quinta-feira, julho 16, 2015

A pobreza que nos espera?


O Syriza já está destruído, podemos agora salvar a Grécia?
Chegará o momento em que tiraremos as mãos das carteiras e as poremos na consciência. Chegará o momento em que já não veremos os ricos que roubaram mas os pobres que ficaram. Em que não quereremos ressarcimento mas reparação. Em que perceberemos que não se pede sequer solidariedade, mas piedade. Em que nem os sádicos se divertirão com a espetáculo degradante dos políticos gregos. A União Europeia foi longe de mais na violência estéril e vingativa. Para destruir o Syriza está a ceifar-se um povo. Já não é indignação, é súplica: SOS Grécia. E se tudo o resto falhar, apele-se à inteligência, que não é de esquerda nem de direita, pois é preciso mudar aquele plano que, além de horrível, é burro, é mau, é pior para todos.
Nos palácios de Bruxelas, nos sofás de Berlim ou mesmo nos bancos de jardim de Lisboa permanece apetecível distribuir culpas e medir ideologicamente o debate. Mas nas ruas de Atenas já passámos essa fase. Sobra o desespero de saber que nada vai valer a pena porque pagar ou não pagar parece indiferente, o tudo ou nada resultará sempre no pouco, no de menos, no insuficiente, porque o plano não funciona. Repito: a Grécia vai ter uma recessão pior do que a que os Estados Unidos viveram na Grande Depressão de 1929. Repito: o plano económico vai falhar porque foi concebido para falhar. Repito: desistimos dos gregos e resistimos a ver o desastre encomendado.

O bloco liderado pela Alemanha ficou tão furioso com o desplante do senhor Alexis Tsipras na marcação do referendo que quis devolver-lhe em dobro a lição de superioridade. Até se percebe a fúria, que segundo os relatos da reunião de domingo do Eurogrupo fez com que o senhor Wolfgang Schäuble berrasse. Alexis Tsipras foi arrogante, marcou um referendo pérfido e achou-se nimbado de invencibilidade com os resultados, como se fosse dar uma tareia moral aos demais estados membros. Mas a Alemanha quis tanto destruir o Syriza, por vingança e por dissuasão a que outros países elejam partidos radicais, que perdeu a noção da força. Mais um pacote recessivo vai destruir mais economia e mais emprego numa economia já exangue.

A vitória sobre Tsipras foi retumbante. Até o perdão da dívida, que o Syriza sempre reivindicou, é agora formalmente admitida pelo FMI, mas de forma a culpar o partido, que não tem nada para mostrar. É ridículo ouvir Alexis Tsipras dizer que assinou um acordo em que descrê. É degradante vê-lo tripudiar o próprio Syriza e ancorar-se nos deputados dos partidos que detesta e que o detestam a ele. É assustador ouvir a presidente do Parlamento (que pertence ao Syriza e se junta aos 40 deputados que se afastaram de Tsipras) falar em genocídio social. Mas a humilhação suprema talvez seja ver Tsipras dizer que não há alternativa. Tsipras, o temível mastim indomável, está amestrado como um caniche. Dá dó. A direita rejubila. Também dá dó. Porque ninguém para, escuta e olha para perceber na loucura que estamos a patrocinar.

A loucura de ver um povo desesperado que, depois de cinco anos de austeridade duríssima, tem prometida nova dose de austeridade duríssima. A loucura de tornar o pagamento da dívida mais insustentável do que nunca, pela destruição económica provocada – se a Grécia sai do euro, os credores podem esquecer, vão receber raspas. A loucura de segregar dentro da União Europeia, cavando um fosso que nos vai apartar sabe-se lá até que lonjuras.

A Grécia só se livra desta sarna se, além do perdão de dívida que de qualquer forma terá, tiver um programa de estímulo económico. O mundo, aliás, só recuperou da Grande Depressão dessa maneira. Percebe-se a pulsão de obrigar o país a adotar as reformas estruturais nunca adotadas, incluindo a de ter um Estado que funcione e que cobre impostos. Mas não é destruindo o espaço político e aniquilando a economia que tal vai ser conseguido. A violência na Praça Syntagma é desenrolada por grupos anarcas ruidosos as pouco representativos. A miséria que se alastra, não: é de todos.

É preciso mudar o plano. Somar à austeridade um programa de investimento que estimule a economia e que apoie casos sociais de pobreza. Isso é ser inteligente, até porque é a única forma de tentar recuperar parte da dívida. Talvez a linha dura dos alemães queira apenas humilhar o Syriza e tenha feito um plano para que, depois da capitulação de Tsipras, mude o plano para melhor. Até seria bom que isso fosse verdade. Seria maquiavélico mas, ao menos, saberíamos que a loucura iria mudar. E que, portanto, a Grécia haveria de ter saída da crise em vez de uma saída do euro. Para já, o que vemos é o que temos, um país inteiro a afundar-se na desgraça.

