sexta-feira, setembro 24, 2010

O caír da parra

“A romaria começou cedo. As fans de Tony Carreira honraram a tradição, guardando lugar junto aos portões de acesso ao recinto logo ao início da tarde. Algumas, porém, anteciparam a chegada a Cantanhede e pernoitaram nos parques de estacionamento. Só visto!”

Este delicioso pedaço de escrita pode ser encontrado no sítio da Câmara Municipal de Cantanhede. http://www.expofacic.pt/node/89
Se o povo assim quer, assim será!
É o que me dizem, e assim será o que se fará para próximo ano.
O financiamento dos Tony Carreira, dos Quim Barreiros e outros do tipo pelos orçamentos camarários, isto é pelos nossos impostos e taxas, é contribuir para muitos e outros défices.
É o que povo quer, ouço dizer, mas será o povo tem outras ofertas? Quando existem, há logo um por abaixo com o argumento que não é popular.
Até parece que a Vereação da Câmara Municipal trabalha um ano inteiro só para uma semana de festa, a importância de chamar o povo.

10 comentários:

Franco disse...

Os "artistas" progridem numa competição desenfreada entre as diversas câmaras, o país endivida-se.
Com os nossos impostos, nós pagamos

Toni disse...

Magnífico!

Bruno E. Santos disse...

Desde há uns anos atrás, costumo ir uma vez por ano à Expofacic (num dia de preço normal), apenas para ver os stands dos expositores, para satisfazer a minha curiosidade pessoal em vários assuntos: novidades, tecnologias, preços praticados no mercado, etc...! Pessoalmente, pouco ligo aos artistas e aos concertos!

Mas compreendo que a maior parte dos visitantes sejam atraídos pelos artistas! Este evento, sem os espectáculos e a animação; estaria às moscas com apenas umas centenas de visitantes por ano; logo deixaria de ser atractivo para os expositores, vendedores e associações! Das centenas de milhares de visitantes que vão atrás dos artistas, existem sempre uns bons milhares que interagem involuntariamente com os expositores, gerando negócios e rendimentos! Existem contactos que se geram, mesmo que só se repercutam em negócios muitos meses depois! E as associações, no geral, ganham umas dezenas de milhares de euros via tasquinhas! E por aí fora...

Agora não sei é se o evento é auto-sustentável e se as suas receitas conseguem cobrir as despesas, pois nunca li nenhuma documentação financeira relativa a ele! Mesmo que por hipótese dê prejuízo; penso que até às poucas dezenas de milhares de euros, o evento ainda se justifica, pelas vantagens externas que gera!

Por isso, esteja no futuro a governar a autarquia o PSD, o PS, um qualquer partido ultra-esquerdista ou um ultra-fascista, etc...; acho que o evento possivelmente irá continuar mais ou menos nos mesmos moldes!

Se querem cortar no endividamento do país, cortem naqueles benefícios exagerados, supérfluos e injustificados; de que só beneficiam algumas dezenas de milhares de indivíduos que gravitam à volta dos partidos, os bancos suíços, os paraísos fiscais e a indústria automóvel alemã e italiana nos segmentos de luxo!

Carlos Monteiro disse...

Ainda me lembro quando o Quim Barreiros era cabeça de cartaz. Agora é James, Scorpions... Não me parece que a Expofacic deixasse de ter sucesso se fosse realizada com espectáculos de artistas menos sonantes (e mais baratos). Não queiram transformar uma feira agrícola e industrial num festival de Verão. Sou de acordo com a continuidade da Expofacic, apesar de achar que este modelo está esgotado. Há uns anos houve o arrojo de se implementar as tasquinhas ( na minha opinião o grande sucesso da Expofacic, mas daí para cá nada de novo tem acontecido, a não ser gastar rios de dinheiro com artistas. Que a INOVA realmente inove alguma coisa...

Anónimo disse...

A Câmara tem um contrato vitalício com Tony Carreira!
Daqui a muitos anos vamos ter o recinto da Expofacic cheio de velhas com bengala ou em cadeiras de rodas a assistirem ao concerto do Tony!...

Mário Caniceiro disse...

Engraçado. Pensando bem, nunca fui à esta exposição. Por isso não posso dizer muito. Mas que aquilo custa muita massa lá isso custa. Já agora gosta de saber onde são publicadas as contas finais destes acontecimentos, para poder consultar

Isidro Dias disse...

Caríssimo,
na minha "tasca" eu também já estou farto de dar a minha opinião, que no fundo é a opinião geral de todos.
Só que há alguns que não se manifestam publicamente, vá-se lá saber porquê!!!
Para o ano, a caderneta é a mesma, só se muda a sequência dos cromos.
Abraços habituais...

Anónimo disse...

Quem os colocou lá, acha bem, acha que está tudo certo nem admite que não seja desta forma

Anónimo disse...

Será que é assim tão mau? eu não vou ver tais artistas mas não há dúvida que arrastam multidões... Agora por não se gostar não podemos pôr abaixo, só por isso mesmo.... vamos a ter tininho e fazer da tasca alguma coisa que não só má língua...

Manel disse...

Todos os verões o país fica transformado num palco. São espectáculos e programas de festas que alegram todos os concelhos. Os presidentes de Câmara e de Junta de Freguesia são agora presidentes de Comissões de Festas.
Mas há aqui um pormenor: parte da factura é paga pelo contribuinte, ou seja, há autarquias que financiam a “música comercial”. Isso tem sido usual, e se a ideia é providenciar “cultura” às populações, ou ao povo como alguns gostam de afirmar, o catálogo nem sempre é bem escolhido e convinha que o fosse. É um hábito adquirido e mais nada.

Como mau hábito, que o é, um programa de desintoxicação seria bem visto na óptica da boa gestão do pilim dos cidadãos.
Isto é cá o Manel a falar, uma maneira de dizer coisas.
Um bom cair da parra a todos os frequentadores da minha tasca.
O vinho deste ano tem bons indicadores para ser uma pomada de qualidade.