sexta-feira, outubro 01, 2010

Inundação

Vivemos no resultado das decisões tomadas ao longo destes últimos 30 anos pelos que alegremente têm entrado no clube dos que comem da gamela e que por lá continuam à calada, isto para que nem se saiba. Agora, alguns até rasgam as vestes em público fazendo a figura de virgens ofendidas.
Os impasses existem, são coisas que acontecem, mas se as decisões que afectam o colectivo são suportadas na questão eleitoral quer tecnicamente, quer temporalmente, eu não gosto mesmo nada, especialmente quando me sinto afectado.
Sabemos do desmesurado número de funcionários públicos, mais grave ainda, o excedente de determinadas áreas ou serviços que não poderão compensar os défices de outras pois as exigências actuais não foram acauteladas. O passado foi a máxima JAE, isto é, o Já Arranjei Emprego, como exemplo temos o ministério da Agricultura e o seu número de veterinários e técnicos de agricultura a trabalhar na cidade de Lisboa, enquanto os dinheiros da PAC vinham para restaurar, isto é, para acabar com a agricultura especifica da nossa ruralidade.
Este é só um exemplo do ter acesso ao funcionalismo público via cartão de militante do partido, onde o campeão e primeiro responsável máximo foi o professor Cavaco. Este campeão que por aí ainda tem muitos, mesmo muitos que lhe devem favores e fortuna, foi seguido pelo engenheiro Guterres, o mimetismo dos que vivem na babuje. O pior está aí com o tomar desta prática como useira e obrigatória nas autarquias no garante da reeleição, suportadas em actividades de coisa nenhuma, sorvedouros dos dinheiros locais em rotundas floridas, onde as autarquias, empresas municipais e associações a que politicamente a teia do poder se foi ligando, passaram a ser o maior empregador local. Até a feitura das diversas listas às eleições, desde os efectivos aos suplentes, foram encaixadas e alinhadas neste procedimento.
Quebrar estas redes de ferromonas é o mesmo que dizer que o rei, ou melhor, os muitos reizinhos que por aí se criaram, vai nu, e pior ainda não tem nada de jeito para mostrar. Os elementos dos órgãos de poder, quer de decisão, quer de aprovação e controlo, desde a Assembleia da República até à Assembleia de Freguesia, estão castrados pelas ferromonas do pequeno favor, da pequena promessa disto ou daquilo, deste ou daquele, suportadas sempre na lavagem existente na gamela que todos municiamos, umas autênticas vidinhas do ámen, a figura de estar presente.
Assim, por estas orbitais complexas dos vários poderes todos se embrulham numa aleatoriedade que nem equação de Schrödiger resolve, negam a realidade, vivendo na lógica de assumir o papel que tudo está correcto, pois no papel a bota bate com a perdigota, e isso é que é preciso. Vive-se um tempo de cobardia, onde o grupo castra o indivíduo, onde poucos resistem a este negar da realidade que é a castração pelas ferromonas, forças de Van der Waals e ligações de hidrogénio que mantêm o obsoleto castelo de cartas erguido.
Um dia a casa vem abaixo, se já não está a cair neste momento. Nesse momento ficarão a olhar uns para os outros, se já o não estão a fazer, a tal figura que faz quem não entende, ou não quer entender que já não há pão para malucos, que não se pode tirar de onde há, a tal figura de parvo.
Numa análise racional e sem aquela moral estúpida que por aí vinga, chego à conclusão que a coisa está preta do quanto mais tarde cair o edifício mais caro me fica.

9 comentários:

Carlos Rebola disse...

São as forçasde Van der Waals que mantêm as osgas bem agarradas à transparente vidraça, vislumbramos as suas sombras a “nossa” realidade como na “Alegoria da Caverna”, com subtileza mascaram-se as feromonas com sintetizados perfumes, se consegue a atracção de pólos do mesmo nome em vez dos contrários.
Abaixo os castelos de cartas, vivam os castelos de cartas, sempre em dinâmico equilíbrio, para lá das muralhas de “condomínios” fortaleza, donde sopram os ventos que fustigam os castelos de cartas no lado de fora, o hermetismo como convém.
Reconstruir um castelo de cartas pouco custa, caso diferente é manter as verdadeiras fortalezas.
São as pequenas e fracas forças, entre nuvens electrónicas que conferem ao titânio a sua extrema dureza e quase impenetrabilidade.
Vivemos gaseados num ambiente em que a temperatura e a pressão mexem com o volume, a continuar assim só pode dar precipitação e consequente inundação, não é imprevisível que se possa sucumbir por afogamento, as nuvens adensam-se faz muito tempo.
No fundo as leis da física serão sempre cumpridas, pois serão sempre elas a manter os castelos de cartas de pé e a fazê-los cair.