Os gregos estão desesperados porque a situação é desesperante. Coloquemo-nos no lugar deles por um minuto: um governo de extrema esquerda ajoelhado depois de cinco anos de tareia, de desemprego e de austeridade, depois de décadas de corrupção e roubo institucionalizado com os governos de centro. E o que lhes dizem que se segue? Pobreza. Talvez a esta hora também estivéssemos na rua.


quarta-feira, julho 15, 2015

O largo do Santuário da N.S. d'Atocha antes da construção da estrada que liga a Arazede.

O largo do Santuário da N.S. d'Atocha antes da construção da estrada que liga a Arazede.

Palheiros da Tocha ainda sem turistas.

Palheiros da Tocha ainda sem turistas.

O jornal Expresso trata os seus leitores como analfabetos mediáticos.


 

Depois de” não sei quantos anos a fazer opinião” o jornal Expresso altera o slogan para “liberdade para pensar”.
É mesmo um caso em que a língua foge para a verdade.
O jornal Expresso trata os seus leitores como analfabetos mediáticos. 

terça-feira, julho 14, 2015

O fim-de-semana em que a Europa




 

OPINIÃO

O fim-de-semana em que a Europa morreu

A União Europeia são 28 e no fim obedece-se à Alemanha. O Eurogrupo são 19 e no fim e no princípio obedece-se à Alemanha.
Ao contrário do que por vezes dizemos, a União Europeia não é uma organização de estados, nem um conjunto de tratados, nem sequer um conjunto de territórios e de nações, nem sequer uma história comum. A União Europeia é uma ideia. Um sonho de um certo futuro. Um sonho simultaneamente generoso e ambicioso, um sonho feliz como são os sonhos que sonhamos para os nossos filhos. E foi em nome dessa ideia, desse sonho comum de um futuro justo e próspero, que todos estes países, todas estas nações com tradições e línguas diferentes, com um passado carregado de guerras entre si, deram os difíceis passos de construção desta entidade que foi preciso inventar, a que chamamos hoje União Europeia, e que gostámos de imaginar que poderia representar as mais belas tradições da Europa, esconjurar os terríveis demónios do nosso continente e ser um farol para o resto do mundo.
Este sonho de uma Europa que seria a casa natural da democracia, um clube de democracias, uma associação de estados diversos mas solidários e iguais em direitos, regido pela equidade, pela justiça, pela liberdade, pela razão e pela cultura, pela defesa dos direitos humanos e pelo amor da paz, cosmopolita e aberto ao mundo, pátria de acolhimento dos que procuram a justiça e o progresso, fonte de entendimento nas relações internacionais, exemplo de um desenvolvimento harmonioso e respeitador das pessoas e da natureza, morreu este fim-de-semana em Bruxelas. A Europa, tal como a sonhámos, é morta.
 
O velório vai ser longo e doloroso e espera-se apenas que o enterro, ainda sem data marcada, ocorra antes de o cadáver entrar em decomposição. Mas o cheiro, que até agora tem sido disfarçado com perfumes, vai rapidamente tornar-se insuportável para o nariz de qualquer democrata.
 
Uma ideia é uma coisa poderosa, capaz de mudar o mundo e de mobilizar milhões. Mas é também frágil. E a ideia da Europa não resistiu a uma noite de “waterboarding mental” como aquela a que foi submetido o primeiro-ministro grego, depois de um fim-de-semana de chantagem, de mentiras espalhadas por poderosas máquinas de propaganda (“A Grécia quer viver à custa dos contribuintes europeus”) e de um permanente destilar de ódio contra Atenas.
 
O ataque à Grécia está ainda em curso e o seu desenlace ainda não se conhece mas, seja qual for a sua evolução, ele já destruiu a Europa.
 
Teria sido mais honesto se Angela Merkel e Wolfgang Schäuble tivessem enviado os tanques alemães invadir a praça Syntagma e tornar a pilhar abertamente a Grécia como o fizeram as tropas nazis há setenta anos. Mas o que a Alemanha e os seus cúmplices fizeram tem menos riscos e é mais lucrativo. A guerra de hoje ganha-se com “banks instead of tanks”.
 
O que a Alemanha fez, sob a direcção de Schäuble, a aquiescência de Merkel, a cumplicidade gananciosa de meia dúzia de países e a assistência de uns quantos servos solícitos como Passos Coelho e a hesitação de uns políticos medrosos, como Hollande e Renzi, foi a ocupação da Grécia e a substituição do que restava de democracia por uma ditadura financeira. Não foi uma ocupação militar, mas foi uma ocupação, que roubou a Grécia da réstia de soberania que lhe sobrava.
 
A União Europeia passou de “clube das democracias” a uma ditadura financeira - assim, sem aspas - executada pela Alemanha e que não tolera o mínimo desvio aos seus ditames. As democracias podem fazer eleições e escolher governos desde que estes façam exactamente o que Berlim e a banca internacional ditam. E, se não o fizerem, arrepender-se-ão amargamente.
 
