sexta-feira, outubro 30, 2015

TER OPINIÃO - UM RISCO ASSUMIDO (por alguns ...)



TER OPINIÃO - UM RISCO ASSUMIDO (por alguns ...)
Ter opinião foi, desde sempre, um risco. E ter opinião em matéria política foi e continua a ser um risco elevado. Nas ditaduras tal risco pode ser mortal, em sentido próprio. Mas mesmo nas democracias formais, ter opinião constitui uma opção arriscada. 

Uma estrutura social engendra sempre posições de domínio e de vigilância. As hierarquias, quaisquer que elas sejam, defendem os seus estatutos pessoais ou grupais. E, consoante os interesses em jogo, podem defendê-los com violência. Esta violência é exercida sobre quem tem opiniões contrárias. 
Houve sempre quem tivesse considerado a opinião desassombrada como uma imprudência. Os jesuítas, por exemplo, costumam ser mestres na "reserva mental". Esta consiste em guardar a opinião própria só para si ou para um círculo restrito de "fiéis", respondendo às opiniões adversas com uma palavra ou expressão evasiva ou até com uma concordância postiça. 
A consciência destas realidades empurraram muitas pessoas para a zona cinzenta e neutra das reticências e do silêncio sistemático. Há quem construa carreiras bem sucedidas desta forma. 
É certo que a sabedoria popular declara que "com o teu amo não jogues as pêras". Mas também não é menos verdadeiro que as organizações sociais deixaram de ter amos, a partir do momento em que o mando por direito ou imposição divina, um mando autoritário, foi substituído pelo mando procedente do Contrato Social, ou seja, por um mando de consenso. 
Por isso se operou a conversão do súbdito no cidadão. Isto não retirou totalmente aos dirigentes uma posição de hegemonia e de superioridade sobre os dirigidos. E quem manda, ainda que mande por delegação, mantém instrumentos de favorecimento e de desfavorecimento que pode utilizar com arbitrariedade.
O famoso humorista brasileiro Jô Soares construiu, em tempos, a figura hilariante do "cinzentão" que todas as vezes que era instado a pronunciar-se sobre um qualquer assunto público melindroso, declarava : "Não me comprometa ! Não me comprometa ! ". 
Tudo isto pode ser verdade. Mas existe uma verdade mais forte, pelo menos para alguns : é que o timorato, o tímido ou o simples manhoso nunca deram um contributo efectivo para que o Mundo melhorasse o rosto da Justiça e do Progresso ético e social.


Professor Amadeu Homem
http://www.uc.pt/imprensa_uc/Autores/galeriaautores/amadeuhomem
https://www.facebook.com/amadeu.homem?fref=nf

quinta-feira, outubro 29, 2015

Parar para pensar


Parar para pensar
As pessoas do nosso passado colectivo que hoje citamos a esmo pelas redes sociais, e até nos intitulamos, algumas vezes, como seus seguidores ideológicos, se as colocássemos neste nosso tempo elas nunca estariam na crise que nós estamos.
A visão dominante do tempo que vivemos de consumismo nesta nossa existência que faz do superficial, do supérfluo e do excesso, bens essenciais e necessários, num processo de autodestruição, a penúria destes momentos em que nos achamos, um beco sem saída.
Uma penúria que muitas e demasiadas vezes não é só material.

terça-feira, outubro 27, 2015

O tempo degrada-se com o tempo.



O tempo degrada-se com o tempo.
Olhando à volta, à espera de quem não prometeu.

O esforço está no caminho que se segue e que teimosamente nos é mostrado em frente.
É mais um trajecto em elipsóide espiralado, às voltas, pois o que vemos em redor são as coisas da vida já conhecidas a passarem, e a repetirem-se num referencial deslocado em relação ao da memória.
De um a um, vão passando os filhos que fazem eterna a Eternidade. De um a um se escoam e a tornam cada vez mais débil.

Lentamente, muito lentamente, a esvaziam.

sexta-feira, outubro 23, 2015

O “amplificador”.