Abraço
Carlos Rebola

Bruno E. Santos disse...

Desde 1976, quem esteve no poder? Em quase todos os outros países europeus, passaram ou estão no poder Partidos Socialistas, Sociais-Democratas, Democratas-Cristãos, Liberais-Democratas, Democratas-Conservadores, etc...!
Então porque é que em muitos desses países não se passam as situações vergonhosas a nível de péssima governação, desperdício, desigualdades, nepotismo, impunidade, saque descarado, corrupção, injustiça, tachos e cunhas de luxo, manipulação de estatísticas e informação sobre finanças públicas, etc...; que temos em Portugal? Se durante os anos 90 e princípios de 2000, o país ainda conseguia aguentar erros de governação; a actual situação financeira internacional, o fecho da torneira da UE e a deslocalização do sector secundário e parte do terciário do Ocidente para Oriente; tornaram o país muito mais frágil, empobrecido e exposto!

Conclusão óbvia: - O problema não é das influências ideológicas, do nome dos partidos e das suas siglas, mas tão só das pessoas que estão à frente deles e dos eleitores que confiam neles!

Sinceramente, não confio nos partidos portugueses actuais do "sistema" para corrigir este país! Estão demasiado interligados com grupos de interesses dos principais militantes, dezenas de milhares de pessoas para proporcionar vidas de luxo injustificadas, péssimos hábitos que perduram, etc...!
Já perdi a confiança nestas pessoas, de vez! Hipoteticamente, poderiam existir outras alternativas, pessoas e partidos com outras ideias e performances, mas o eleitorado não os quer experimentar!

Infelizmente (sinto vergonha de dizer isto em público), talvez o melhor seja mesmo entregar este país por 10-15 anos ao FMI, ou a uma comissão de gestão composta por alemães e nórdicos! E daqui a uma década, convocar eleições e tentar começar um país de novo!

aspirante a tacho disse...

Será que não se possa fazer nada?
Todos sabiamos que isto ia (e VAI) acabar mal... - mas não podemos mesmo fazer nada? Não podemos chamar à responsabilidade quem nos conduziu e conduz ao abismo?
A Justiça em vez de ser independente, serve os interesses do Governo, onde todos entram pelintras, e saem milionários.
Existe fundações para tudo... para quando uma fundação anti-corrupção?

aspirante a tacho disse...

http://democraciaemportugal.blogspot.com/

MDomingues disse...

Com uma inundação destas, baixar os braços é que não!!!
É altura de pegar num rodo e começar a limpar a matéria flutuante!

Anónimo disse...

Concordo. Este país é que não tem emenda. Este problema foi assim no tempo da monarquia e continuou pela república. Em meu entender ao longo da história nenhum está isento. É a mentalidade lusitana!

Cpts

Bruno E. Santos disse...

Por falar em inundações, mas agora no sentido denotativo e literal da palavra! Mais uma sina "tuga"!

Todos os anos, quando aparecem as primeiras chuvadas fortes após o Verão, verificam-se inundações em muitas das grandes cidades portuguesas, causando sempre avultados prejuízos, sobretudo em viaturas e estabelecimentos comerciais! Mas nunca se faz nada e no ano seguinte repete-se a história!
Inundações urbanas no Inverno e fogos florestais rurais no Verão? Será que a sociedade portuguesa está viciada nestes acontecimentos trágicos cíclicos, que se repetem sempre anualmente, ao ponto de estarem a ficar enraizados na nossa vida e cultura das últimas décadas?
Serão um património cultural português para preservar e manter, segundo as nossas elites?

Anónimo disse...

Perto de 40 técnicos superiores da Câmara Municipal de Cantanhede em regime de contrato por tempo determinado estão a ser dispensados à medida que os seus contratos chegam ao fim.

um dos contribuintes disse...

É pá! Ó Manel, toda a gente concorda contigo mas tu tens um defeito, escreves demais! Até pareces que estavas a dar a missa por parábolas!
Precisamos de acção, ...mas agora a sério, no mínimo denunciar aquilo que está mal e podre.
Estou farto de trabalhar e descontar, a ver alguns vizinhos meus a viverem regaladamente com os meus descontos e os teus, numa altura destas em que eu não sei se daqui por um ano o meu patrão tem dinheiro para me pagar.
Vão pro car€&@o filhos da p@&a, malandros de me€&a, eu vou vos denunciar a todos.