Que a austeridade não funciona para resolver os problemas que diz resolver (dívida, crescimento, emprego, competitividade) todos o sabem. Por que razão então a imposição deste “catálogo de atrocidades”, como ontem a revista alemã Der Spiegel chamava às imposições feitas à Grécia? Para dar o exemplo. Para castigar o país que ousou pensar em soberania. Para humilhar o país que ousou convocar um referendo que desafiava Bruxelas e Berlim. Para dobrar a espinha do partido que ousou exigir as reparações de guerra devidas pela Alemanha. Para garantir que nenhum dos países devedores tem veleidades de independência e estraga as contas da Alemanha, a quem convém que haja países endividados que não só lhe pagam juros todos os trimestres, como importam automóveis e submarinos alemães aumentando as suas dívidas, como ainda afugentam dos seus países os investimentos que acabam por cair no colo de Berlim.
 
A austeridade não é um remédio amargo que a Grécia não quer tomar. É uma invasão de um país por meios não militares, uma usurpação da democracia, uma substituição de governos democráticos e uma forma de eternizar a submissão política dos países. A austeridade é o novo colonialismo. E a União Europeia tornou-se a sua ponta de lança.
 
Outra lição que este ataque à Grécia nos oferece é que o desejo de hegemonia da Alemanha não é uma fantasia de paranóicos empenhados em desenterrar fantasmas desaparecidos há muito. A Alemanha não esconde aliás essa veleidade. As propostas de Schäuble (como o sequestro de 50 mil milhões de euros de bens, que a Grécia só poderá reaver se pagar um resgate, como nos raptos) acabaram todas por surgir nos documentos, mesmo quando todos pareciam achá-las excessivas.
http://www.publico.pt/mundo/noticia/o-fimdesemana-em-que-a-europa-morreu-1701944
 

quinta-feira, julho 09, 2015

A indigestão


Iogurte indigesto

“Carthago delenda est” foi a frase final dos discursos, da anterior semana, feitos senhor da cadeira presidencial onde se senta.

Quase uma semana depois de uma indigestão com iogurte grego com que se empanturrou, ainda não saiu da casinha de banho, nem com a ajuda do IMODIUM RAPID, para voltar a colocar faladura rouca e terminar com o já habitual “ Carthago delenda est”, mesmo que seja absurdo.

quarta-feira, julho 08, 2015

Heresias (this post is bad )


Heresias (this post is bad )
Os chamados mecanismos financeiros são ferramentas na posse de pessoas que não conhecemos, não eleitas, aos quais as ditas instâncias europeias obedecem, os tais credores sem rosto.
Sinto que qualquer mudança suportada em voto popular acaba no legitimar dos interesses do grande Deus Mercadus.
Deuteronómio 10-17: “Pois o Senhor vosso Deus é o Deus dos deuses, e o Senhor dos senhores, o Deus grande, poderoso e terrível, que não faz acepção de pessoas, nem aceita recompensas”

segunda-feira, julho 06, 2015

domingo, julho 05, 2015

O referendo grego após a vitória do Não.


Um espectáculo os comentadores das TVs na abertura dos telejornais!

Depois de prepararem as intervenções para uma coisa, ao sair-lhes outra, os cérebros deles atá patinam e largam fumo pelas orelhas.

Como diria o Fernando Mendes: espectáculo!

sábado, julho 04, 2015

A guerra instalada


 A guerra instalada

Quando a dívida é impagável.
Quando numa negociação se debate mais um ou menos uma migalha no caminho que já é o conhecido.
Quando o diálogo se torna impossível, qualquer solução será de ruptura com o caminho que aqui nos trouxe e que se mostrou errado.
Quando as regras europeias estão em contradição com a democracia e o estado social.
Como o FMI e BCE não estão preparados para a democracia.
Ganhe o Sim ou Não na Grécia, os resultados serão igualmente trágicos.
O que aí vem para a Europa e Portugal é o pior.

 

quarta-feira, julho 01, 2015

O importante é a vida, não a arquitectura, e a vida é um instante



“O importante é a vida, não a arquitectura, e a vida é um instante”
(Óscar Niemeyer)
Vivemos o tempo em que o credor não quer que a dívida dos estados e das famílias seja efectivamente paga, nem ele espera recebê-la na totalidade, pois esta é o seu instrumento de dominação.
Usada como ferramenta de escravatura dos novos tempos que vivemos, em que ela é efectivamente dinheiro, o “ não existe alternativa” continua, assim, a ser o novo AMEN das orações diárias ao deus reinante, pregadas constantemente às pessoas
Sejamos hereges, pois a salvação que esses pregadores anunciam não existe.
Repetindo o que disse o grande arquitecto Niemeyer, o importante é a vida, não a arquitectura, e a vida é um instante para  não ter medo do espaço livre, pois esse mesmo espaço faz parte da arquitectura.

terça-feira, junho 30, 2015

O rapto de Europa.