O “amplificador”.
Há pessoas que repetem continuamente e repassam nas redes sociais o que certos meios de comunicação de grande espaço de divulgação  introduzem como notícias de opinião, em especial das TVs. Repetem até com um certo orgulho a mensagem para que quem a ouve até pareça estar ouvir os opinadores e locutores de serviço.
Destes cada vez há mais, pois os clichés são repetidos e à medida que são mudados por outros novos conforme a conveniência de quem controla a informação, lá está o orgulhoso a fazer de câmara de eco, dado que parece não se expor ao esforço da experiência do conhecimento, a não reconhecer a sua ignorância


quarta-feira, outubro 21, 2015

Qualquer semelhança da actual com a do passado é pura mentira.

Qualquer semelhança da actual com a do passado é pura mentira.

Preciso de creolina

Preciso de creolina.
Hoje ouvi um vociferador de notícias e nem só,  locutor da rtp1 a ser juiz em causa própria, logo eu que sou um pouco frequentador das TVs, mas ando atento e pensava que o gajo, pois não o posso tratar de outra forma, era da rtp3.
É nestas pequenas grandes coisas que se vinca a manipulação.

A esplanada além de mal frequentada precisa de uma urgente vassourada e de creolina desinfectante, pois a mixomatose está entranhada.

terça-feira, outubro 20, 2015

Não andamos a olhar para o alto

No meu céu do Escoural.
A Meia Lua de hoje ao Sul a quando o ocaso do Sol.
Há cerca de 4 horas a Terra ocupava a região do Espaço que a Lua ocupa a quando da foto com o meu telemóvel.
Sol e Lua, a dualidade que nos governa.
Não andamos a olhar para o alto, pois não?



Ao inventor da roda.


domingo, outubro 18, 2015

A barca do Entrudo.


A catequese até à náusea do “não há alternativa” nunca foi tão ruidosa como agora.
Uns porque querem acreditar, outros porque lhe incutiram que tinham de acreditar em alguma coisa, outros à espera das migalhas do banquete e uma parte significativa assiste e vai na onda, enquanto a possibilidade de existir uma sociedade livre e democrática está cada vez mais longe.
A ditadura mansa cai sobre nós. O voto do cidadão nunca valeu tão pouco como agora, e digo-o com mágoa.
No entanto eu tenho umas ideias, ingénuas claro, mas não são tão prejudiciais como aquelas com que nos governam.

quinta-feira, outubro 08, 2015

Apuramento

 A selecção portuguesa de futebol garantiu, esta quinta-feira, um lugar na fase final do Europeu de 2016, que se realiza em França, ao vencer a Dinamarca por 1-0, em encontro do Grupo I de apuramento, disputado em Braga.

terça-feira, outubro 06, 2015

domingo, outubro 04, 2015

Qualquer coisa errada que não estava certa


Qualquer coisa errada que não estava certa, não era?
"Por cada Pacheco Pereira que dizia do Governo o que Maomé não dizia do toucinho, quantas pessoas fora da área do poder ouvimos dizer que o Governo estava a fazer bem? Por cada pessoa que bramava contra o Passos, quantos ouvimos a apoiá-lo?"


http://expresso.sapo.pt/blogues/blogue_chamem_me_o_que_quiserem/2015-10-04-O-povo-enmalucou

sexta-feira, outubro 02, 2015

No comments


Este meu céu



Vénus, um dos meus planetas que se passeia no meu céu.

Os nossos antepassados tinham uma grande afinidade com os planetas, sem contar com o Sol e a Lua, eles eram cinco, os visíveis no céu, pois não existia poluição luminosa nocturna de hoje, e moviam-se no céu contra o fundo das estrelas distantes. 
5+2=7
Seguindo os seus movimentos aparentes, os planetas deixam uma constelação e sobrepõem-se a outra, descrevendo uma espécie de voltas completas no céu. Como nesse tempo todas as coisas do céu tinham influência na terra, a questão que se colocava era que influência seria a dos planetas?
Talvez aqui esteja a razão de se encontrar revistas e programas sobre astrologia e é raro encontrar sobre astronomia. De existiram muito mais astrólogos que astrónomos, num tempo em que são tão poucos, cada vez menos, os que levantam os olhos ao céu

quinta-feira, outubro 01, 2015

A Central de Intoxicação


A Central de Intoxicação funciona e replica-se nas redes sociais.
Neste tempo que vivemos, se não tiveres ideias e se estiveres a servir os mainatos dos capatazes dos que mandam e gerem o dinheiro dos sem-rosto, para que estes sejam bem servidos, eles te transformarão em um mainato de mainato. Comprarão a ideia que tu irás utilizar, pois Máquina contratará os especialistas em qualquer modalidade técnica que seja necessária.
Sabemos que Roma não paga a traidores, mas ultimamente tem pago bem aos capatazes. Os mainatos recebem uma palmada nas costas.


