sábado, março 22, 2014

Decrescimento: uma proposta polémica?

A">http://vimeo.com/46350265">A crise da civilização ocidental e a resposta do Decrescimento. Com Serge Latouche (legendado)
from CIDAChttp://vimeo.com/cidac">CIDAC> on Vimeo.https://vimeo.com">Vimeo.>

segunda-feira, março 17, 2014

Fenómenos meteorológicos extremos afetam Portugal há séculos


Fenómenos meteorológicos extremos afetam Portugal há séculos
O Inverno que está prestes a terminar trouxe este ano tempestades, cheias, ventos e chuva fortes. A estação vestiu-se a rigor, mas uma equipa de investigadores assegura que o fenómeno não é de agora.
 
A equipa do Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa andou para trás no tempo e descobriu que no século XVII teve início um longo período de tempo frio.
Começou em 1675 e terminou em 1715. Portugal foi atingido por uma vaga de frio e Lisboa, nessa época, assistiu a vários nevões. Maria João Alcoforado, uma das autoras do estudo, revela que foram quatro décadas de Invernos muito rigorosos.
A equipa da Universidade de Lisboa está a estudar o clima em Portugal desde 1675 até aos nossos dias. Entre períodos de vários registos a outros de total nulidade, os investigadores concluíram que as tempestades não são fenómeno só do presente.
1739 foi um dos anos de má memória. Em dezembro, três dias bastaram para inundar o país. Em contraste, o ano de 1694 foi seco. Tão seco que procissões saíram à rua a pedir chuva.
O trabalho, que começou há dois anos no Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa, vai continuar durante mais um ano.
http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Vida/Interior.aspx?content_id=3755556

A ferramenta principal de escravizar as nações e Governos é a dívida.

Karen Hudes, demitida do Banco Mundial por ter revelado informações sobre a corrupção na instituição, explicou com detalhes os mecanismos bancários para dominar o nosso planeta. Artigo da Russia Today, publicado no Diário Liberdade.

Karen Hudes, graduada pela escola de Direito de Yale, trabalhou no departamento jurídico do Banco Mundial durante 20 anos. Na qualidade de 'assessora jurídica superior', teve suficiente informação para obter uma visão global de como a elite domina o mundo. Desse modo, o que conta não é uma 'teoria da conspiração' a mais.
De acordo com a especialista, citada pelo portal Exposing The Realities, a elite usa um núcleo hermético de instituições financeiras e de gigantes corporações para dominar o planeta.
Citando um explosivo estudo suíço de 2011, publicado na revista 'Plos One' a respeito da "rede global de controlo corporativo", Hudes enfatizou que um pequeno grupo de entidades, na sua maioria instituições financeiras e bancos centrais, exerce uma enorme influência sobre a economia internacional nos bastidores. "O que realmente está a acontecer é que os recursos do mundo estão a ser dominados por esse grupo", explicou a especialista com 20 anos de trabalho no Banco Mundial, e acrescentou que os "capturadores corruptos do poder" também conseguiram dominar os meios de comunicação. "Isso é-lhes permitido", assegurou.
O estudo suíço que mencionou Hudes foi realizado por uma equipa do Instituto Federal Suíço de Tecnologia de Zurique. Os pesquisadores estudaram as relações entre 37 milhões de empresas e investidores de todo o mundo e descobriram que existe uma "super-entidade" de 147 megacorporações muito unidas e que controlam 40% de toda a economia mundial.
Contudo, as elites globais não controlam apenas essas megacorporações. Segundo Hudes, também dominam as organizações não eleitas e que não prestam contas, mas, sim, controlam as finanças de quase todas as nações do planeta. São o Banco Mundial, o FMI e os bancos centrais, como a Reserva Federal Norte Americana, que controla toda a emissão de dinheiro e a sua circulação internacional.
O banco central dos bancos centrais
A cúpula desse sistema é o Banco de Pagamentos Internacionais: o banco central dos bancos centrais.
"Um organização internacional imensamente poderosa da qual a maioria nem sequer ouviu falar controla secretamente a emissão de dinheiro do mundo inteiro. É o chamado Banco de Pagamentos Internacionais [Bank for International Settlements]. Trata-se do banco central dos bancos centrais, localizado na Basileia, Suíça, mas que possui sucursais em Hong Kong e na Cidade do México. É essencialmente um banco central do mundo não eleito, que tem completa imunidade em matéria de impostos e leis internacionais (...). Hoje, 58 bancos centrais a nível mundial pertencem ao Banco de Pagamentos Internacionais, e tem, em muito, mais poder na economia dos Estados Unidos (ou na economia de qualquer outro país) que qualquer político. A cada dois meses, os banqueiros centrais reúnem-se na Basileia para outra 'Cimeira de Economia Mundial'. Durante essas reuniões, são tomadas decisões que atingem todos os homens, mulheres e crianças do planeta, e nenhum de nós tem voz naquilo que se decide. O Banco de Pagamentos Internacionais é uma organização que foi fundada pela elite mundial, que opera em benefício da mesma, e cujo fim é ser uma das pedras angulares do vindouro sistema financeiro global unificado".
Segundo Hudes, a ferramenta principal de escravizar as nações e Governos inteiros é a dívida.
"Querem que sejamos todos escravos da dívida, querem ver todos os nossos Governos escravos da dívida, e querem que todos os nossos políticos sejam adictos das gigantes contribuições financeiras que eles canalizam nas suas campanhas. Como a elite também é dona de todos os principais meios de informação, esses meios nunca revelarão o segredo de que há algo fundamentalmente errado na maneira como funciona o nosso sistema", afirmou.