O rapto de Europa. 
Obra do mestre Manolo Garcia Linares.

segunda-feira, junho 29, 2015

Os Deuses do céu do Escoural

Os Deuses do céu do Escoural
Para os lados do poente do Astro Rei, Vénus aproxima-se de Júpiter, o Deus dos Deuses, enquanto o Astro Feminino em fase quase plena, se perfila a Sul.
O guerreador Marte anda longe, em lutas e labutas.

Façam atenção


Como diria o meu primo chegado de França, façam atenção!
As televisões, os jornais e o que as redes sociais repassam não é toda a verdade.

Façam a atenção em perguntarem a vós mesmos “ quem beneficia com isto?”

quinta-feira, junho 25, 2015

O Espaço Passado

Ontem, no momento da foto, estava Meia-lua, quarto crescente.
Cerca de 4 horas antes a Terra estava na região do Espaço que naquele momento se apresentava a Lua.
Nunca mais a Terra e a Lua voltarão a passar por tal sítio, o Espaço Passado.

terça-feira, junho 23, 2015

Chuvisco de S. João


 

 Chuvisco de S. João

Um céu nublado a chamar o chuvisco morrinha de S. João, esse mesmo, o que trás a moléstia do feijão.

segunda-feira, junho 22, 2015

O novo analfabetismo


Há demasiadas pessoas que têm certeza de que o que lêem, ouvem e vêem é o suficiente, e corresponde à realidade.

quarta-feira, junho 17, 2015

Qual o sentido da vida?


Qual o sentido da vida?
Viver com perguntas faz-nos muito mais humanos do que viver com respostas. O mercado das religiões apressa-se a vender-nos respostas para as perguntas que temos por mais fundamentais. São todas falsas. Nascemos cercados de respostas prontas a usar. A educação institucional, ministrada pelas religiões e pelas escolas, é um produto atraente, mas envenenado. Consegue abafar em nós as grandes perguntas com as falsas respostas que nos vende. Educar, no mercado, é igual a domesticar. Crescemos amestrados, à medida dos interesses e das necessidades do mercado. Todas as religiões, como todas as famílias e todas as escolas, estão aí para nos integrar progressivamente no mundo do mercado. São instituições domesticadoras. Estimulam-nos a crescer de acordo com as regras do mercado. Acabamos carne para canhão, pau para toda a colher, dentro do mercado e ao seu serviço. Tudo parece estar bem, porque conseguimos viver sem sobressaltos. Porventura, até com algum sucesso. Um viver com sentido dentro do mercado. Sem sentido dentro do Humano-Consciência. Há um abismo intransponível entre o Humano-Consciência e o mercado. Não é politicamente correcto dizer isto, eu sei. O politicamente correcto desconhece a Política praticada, como desconhece o Humano-Consciência como o ponto ómega do Universo. O mercado das religiões e financeiro tem o condão de matar o mistério que é a dimensão mais profunda do Humano-Consciência no Universo. Uma realidade que se dá a conhecer, à medida que cada uma, cada um de nós se desenvolve de dentro para fora, de acordo com a sua matriz original. Nascemos para rebentar com o mercado das religiões e o financeiro, não para o viabilizarmos, fortalecermos. Urge redescobrir o belo e o fecundo que é vivermos com perguntas, em lugar de com respostas, as respostas vendidas pelo mercado das religiões e o financeiro, assassino da originalidade de cada qual.


17 Junho 2015

segunda-feira, junho 15, 2015

Abençoado alívio

Devoção à N. S. do Alívio.

sexta-feira, junho 12, 2015

Mas onde é que eu já li isto?!

Mas onde é que eu já li isto?!



O pior analfabeto é o analfabeto mediático, pois ele imagina que tudo pode ser compreendido sem o mínimo esforço intelectual, e na sua forma de estar e agir carrega mais danos à comunidade que o analfabeto político. Ele prefere acreditar em “especialistas” e veículos de comunicação comprometidos com interesses de poderosos grupos políticos, económicos e financeiros.


sexta-feira, maio 01, 2015

Maio nasceu



Chega Maio e os ares mudam.
A salvação é apresentada à terra em promessas de fartura. As mães trazem ao ermo os filhos vingados em agradecimento ao passado na nova alegria da abundância prometida.
Maio, o ponto de onde nasce o sol que emprenha a terra que dará fruto do seu ventre, deve ser indicado com o agradecimento e indicador do tempo. 

terça-feira, abril 28, 2015

Estou farto!