terça-feira, setembro 29, 2015

segunda-feira, setembro 28, 2015

domingo, setembro 27, 2015

O poder latente dentro do caos


Os egípcios acreditavam que a matéria sempre existiu e que o mundo começara quando a ordem saiu do caos.
Existiria um poder latente dentro do caos que não sabia de si próprio, uma probabilidade que surgiu a partir da própria desordem, tal como a visão da ciência moderna, nomeadamente da Teoria do Caos, que mostra como padrões intrincados se desenvolvem e repetem matematicamente dentro de acontecimentos completamente desestruturados.

Os antigos egípcios parecem que estavam mais próximos da minha actual visão do mundo, apesar de não terem a compreensão da matéria como a temos hoje, que muitas  pessoas e sociedades que vivem este tempo.

Em busca de um parceiro.



Em busca de um parceiro.
As primeiras parcerias público privadas (PPP) são da altura dos descobrimentos em que eram dadas terras e possessões com determinadas regras e obrigações aos donatários.
No Portugal moderno parece que a primeira PPP foi realizada por António Salazar na construção da Ponte sobre o Tejo hoje denominada Ponte 25 de Abril já chamada Ponte Salazar, e que o Estado Português ficou a pagar a ponte durante 25 anos a uns capitais privados estrangeiros. 
Uma outra famosa PPP foi do Sr. Professor Cavaco Silva, a Ponte Vasco da Gama, a famosa concessão à Lusoponte.


Depois foram auto-estradas e outras obras.

quarta-feira, setembro 23, 2015

Esta é a pedra angular



"Mostrem-me a pedra que os construtores rejeitaram. Esta é a pedra angular.”
(Evangelho segundo Tomé)
(Santuário de N. S. d'Atocha)

terça-feira, setembro 22, 2015

Na busca do problema que sirva à solução desejada.



Na busca do problema que sirva à solução desejada.
Vivemos num mundo de espelhos onde a realidade é distorcida e manipulada, desde a economia de casino, passando pela manipulação da democracia, sondagens, mídia, guerras e doenças, chegando aos valores tecnicamente falsos, na busca do problema certo para que a solução desejada seja posta em prática.

segunda-feira, setembro 14, 2015

quarta-feira, setembro 09, 2015

Uma doença mental




 
Fundamentalismo religioso poderá ser considerado uma doença mental?
Sobre o que defende a neurologista Katheleen Taylor, da Universidade de Oxford (Inglaterra)
A dificuldade está em estabelecer um limite entre o que pode ser considerado uma escolha, consciente e feita com base no livre-arbítrio, e o resultado de uma lavagem cerebral, que pode ser diagnosticada como doença mental.
 

terça-feira, setembro 08, 2015

domingo, setembro 06, 2015

A morte anunciada da Gândara


Tal como a União Europeia, e ao mesmo tempo, a Gândara dos homens da terra prenhe, morreu.

sexta-feira, setembro 04, 2015

A Palavra tem muita força


O processo de implosão da União Europeia está em curso e não começou com esta grande vaga de “migração”, palavra que repetida até à exaustão pelas Tvs e restantes Mídia, para que assim entre no usual linguajar.
A Palavra tem muita força.
Uma outra palavra repetida até entrar no falar comum do nosso dia a dia é "mercados".
Até o Sr. Silva, o presidente da República, aconselhou os portugueses a quando de uma ida a votos, que não irritassem “os mercados”, essa entidade divina à qual o poder político se deve submeter, isto segundo ele.
A maioria destes “migrantes” são efectivamente “imigrantes”, que na sua maioria não terão qualquer identificação com os valores europeus, fazendo assim parte do “financiamento” no desmantelar da União Europeia, processo de queima em curso que teve vários pontos de ignição, entre outros a cimeira das Lages, que anunciou a invasão potenciadora do que vivemos hoje.

