segunda-feira, junho 28, 2010

Verdade de Cavaco está no site de Belém

(Roubado no GoisArte-2007 )

Todos cheiraram o conteúdo do pote e pelo cheiro que exalava do seu interior concluíam que era verdade o que lá estava.

quinta-feira, junho 17, 2010

terça-feira, junho 15, 2010

Um Festival de Guitarras

José Alegre e João Cuña .
Entre laços e nos braços de uma nova Guitarra Portuguesa, Óscar Cardoso lancçou a sua Guitarra Portuguesas no Festival Guitarra Portuguesa- Algarve 2010
http://www.facebook.com/photo.php?pid=362954&id=113432662001428&ref=mf

quarta-feira, junho 09, 2010

Chove no Escoural

A maior parte do mundo rural português, e a Gândara em especial, está ao abandono e excluída da Política Agrícola Comum, desenhada para a agricultura de só de alguns, designadamente a França.
Quem mais voto recebeu e recebe do meio rural mais esqueceu e esquece os excluídos da “agricultura moderna”.
É que chove no Escoural e aqui chuva de S. João não dá vinho nem dá pão, o que também não é assim tão importante, pois é só ir ao Intermarché.

terça-feira, junho 08, 2010

Guitarras de Faro

http://www.guitarraportuguesa.org/index.php?option=com_content&task=view&id=135&Itemid=204