 
Tradução do Cepat.

domingo, março 16, 2014

O consumidor é agora a escumalha

O Fim da Sociedade de Consumo

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Dei-me conta outro dia que a sociedade de consumo acabou. Não sei quando foi.¹ Mas acabou com toda a certeza. E não foi a esquerda que deu cabo dela mas o neoliberalismo. Sim. É verdade.
Dentro da doutrina neoliberal não há pior do que um consumidor. Só os idiotas, os inúteis e os parasitas consomem. É o que significa o discurso do “vivemos acima dos nossos meios”. E aqueles artigos que se surpreendem quando os portugueses gastam o seu dinheiro numa Bimby ou vão muito a concertos. Comem fora, mesmo com sacrifícios.
O país reestruturado pela austeridade neoliberal não consome; produz coisas  para exportar, o que significa consumidas longe, noutro lugar, mais estúpido e esbanjador do que nós – é essa a receita que a Alemanha não se cansa de apregoar. À deslocalização do trabalho juntou-se a deslocalização do consumo. É por isso que, num país pobre, se fazem tantas merdas gurmê e de luxo. Obviamente, não são feitas para serem consumidas aqui.
Baixam-se os salários não apenas para baixar custos mas para diminuir o consumo. E os primeiros impostos que o neoliberal pensa em aumentar, os últimos que se recusa a cortar, são os que incidem sobre o consumo, como o IVA.² Em certos estados americanos ultraliberais, cortaram-se todos os impostos menos estes – não funcionou, mas isso é outra história.
Todo o esquema de pensamento neoliberal se insurge contra o consumo. E, como todos os países querem ser austeritários e neoliberais, depreende-se que, numa utopia neoliberal, o consumo seria erradicado do planeta.
Se o capitalismo clássico assentava na livre troca de mercadorias, o que implica oferta e procura, um ecossistema de produtores e consumidores, o neoliberalismo assenta na empresa. Tudo, desde o Estado até ao simples trabalhador, se torna numa empresa. Só se admite a troca se for feita  entre empresas, com o fim de produzir qualquer coisa. É como o jogo das cadeiras, onde perde o último que fica de pé: o consumidor. Assim, num planeta neoliberal a procura é inteiramente assegurada por empresas que vendem a empresas que vendem a empresas – também não funciona. E também é outra história.
E o empreendedorismo mais ridículo (veja-se Miguel Gonçalves) é melhor que o consumo mais sensato – o simples consumo de bens de primeira necessidade, se não for feito dentro de um enquadramento empresarial, é considerado imoral. Aliás, é o que define a pobreza má por oposição à virtuosa. O bom pobre é aquele que, não tendo dinheiro e consumindo o menos possível, se entrega como objecto, como matéria-prima, à boa vontade empreendedora da caridade privada. O mau pobre gasta o dinheiro que recebe do Estado em bifes, Bimbys e concertos. O Rendimento Social de Inserção e o Subsídio de Desemprego são maus porque não têm como pré-condição serem investidos em empreendedorismo mas podem simplesmente ser gastos (e isso não pode ser). É preferível, dentro da moralidade neoliberal, que um pobre se endivide para formar uma empresa do que gaste o dinheiro que descontou para simplesmente comer ou ver um filme quando deixou de ter um emprego ou se reformou.
Naturalmente, há pontos de vista diferentes: dentro do Keynesianismo, o consumo, a procura, é tão importante como a oferta. Se toda a gente e todos os países produzem mas não compram nada, acabam por não conseguir vender nada, e toda a gente fica mais pobre.