Mais veremos, e nada de bom virá montado neste vento que nos varre.

terça-feira, setembro 01, 2015

Tostões e milhões

Tostões e milhões
Milhares e milhões de euros são as constantes referidas nas notícias de hoje referentes a novos velhos bancos e transferências de jogadores de futebol.
Dizem que é o mercado a funcionar, enquanto nos enchem os ouvidos e os olhos com milhões para que muitos sirvam de câmara de eco e de repetição até à náusea.
Uns parcos salvadores tostões não serão notícia valiosa, pois esses são agarrados com esforço pouco valorizado, o esforço do trabalho.
https://www.google.pt/maps/place/R.+Pte.+do+Tost%C3%A3o,+3060-857/@40.3447173,-8.69409,17z/data=!4m2!3m1!1s0xd23b2f9bed877af:0x190bddf7447b9244
 (Rua da Ponte do Tostão)

quarta-feira, agosto 26, 2015

Do Sol de da Lua na igreja de Cadima!



Do Sol de da Lua na igreja de Cadima!
Entrada da igreja matriz (sol) e saída (lua) apoiada em duas colunas.
A Gândara de Cadima.

Do Sol e da Lua do Santuário da N. S. d’Atocha


O Sol, considerado desde a antiguidade como um deus imortal, nasce todas as manhãs e põe-se todas as noites no reino dos mortos; portanto, pode levar com ele os homens e, ao desaparecer, dar-lhes a morte.
É a imagem do Bem.
Além de renovar a Natureza, o brilho do Sol torna as coisas mais perceptíveis. Se a luz irradiada pelo Sol representa o conhecimento, o próprio Sol é a inteligência cósmica, assim como o coração é, no ser, a sede de todas as emoções e a fonte de energia que alimenta o corpo, mantendo viva a alma. 

A Lua é o símbolo dos ritmos biológicos. É o astro que cresce, decresce e desaparece, cuja vida depende da lei universal do movimento e da morte. A Lua tem uma história em que a morte nunca é definitiva. O seu eterno retorno às formas iniciais, essa periodicidade sem fim faz com que seja por excelência o astro dos ritmos de vida. O mesmo simbolismo liga entre si a Lua, as águas, a chuva, a fecundidade das mulheres, dos animais, da vegetação, o destino do homem. Durante três noites, em cada mês lunar, ela está como morta, desapareceu. Depois reaparece e cresce em brilho. Ela é, tal como a Primavera, a passagem da morte para a vida.


segunda-feira, agosto 10, 2015

Adobes de lama

A indústria dos fornos de cal definhou com a motorização da Gândara logo a seguir à segunda Guerra Mundial. Teve início nos finais do século XIX. Antes da sua divulgação, a cal era muito cara, os gandareses construíram as suas casa com adobes de lama.
(Ruínas de habitação no lugar dos Carreiros, Sanguinheira).

sábado, agosto 08, 2015

Vivemos momentos.


Vivemos momentos.
 

Nos momentos de despedida a amigos, a nossa memória deles é que os tornam eternos, e quando ela se for de nós, acaba com ela a eternidade.

quinta-feira, agosto 06, 2015

A semelhança que não é coincidência.

O altar da igreja do santuário da N. S. D'Atocha e o jardim da manga em Coimbra. A semelhança que não é coincidência.

Régua de 24 polegadas

Adquiri mais uma ferramenta para a Oficina das guitarras!
Uma régua de 24 polegadas.

Eu também tive férias assim.

Eu também tive férias assim.

terça-feira, agosto 04, 2015

O sucesso de um adiado sucesso.

O sucesso de um adiado sucesso.
Ultimamente esta palavra deixou-se de ouvir por aí.
O sucesso já não está assim tão democratizado como em tempos idos, deixou de estar disponível para o cidadão comum e mortal. Agora é mesmo só para uns poucos privilegiados, um dom de eleitos por um deus maior, num mundo povoado e conspurcado por gente filha de um enormíssimo deus menor, que existe só para mostra que afinal ainda há gente de sucesso.

Os Tolans de agora



O Sucesso de um “Tolan”.
O Tolan foi um porta-contentores que se afundou no Tejo em 1980, mesmo em frente do cais das colunas, e durante mais de 3 anos esteve à espera de ser removido para a sucata.
Nesse tempo faziam-se excursões a Lisboa para ir ver o Tolan.
No entanto, hoje, os Tolans continuam a entupir o cais das colunas.

 

quarta-feira, julho 22, 2015

Que se lixem as eleições.