segunda-feira, maio 31, 2010

quarta-feira, maio 26, 2010

As três onças de tabaco

Todo o areal, daqui do Monte do Cabeço até ao mar, estremece debaixo da forte chuva batida por uma trovoada que larga e queima enxofre, rasgando o ar abafado da noite quente de Maio. As fortes gotas de água caem como ovos de passarinho tombados do ninho do alto pinheiro desfazendo-se em chapadas, laradas de água ao baterem no chão de areia. Um cheiro a terra levanta-se no ar ao encontro do cheiro a queimo relampejado que vem de cima. O Diabo rola pedras pelas Marranhuças abaixo até à Lagoa do Frade onde a dança das bruxas se prepara para a noite de amanhã. Amanhã será o dia delas. Hoje, o Chifrudo rola as pedras de enxofre, muda o inferno de sítio pondo todos os diabos, diabinhos e almas penadas em polvorosa. Dos lados do Caramulo e do Bussaco da Alcoba, o Surrão Negro rasga granito e fende as rochas com as unhas em casco. Já devem escorrer águas barrentas para os lados de Barris, um mau sinal para o vinho deste ano. Ele se suma, que vá fazer mal para bem longe daqui, pois não é só aqui que há almas para atentar. Ele que vá para longe, para muito longe, onde também terá muitas almas dos muitos hereges que por lá andaram e moraram para apoquentar. Ele se suma, que vá para longe!
É a noite dele. Todos os diabitos andam por aí à solta a chapinhar nas poças de água que se quedam sobre a areia que já estava seca pelo sol quente e seco da tarde, rindo do medo dos homens e dos animais. O final do dia estava a ser preparado para a passagem do Malino com seu séquito infernal. Os Astros estavam a avisar, com o ar quente de faiscar, sem vento, pardo, de sol a fugir para trás das Baleiras do Mar. Relâmpagos rasgam o véu da noite em estardalhaços estrondosos, medonhos, que levam as fendas do céu a escorrer água a cântaros. Tudo estala com o rolar, noite abaixo, das demoníacas pedras. Os diabitos ainda tentam imitar o Pai das Moscas, com pequenos estrondos ao longe de vez em quando, e às vezes de seguida, ele marca a sua presença de chefe, estalando as pedras de enxofre. Estrondos e mais estrondos, até que o chinfrim infernal pára. Haja quem mande nos Astros! Às crianças, diz-se que é Deus Nosso Senhor a ralhar dos pecados que as pessoas fizeram, e que Santa Bárbara os protege dos pecados infantis se eles queimarem um pedaçito do ramo benzido na missa de Ramos. A verdade que não se conta às crianças, para que elas não fiquem com medo, é a luta celestial do Diabo a mudar o Inferno de um lado para o outro com armas e bagagens, com tudo, pois Deus quando criou o Mundo criou tudo. Se existe o bem, existe o mal e todos os Espíritos que nós nem imaginamos, nem poderemos imaginar e saber que há por esse Mundo fora. De vez em quando um ou outro diabito mais distraído ainda estala um outro calhau relâmpago. Talvez estivessem distraídos e não ouvissem a voz de comando para terminar com o chinfrim infernal ou então é só mesmo para infernizar ainda mais a cabeça ao Diabo.
Os dois enormes pinheiros mansos, negros de verde, estão a escorrer água pelos troncos abaixo, mesmo depois da chuva dos trovões já ter passado. Houve um curto momento em que por toda a noite era raios e coriscos com o Inferno a passar pelo Mundo, desde as serras até ao mar, passado pelo ar que se respira. Já passou!
A baleira sobe a pique. Tanto é a pique que para passar para o outro lado será melhor dar a volta, por acolá ao longe, de tão adonairada e enorme que está do vento que a arrastou. A baleira está diferente desde a última vez, está mais alta, mais a pique, mas dentro de algum tempo, com o vento mareiro e invernias húmidas cheias de friagem, mudará mais para terra, num lento e destruidor arrastar de grãos de areia. Um a um, eles mudam de sítio, ora estão no cagulo, ora no fundão. A baleira foge do mar, bem para longe, atulha corgos frescos cheios de relveiros e abafa os poucos pinheiros teimosos que se retorcem das chibatadas da aragem salgadiça. Quem semeou os pinheiros que estão a ficar enterrados pela baleira? Ninguém!
É grande a baleira, lá isso é, mas não tão grande como uma marranhuça. Dizem que as Marranhuças já foram maiores! Até dizem, que do lado da terra, a lagoa baixa, aquela que está cheia de enguias doiradas que escorregam no fundo branco mostrando o ventre amarelo, foi em tempos funda e grande, um mar! Para as apanhar é só empurrá-las para a praieira. São escorregadias as enguias, até se enterram areia adentro, mas não escapam à perícia de arranjar iguarias, como bem sabeis.
A lagoa baixa ensopa a base das Maranhuças. Um desmoronamento de areia da base e outra que o vento leva consigo, enche-a com a passagem do tempo, torna-se cada vez mais baixia. Assim a lagoa vai ficar cheia de areia! Para onde irão as enguias? Não sei, mas elas lá saberão. No último Inverno a água foi tanta que rompeu tudo em corgo, e até o Covão de Baixo ficou uma lagoa. Sim, pois foi assim. Olha que tem muita água funda e agora está cheia de enguias! Estou a falar da Lagoa das Enguias lá perto da malhada do Agarrochal. Vamos até lá e esperar do lado de fora da malhada. Pois!
Esta areia toda donde vem? Do mar, só pode! Mas às vezes o mar leva-a outra vez de volta, vem buscar o que é seu entrando terra adentro. Ele está no seu direito, pois toda a areia que vês é dele. Ele a dá, ele a tira. É o vento que lhe a rouba e quem a cerca é o Cimo do Cabeço. Cerca!? Cerca mas não toda, pois o vento ainda a leva mais para dentro de terra. Quem a tem cercado bem tem sido a Serra de Quiaios. Essa areia que está mais para dentro já não é assim tão estreme, já é uma terra melhor. Os donos dela são ricos, enquanto nós aqui é o que se vê, com tanta areia assim tão estreminha que para nada serve. Claro que serve, serve para escavares no fundo da baleira e beberes água da boa. Mas vamos até à malhada antes que outros cheguem primeiro que nós! O gado está na hora da sesta, está a resmoer, e o Tanoco já deve estar a ressonar tão alto que nem o gado resmoe descansado. Como é que ele tem assim tão bom vinho? Não sabes que ele comprou uma vinha nos Barris? O Tanoco é mesmo rico. Ele tem este gado todo e vende a bom preço a bosta que lhe cabe do lado de dentro da malhada. Agora come com cada cova de batatas assadas! O Tanoco conta as batatas que coloca a assar na cova e depois não deixa uma sequer. Tira-as todas doiradinhas a preceito, e se lhe faltar alguma, com o pau de as virar corre o fundo da cova toda em ziguezagues até ela aparecer. Nenhuma apanha areia, muito menos maricato. É um artista a assar batatas na areia, o Tanoco. Um artista a assar e a comer. Regala-se, deita-se e ressona, mas continua sempre o mesmo Tanoco. A riqueza não lhe subiu à cabeça, mas sim à barriga. Não o acordes, que ele quando acabar de dormir a sesta, por ele, poderá dar-nos meia caneca de vinho.
Descem a baleira e sentem o quebrar verde dos conchelros debaixo dos pés. Hoje carregarão os cestos da moínha para o monte maior. Amanhã será o dia de aproveitar o regresso a casa do carreto do mato para a sementeira do pinhão.
O pagamento é à quinzena. Uma carrada bem calcada, com a ajuda do subtil e treinado trabalho da machadinha, dá duas na folha dos apontadores. Claro que só um tolinho desprezará o trabalho do menino ou do velhinho, e este bom dinheiro dava o luxo de ter uma conta corrente no livro da loja do Português.
O acordo de cavalheiros de palmo e meio funcionava, entre eles, “ambos os dois”, tinham acordado na técnica do repartir carradas, de duas fariam cinco. Esta última não era declarada aos pais por estes novos comissionistas misseiros sabidos, de palmo e meio, que se sentiam bem e senhores do seu nariz, com modos e confiança perante os mais velhos, quando passavam com cada uma das carradas em frente dos poderosos e respeitados apontadores.
Os dois apontadores, lado a lado, soberanos, exibindo os bastões do poder da escrita, registam o número das carradas de mato que irão a colocar sobre a sementeira do pinho, um rego enorme no comprimento, um carreiro de formigas de mulheres de negro de lenços traçados cobrindo as faces de memórias de tempos sarracenos ancestrais, de rostos queimados e retalhados de rugas, inclemências do tempo e do sol que queima mais vindo da areia que do céu, arrunhando e cobrindo a sementeira que o vento levará aqui, ali e acolá para o fundo da baleira.
Era usual o pequeno e curto trajecto que atravessa a vala do Corgo Seco e terras do Rodrigues ser substituído por trajectos alternativos, longos, que os levariam pelo Pinhal do Mano, Marranhuças, Saibreiras e Seixeira, de forma a diluir a apanha da monda, os trabalhos da machadinha em mão de menino.
Naquele dia o trajecto seria muito mais curto. Iriam a direito como todos os outros tarefeiros fornecedores de mato fixador de areia, matéria-prima ao carreiro formigante de mulheres arrunhadoras, chefiadas pelo garboso capataz que de dia para dia se apresentava cada vez mais bem adonairado, mais interessante para o mulherio. De dia para dia o homem apresentava-se aos olhos delas cada vez mais bem barbeado, mais elegante, mais cingido de cinta e peito saliente, mais bem cheiroso e o odor de sexo que ele largava, sem cessar, pelos poros directamente para as narinas delas.
Naquele dia o trajecto seria o mais curto, o que atravessa a vala do Corgo Seco e as terras do Rodrigues, em vez dos alternativos pelo Pinhal do Mano, Marranhuças, Saibreiras ou mesmo pela Seixeira, pois na manhã anterior, nos Sanguinhais, do longo trajecto até ao arneiro da casa, por entre pinhais do pai do Doutor fez-se o poupado trabalho naquele dia à machadinha. Ali mesmo ao lado da rodada do carro, marcada a compasso dos passos das vacas, ali mesmo estava o embrulho branco apresentado com curiosidade, arrecadado na pequena bolsa de trapos que levava farnel de broa com sardinha já assada de véspera, pois o capataz proibira fazer fogueira. A curiosidade do companheiro espicaçava ainda mais a sua em abrir o pequeno embrulho branco, mas a estrada estava concorrida. Ali mesmo à frente ia o velho Rolo naquela pachorrice do andar das velhas marinhas. Tal carro tal dono! Atrás vinha o Pimpão novo. Ali não se poderia abrir nada. A vara corria os lombos da Amarela e da Castanha.
Atravessavam a poeirenta rua mal vincada entre muros feitos de adobos de barro e lama, por entre crianças como eles descalças e sujas de ranho vincado por debaixo do nariz, onde se nota a pele rosada, limpa pelas crostas dos punhos. No relveiro da Baleiras d’Areia começaram com a multiplicação das carradas.
A meio da primeira carrada, o nó de cordel foi desatado e aberto o embrulho branco. Três onças de tabaco Virgínia. Agora, o tabaco que o velho Rolo levava para o apontador estava ali nas suas mãos.
Na primeira carrada, o apontador recebe as duas onças em cima da folha do livro. Tabaco Virgínia! Dá cumprimentos ao teu senhor pai, meu menino.
Nessa tarde os meninos fumavam. Já eram homens.

