanheiros. No alto da elevação principal a visão privilegiada do castelo que foi símbolo de poder, que o de hoje não usa torres de granito como emblema, nem bastões que o possam exibir. A cidade cresceu à volta, limpa e delineada para o automóvel, avenidas, rotundas, e apodreceu no seu interior.

Tanta placa onde se pode ler vende, são letreiros alastrados por todos os sítios e lugares, desde a cidade à mais pequena aldeia, de Norte a Sul, da Raia ao Mar. É assim que o crescimento económico, medido em três siglas de roda pé televisivo se vai em contínuo, de jogo de rapa, tira e deixa, o dogma vigente.

Os outros, os velhos dogmas, estão colocados de lado. “É necessário que ele cresça, e eu diminua“, recordo da passagem do evangelho de S. João. A cidade cresceu para fora e minguou por dentro. Só que nem o Apóstolo João foi o autor de tal versículo, nem o Batista, muito menos os seus seguidores, tal diriam em caso algum.

Tenham um bom S. João.


O MUNDO RICO, ESSE MUNDO À PARTE, OU AS TRETAS QUE EU ANDO A LER.

 

O MUNDO RICO, ESSE MUNDO À PARTE, OU AS TRETAS QUE EU ANDO A LER.

Nos três anos anteriores à covid-19, os preços ao consumidor do mundo rico aumentaram um total de 6%. Nos três anos desde então, eles aumentaram cerca de 20%. As pessoas procuram culpados, e as grandes corporações estão no topo da lista. De acordo com uma pesquisa recente da empresa de pesquisas Morning Consult, cerca de 35% dos americanos acreditam que “as tentativas das empresas de maximizar lucros” contribuíram “mais” para a inflação, mais do que qualquer outro fator.

Não é apenas o público em geral que culpa os grandes donos disto. “A inflação recente foi impulsionada por uma expansão incomum das margens de lucro”, argumentou Paul Donovan, do banco UBS, esse mesmo que estás a pensar.  Um estudo do Bureau of Labor Statistics dos Estados Unidos sugere que os revendedores aumentaram o preço dos veículos novos. Os bancos Centrais também estão entrando em ação. No mês passado, Fabio Panetta, do Banco Central Europeu, disse que “poderia haver um aumento da inflação devido ao aumento dos lucros”. No ano passado, Lael Brainard, ex-vice-presidente da Reserva Federal, agora funcionário da Casa Branca, disse que “as reduções nos mark-ups, o que se adiciona ao preço para se ganhar dinheiro, também podem dar uma contribuição importante para reduzir as pressões de preços”.

 


A memória de Rio de Onor

 


A memória de Rio de Onor remonta a uma página do livro de leitura da Escola Primária, onde a ideia que eu interiorizava que os portugueses eram os únicos valentes, corretos, e sempre vencedores em todas as lides bélicas. Enfim, uma Pátria escolhida por Deus a quem teríamos que agradecer todos os dias. Ao divino e ao seu representante por ele escolhido para nós, o presidente do Conselho, cuja fotografia tínhamos pregado na parede por cima do quadro negro, ao lado do Deus Nosso Senhor crucificado. Tal só teria paralelo com o povo israelita escolhido por Deus a conquistar aos cananeus a Terra Prometida, sabendo-se hoje que eles eram os próprios cananeus e adoravam vários deuses. Foi assim que passados mais de cinquenta anos dessa leitura que chego, pela primeira vez, a Rio de Onor.   

Entramos pelo lado de Castela e Leão, e não notei a diferença que a memória da leitura de menino me tinha deixado. O Rio corre limpo, apresentando um laivo barrento da escorrência das chuvas de monte e rua abaixo: A aldeia está limpa e as casas da horta têm aspeto de serem para turistas.

Buscamos ver pessoas: um homem e o seu manso cão, resguardados da chuva que às vezes caía, tinham aspeto de terem terminado a refeição; uma velhota vestida de preto falava do outro lado da cancela que dava para a alpendurada repetindo, a carreira é às três, a carreira é às três, e nada mais dizia.

