quarta-feira, outubro 17, 2007

A seca da pobreza

No meu tempo de menino, a pobreza era apregoada como quase virtuosa e salvadora, isto quer de cima do púlpito, quer no discurso oficial ou oficioso. A Escola era uma contínua catequese de louvor à pobreza e o quanto deveriam ser virtuosos os pobres, pobres mas honrados. Depois, como viveriam os bons, aqueles que desejariam passar a vida praticando o bem na terra para ganhar o bem do céu, pois até a chave da felicidade estava em vestir a camisa de um pobre que a não tinha para vender? A pobreza é envergonhada e envergonha-nos, e não se avalia só em euros.

3 comentários:

M.Domingues disse...

Caro Manel,
Temos dois tipos de pobreza; a pobreza de cultura mas com muito dinheiro, e a pobreza do dinheiro... Recente inauguração de uma obra d'uns 60 milhões, que se construiu em menos tempo do que aquele que os pobres aguardam por uma cirurgia numa lista de espera!

Cumprimentos
M.D.

Manel disse...

caro Manel Domingues,
Ouvi o presidente Silva a falar da pobreza. Na verdade senti que o nosso presidente ainda está mais marcado que nós, e de que maneira,com a ideia do pobre mas honrado.
Quando o Presidente da República Portuguesa faz um discurso de resignado sobre a pobreza em Portugal, é mau no meu modo de ver, demonstrando uma falta de ambição e de submissão aos instalados, nomeadamente á Igreja católica.
Lamento que o nosso Presidente da República seja curto de vista.
Um abraço
Manel

Anónimo disse...

Há algumas pessoas tão pobres no nosso Concelho, que o único bem que têm é o dinheiro...