quinta-feira, maio 20, 2010

terça-feira, maio 18, 2010

domingo, maio 16, 2010

Boletim municipal

Para quando a Câmara Municipal de Cantanhede pensa fazer um Boletim Municipal tão jeitoso como a congére de Mirandela?
É que eu ando farto de ver sempre as mesmas caras!

sexta-feira, maio 14, 2010

Há podas e phodas

A diferença entre uma poda de árvores no Largo da Sanguinheira e uma phoda de árvores no Largo da Tocha. Ambos os largos têm plátanos, que são do género Platanus da família Platanaceae. No geral são árvores de interesse ornamental, podendo atingir mais de 30 metros de altura.

terça-feira, maio 11, 2010

quarta-feira, maio 05, 2010

Como está bonita a Praia da Tocha

Bom dia
Como está bonita a Praia da Tocha, desde que tiraram o café que "que agredia a paisagem", agora sim, para qualquer pessoa por muito sensivel que seja, fica contente por ver finalmente um lindo monumento no local do anterior "mamarracho".
Feliz de quem consegue este tipo de mudança, belo cartaz de apelo aos turistas, para o início da época balnear.
P.S.- Gostei muto, talvez as chapas se fossem maiores e com "grafities" dariam outro colorido mais apelativo. Bela obra e muito oportuna.

segunda-feira, maio 03, 2010

O grelo que todos querem comer

(clicar na imagem para aumentar e ver a ementa)
Nos Carapelhos, onde há grelo fresquinho que todos querem comer. Há grelo para todos.

sexta-feira, abril 30, 2010

Hoje paguei os meus impostos para a Câmara

Costumo afirmar que agora sou rico.
Sou proprietário e pago impostos municipais dos terrenos agrícolas, florestais e urbanos pertencentes à Casa.
Foram pagos no último dia, mas estão pagos pois quem não tem barriga não vai as bodas.
Sinto-me no direito de exigir a melhor gestão possível da coisa pública, e não gosto nada que a minha Autarquia venha nos jornais nacionais, pois os locais nada dizem, como exemplo do desperdício.
Mas não é só o Salão Nobre, desventura a nossa!
Os gastos insólitos na adminis- tração pública não ficam por aqui. A Câmara de Cascais pagou 24 702 euros em papel higiénico, toalhas e sabonete-creme para stock e a Câmara de Cantanhede renovou o mobiliário dos Paços do Concelho por 96 775 euros, dos quais 35 mil especificamente para o Salão Nobre.
José Manuel Marques, do Sindicato dos Trabalhadores da administração local, admite que, "à partida, parecem valores elevados, mas têm de ser analisados caso a caso". Claro que, "num momento em que se impõe contenção aos trabalhadores, o exemplo deveria vir de cima", diz, mas "também não podemos cair no miserabilismo, porque a vida continua". O dirigente dá exemplos de "desperdícios" na administração como seja "a troca constante de viaturas, muitas vezes de luxo", e o "recurso à externalização de serviços, já para não falar dos altos salários dos administradores e assessores das empresas públicas".
Também Daniel Bessa não está em condições de dizer "se são compras bem ou mal feitas", considerando que "cabe às assembleias municipais verificar os gastos". O economista diz que "parece muito dinheiro", mas lembra que uma câmara "é um organismo grande, com gastos elevados". "Não sou capaz de dizer se as verbas são um exagero." Mesmo no caso dos 35 mil euros em mobiliário para o Salão Nobre, replica: "Não sei quantas cadeiras leva. Se levar 200, são 175 euros por cadeira." E insiste: "A responsabilidade dos conselhos fiscais das empresas está a crescer, nos municípios isso só pode caber às assembleias municipais. O que vi, numa pequena experiência autárquica, é que esta verificação não é muito apurada e pode ser melhorada." Alguns exemplos 277 mil euros Tinteiros e consumíveis de secretaria em Oeiras 35 mil euros Mobiliário para o Salão Nobre de Cantanhede 24 mil euros Papel higiénico e sabonete-creme em Cascais
No seguimento do “pensar global e agir local”, considero que as iniciativas individuais podem levar a acções colectivas. Este tipo de actuações levam a mudanças que podem corrigir e apontar saídas para “viver melhor com menos”, uma saída inteligente que nunca poderá ser suportada em “fundamentalismos”, mas sim na diversificação de formas e meios. Viver melhor com menos é uma ideia contrária às ideias vigentes, em que se confunde crescimento com desenvolvimento, sendo os resultados os que temos e vemos: poluição, alterações climáticas, esbanjamento de recursos e a recessão que mais pobres origina. Viver melhor com menos não será recessão, nem falta de desenvolvimentos económico, social e tecnológico, pois estes últimos são essenciais para se possa aprender a viver de nova forma. Cada um que faça a sua parte e encontre o respectivo caminho e forma de não tirar onde não há. Publicada por Manel em 26.1.09
Quarta-feira, Maio 23, 2007 Viver melhor com menos
Teremos, obrigatoriamente, de aprender a viver melhor com menos, pois até agora a questão que se tem colocado tem sido ter que arranjar quem pague, já que no passado a obra de fachada foi mostrada sem que a questão sobre quem pagava fosse apresentada. Todos sabem quem pagou e quem irá pagar. Da minha parte, que paguei, pago e irei pagar, exijo um pouco de respeito pelos meus euros. Exijo luta contra o desperdício, pois ainda há quem ainda viva gerindo o meu dinheiro embandeirando em arco, alegre e festivamente, de uma forma irresponsável. Teremos que aprender a viver melhor com menos. Reconhecer o desperdício será o primeiro passo. Publicada por Manel em 23.5.07

segunda-feira, abril 26, 2010

Benvindos à tasca do manel

É entrar e tomar os copos que bem entenda. Se saír de gatas, não é de preocupar, pois nesta tasca também se bebe do lado de dentro do balcão.