Mas a pior consequência do fim da sociedade de consumo é política. Já se sabe que a austeridade neoliberal reduz a participação democrática do cidadão comum a uma formalidade que, de quatro em quatro anos, pode mudar tudo menos a austeridade neoliberal. Mas não é disso que falo. Falo daquele velho argumento do consumo enquanto  democracia. Vocês sabem: o consumidor, ao decidir comprar o melhor produto, pode influenciar empresas, beneficiando os melhores produtos, apoiando as melhores soluções. As más empresas estão condenadas a morrer, abandonadas pelo consumidor. Privatizando serviços públicos está-se a torná-los mais democráticos, etc. Agora, se ainda acreditam nisto, telefonem para o número de atendimento do vosso fornecedor de internet e tentem cancelar o vosso serviço. Usem a palavra “urgência”.  Boa sorte. Sintam o vosso poder enquanto consumidores. O que quero dizer é que, se não há consumo, também não há democracia enquanto consumo. Ou seja, o neoliberalismo não eliminou apenas a democracia clássica mas aquilo que passava por democracia dentro do capitalismo clássico.
Enquanto o liberalismo clássico se organizava em torno da troca, o neoliberalismo organiza-se em torno da concorrência. Tudo concorre com todo. O consumidor puro, não empresarial, não tem hipótese porque não é competitivo. No liberalismo clássico, ainda havia o laissez faire; agora é a avaliação permanente, a competição eterna, em que cada acto do trabalhador só é legitimado se também for uma avaliação parametrizada. Numa universidade já não se preenche um sumário para informar os alunos do conteúdo de uma aula mas porque conta para as avaliações de desempenho. Se o consumidor não tem quase poder nenhum, a avaliação torna-se técnica, administrativa e burocrática ao extremo.
Percebendo que a sociedade de consumo morreu, percebem-se outras coisas, aparentemente sem relação. O fim da crítica por exemplo. A crítica clássica funcionava como um guia de consumo. Os críticos originais eram consumidores idealizados. Mas, o consumidor é agora a escumalha da terra, quando muito uma unidade de medida para medir os visitantes, e o crítico perdeu quase todo o seu poder.
E percebe-se que uma das possibilidades de fazer frente a este sistema, que é como quem diz “ofendê-lo”, é consumindo. Mesmo com pouco dinheiro, com um cêntimo que seja, gastando-o de um modo desprendido, ostensivo, agressivo – a comer, a viver, mas também a ir a um concerto ou a um filme. No que se entender. Poupando-o. Gastando-o. O que interessar a cada um. Se possível sem culpa. Sem ter de inventar uma desculpa empreendedora para isso. E, de preferência, chateando um neoliberal no processo. Estimulando a procura interna, se interessar um argumento económico. Mas é melhor ir a um concerto (garanto) se isso chatear o José Manuel Fernandes. Chateá-lo de um modo inteiramente não competitivo, claro.
Objectivo para 2014: recuperar modos de agressividade, de luta e de crítica, que não sejam concorrenciais ou produtivos. Crítica não-construtiva. E a melhor forma de o fazer é recuperando a crítica como guia de consumo. Um consumo que, se for feito para chatear, será político – o que não é novidade nenhuma: se para o neoliberalismo o consumo é algo a erradicar, para a esquerda ainda é algo político, ainda se acredita que se pode tomar posição boicotando o Pingo Doce, por exemplo.
1. Foucault já se tinha apercebido disso em 1979.
2. Um dos planos iniciais de Passos Coelho para resolver a crise, ainda antes de ser eleito, era aumentar o IVA.
http://ressabiator.wordpress.com/2013/12/30/o-fim-da-sociedade-de-consumo/
 

quinta-feira, março 13, 2014

Assunto: FW: Como poderia o Relvas estar fora da comissão nacional do PSD?