Que se lixem as eleições.
Parece que vai haver eleições no início do Outono.

terça-feira, julho 21, 2015

Todos a ver e Ninguém a enxergar.




Modelo de negócio: espoliar pessoas.
Quando o negócio é feito no embuste das hipotecas, no seguro dos pagamentos, na manipulação de taxas, nas operações com informação privilegiada, dá-me para perguntar se tanta honestidade, tanto rigor, não serão mesmo a base do negócio modelo de espoliar pessoas, onde a palavra corrupção não tem lugar.
É que a corrupção é só para as pessoas e organizações pobres. Para o sistema bancário e financeiro que governa o mundo, ela chama-se transparência.
Todos a ver e Ninguém a enxergar.

quinta-feira, julho 16, 2015

A pobreza que nos espera?


O Syriza já está destruído, podemos agora salvar a Grécia?
Chegará o momento em que tiraremos as mãos das carteiras e as poremos na consciência. Chegará o momento em que já não veremos os ricos que roubaram mas os pobres que ficaram. Em que não quereremos ressarcimento mas reparação. Em que perceberemos que não se pede sequer solidariedade, mas piedade. Em que nem os sádicos se divertirão com a espetáculo degradante dos políticos gregos. A União Europeia foi longe de mais na violência estéril e vingativa. Para destruir o Syriza está a ceifar-se um povo. Já não é indignação, é súplica: SOS Grécia. E se tudo o resto falhar, apele-se à inteligência, que não é de esquerda nem de direita, pois é preciso mudar aquele plano que, além de horrível, é burro, é mau, é pior para todos.
Nos palácios de Bruxelas, nos sofás de Berlim ou mesmo nos bancos de jardim de Lisboa permanece apetecível distribuir culpas e medir ideologicamente o debate. Mas nas ruas de Atenas já passámos essa fase. Sobra o desespero de saber que nada vai valer a pena porque pagar ou não pagar parece indiferente, o tudo ou nada resultará sempre no pouco, no de menos, no insuficiente, porque o plano não funciona. Repito: a Grécia vai ter uma recessão pior do que a que os Estados Unidos viveram na Grande Depressão de 1929. Repito: o plano económico vai falhar porque foi concebido para falhar. Repito: desistimos dos gregos e resistimos a ver o desastre encomendado.

O bloco liderado pela Alemanha ficou tão furioso com o desplante do senhor Alexis Tsipras na marcação do referendo que quis devolver-lhe em dobro a lição de superioridade. Até se percebe a fúria, que segundo os relatos da reunião de domingo do Eurogrupo fez com que o senhor Wolfgang Schäuble berrasse. Alexis Tsipras foi arrogante, marcou um referendo pérfido e achou-se nimbado de invencibilidade com os resultados, como se fosse dar uma tareia moral aos demais estados membros. Mas a Alemanha quis tanto destruir o Syriza, por vingança e por dissuasão a que outros países elejam partidos radicais, que perdeu a noção da força. Mais um pacote recessivo vai destruir mais economia e mais emprego numa economia já exangue.

A vitória sobre Tsipras foi retumbante. Até o perdão da dívida, que o Syriza sempre reivindicou, é agora formalmente admitida pelo FMI, mas de forma a culpar o partido, que não tem nada para mostrar. É ridículo ouvir Alexis Tsipras dizer que assinou um acordo em que descrê. É degradante vê-lo tripudiar o próprio Syriza e ancorar-se nos deputados dos partidos que detesta e que o detestam a ele. É assustador ouvir a presidente do Parlamento (que pertence ao Syriza e se junta aos 40 deputados que se afastaram de Tsipras) falar em genocídio social. Mas a humilhação suprema talvez seja ver Tsipras dizer que não há alternativa. Tsipras, o temível mastim indomável, está amestrado como um caniche. Dá dó. A direita rejubila. Também dá dó. Porque ninguém para, escuta e olha para perceber na loucura que estamos a patrocinar.

A loucura de ver um povo desesperado que, depois de cinco anos de austeridade duríssima, tem prometida nova dose de austeridade duríssima. A loucura de tornar o pagamento da dívida mais insustentável do que nunca, pela destruição económica provocada – se a Grécia sai do euro, os credores podem esquecer, vão receber raspas. A loucura de segregar dentro da União Europeia, cavando um fosso que nos vai apartar sabe-se lá até que lonjuras.