quarta-feira, abril 21, 2010

o meu criado um criado tem

Reza assim o ditado: “ Não peças a quem pediu, nem sirvas a quem serviu”.
Reza assim a tal oração medieval, ensinada ao servo da Gleba: “ Senhor, protegei o meu senhor”.
Deveríamos nós orar, também, tal como servo da Gleba, pela protecção dos nossos políticos, os dos gestos seguros, palavras fáceis e de olhares brilhantes de confiança, para que seus criados e parentes próximos, tais como afilhados e afilhadas, não se façam também eles políticos, pois o meu criado um criado tem?
Sugestão do tasqueiro: deve o político mudar de criados amiúde, pois lá diz o ditado: “Moços e bois um ano, vá lá dois”.

Um país de doidos (Post roubado)

Sabe quantos serviços de finanças há em Portugal? Cerca de 370. Sabem quantos há em Espanha? São apenas 70!
Sabe quantas juntas de freguesia tem o concelho de Lisboa? A capital do país onde há 521.678 eleitores inscritos conta com 53 freguesias. Sabem quantas freguesias tem Amarante que conta com 54.021 eleitores inscritos? Com menos de quarenta freguesias, algumas delas com pouco mais de trezentos eleitores. O concelho de Amarante quase rivaliza com a Assembleia da República em número de eleitos, neste país alguns dos presidentes de junta receberam menos votos do que a administração de alguns condomínios.
Sabem quantas consultas dava em média o SAP de Valença que levou muitos dos nossos nacionalistas da bola a içarem bandeiras espanholas num local onde muitos dos seus antepassados morreram a defender a independência nacional? Nada mais do que uma média de 1,7 doentes por noite, isto é, um médico e um enfermeiro para 1,7 consultas por noite, uma boa parte das quais não eram certamente urgentes.
Algum político da oposição ou os tais da cidadania que aparecem sempre que cheira a populismo discutiu os números? Não.
Este é um país de doidos, tesos mas doidos na hora de gastar o dinheiro dos contribuintes. Por estas bandas nada se racionaliza, tudo aumenta numa lógica que resulta da mistura do populismo mais idiota com o eleitoralismo pacóvio. Aumentam as freguesias, aumentam os concelhos e na hora de falar em ordenamento há quem defenda a manutenção deste modelo anacrónico para em cima dele se instalar a regionalização.
Constroem-se novos hospitais porque as novas tecnologias da saúde assim o exigem, o orçamento da saúde cresce exponencialmente mas na hora de racionalizar o modelo todos, desde o Paulo Portas a Manuela Alegre, alimentam-se da ignorância para se oporem. OS modelos vão-se acumulando porque é impossível criar um novo modelo substituindo o anterior.
Os do norte querem as scut porque se dizem discriminados em relação aos do sul, os do Porto querem uma Casa da Música porque os de Lisboa têm o CCB, os do Algarve querem a Via do Infante à borla porque os das Beiras têm o mesmo benefício. É uma escalada idiota de argumentação estúpida de um país de loucos que estão convencidos de que devem ser os vizinhos que pagam a despesa.
Enquanto esta loucura colectiva se mantiver e for alimentada por políticos de baixo nível e sem escrúpulos na hora de conseguirem os votos necessários para assegurar privilégios duvido de que este país tenha concerto. Por este andar não vamos precisar de recorrer ao apoio da senhora Merkel ou do FMI, teremos de criar uma organização psiquiátrica nacional habilitada a tratar de países doidos.
Roubado ao Jumento. http://jumento.blogspot.com/