Atravessamos o rio, pela velha ponte romana, para o outro lado. Duas mós de um moinho, fixa e andadeira lado a lado. Depois de tanto cereal transformado em farinha servem de mesas. O pavimento empedrado tem aspeto de aplicação recente.

Do rés-do-chão da casa ouvem-se pancadas de talhar madeira. Fomos convidados a entrar: bom dia e com licença.

Começou a conversa. O velho taberneiro e merceeiro reformou-se. A taberna e a mercearia deixaram de ter clientes à medida que o dono envelhecia. Este passou a ocupar o espaço com a manufatura de máscaras de diabos e miniaturas de alfaias agrícolas. Em cima da bancada de trabalho apresenta-se uma miniatura de arado com relha e tudo mais. Nos expositores, vê-se uma máscara de diabo, feita de um pedaço de carvalho, de tamanho enorme e de adorno expositivo desde os cornos aos dentes. À pergunta se usava amieiro para talhar máscaras, reponde que sim, que até é mais fácil de trabalhar e dá obra de melhor aspeto. Máscaras em cortiça, todas diferentes e mais pequenas, as mais baratas, e outras em chapa metálica soldadas e pintadas com tinta acastanhada, todas semelhantes, trabalho de serralharia.

A estrada que liga à cidade apresenta um piso liso, suave à condução sem pressas.

Ao sairmos do povoado cruzámos com a camioneta da carreira das três.

 

 


terça-feira, junho 13, 2023

Os colhões de São Gonçalo


 

 

Os colhões de São Gonçalo

O deus do trigo representa o grão que se enterra no ventre da terra, tal qual o órgão masculino do zangão é arrancado pela abelha rainha na sua dança nupcial e permanece incrustado nela, na espermateca. A fecundação da abelha é à custa da vida do macho. Eis aqui a razão por que os sacerdotes de Cibele e Artemisa em Éfeso se tinham de castrar e oferecer os seus órgãos masculinos à deusa.

Eis aqui uma achega ao que eu ouvia em menino que os padres eram capados.

As mulheres judias, pelo menos até ao fim do cativeiro elite na Babilónia, ano 587 AC, igual que outras adoradoras da Grande Deusa, ofereciam como substitutos dos órgãos dos seus maridos as peças fabricadas com a “carne” do deus do trigo morto, ceifado e panificado, e derrubavam vinho para simbolizar o sangues que fluiria do órgão masculino humano quando cortado, como no caso dos sacerdotes de Cibele.

Para se unirem com o deus, os fies comiam o pão e o vinho.

Assim se realizava o ritual do pão e do vinho, o corpo e sangue do deus do trigo.

Estes rituais de fecundidade realizavam-se por todo o mundo, e ainda hoje se realizam.

segunda-feira, junho 12, 2023

Saindo do ventre da terra.

Saindo do ventre da terra.

S. Martinho de Anta, 28 de Setembro de 1978
“Dia arqueológico. (…) Onde pressinto vestígio pré-histórico, aí estou eu rente, a devanear, rendido e agradecido a um mutismo que, além do mais, é uma homenagem antecipada à nossa imaginação (…), Tudo o que testemunham está registado em nós, como herdeiros que somos de todo o passado humano.”
(Miguel Torga)






quarta-feira, junho 07, 2023

O resto é teologia.



Acerca de um texto escrito no século VI A.C. em hebraico antigo, e que hoje lemos em linguagem da atualidade, adaptado aos dias de hoje, com erros de tradução e interpretações teológicas, a divindade criou o rei, neste caso de Judá, e não o homem, à sua imagem e semelhança.

O escrito servia de legitimação de uma situação político/ religiosa, perante os povos agricultores e pastores, da institucionalização do poder do rei de Judá sob o império de persa de Ciro II. Assim se legitimava o poder delegado pelo imperador persa ao monarca de um cantinho do grande império persa, com o regresso da elite de judeus do cativeiro da Babilónia a Jerusalém em 538/537 a.C. após a conquista persa da cidade de Babilónia.

Em consequência do Decreto de Ciro, a elite de judeus exilados foram autorizados a regressar a Jerusalém e para manter o poder, além da proteção persa  com o novo tipo de imperialismo, construíram o Templo  e criaram uma teologia política suportada em escrita para a leitura aos camponeses. 

