quinta-feira, abril 26, 2007

Gota a gota

Sugeriram-me que escrevesse sobre o concelho onde moro, isto é, visto do meu lado. Penso-o fazer sem qualquer tipo de regularidade e sem qualquer garantia de continuidade, pois não sendo um cliente do agora não, aceito que hoje é o que é e que amanhã será de outra maneira, o que leva a fazer tal quando me der na vontade. Não vejo o concelho de Cantanhede com as fronteiras físicas que nos querem mostrar com o “toque fronteiriço” da marca da rotunda, do tapete asfaltado ou a marcação e sinalização bem vincada, mas sim o vejo em transversal e pairando por fora e por cima dos seus limites administrativos. Vejo-o como um espaço sempre em mudança física e humana, com convivência de diversas épocas, vivências e Tempos, apesar dos desejos teimosos de alguns em persistirem no estaticismos cultural tipo santuário de uma moralidade hipócrita, decadente e bafienta, cuja manutenção é suportada no parece bem e faz de conta de fachada pintada e pseudo modernidade parola, suportada no desperdício que ao ser eliminado mostraria a nudez com que vai vestido o rei. É que o nosso concelho, não passa de mais uma amostra, tal qual muitos outros, da continuação do espectáculo montado, isto é, “the show must go on”. Um concelho que nestes mais de trinta anos de poder autárquico tem sofrido significativas mudanças, observo que uma boa parte da política local é suportada numa espécie de caciquismo moderno e subtil, uma subtil herança da ANP, em que existe uma dificuldade na desvinculação e convivência com passado. A democracia é mais uma opção que uma convicção. Relativamente aos munícipes, estes continuam sempre à espera que se faça qualquer coisita em que de chapéu na mão lá pedem e recebem a palmadinha nas costas a quando dos agradecimentos. O aceitar de um crónico paternalismo herdado de um antigamente que teimosamente varre a Gândara e nem só, que também ajuda a não eliminação da falta de ambição, falta de competição, onde até as ilegalidades e possível corrupção são elogiadas se trouxerem algum, mesmo que só aparente, benefício para a localidade, apesar dos vários défices visíveis e conhecidos. Claro que isto não é trágico, pois quanto mais baixa for a classificação do quadro actual, o implementar de melhorias com a diminuição do desperdício vivido e existente, mais rapidamente se notará a melhoria na classificação do quadro futuro.

4 comentários:

saaboo disse...

Infelizmente constata-se que a preservância do rivalismo consumado e a ambígua combinação de cores que reina no nosso meio não faça de "nós" um grupo coeso e sim uma "maioria" maioritária em que "dificuldade de imposição" beneficia os mais influentes.

Um abraço de UM alguém, conhecido que esta grato pela prontidão dos seu actos
Cumprimentos

Jorge Guerra disse...

Eu vejo o caciquismo como uma característica alentejana, tipo nabeirismo; aqui nenhuma terra depende tanto duma só pessoa, acho o termo impreciso.

Manel disse...

Amigo Jorge,
Escrevi"numa espécie de caciquismo moderno e subtil, uma subtil herança da ANP", não escrevi caciquismo sem qualquer adjectivo.
A herança da ANP existe e é ainda bem presente na nossa região.

Anónimo disse...

Vasto programa. Será necessária muita coragem pessoal.
Aqui fica o meu apoio ao projecto.