quinta-feira, abril 15, 2010

Zé Penicheiro

Outono
Zé:
(…) Esbracejei de novo mas acabei por deixar-me enredar na tua infinita sabedoria e nesse teu encanto irresistível. Se, e quando, o mestre aconselha a que se deixe falar o coração, ao noviço não resta outro caminho senão acatar a sugestão e fazer o que deve ser feito.
Pois assim há-de ser. O coração há-de ditar-me as palavras e (…) hei-de, em pretensioso afoitamento, meter a foice em seara alheia pois sou incapaz de dizer-te sem trazer à liça o trabalho onde te revelas, soltando, em cada pincelada, um pedaço do talento que faz de cada quadro teu um poema visual.
Foi há cerca de trinta anos que, na Figueira da Foz, o meu olhar resvalou para dois quadros repletos de carácter. Assinava-os um tal Zé Penicheiro. Noutras telas, com o mesmo nome por baixo, continuava a atrair-me aquele jeito único de alguém se expressar. Gostava despreocupadamente da tua arte bastando-me essa experiência do sentir sem o constrangimento de ter de explicar emoções: poderiam as palavras ser supérfluas e quebrar o encanto daquilo que me era dado contemplar. Há dez anos conheci-te. Percebi de imediato que, para além do imenso saber artístico, só alguém com tanta grandeza de alma poderia transferi-la para a tela com tão intensa cor. Daí para cá, a proximidade, norteada pela tua capacidade de criar e manter laços, continua em excelente forma. Do cruzar de vivências e empatias, a conversa desliza naturalmente para o teu trabalho e atrevo-me a cândidos comentários à tua arte. Coisas tontas, de amigos, emanadas do despreocupado calor doméstico ou do magnífico Reino dos Nabos onde, à mesa, se servem afectos a par da excelente gastronomia regional. Quando a coisa ganha contornos formais, a espontaneidade perde-se para se ganhar consciência do processo mais complexo que acarreta o verbo gostar.
Reitero a honra de poder estar aqui, nas margens da tua arte, a contemplá-la e a tentar acompanhar com palavras o teu enorme caudal criativo que conta mais de meio século. Todavia, este entusiasmo inicial de manifestar o meu apreço pelo talento com que dás cor à vida (nas telas e fora delas) esbarrou no conceito da amizade e do entendimento do mundo da arte. Gostar da obra de quem se gosta é louvável enquanto prova de dedicação mas ineficaz no plano da análise: o sentimento esbate o discernimento estético e o exercício crítico construtivo torna-se inútil porque condicionado pela franja afectiva da amizade. E esta perspectiva é tanto mais pertinente quanto mais se é ignorante na área da expressão artística que é a pintura. Por outro lado, insisto na ideia de que não ter conhecimentos técnicos capazes de demonstrar as virtudes ou os defeitos com que, nas tuas obras, te exprimes, indicie a minha insensibilidade às tuas telas. Talvez até todos nasçamos com potencial para reagir à arte, só que, muitas vezes, não ousamos deitar-lhe um olhar mais arrojado por temermos a nossa própria ignorância. A validade de tal princípio permitir-me-á concluir que à tua obra, Zé Penicheiro, ninguém pode ficar indiferente. Assim, apesar das considerações apontadas, arrisco, numa perspectiva de aprendizagem e numa amálgama onde se fundem vida e obra, um olhar, necessariamente ingénuo, sobre ti, Zé. Daqui, de Candosa, partiste cedo, aos três anos. Pela mão de teus pais, a vida empurrou-te para a beira-mar. Logo nos bancos da Primária se te começou a adivinhar o talento temporão do lápis a escorregar para a folha em branco e a fecundá-la de coloridas fantasias para escapar ao bocejo das aulas, dos manuais, dos professores. Com a sacola a dar-a-dar nos fundilhos dos calções desenfiavas-te para a beira do teu pai, carpinteiro. Do legado paterno há-de ser evidente o gosto pelos trabalhos em madeira com os quais iniciaste a tua carreira artística. Foi através dos bonecos que o público teve pela primeira vez acesso ao teu talento criativo. Desenhavas na madeira as figuras da rua – o guarda-nocturno, o pescador, a peixeira - o teu pai recortava-as e nascia a «caricatura em volume» reveladora do teu espírito observador. Mas isso foi mais tarde, entretanto crescias e começaste, lembras-te Zé?, a alombar aos onze anos. Primeiras contas saldadas com a Escola e ala que o pão-nosso-de-de-cada-dia não é maná que caia do Céu. O pião, impaciente, a espreitar pela frincha do bolso dos calções em ânsias de escapar-se pela porta e rodopiar liberto daquela tabacaria, a prisão de onde também saía a soldada que ajudava no sustento da casa. Embora não tivesses disso consciência, talvez tenha despontado aí, no observar o ar folgado dos meninos do papá que se espraiavam pela cidade da Figueira da Foz, a tua percepção social, plasmada em muitos dos teus quadros, que foi tomando forma a peregrinar por aí, pela vida, foi amadurecendo e depurando e te fez o autodidacta. A tua sensibilidade apurada cedo aprendeu a joeirar o indispensável da realidade. A captar-lhe o sentimento e, apurando a forma com algumas linhas angulosas e sóbrias, definir o essencial da mensagem: a emoção sem a qual não vale a pena ser artista plástico.
Arquitectando-te horizontes menos ásperos que os seus, os progenitores meteram-te na Academia Figueirense. O teu pai, que amargara, em França, nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial, tinha, do Estado, a benesse que te concedeu o ensino gratuito nessa fidalga escola. Continuavas o mesmo: alheado das matemáticas, das físicas, das químicas. Dos professores apenas te interessava o perfil formal a que davas conteúdo através da caricatura. Com tanto talento que eles, os docentes, complacentes, lá negociavam o dez das raízes quadradas e de outras metafísicas da ciência pelo risco firme com que os retratavas.
Pelo que de ti conheço, conjecturo que datará dessa época a génese consciente do teu espírito crítico; da tua capacidade de enxergar para além das aparências. Timidamente, ensaiaste o real estilizado e, do teu traço inconfundível, foi emergindo o subjectivo em toda a sua plenitude. Paulatinamente deixaste cair o acessório de tal modo que, por exemplo, os teus rostos vazios, cheios de expressividade, evidenciam a ternura com que constróis as tuas personagens de eleição: aquelas que, pela sua condição socioeconómica, aprendeste a admirar desde menino. Dos elementos simbólicos que as caracterizam e da força da cor emanam sensações que se estendem pela alegria mais viva até à dor mais pesada. Em contrapartida, o pincel parece resvalar-te para a ironia subtil quando ousas mostrar as elites. E impõe-se aqui outro retalho desse enorme e riquíssimo pano que tem sido o lado humanista da tua vida para corroborar esta ideia. Numa exposição no Coliseu do Porto, pela década de Sessenta, aturas um magnata da comunicação social, todo verniz, que quer arrancar-te «A mulher dos limões» com desconto. Desembaraçaste-te do namoro interesseiro, atraído pelo empenho com que um jovem contemplava, de todos os ângulos, «O tanoeiro». Para honrar a memória do pai, que era de Esmoriz e tivera essa profissão, bem gostaria de adquiri-lo mas… Se convencesse a mãe, de bolsa mais consistente e disponível a abri-la, poderia acalentar a ideia de levar a tela para casa. Disponibilizaste-te para o reservar por uns dias. Em finais da exposição entra por ali o rapaz de «O tanoeiro». Inchados. Ele e o bolso. A venda de uma courela ia permitir-lhe levar para casa aquele quadro capaz de amaciar-lhe a orfandade. Tu, Mestre Zé Penicheiro ofereceste-lho.
Tal como na vida, na tua arte não cabem adornos supérfluos. A verdadeira mestria está na capacidade de ser simplificador da forma. Mas a singeleza é só aparente: subtilmente, o conteúdo emerge dessa simplicidade, cheio de pujança. O modo como manipulas a cor na recriação da natureza, pano de fundo mas também personagem central de parte significativa da tua obra, é exemplo dessa força espantosa que emana da tela. Obra fecunda que percorre Portugal. Nesse caminho, não abdicas de registar as suas genuínas gentes ajaezadas nos símbolos do seu sustento. E a tua terra, freguesia do concelho de Tábua, não poderia ser excepção. Exemplo disso são os quatro quadros a ela dedicados sob o título «A minha aldeia» cuja emoção se adivinha logo num primeiro olhar. Embora saiba da tua genuína afeição por esta terra beirã que foi o teu berço, sei, todos sabemos, que te deixaste enfeitiçar pelo mar, o teu grande amor, em particular o que galgou a duna e se espraia pelas areias chãs de Ovar a Mira. O percurso profissional fez-te encostar à capital, onde o Atlântico também sobe pelo Tejo adentro, mas não foras talhado para tamanho bulício. A tua gente encontrava-la nas figuras de uma peixeira de Buarcos, de uma varina do Furadouro, de um marenoto de Aveiro, de um pescador de Mira, enfim, nas paisagens físicas e humanas do Litoral Centro e, mal pudeste, voltaste. Mais a norte ou mais a sul, a tua pintura está impregnada do sal e do sol da Ria. Todavia, é doce e salgada a tua arte. Doce na ternura fraterna com que tu, auto intitulado «artista chegado ao povo», captas a vida sofrida das tuas gentes e salgada pelo travo amargo que se adivinha a escorrer-lhe do suor e das lágrimas. Rendido incondicionalmente a esse espelho de água onde o sol, ufano, se espreguiça, aninhaste-te nele. Abres as portadas do teu ateliê, no primeiro andar, e a Ria ensolarada, que tem a marginal a separar-vos, galga por aí acima e inunda-te os contrafortes da alma. À tua frente a vastidão azul, raiada a ouro, deslumbra e convida ao acto criador. Já tive o privilégio de apreciar o fruto mais recente desse inspirado talento que data deste mês, Abril de 2010, e a que, ternamente, baptizaste de «Outono».
És assim, Zé. Homem determinado (recordo o episódio de, nos teus verdes anos, pores no prego o anel oco de escudo, prenda da mãe, para ires à tourada, outra das tuas paixões.), homem decidido, dizia, mas recatado, que não fazes concessões e rejeitas pôr-te em bicos de pés para impores a tua obra que vês afirmar-se pelo mérito do teu trabalho, a que continuas a não dar descanso. E não trocas a visibilidade pela autenticidade. Por isso, a obra de um jovem assim, forjado no altruísmo e outros sólidos princípios que fui evocando, irradia vitalidade e grandeza ética – referências obrigatórias para aqueles que ousam sonhar - que te asseguram lugar cimeiro entre os nomes maiores da pintura nacional.
Bem-hajas Zé.
Silvério Manata