Assunto: FW: Como poderia o Relvas estar fora da comissão nacional do PSD?

Apenas um discreto artigo do Público mais nada..

Em Domingo, 23 de Fevereiro de 2014 11:48, Vitor Manuel Pessanha
Como poderia o Relvas não estar no conselho nacional.Vejam só:
“1. A Tecnoforma, uma empresa de que Pedro Passos Coelho foi consultor e administrador, ficou com a parte de leão, na região Centro, de um programa de formação profissional — financiado por fundos europeus (programa Foral) — destinado a funcionários das autarquias, o qual era tutelado pelo Dr. Relvas, então secretário de Estado da Administração Local do Governo Barroso/Portas.
Os números são, de facto, esmagadores: só em 2003, 82% do valor das candidaturas aprovadas a empresas privadas na região Centro, no quadro do deste programa de formação profissional, coube à Tecnoforma. E entre 2002 e 2004, 63% do número de projectos aprovados a privados pelos responsáveis desse programa pertenciam à mesma empresa.
A história regista, entre outras, uma ideia de génio da Tecnoforma: a concepção de um programa de formação no valor de 1,2 milhões de euros para funcionários de aeródromos que estavam fechados, que eram pistas perdidas ou que tinham um ou mesmo nenhum funcionário.
Miguel Relvas era então o responsável político pelo programa, na qualidade de secretário de Estado da Administração Local de Durão Barroso, Paulo Pereira Coelho era o seu gestor na região Centro, Pedro Passos Coelho era consultor da Tecnoforma, João Luís Gonçalves era sócio e administrador da empresa, António Silva era seu director comercial e vereador da Câmara de Mangualde. Em comum todos tinham o facto de terem sido destacados dirigentes da JSD e, parte deles, deputados do PSD.
2. Entretanto, o mesmo Pedro Passos Coelho criou oCentro Português para a Cooperação, uma organização não-governamental (ONG) concebida para obter financiamentos destinados a projectos de cooperação que interessassem à Tecnoforma. Entre os seus membros figuravam Marques Mendes, Ângelo Correia, Vasco Rato, Júlio Castro Caldas e outras destacadas figuras do PSD.
3. Hoje, soube-se algo mais sobre o desgraçado programa Foral, então tutelado pelo Dr. Relvas. Quando apenas uma circular teria sido suficiente para que autarquias locais ávidas de dinheiro pudessem ficar informadas dos objectivos do programa, descobre-se que houve uma campanha de comunicação, no valor de quase 450 mil euros, adjudicada em 2002 a uma empresa de publicidade detida exclusivamente por Agostinho Branquinho (a NTM), antigo deputado do PSD e actual secretário de Estado da Segurança Social. José Pedro Aguiar-Branco, agora ministro da Defesa, tornou-se presidente da assembleia geral pouco depois da adjudicação.
A história vem descrita no Público (e reproduzida aqui). Entre outras peripécias do concurso, sabe-se agora que:
• Entre as cinco concorrentes excluídas por insuficiência financeira se encontrava a subsidiária de um gigante internacional que ocupava o terceiro lugar na lista das 30 maiores empresas de publicidade do mercado português, a McCann Erickson Portugal (52 milhões de euros facturados em 2001) e a Caixa Alta então em 16º lugar no mesmo ranking da Associação Portuguesa de Agências de Publicidade e Comunicação (13,6 milhões nesse ano), com volume de vendas muito superior ao da NTM (3,7 milhões), que nem constava do mencionado ranking;

