terça-feira, julho 27, 2010

De boas intenções está o inferno cheio

Ouvi a notícia que a Segurança Social vai cancelar o apoio aos beneficiários do Rendimento Social de Inserção (RSI), entre os 18 e os 55 anos, que recusem "emprego conveniente", trabalho socialmente necessário ou propostas de formação.
Espero para ver se o Poder Local que com eles negociou o Rendimento Mínimo terá a capacidade de os colocar a trabalhar, ou se estes só aparecerão a limpar umas valetas e a alindar rotundas uns meses antes das eleições Locais, tal qual aconteceu há um ano atrás.
Uma parte da pobreza em Portugal anda de mão dada com a falta de vontade de trabalhar, isto é a falta de princípios éticos que encontramos até na gabarolice no dizer publicamente quanto recebem. Há grupos sociais onde uma boa parte dos seus membros nunca chegam a trabalhar em toda a sua vida, vivendo de expedientes, onde o Poder Local pratica um negócio de caridade e troca de votos. Pior ainda, dá-se azo a que encontrarem excelentes soluções para viverem à custa dos que trabalham e que, não raras vezes, ganham menos do que eles.
Temos por esta Gândara desse pobres que são verdadeiros novos-ricos ao pé de outros pobres que não tendo a etiquetas de pobre, trabalham e os sustentam.
De boas intenções está o inferno cheio.

3 comentários:

C.Oliveira disse...

Pois e eu conheço uns bons casos desses. Mas aí vem a segunda face da moeda caridosa, como é que se denuncia um caso desses, procurem na net e vão ver como não irão encontrar nada, o que irão encontrar são instituições que defendem esses casos (assim como outros parecidos) ...somos um país de instituições que ajuda tudo e todos menos os que tentam levar uma vida minimamente honesta, acho até que pelo andar da carruagem qualquer dia deixamos de ter "Parlamento" e passamos a ter "Instituição Caridosa Parlamentar sem fins lucrativos"!

Antero disse...

Da leitura do post, pareceu-me, e salvo melhor opinião, existir alguma confusão relativamente às medidas lançadas e aplicadas por cada entidade/organismo. O Rendimento Social de Inserção é uma medida criada, supervisionada e fiscalizada pelo Instituto de Segurança Social (tem como antecessor o Rendimento Minimo Garantido, medida importada pelo Partido Socialista). Como é apanágio de qualquer medida de intervenção social, o RSI sustenta-se na parceria. Esta parceria, no que diz respeito à formação/emprego, alicerça-se no envolvimento de várias entidades, nomeadamente o Instituto de Emprego e Formação Profissional (através: da formação profissional; da divulgação de oportunidades de emprego - pois compete a cada entidade empregadora proceder à selecção dos seus colaboradores; da criação de programas que conferem o enquadramento do trabalho socialmente útil, nomeadamente os Contratos de Emprego e Inserção (CEI), destinados a pessoas desempregadas que auferem o subsídio de desemprego, e o Contrato de Emprego e Inserção + (CEI +), dirigidos a pessoas que beneficiam do RSI. Estes contratos são preciosas mais-valias para a aproximação entre o mercado de trabalho e as pessoas que se encontram em situação de desemprego. Envolve custos para as entidades cujas candidaturas sejam aprovadas - Autarquias Locais, Instituições Particulares de Solidariedade Social,Hospitais, Centros de Saúde, Escolas...), as Autarquias Locais (podendo apresentar candidatura ao CEI e ao CEI + junto do IEFP que poderá ser ou não deferida); Instituições Particulares de Solidariedade Social, Escolas, Unidades de Saúde e a sociedade civil, entre outros.
Queria ainda deixar umas notas soltas:
- Quantas são as pessoas que mantêm um bom emprego, com elevados salários e que mês após mês nada fazem...mas pontualmente recebem os seus salários (onde está a ética?);
- Quantos são os empregadores que vão facturando razoavelmente e declaram nas finanças lucros mínimos, como forma de fugir aos impostos aplicados (onde está a ética);
- Quantas são as entidades empregadoras (privadas, públicas, com e sem fins lucrativos) que quando confrontadas com a necessidade de recrutar recursos humanos para efectuarem trabalho diferenciado, optam por alguém que tem qualificações, em detrimento de uma outra pessoa que não tem qualificação e até beneficia do RSI, dificultando a integração no mercado de trabalho deste tecido populacional.
- Em que conjuntura económica vivemos e desde quando?
- Porque não foram aplicadas, antecipadamente, medidas adequadas (atendendo à situação económica em que nos encontrávamos e nos encontramos)?
Parece-me, e volto a referir, salvo melhor opinião, que o tema exposto merece uma reflexão de fundo.

Anónimo disse...

Praticamente não há dia que passe sem que um parvalhão ressabiado se lembre de fazer um rigoroso escrutínio ao que escrevo. Se daí resultasse uma crítica construtiva que me permitisse melhorar o blogue, só me restaria agradecer e aceitar.
O objectivo é outro: mal lhe cheire um post mais ‘leve’ – como os dois sobre a Luciana Abreu – desiste de tentar conhecer o blogue porque, entretanto, já conseguiu o que queria: um pretexto para dizer que o Bitaites não devia ter ganho a merda do prémio de Melhor Blogue Português. É verdade, já estamos em 2008 e há gente que ainda não esqueceu este importante assunto e insiste em mandar recadinhos pelo Technorati ou Google.
É pena que a blogosfera portuguesa esteja tão cheia de justiceiros mesquinhos e parvalhões ressabiados – ao contrário, por exemplo, da brasileira, onde existem rivalidades mas também mais espírito de entreajuda e a consciência de que blogar todos os dias para dezenas, centenas ou milhares de pessoas é algo de verdadeiramente especial. Blogar não é só olhar para o espelho, palermas. E daqui não levam link, não.

Adenda: exemplo de uma análise mais cuidada e menos preconceituosa ao Bitaites foi a que Pedro Rolo Duarte fez no programa Janela Indiscreta, na Antena 1, embora não lhe perdoe o jazz/rock de martelinhos que escolheu para música de fundo. Não se arranjava um Zappa aí na discoteca da rádio, ó senhor Pedro Rolo Duarte? Ouvir
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