domingo, abril 11, 2010

Alta Qualidade

Afinal o DHL funciona bem, pois parece que já chegou a peça para substituir a que avariou no fio-de-prumo.
Ainda bem que estamos integrados na União Europeia, mesmo sendo da Ibéria, o tal povo que não se governa e não se deixa governar, apesar de algumas sumidades até se governarem de tanta asneira junta que até é considerada normal.
A alta qualidade dos trabalhos no Largo da Tocha foi mais uma vez demonstrada. Chegou com rapidez a peça para o fio-de-prumo.
Tudo foi arrancado para ser para ser feito de novo! Nas obras do Largo da Tocha, o faz e desfaz, continua a ser tradição e a marca da Autarquia.
As más-línguas são sempre as más-línguas, afirmaram que os carros a passar já tinham arrancado metade do piso.
Mas vai daqui uma aposta do tasqueiro: Será que a referência da peça avariada no fio-de-prumo estaria correctamente indicada no pedido a França? Se sim, será uma rodada à conta da tasca. Se existiu erro no pedido, também.
A incapacidade governa-nos.
Temos o exemplo da ligação A17 à IC1, bem aqui no Escoural que nos irá custar bem mais que o tal meio milhão.
Nota do tasqueiro: Cada vez pago mais impostos e taxas em favor da Autarquia, mas as más-línguas, sempre essas más-línguas, dizem que até que pago impostos e taxas com gosto só para publicar no Blog do Manel pots sobre onde o meu dinheiro é tão bem empregue. As más-línguas são capazes de tudo!

quarta-feira, abril 07, 2010

sexta-feira, abril 02, 2010

quarta-feira, março 31, 2010

segunda-feira, março 22, 2010

O baterista

Limpar Portugal

Não é por ser original que uma ideia é boa, bastando para tal copiar bem, isto é, adaptar a cada caso as que já deram provas de que funcionaram.
Este movimento “Limpar Portugal”, uma ideia bem copiada, apesar de ter poupado uma pipa de massa ao Estado, isto é, às Autarquias tão responsáveis ou mais que os cidadãos pelas lixeiras existentes, foi um exercício Cívico que prova que existem causas mobilizadoras, fazendo notar que a militância ecológica é uma questão muito mais relacionada com o Ético que com o político, apesar deste se colocar por todo o lado em bicos de pés, pois limpar o que se suja é negócio à espreita.
Agora, o difícil é limpar Portugal de outros lixos e lixeiras.

sexta-feira, março 19, 2010

O catolicismo da mão invisível

(desenho de autor meu conhecido que não quer ser identificado)
Este post veio-me à ideia ao pensar um pouco sobre o que tem dominado toda a comunicação social e quanto nos metralham o cérebro com medos relacionados com a crise, isto é o medo da falência.
Esta mão invisível que todo gere, trás consigo esse medo contínuo, tal qual o medo das chamas do Inferno que nos meus tempo de infância me impingiam nas secções de Doutrina, era assim que lhe chamava, aos Domingos de manhã na igreja do Santuário da Nossa Senhora da Tocha.
A Mão Invisível do Mercado tem também o seu Inferno, onde a cada momento estamos em risco de ir parar por culpa nossa e só nossa, segundo afirmam os sacerdotes, culpa de gastar mais do que se tem, de soberba em viver acima das posses, consumo e todas aquelas coisas que já sabemos dos sete pecados capitais.
Mas tal qual o Deus Salvador, a Mão Invisível tudo regulará, e até emprestará massa ao pessoal para glória do Mercado.
Tal qual o comunismo foi messiânico, andam por aí uns ascetas a aplainar os caminhos da Mão Invisível.
Agora é tempo de jejum quaresmal e a carne é débil.
Eu não me sinto com a necessidade do arrependimento.
Não vou por aí!