Estou farto!
O pequeno filho da puta é sempre um pequeno filho da puta; mas não há filho da puta, por pequeno que seja, que não tenha a sua própria grandeza,
Estou farto dos Filhos da Puta que por aí andam.
Farto dos grandes e dos pequenos Filhos da Puta.
Mas o que me irrita mesmo, a ponto de me apetecer partir-lhes o focinho, são aqueles pequeninos Filhos da Puta, que são uns Filhos da Puta em miniatura e vêem com bons olhos o engrandecimento do grande Filho da Puta.
Ide para a Puta que vos pariu, ó pequeninos Filhos da Puta.

sexta-feira, abril 24, 2015

Assim fluem as coisas


Assim fluem as coisas
Escrevi isto a 12-02-2015, véspera de sexta-feira 13-02-2015, por sua vez véspera de Sábado, o sétimo dia da semana. Os números 7 e 13 são números primos.
Quando escolhi o número sete, isto foi no século passado, e me perguntaram porquê o sete, eu respondi, gosto do 7.
Lembro o subtítulo do meu blog , «Sabes o que me lembra este céu? Mais ou menos: a guerra dos astros. Tal e qual. A guerra dos mundos. Um sol maléfico, que tenta destruir a maquete, e sete planetas menores que tentam defendê-la.» [Finisterra, Carlos de Oliveira].  E depois 3+4=7  e 7+7-1=13, e por aí fora.

quarta-feira, abril 22, 2015

Vira o disco e toca o mesmo?


Exmo. Sr,
Sendo uma das grandes apostas do novo quadro comunitário Portugal 2020, a XPATCO criou ações de formação sobre Agricultura, dirigidas para jovens agricultores, principalmente para aqueles que pretendam concorrer aos apoios financeiros do PDR 2020. O objetivo será dotar os formandos de competências-chave para a criar do seu próprio negócio agrícola.
Neste sentido, foram criados os seguintes cursos:
Aplicação de Produtos FitoFarmacêuticos
Formação Específica para a Orientação Produtiva
Gestão da Empresa Agrícola
Formação Básica de Agricultura
E os seguintes Workshop’s (destinados, não só a jovens agricultores, mas a todas as pessoas que pretendam adquirir conhecimento sobre a temática):
Regime Aplicável de IVA, IRS e SS aos Agricultores
Secagem, Conservação e Utilização de Plantas
Poda de Árvores de Fruto
Plantas Aromáticas Medicinais e Condimentares - Produção
Hortas de Primavera / Verão
Hortas de Outono / Inverno
Controlo de Pragas e Doenças em Agricultura Biológica
Fertilização em MPB e Compostagem
Sementes e Germinados - produção e benefícios
Contacte-nos para obter mais informação.
Melhores cumprimentos,
 XPTO
XPATCO
(recebido por email)

quarta-feira, abril 15, 2015

Idiotas de todo o mundo, uni-vos.



