terça-feira, setembro 12, 2006

Homilias

Confesso que já nem tenho paciência para ouvir, muito menos ver, o comentador, analista, professor universitário, Conselheiro de Estado, fazedor de factos políticos que se dá ao luxo de dar notas a tudo e a todos, que lê todos os livros, que domina o futebol e as feras e outras coisas mais que nem ele sabe nem eu imagino. Confesso que o ouvia quando ele fazia um programa na TSF, há uns 10 anos ou mais. Mas de há um bom par de anos para cá, o professor tem demonstrado que sabe demais e de tudo, e eu não consigo acompanhar aquela espécie de homilia dominical, pregação com areia demais para a minha paciente camioneta.

6 comentários:

Mário Caniceiro disse...

Eu gosto de o ouvir. Principalmente quando o homem usa aquela expressão "e o Zé Povinho bla bla bla...". E quando ele diz "eu que sou da classe média...bla bla bla". Mas o português é um povo atencioso a estas diarreias verbais (muito bem pagas com o dinheiro de todos). Mais um que se tivesse caladinho o país até ficava a ganhar...

Manel disse...

Caro Mário,
Tenho a informação que as aulas de direito do professor são excelentes.

BUFO disse...

Se assim é, e eu acredito, então o homem devia dedicar-se apenas e só às aulas de direito. "Cada macaco no seu galho". Mas porque será que a Justiça está no estado que está? Pergunta pertinente esta.

Manel disse...

Caro bufo,
não se trata de só dar aulas, mas o (ab)uso que leva à banalização.
O professor tem mérito, só que já se devia ter escudado um pouco, quando até se apresenta como expert de futebol...

Bruder disse...

Os portugueses, que têm o conveniente de serem analfabetos "letrados", onde o escutar-se dá prazer, e o linguajar é sinónimo de espertice, tem nestas personagens o " pai da nação" de que tanto dependem para esconder a preguiça mental, e dedicar-se aos futebois onde são todos peritos de bancada.Povinho sofrido por excelência,lá vão eles escutando os " fazedores de opinião", amparados pelos " Majores", Jardins madeirenses, a tia de Felgueiras, e o titio de Oeiras, sem esquecer o tal Constância que deixa contância sempre que pode sobre oa economia nacional, sem nunca se saber afinal onde estamos, e muito menos para onde nos dirigimos.Decidamente somos um povo menor, vegetando num passado de eloquente grandeza, mas irreversivelmente diluido neste oceano neo-liberal conteporâneo, onde passamos despercebidos.

Carlos disse...

Caro Brudder,

Embora estando de acordo, no geral, sobre a análise que faz no seu comentário, não compreendo o que quer dizer com a ambígua expressão «somos um povo menor»: ainda não atingimos a maturidade ou somos pequenos por natureza?

E embora não goste de ideólogos que pregam homilias na modorra das noites dominicais, fazendo com que muitas pessoas no dia seguinte tenham opinião acerca do estado da pátria (muitas vezes falseada), e assim, já tenham tempo para ler esses pasquins de menoridade - esses sim - que são as «Bolas», penso que eles, contrariamente à gente comum, não pensam que o povo seja menor (ou maior) que outros povos.

Já é tempo de deixarmos de nos autoflagelar com os lugares-comuns sobre «Descobertas» e outros quejandos, porque a nossa história, como disse o grande padre Vieira, é escrita no futuro -pela alma de um povo que se quer humilde e tudo o mais, mas que tem que (deve) cercear a sua propensão para o complexo da menoridade.

Ou também é daqueles (traidores) que não se importaria de ser espanhol?