• Após a selecção prévia das propostas, restaram três concorrentes, sendo que a NTM foi a que apresentou o preço mais alto e era a que, na avaliação do júri, tinha a mais baixa capacidade técnica.
Segundo o Público apurou, este processo foi conduzido pelo então chefe de gabinete, Paulo Nunes Coelho, e por uma adjunta, Susana Viseu, do Dr. Relvas. Enquanto Paulo Nunes Coelho continua a cirandar pelos gabinetes governamentais, Susana Viseu foi nomeada administradora da Fomentinvest, precisamente a holding onde o terrível Ângelo tinha acolhido Pedro Passos Coelho.
Já tivemos dois PSD: o do cavaquismo que desaguou na foz do BPN; e o do pós-cavaquismo que apodrece placidamente
num imenso delta. Afinal, o que é o PSD?”


Recebido por e-mail.

quinta-feira, março 06, 2014

Para ler e ouvir





O GUARDADOR
DE REBANHOS  


Sou um guardador de rebanhos

O rebanho é os meus pensamentos

E os meus pensamentos são todos sensações.

Penso com os olhos e com os ouvidos

E com as mãos e os pés

E com o nariz e a boca.


Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la

E comer um fruto é saber-lhe o sentido.


Por isso quando num dia de calor

Me sinto triste de gozá-lo tanto.

E me deito ao comprido na erva,

E fecho os olhos quentes,

Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,

Sei a verdade e sou feliz.


 


DA MINHA ALDEIA vejo quando da terra
se pode ver no Universo....

Por isso a minha aldeia é grande como outra qualquer

Porque eu sou do tamanho do que vejo

E não do tamanho da minha altura...


Nas cidades a vida é mais pequena

Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.

Na cidade as grandes casas fecham a vista a chave,

Escondem o horizonte, empurram nosso olhar para longe de todo o céu,

Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,

E tornam-nos pobres porque a única riqueza é ver.


Pensar em Deus é desobedecer a Deus,

Porque Deus quis que o não conhecêssemos,

Por isso se nos não mostrou...


Sejamos simples e calmos,

Como os regatos e as árvores,

E Deus amar-nos-á fazendo de nós

Belos como as árvores e os regatos,

E dar-nos-á verdor na sua primavera,

E um rio aonde ir ter quando acabemos!...


  


Se
depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,


Não há nada mais simples

Tem só duas datas — a da minha nascença
e a da minha morte.


Entre uma e outra cousa todos os dias
são meus.




Sou fácil de definir.

Vi como um danado.

Amei as cousas sem sentimentalidade
nenhuma.


Nunca tive um desejo que não pudesse
realizar, porque nunca ceguei.


Mesmo ouvir nunca foi para mim senão
um acompanhamento de ver.


Compreendi que as cousas são reais e
todas diferentes umas das outras;


Compreendi isto com os olhos, nunca
com o pensamento.


Compreender isto com o pensamento
seria achá-las todas iguais.




Um dia deu-me o sono como a qualquer
criança.


Fechei os olhos e dormi.

Além disso, fui o único poeta da
Natureza
.







As bolas de sabão que esta criança

Se entretém a largar de uma palhinha

São translucidamente uma filosofia toda.

Claras, inúteis e passageiras como a Natureza,

Amigas dos olhos como as cousas,

São aquilo que são

Com uma precisão redondinha e aérea,

E ninguém, nem mesmo a criança que as deixa,

Pretende que elas são mais do que parecem ser.


 


Algumas mal se vêem no ar lúcido.

São como a brisa que passa e mal toca nas flores

E que só sabemos que passa

Porque qualquer cousa se aligeira em nós

E aceita tudo mais nitidamente.


 


 


O Tejo é mais belo que o rio que
corre pela minha aldeia,

Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia

Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.


O Tejo tem grandes navios

E navega nele ainda,

Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,

A memória das naus.

O Tejo desce de Espanha

E o Tejo entra no mar em Portugal.

Toda a gente sabe isso.

Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia

E para onde ele vai

E donde ele vem.

E por isso porque pertence a menos gente,

É mais livre e maior o rio da minha aldeia.


Pelo Tejo vai-se para o Mundo.

Para além do Tejo há a América

E a fortuna daqueles que a encontram.

Ninguém nunca pensou no que há para além

Do rio da minha aldeia.

terça-feira, março 04, 2014

domingo, março 02, 2014