A arte de escrever para idiotas
Por Marcia Tiburi e Rubens Casara
Para aqueles que não lerão este artigo
Em nossa cultura intelectual e jornalística surge uma nova forma retórica. Trata-se da arte de escrever para idiotas que, entre nós, tem feito muito sucesso. Pensávamos ter atingido o fundo do poço em termos de produção de idiotices para idiotas, mas proliferam subformas, subgêneros e subautores que sugerem a criação de um nova ciência.
Estamos fazendo piada, mas quando se trata de pensar na forma assumida atualmente pela “voz da razão” temos que parar de rir e começar a pensar.
Artigos ruins e reacionários fazem parte de jornais e revistas desde sempre, mas a arte de escrever para idiotas vem se especializando ao longo do tempo e seus artistas passam da posição de retóricos de baixa categoria para príncipes dos meios de comunicação de massa. Atualmente, idiotas de direita tem mais espaço do que idiotas de esquerda na grande mídia. Mas isso não afeta em nada a forma com que se pode escrever para idiotas.
Diga-se, antes de mais nada, que o termo idiota aqui empregado guarda algo de seu velho uso psiquiátrico. Etimologicamente, “idiota” tem relação com aquele que vive fechado em si mesmo. Na psiquiatria, a idiotia era uma patologia gravíssima e que, em termos sociais, podemos dizer que continua sendo.
Uma tipologia psicossocial entra em jogo na história, baseada em dois tipos ideais de idiotas: oidiota de raiz, dentre os quais se destaca a subcategoria do idiota representante do conhecimento paranoico, e o neo-idiota, com destaque para o “idiota” mercenário que lucra com a arte de escrever para idiotas.
Vejamos quem são:
1- O Idiota de raiz é fruto de um determinismo: ele não pode deixar de ser idiota. Seja em razão da tradição em que está inserido ou de um déficit cognitivo, trata-se de um idiota autêntico.
O Idiota de raiz divide-se em três subtipos:
1. 1 – Ignorante orgulhoso: não se abre à experiência do conhecimento. Repete clichês introduzidos no cotidiano pelos meios de informação que ele conhece, a televisão e os jornais de grande circulação, em que a informação é controlada. Sua formação é “midiatizada”, mas ele não sabe disso e se orgulha do que lhe permitem conhecer. No limite, o ignorante orgulhoso diz “sou fascista”, sem conhecer a experiência do fascismo clássico da década de 30 e o significado atual da palavra, assim como é capaz de defender sem razoabilidade alguma ideias sobre as quais ele nada sabe. Um exemplo muito atual: apesar da violência não ter diminuído nos países que reduziram a maioridade penal, a ignorância da qual se orgulha o idiota, o faz defender essa medida como solução para os mais variados problemas sociais.  Ele se aproxima do “burro mesmo” enquanto imita o representante do conhecimento paranoico, apresentados a seguir.
1.2 – “Burro mesmo”: não há muito o que dizer. Mesmo com informação por todos os lados, ele não consegue juntar os pontinhos. Por exemplo: o “burro mesmo” faz uma manifestação “democrática” para defender a volta da ditadura. Para bom entendedor, meia palavra…
1.3 – Representante do conhecimento paranoico: tendo estudado ou sendo autodidata, o representante do conhecimento paranoico pode ser, sob certo aspecto, genial. Freud comparava, em sua forma, a paranoia a uma espécie de sistema filosófico. O paranoico tem certezas, a falta de dúvida é o que o torna idiota. Se duvidasse, ele poderia ser um filósofo. O conhecimento paranoico cria monstros que ele mesmo acredita combater a partir de suas certezas. O comunismo, o feminismo, a política de cotas ou qualquer política que possa produzir um deslocamento de sentido e colocar em dúvida suas certezas, ocupa o lugar de monstro para alguns paranoicos midiaticamente importantes.
Curioso é que o representante do conhecimento paranoico pode parecer alguém inteligente, mas seu afeto paranoico o impede de experimentar outras formas de ver o mundo, abortando a potência de inteligência, que nele é, a todo momento, mortificada. Isso o aproxima do “ignorante orgulhoso” e do “burro mesmo”.
Em termos vulgares e compreensíveis por todos: ele é a brochada da inteligência.
2 – O neo-idiota: o neo-idiota poderia não ser um idiota, mas sua escolha, sua adesão à tendência dominante, o coloca nesse lugar. Não se pode esquecer que, além de cognitiva, a inteligência é uma categoria moral. O neo-idiota não é apenas um idiota, mas também um canalha em potencial.
Há dois subtipos de neo-idiota:
2.1 – O “idiota” mercenário quer ganhar dinheiro. Ele serve aos interesses dominantes, mas é um idiota como outro qualquer, porque não ganha tanto dinheiro assim quando vende a alma.
Nessa categoria, prevalece o mercenário sobre o idiota. Por isso, podemos falar de um idiota entre aspas. Ganha dinheiro falando idiotices para os idiotas que o lerão. Seu leitor padrão divide-se entre o “burro mesmo” e o “idiota cool”. Ele escreve aquilo que faz o “burro mesmo” pensar que é inteligente. O idiota cool, por sua vez, se sente legitimado pelo que lê. O que revela a responsabilidade do idiota mercenário no crescimento do pensamento autoritário na sociedade brasileira. Apresentar Homer Simpson ou qualquer outro exemplo de “burro mesmo” como modelo ideal de telespectador ou leitor é paradigmático nesse contexto.