quinta-feira, março 18, 2010

O coxo caiu

Na Varzea da ribeirinha
na varzea da ribeirinha
onde o milhano (a)poisou
com a galinha no bico
logo a galinha chasnou
logo a galinha chasnou
logo a galinha chasnava
na varzea da ribeirinha
onde o milhano (a)poisava
quem tem ovelhas tem lã
quem tem lã tem carrapiços
quem tem cabras tem anacos
quem tem porcos tem chouriços
na varzea da ribeirinha……………
se eu tivesse a liberdade
que a pulga tem no lençol
apalpava as moças todas
esta é dura AQUELA É MOLE
na varzea da ribeirinha……………
MENINAS AMAI O COXO
QUE O COXO TAMBEM SE AMA
SÓ A GRACINHA QUE TEM
DE IR AO SALTINHOS P’RÁ CAMA

terça-feira, março 16, 2010

A fama que vem de longe

E se a opção política e económica fosse o crescimento zero do PIB, como seria o novo PECZ, Plano de Estabilidade e Crescimento Zero?
E se o produto interno bruto (PIB) representado como a soma (em valores monetários) de todos os bens e serviços finais produzidos num determinada país ou região durante um período determinado, deixasse de ser a bitola base da macro economia e passasse a ser um outro valor qualquer, por exemplo o IMC ?
Caso a opção do crescimento zero do PIB, como aplicar o PECZ? Que modelo matemático escolher e que variáveis se tomariam e que factores as afectariam, como se tratariam as dependentes e independentes?
Possivelmente já alguém teorizou esta hipótese. Possivelmente tal hipótese nem interessa, pois não sendo politicamente correcta é considerada como uma blasfémia económica.
Coloco a questão, não à espera de respostas, mas sim à espera de novas questões, isto no seguimento de alguns e-mails recebidos indicando umas frases de 2064 anos, atribuídas a Marcus Tullius – Roma, 55 AC: “ O orçamento Nacional deve ser equilibrado. As Dívidas Públicas devem ser reduzidas, a arrogância das Autoridades deve ser moderada e controlada. Os pagamentos a governos devem ser reduzidos, se a Nação não quiser ir á falência. As pessoas devem novamente a trabalhar, em vez de viver por conta pública”.
Esta coisa do défice das contas públicas faz-me lembrar o anúncio do Constantino, o brandy e não o imperador romano criador da religião cristã oficialmente dita vigente, a sua fama que vem de longe.
É a economia, ò estúpido!
Definição: Estúpido é aquele que causa um dano a outra pessoa ou grupo de pessoas, sem que disso resulte alguma vantagem para si, ou podendo até vir a sofrer um prejuízo.

sexta-feira, março 12, 2010

Aniversário

Há cinco anos deu-me a toleima de fazer este Blog.
Por aqui temos tido o que eu escrevi, e nem só, porque o senti como urgente de relatar e de expor.
É de certo interesse que há 5 anos eu tirei uma foto na Praia da Tocha, estive lá a passar um dia de sol que em 2010 não temos e postei:
Assim iniciei um blog onde debito os meus corrimentos do momento, foco os amigos, as minhas preocupações e momentos felizes, os meus interesses e opiniões.
Será que o meu blog, a que eu agora chamo tasca, onde é permitido fumar e beber, mas só tabaco e vinho do bom, onde se pode entrar sem pedir licença, tomar um copo e sair sem pagar, tem merecido as visitas dos Clientes?
Da Vossas análise dos primeiros posts até aos mais recentes, comentai, criticai, pois aqui está aberto o livro de reclamações, assim como a caixa das sugestões.
Faço notar que a tasca é minha, e eu como neto do taberneiro que foi proprietário das tascas onde funciona actualmente a Associação de Moradores dos Carreiros (estou com as quotas em atraso de 2009), consumam isto mas comentem, pois se não comentarem é porque me visitam talvez só para me ver, ou então acham-me lindo, como afirmava o meu antepassado Manuel Ribeiro Cebola quando via que não estava a ganhar para o petróleo.
Um grande abraço a todos.
Manel

quarta-feira, março 10, 2010

Mau hálito

Ligo a RTP1 às 21.05.
De imediato fiz o salvador Zaping, e na FOX lá estavam os Simpsons.
Um alívio, pois da RTP1 sentia um incomodativo mau hálito .

A mão invisível

Vivemos um tempo de medo colectivo!
Medo económico, violência, epidemias, enfim medo que nos entra pela casa adentro em especial via televisão. Medo disto e daquilo, e sem termos muitas vezes uma razão fundamentada para esse medo colectivo.
Foi o medo da gripe A, o medo da vacina da gripe A, o medo do Antrax, que ninguém já lembra pois passou à história, o medo do terrorismo quando são nesses países ditos de origem do terrorismo onde se morre mais de fome, vacas loucas, aves engripadas, porcos raivosos, …
Temos também, em especial, os pequenos e muitos medos do nosso dia a dia, estes ligados às nossas vidinhas, tais como casa, carro, precer ser, parecer ter, ...
Quem ganhará com estes medos e medinhos? Sim, porque alguém está a ganhar com isto, onde até parece que existe uma mão invisível que mantém o medo dentro de um determinado nível mínimo, numa escala de uma aparelho ainda por inventar a que chamo medímetro, de forma a que os negócios ligados ao medo mantenham os altos níveis de rentabilidade, isto para não falar do negócio dos desastres naturais, desde as inundações, secas, ventanias, fraca ondulação, terramotos e associados que tais, que geram fortunas.
Parece que a dita mão invisível está sempre atenta ao registo do medímetro, mantido manhosamente de forma a acostumar o pessoal bem acorrentado por sua própria iniciativa aos ganhos do manicómio que nos impingem diariamente em doses quanto baste, de forma a que poucos venham a roer a corda e muitos se embrulhem nela.
Hoje estou assim!