A Grécia só se livra desta sarna se, além do perdão de dívida que de qualquer forma terá, tiver um programa de estímulo económico. O mundo, aliás, só recuperou da Grande Depressão dessa maneira. Percebe-se a pulsão de obrigar o país a adotar as reformas estruturais nunca adotadas, incluindo a de ter um Estado que funcione e que cobre impostos. Mas não é destruindo o espaço político e aniquilando a economia que tal vai ser conseguido. A violência na Praça Syntagma é desenrolada por grupos anarcas ruidosos as pouco representativos. A miséria que se alastra, não: é de todos.

É preciso mudar o plano. Somar à austeridade um programa de investimento que estimule a economia e que apoie casos sociais de pobreza. Isso é ser inteligente, até porque é a única forma de tentar recuperar parte da dívida. Talvez a linha dura dos alemães queira apenas humilhar o Syriza e tenha feito um plano para que, depois da capitulação de Tsipras, mude o plano para melhor. Até seria bom que isso fosse verdade. Seria maquiavélico mas, ao menos, saberíamos que a loucura iria mudar. E que, portanto, a Grécia haveria de ter saída da crise em vez de uma saída do euro. Para já, o que vemos é o que temos, um país inteiro a afundar-se na desgraça.

Os gregos estão desesperados porque a situação é desesperante. Coloquemo-nos no lugar deles por um minuto: um governo de extrema esquerda ajoelhado depois de cinco anos de tareia, de desemprego e de austeridade, depois de décadas de corrupção e roubo institucionalizado com os governos de centro. E o que lhes dizem que se segue? Pobreza. Talvez a esta hora também estivéssemos na rua.


quarta-feira, julho 15, 2015

O largo do Santuário da N.S. d'Atocha antes da construção da estrada que liga a Arazede.

O largo do Santuário da N.S. d'Atocha antes da construção da estrada que liga a Arazede.

Palheiros da Tocha ainda sem turistas.

Palheiros da Tocha ainda sem turistas.

O jornal Expresso trata os seus leitores como analfabetos mediáticos.


 

Depois de” não sei quantos anos a fazer opinião” o jornal Expresso altera o slogan para “liberdade para pensar”.
É mesmo um caso em que a língua foge para a verdade.
O jornal Expresso trata os seus leitores como analfabetos mediáticos. 

terça-feira, julho 14, 2015

O fim-de-semana em que a Europa




 

OPINIÃO

O fim-de-semana em que a Europa morreu

A União Europeia são 28 e no fim obedece-se à Alemanha. O Eurogrupo são 19 e no fim e no princípio obedece-se à Alemanha.
Ao contrário do que por vezes dizemos, a União Europeia não é uma organização de estados, nem um conjunto de tratados, nem sequer um conjunto de territórios e de nações, nem sequer uma história comum. A União Europeia é uma ideia. Um sonho de um certo futuro. Um sonho simultaneamente generoso e ambicioso, um sonho feliz como são os sonhos que sonhamos para os nossos filhos. E foi em nome dessa ideia, desse sonho comum de um futuro justo e próspero, que todos estes países, todas estas nações com tradições e línguas diferentes, com um passado carregado de guerras entre si, deram os difíceis passos de construção desta entidade que foi preciso inventar, a que chamamos hoje União Europeia, e que gostámos de imaginar que poderia representar as mais belas tradições da Europa, esconjurar os terríveis demónios do nosso continente e ser um farol para o resto do mundo.
Este sonho de uma Europa que seria a casa natural da democracia, um clube de democracias, uma associação de estados diversos mas solidários e iguais em direitos, regido pela equidade, pela justiça, pela liberdade, pela razão e pela cultura, pela defesa dos direitos humanos e pelo amor da paz, cosmopolita e aberto ao mundo, pátria de acolhimento dos que procuram a justiça e o progresso, fonte de entendimento nas relações internacionais, exemplo de um desenvolvimento harmonioso e respeitador das pessoas e da natureza, morreu este fim-de-semana em Bruxelas. A Europa, tal como a sonhámos, é morta.
 
O velório vai ser longo e doloroso e espera-se apenas que o enterro, ainda sem data marcada, ocorra antes de o cadáver entrar em decomposição. Mas o cheiro, que até agora tem sido disfarçado com perfumes, vai rapidamente tornar-se insuportável para o nariz de qualquer democrata.
 