2.2 – O “idiota cool” lê o que escreve o idiota mercenário. Repete suas ideias na esperança de ser aceito socialmente. De ter um destaque como sujeito de ideias (prontas). Ele gosta de exibir sua leitura do jornal ou do blog e usa as ideias do articulista (do representante do conhecimento paranoico ou do idiota mercenário) para tornar-se cool. Ele segue a tendência dominante. Ao contrário do “burro mesmo”, nele sobressai o esforço para estar na moda. Como, diferentemente dos seus ídolos, ele não escreve em jornais ou blogs famosos, ele transforma o Facebook e outras redes sociais no seu palco.
Diante disso, temos os textos produzidos a partir da altamente falaciosa arte de escrever para idiotas. O sucesso que alcançam tais textos se deve a um conjunto de regras básicas. Identificamos dez, mas a capacidade para escrever idiotices tem se revelado engenhosa e não deve ser menosprezada:
1-    Tratar como idiota todo mundo que não concorda com as idiotices defendidas. O texto é construído a partir do narcisismo infantil do articulista. O autor sobressai no texto, em detrimento do argumento. Assim ele reafirma sua própria imagem desqualificando a diferença e a inteligência para vender-se como inteligente.
2-    Não deixar jamais que seu leitor se sinta um idiota. Sustentar idiotices com as quais o leitor (o burro mesmo, o ignorante orgulhoso e o idiota cool) se identifique, o que faz com que o mesmo se sinta inteligente.
3-    Abordar de forma sensacionalista qualquer tema. Qualquer assunto, seja socialmente relevante ou não, acaba sendo tratado de maneira espetacularizada.
4-    Transformar temas desimportantes em instrumentos de ataque e desqualificação da diferença. Por exemplo, a “depilação feminina” já foi um assunto apresentado de modo enervante, excitante, demonizante e estigmatizante. Nesse caso, o preconceito de gênero escondeu a falta de assunto do articulista.
5-    Distorcer fatos históricos adequando-os às hipóteses do escritor. Em uma espécie de perversão inquisitorial, o acontecimento acaba substituído pela versão distorcida que atende à intenção do autor do texto para idiotas.
6-    Atacar alguém. Este é um dos aspectos mais importantes da arte de escrever para idiotas. A limitação argumentativa esconde-se em ataques pessoais. Cria-se um inimigo a ser combatido. O inimigo é o mais variado, mas sempre alguém que representa, na fantasia do escritor, o ideal contrário ao dos seus leitores (os idiotas: o burro mesmo, o ignorante orgulhoso e o idiota cool).
7-    Reduzir tudo a uma visão maniqueísta. Toda complexidade desaparece nos textos escritos para idiotas.  O mundo é apresentado como uma luta entre o bem e o mal, o certo e o errado, o comunismo e o capitalismo ou Deus e o Diabo.
8-    Desconsiderar distinções conceituais. Nos textos escritos para idiotas, conservadores são apresentados como liberais, comunistas são confundidos com anarquistas, etc.
9-    Investir em clichês e ideias fixas. Clichês são pensamentos prontos e de fácil acesso. Sem o esforço de reflexão crítica, os clichês dão a sensação imediata de inteligência. Da mesma maneira, o recurso às ideias fixas é uma estratégia para garantir a atenção do leitor idiota (o burro mesmo, o ignorante orgulhoso e o idiota cool) e reforçar as “certezas” em torno das hipóteses do escritor (nesse particular, Goebbels, o chefe da propaganda de Hitler, foi bem entendido).
10-Escrever mal. A pobreza vernacular e as limitações gramaticais são essências na arte de escrever para idiotas. O leitor idiota não pode ser surpreendido, pois pode se sentir ofendido com algo mais inteligente do que ele. Ele deve ser capaz de entender o texto ao ler algo que ele mesmo pensa ou que pode compreender. Deve ser adulado pela idiotice que já conhece ou que o escritor quer que ele conheça.
(Para além do que foi identificado acima, fica a questão para quem deseja escrever para idiotas: como atingir a pobreza essencial na forma e no conteúdo que concerne a essa arte?)
A arte de escrever para idiotas constitui parte importante da retórica atual do poder. Saber é poder, falar/escrever é poder, e o idiota que fala e é ouvido, que escreve e é lido, tem poder. O empobrecimento do debate público se deve a essas “cabeças de papelão”, fato que é identificado tanto por pensadores conservadores quanto por progressistas.
O grande desafio, portanto, maior do que o confronto reducionista entre direita e esquerda, desenvolvimentistas e ecologistas, governistas e oposicionistas, entre machistas e feministas, parece ser o que envolve os que pensam e os que não pensam. Sem pensamento não há diálogo possível, nem emancipação em nível algum.
Se não houver limites para a idiotice, ao contrário da esperança que levou a escrever esse texto, resta isolar-se e estocar alimentos.