Depois os sacerdotes tomaram o poder, a dinastia do rei Zorobabel foi  mandada às urtigas.

O resto, até aos dias de hoje, é teologia.

Então disse Deus: "Façamos o homem à nossa imagem, con­for­me a nossa semelhança. Domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os grandes animais de toda a terra e sobre todos os pequenos animais ­que se movem rente ao chão".

(Génesis 1:26, Bíblia Sagrada Online, versão NVI, bíblia evangélica).

Foto sacada da net.

terça-feira, junho 06, 2023

Deus não joga dados


 

Deus não joga dados, é o que está escrito na carta de Albert Einstein a  Max Born, em 1926: “A teoria produz um bom resultado, mas dificilmente nos aproxima do segredo do Criador. Estou, em todos os casos, convencido de que Ele não joga dados”. Isto considerando que é Ele o Criador de todas as coisas visíveis e invisíveis.

Eu estou mais para o lado que nem joga os dados, e que nem os controla, pois o dado não dá a face que não tem.

São inúmeros os fatos que determinam a evolução das espécies e do universo, sendo o universo inteiro responsável pela nossa evolução.

Uma modificação, uma falha ou defeito, pode gerar uma pequeníssima alteração no ADN que, a ser transmitida para a geração seguinte se a cadeia for possível e a envolvente assim o permitir, será a evolução.

O acaso vem do universo, e com este processo evolutivo em todas as galáxias, estrelas, planetas, e todos os seres vivos aqui nesta realidade a que chamamos Terra, do Homem aos vírus. O acaso é fruto da interação de todas as coisas.

Estamos mesmo sós. Lamento informar-vos que não temos ninguém que nos salve.

Este tempo que comigo está é o escoamento para o multiverso que imagino. Para eu aqui estar, outros já aqui não estão.

Assim eu acabo por não existir e estou, agora, noutra versão.

O choque luminoso confirma que a luz cega quem quer sair rapidamente da escuridão. A realidade assim jogada à frente das pessoas que a negam, também.

Uma só garantia aqui vos deixo: o mais certo é eu  estar possivelmente errado.

 

quinta-feira, junho 01, 2023

Repensem a coisa !

 

 


Repensem a coisa a começar pela vossa casa.

Desde a Revolução Industrial, a população mundial, assim como sua riqueza, explodiu. Antes do final deste século, no entanto, o número de pessoas no planeta pode diminuir pela primeira vez desde a Peste Negra. A causa raiz não é um aumento nas mortes, mas uma queda nos nascimentos. Em grande parte do mundo, a taxa de fertilidade, o número médio de nascimentos por mulher, está em queda. 

Embora a tendência possa ser familiar, a sua extensão e  suas consequências não são. Mesmo com algum otimismo crescente em certos setores em relação à Inteligência artificial, a crise na natalidade paira sobre o futuro da economia mundial, tal com a vemos hoje. Como vivemos hoje, com as metas que nos dizem que buscamos, indicadores de um sucesso só de uns quantos, o sistema está sem escapatória. Mesmo o baralhar, partir e voltar a dar já não funciona como no passado.

Em 2000, a taxa de fertilidade mundial era de 2,7 nascimentos por mulher, confortavelmente acima da “taxa de reposição” de 2,1, na qual a população é estável. Hoje é 2,3 e em queda. Os 15 maiores países em PIB  têm uma taxa de fertilidade abaixo da taxa de reposição. Isso inclui a América e grande parte do mundo rico, mas também a China e a Índia, mas que juntas respondem por mais de um terço da população global.

O crescimento pelo crescimento, como está patente no modo de vida que levamos, não será solução para coisa alguma. Em contra partida as soluções locais e à medida são as mais eficazes, sem ter este indicador como meta, mas outros medidos em outras escalas de comparação. Como exemplo indico que se todas as pessoas levassem o estilo de vida de um americano médio, seriam necessários sete planetas Terra

Por cá já se faz mais publicidade aos unguentos para alívio das dores articulares, fixadores de placas dentárias e comprimidos para a disfunção erétil que a carrinhos para bebés. Estamos num bom caminho, ou deveremos buscar outros?