Uma ideia é uma coisa poderosa, capaz de mudar o mundo e de mobilizar milhões. Mas é também frágil. E a ideia da Europa não resistiu a uma noite de “waterboarding mental” como aquela a que foi submetido o primeiro-ministro grego, depois de um fim-de-semana de chantagem, de mentiras espalhadas por poderosas máquinas de propaganda (“A Grécia quer viver à custa dos contribuintes europeus”) e de um permanente destilar de ódio contra Atenas.
 
O ataque à Grécia está ainda em curso e o seu desenlace ainda não se conhece mas, seja qual for a sua evolução, ele já destruiu a Europa.
 
Teria sido mais honesto se Angela Merkel e Wolfgang Schäuble tivessem enviado os tanques alemães invadir a praça Syntagma e tornar a pilhar abertamente a Grécia como o fizeram as tropas nazis há setenta anos. Mas o que a Alemanha e os seus cúmplices fizeram tem menos riscos e é mais lucrativo. A guerra de hoje ganha-se com “banks instead of tanks”.
 
O que a Alemanha fez, sob a direcção de Schäuble, a aquiescência de Merkel, a cumplicidade gananciosa de meia dúzia de países e a assistência de uns quantos servos solícitos como Passos Coelho e a hesitação de uns políticos medrosos, como Hollande e Renzi, foi a ocupação da Grécia e a substituição do que restava de democracia por uma ditadura financeira. Não foi uma ocupação militar, mas foi uma ocupação, que roubou a Grécia da réstia de soberania que lhe sobrava.
 
A União Europeia passou de “clube das democracias” a uma ditadura financeira - assim, sem aspas - executada pela Alemanha e que não tolera o mínimo desvio aos seus ditames. As democracias podem fazer eleições e escolher governos desde que estes façam exactamente o que Berlim e a banca internacional ditam. E, se não o fizerem, arrepender-se-ão amargamente.
 
Que a austeridade não funciona para resolver os problemas que diz resolver (dívida, crescimento, emprego, competitividade) todos o sabem. Por que razão então a imposição deste “catálogo de atrocidades”, como ontem a revista alemã Der Spiegel chamava às imposições feitas à Grécia? Para dar o exemplo. Para castigar o país que ousou pensar em soberania. Para humilhar o país que ousou convocar um referendo que desafiava Bruxelas e Berlim. Para dobrar a espinha do partido que ousou exigir as reparações de guerra devidas pela Alemanha. Para garantir que nenhum dos países devedores tem veleidades de independência e estraga as contas da Alemanha, a quem convém que haja países endividados que não só lhe pagam juros todos os trimestres, como importam automóveis e submarinos alemães aumentando as suas dívidas, como ainda afugentam dos seus países os investimentos que acabam por cair no colo de Berlim.
 
A austeridade não é um remédio amargo que a Grécia não quer tomar. É uma invasão de um país por meios não militares, uma usurpação da democracia, uma substituição de governos democráticos e uma forma de eternizar a submissão política dos países. A austeridade é o novo colonialismo. E a União Europeia tornou-se a sua ponta de lança.
 
Outra lição que este ataque à Grécia nos oferece é que o desejo de hegemonia da Alemanha não é uma fantasia de paranóicos empenhados em desenterrar fantasmas desaparecidos há muito. A Alemanha não esconde aliás essa veleidade. As propostas de Schäuble (como o sequestro de 50 mil milhões de euros de bens, que a Grécia só poderá reaver se pagar um resgate, como nos raptos) acabaram todas por surgir nos documentos, mesmo quando todos pareciam achá-las excessivas.
http://www.publico.pt/mundo/noticia/o-fimdesemana-em-que-a-europa-morreu-1701944
 

quinta-feira, julho 09, 2015

A indigestão


Iogurte indigesto

“Carthago delenda est” foi a frase final dos discursos, da anterior semana, feitos senhor da cadeira presidencial onde se senta.

Quase uma semana depois de uma indigestão com iogurte grego com que se empanturrou, ainda não saiu da casinha de banho, nem com a ajuda do IMODIUM RAPID, para voltar a colocar faladura rouca e terminar com o já habitual “ Carthago delenda est”, mesmo que seja absurdo.