sexta-feira, abril 10, 2015

Os livros que eu não li


Os livros que eu não li.
A Relay de aeroporto apresenta dez pilhas de livros do mesmo autor e cada título a o seu monte, livros de espessuras idênticas, logo com um número de páginas idênticas e possivelmente o número de capítulos também será idêntico entre todas as obras visadas. 
Para estarem naquele local, em expositor de lugar nobre da entrada, ao preço que custa o espaço de aeroporto, só indica que a coisa se vende bem, a notar pelo número de edição e de exemplares vendidos.
A oferta entra pelos olhos adentro pelas capas cuidadas, pelo autor e pela escrita por medida.
A fórmula funciona.

terça-feira, março 31, 2015

A Barra de Aveiro em Mira


Em 1802 a barra de Aveiro era em Mira.


sexta-feira, março 27, 2015

Que lindo ranchinho

Com a devida vénia, artigo de Manuel Farias https://www.facebook.com/manuel.farias.904?fref=nf

O meu artigo mensal no Jornal FOLCLORE. Ajudem-me a salvar a cultura tradicional do povo português, não fazendo confusão entre "ranchos" e folclore. São coisas tão diferentes que chegam a ser opostas.
"TRAJAR À RANCHO
Em Portugal existem duas histórias de ranchos; uma é real e enraizada, outra é mítica e presumida. A primeira diz-nos que o “rancho” é uma expressão do mundo rural português, aplicada quando se juntavam grupos de pessoas para se deslocaram a pé a locais onde havia trabalho, sabendo que iriam ser alimentados com uma iguaria simples, pobre e autossuficiente a que também se chamava “rancho”, ou para cumprir obrigações religiosas em locais de romaria, aproveitando para folgar e matar a sua imensa fome de diversão… esta história de ranchos é comum a todos os países da Europa, embora tenha ocorrido em épocas diferentes, de acordo com a instalação da revolução industrial e do seu impacto económico, social e cultural.
A segunda história de ranchos é contemporânea e exclusiva de Portugal; observada à distância, apresenta-se surreal, breve e manipulada, ao contrário da primeira que foi factual, espontânea e continuada por muitas gerações. Estes “ranchos” dizem respeito a grupos de pessoas, reunidos por encomenda e com a finalidade de dançar de modo alinhado e certinho, em cima de um palco ou noutro local, com a única obrigação de divertir os assistentes. Esta história começa na década de vinte do século passado e explodiu nas décadas seguintes por necessidade e incentivo do regime fascista do Estado Novo. Por este motivo, esta segunda história de ranchos não existe em nenhum outro país da Europa, salvo os que foram criados pela diáspora portuguesa.
Nas primeiras décadas do século XX, no mundo rural português, o povo vivia com os mesmos padrões comportamentais e dependia dos mesmos saberes tradicionais que as gerações anteriores cultivaram e aperfeiçoaram. Nomeadamente, no que respeita ao trajar com simplicidade, pobreza e autossuficiência; todavia, os ranchos organizados para subir ao palco e fazer a recepção a governantes republicanos e outras individualidades que se deslocavam à província, foram vestidos com indumentárias novas e exuberantes, bem mais garridas e enfeitadas do que as que as mesmas pessoas usavam no seu cotidiano. Ou seja, foram vestidas à rancho.
Logo depois, os arquitectos do Estado Novo ainda foram mais longe e desenharam fardamentos para os ranchos, chamando-lhes trajos regionais; nessa onda, as mulheres do Minho (simples, pobres e autossuficientes) foram apresentadas com o traje à vianesa (composto, rico e encomendado) e por aí abaixo, até ao Algarve, o SPN – Secretariado de Propaganda Nacional escreveu uma história nova para o povo português, vestido à rancho, na tentativa de matar o trajar simples, pobre e autossuficiente… mas fortíssimo pela simplicidade, peculiar na auto-suficiência e com aspectos de identidade únicos derivados da criatividade que a pobreza incita. Este trajar autêntico foi afastado dos ranchos, mas mais tarde foi retomado pelos grupos de folclore.
O século XX terminou com os ranchos novos a recolher o trajar nos ranchos antigos, a chamar de modo impróprio e abusivo “folclore” a toda esta criação e pronto… chegámos ao século XXI.
Hoje, onde poderá ser revisitado o folclore de Portugal, no que respeita ao trajar simples, pobre e autossuficiente, que agasalhou e enfeitou as mulheres e os homens de Portugal, bem como as suas crianças, antes de aparecerem os ranchos? Certamente nos grupos de folclore que não adoptam o conceito de rancho e se sentem insultados quando são tratados desse modo.
Os grupos de folclore, em Portugal são confrontados com dificuldades acrescidas, que os seus congéneres de Espanha, França, Itália, Alemanha, Holanda e todos os demais países europeus não sofrem; para além da simples dificuldade de existir e produzir resultados, os grupos de folclore portugueses debatem-se com a dificuldade de investigar por detrás de uma história virtual, densa e espampanante, tantas vezes repetida que muitos já a tomam por verdadeira e que substituiu a história real do trajar simples, pobre e autossuficiente dos portugueses, que ainda ocorria de modo generalizado e espontâneo há apenas três ou quatro gerações.
Quem se quiser vestir à rancho pode fazê-lo, cantando um hino à liberdade de expressão e à tolerância que devemos cultivar como expoente de cidadania, porque afinal o carnaval também pode ser quando um homem quiser. No que respeita ao meu respeito pela história e pelos factos, prefiro que me digam “…oh pá!... diz lá o que queres!... és um dançarino! Deixa-te de folclores!”, do que o que ouvi recentemente: “Bi-te há dias… tabas bustido à raintcho”.

quarta-feira, março 25, 2015

Sem ofender o burro


O analfabeto mediático é tão burro que se orgulha e estufa o peito para dizer que viu/ouviu a informação no Jornal Nacional e leu na Veja, por exemplo. Ele não entende como é produzida cada notícia: como se escolhem as pautas e as fontes, sabendo antecipadamente como cada uma delas vai se pronunciar. Não desconfia que, em muitas tevês, revistas e jornais, a notícia já sai quase pronta da redacção, bastando ouvir as pessoas que vão confirmar o que o jornalista, o editor e, principalmente, o “dono da voz” (obrigado, Chico Buarque!) quer como a verdade dos fatos. Para isso as notícias se apoiam, às vezes, em fotos e imagens. Dizem que “uma foto vale mais que mil palavras”. Não é tão simples (Millôr, ironicamente, contra-argumentou: “então diga isto com uma imagem”). Fotos e imagens também são construções, a partir de um determinado olhar. Também as imagens podem ser manipuladas e editadas “ao gosto do freguês”. Há uma infinidade de exemplos. Usaram-se imagens para provar que o Iraque possuía depósitos de armas químicas que nunca foram encontrados. A irresponsabilidade e a falta de independência da média norte-americana ajudaram a convencer a opinião pública, e mais uma guerra com milhares de inocentes mortos foi deflagrada.

(Reflexões do jornalista Celso Vicenzi em torno de poema de Brecht, no século 21)