domingo, março 07, 2010

O primeiro Gandarês que teve a Lua na mão

Ao meu primo Nuno envio e dedico este post.
Não cheguei à Lua, mas a Lua esteve na tua mão, assim como tu te sentastes na cadeira de baloiço da tua bisavó e da minha avó, manuseaste o documento de compra de terras e passaporte do nosso quincalhavô. http://gesteira-sanguinheira.blogspot.com/2010/03/o-primeiro-gandares-ter-lua-nas-maos.html (Clicar)
Do cimo do monte do Cabeço Do cimo do monte do Cabeço vê-se o Caramulinho e o Bussaco da Alcoba, os fascinantes e misteriosos locais altos que tão altos são. Se não fosse o vento frio e húmido, lá se assentaria morada, pois quanto mais altos, mais perto dos Astros, mais perto da perfeição plena. Sim que o é, e era lá que se moraria. Se possível fosse lá morar, contentava-se no só achegar-se ao astro errante que esconde e mostra a face, que umas vezes está sobre o Caramulo e outras vezes a roçar o Bussaco da Alcoba, com uma exactidão de tempos que ainda não calculou, mas não seria difícil saber. É só uma questão tempo e trabalho. Mas ninguém lá mora em tais cabeços, por certo, pois se assim fosse tal já se saberia. Alguém já teria dado novas das admiráveis perfeições das voltas errantes dentro das perfeitas conchas celestiais, entre um Sol dominador que tudo afasta quando traz o dia. Bastaria uma simples escada para chegar e tocar a Lua. Mas se não fosse como é, seria o Caramulinho ou o Bussaco da Alcoba o local para ver o que os astros e o vento mostram. Ou talvez não dê assim tanto para ver tão bem, pois se assim fosse há muito lá estaria gente de saber, e não consta que lá esteja. Do cimo do monte do Cabeço para quem souber ler os Astros e o vento, sabe-se tudo. Sabe-se do tempo, dos ares para as colheitas, do vento mareiro ao suão, do que puxa a chuva ao que seca a poças, no anel da lua cheia, se trovoada ou molhada, ao por do sol a arder. Do monte do Cabeço tudo se sabe, se souberem ver, tudo se vê ao redor do mundo, da vida e dos animais. O vento esteve horas e horas a puxar a chuva e ela volta a cair lentamente, teimosamente húmida e fria, de céu forrado até aos quatro cantos, desabando ritmada do lado dela, empoçando água no alto do Cabeço. Uma friagem roe os ossos e torna a lenta chuva em muita água, tanta que não há grão de areia seco até ao quinto inferno. Chove há muito no monte do Cabeço e em redor dele. Chove no mundo todo quando o céu e a terra se fundem em água. Do cimo do monte do cabeço vê-se um mar de água onde são as courelas baixias. Até os matos à sua volta estão completamente submersos. Um mar! Uma lenta corrente batida pelo vento e pela chuva em lençol, arrasta os grãos de areia que o vento mareiro lançou por cima do saibro calcado pelos Invernos e Estios, lençóis de água de cor férrea e de sol de têmpera em centenas e centenas de passos de lonjura. Uma praia praiera arrastada de areia sequilha. As dunas a norte da praieira estão molhadas e húmidas. Já não podendo beber mais, remijam na sua base as fontes dos corgos sanguinhais. O céu desmorona-se em água que remolha as dunas a cederem em baleiras, e sobre o cimo do monte do Cabeço.

sábado, março 06, 2010

Avaria no fio de prumo

(clicar nas imagens para aumentar)
Já só faltam os "Patos" no charco, aguardando pela estátua prometida para o Largo da Tocha!
...Agora venham dizer que é culpa do rigoroso inverno! ...
_*Não***_ das obras feitas na semana passada!
O:-)
Avariou o fio de prumo!
Nota do tasqueiro: peço desculpa aos Clientes pelo facto das fotos estarem tortas, mas aguardo a chegada da peça do fio de prumo que avariou. A encomenda foi colocada com a máxima urgência a França.
O DHL deve estar aí a chegar a qualquer momento.

quarta-feira, março 03, 2010

Amolar a asfixia

Já não chegava a asfixia nas gargantas sentida nos discursos de alguns ditos impolutos, e em especial um deles que só de lhe ouvir a voz me irrito, agora temos mainatos se apresentam prontos e esforçados na acção, claro, a tentar pear o burro que anda ao coice por aí desde 2003?
Coices de burro não chegam ao céu, mas o zurrar desse nobre animal orelhudo, tão bem dotado pela mãe natureza, incomoda instalados que se passeiam bem abuseirados em velhas albardas.
Citando Scolari: “E o burro sou eu?”
Envio a minha solidariedade ao bem dotado animal.

terça-feira, março 02, 2010

Motocontínuo

Está frio!
Vê-se o branco manto da geada. A velha peneirou toda a noite nas terras mais abrigadas do sol, sombrias onde ele não bateu, e nos cantos onde ele chegou mas não conseguiu empurrar o frio para o fundo da terra.
O calor do Sol ainda não tem força para vencer por completo o frio. Frio e calor, dois humores do mesmo elemento que não se entendem. Dois fluidos antagónicos e imiscíveis por natureza, que se repelem desde o início do tempos. Um empurra o outro, tempos após tempos, bem para o fundo da terra, lá para o quinto dos infernos. Uma luta que vem dos Astros onde tudo começa. Frio e calor, um de cada vez e na sua própria vez: Verão, Inverno, Dia e Noite.
Agora é o calor que toma a vez de empurrar o frio para o fundo. Só que a cada hora do dia e da noite, o calor ou frio dos Astros variam de humores, fluidos espirituosos que moldam as nossas vidas e de todos os restantes viventes.
O fogo puro, aquele que tudo purifica, só ele dará o poder de obter os metais puros de brilho e matéria preciosa, ainda está longe de o ter ali. Com o fogo purificado, não seria a chuva morrinha de encharcar ossos e carvão, nem a geada que lhe poderiam fazer frente.
Os foles reclamam aquele remendo e alteração para o fornecimento de espírito ao esfomeado fogo, o seu sopro divino.