terça-feira, março 12, 2019

O chocar do ovo da serpente



O chocar do ovo da serpente
Será que o eclodir do ovo está com o avistamento de fenómenos cada vez mais impensados, tais como o negro fascista, o judeu nazista, a mulher misógina e o pobre burguês?

Anda ver os automóveis




Anda ver os automóveis.
O progresso passa a grande velocidade pela estrada alcatroada com um tapete liso, ladeada por duas linhas brancas pintadas no chão, sempre a direito.
Nós estamos aqui a ouvir o barulho deslizante que as rodas dos automóveis e camiões fazem no asfalto. Dantes ainda ia-mos ver os carros a passar, mas agora eles são quase todos iguais, já nem buzinam.

sexta-feira, março 08, 2019

O despertar dos idiotas


O despertar dos idiotas
Tudo parece ser feito, organizado, no sentido dos desejos da manipulação vigente, do servilismo manso que nos está a ser imposto como cosedura de sapo, substituindo no poder das decisões os até agora ignorantes por idiotas e imbecis.
Assim começa e aprofunda-se a descrença na bondade das acções humanas.


quarta-feira, março 06, 2019

chove



Chove.
Ouço-a nos beirais, magra bênção que o céu forreta nos dá.
Se calhar não merecemos mais, depois dos lamentos televisivos de uma tarde de Entrudo adiado para a Quaresma.

sexta-feira, março 01, 2019

Entrudo




Pelo Carnaval se Ninguém levar a mal, Alguém levará.
Disso eu tenho a certeza!
Ninguém não se importa com o que se poderá dizer ou fazer, mas Alguém está sempre atento ao que poderão dizer acerca daquilo que ele afirma como suas convicções.
Alguém é uma pessoa muito dada ao respeito, pois que o respeitinho é muito lindo.


quarta-feira, fevereiro 27, 2019

Entusiasmo e raiva



Muitas vezes recuamos no que estávamos para fazer ou apresentar aos outros, resguardamo-nos com o cuidado que a prática nos aconselha, justificados pelo estudo e a investigação.
Vamos devagar dando um passo atrás do outro, pois nós só falamos com entusiasmo daquilo que amamos, e com raiva do que odiamos.


terça-feira, fevereiro 26, 2019

Drenagens


E o tempo assim se vai escoando. Não o que há-de vir, mas aquele que ainda existe, esse único tempo que temos e que passa, correndo para trás de si mesmo, que é único, e se esvai como a luz do sol se vai mirrando afundando-se no mar. Na frente do tempo vem o frio e a noite. É o tempo de espera pelo tempo que ele próprio nos dá e se dá a conhecer. Tudo é passado, e os novos planos são as formas de pensar que o trazem animado. 

quinta-feira, fevereiro 21, 2019



O imaginário é o início da construção.
Sejamos arquitectos de nós próprios.
Construamo-nos.




quinta-feira, fevereiro 14, 2019

Chega de mau tempo



Já não se lê, escreve ou conversa em profundidade, isto é, recorrendo a um uso mais alargado número de sinapses, pois as mensagens tendem a ser cada vez mais curtas, reduzindo-se a um slogan ou a uma só palavra, quando não é um simples emojis, os tais bonecos que servem para transmitir emoção, sentimentos e outras coisas mais tão usados nas redes sociais.
Tudo foi reduzido ao mínimo, mesmo até aos nomes dos partidos políticos recentes: veja-se Aliança, Basta, Rir. Só falta escolher emojis para o símbolo do partido político.
Assim não se debatem ideias nem se apresentam propostas. Os próprios partidos acabam por ser inorgânicos, tal qual o famoso movimento de rua de nome “Chega de mau tempo”, que junta lado a lado o que estava a pedir sol e o que estava a pedir chuva.


quinta-feira, fevereiro 07, 2019

O idiota e a felicidade


Será que precisamos, efectivamente, de tudo aquilo em que acreditamos precisar? 
As pessoas afirmam que trabalham muito, e eu acredito que sim, ficam doentes como toxicodependentes do trabalho (workaolicos) e assistem à noite televisão no sofá, em casa, que lhes coloniza a mente. 
Só os idiotas são felizes! Ouço dizer. 
O que seria um idiota sem aquelas coisas que ele acredita precisar?

Vórtice polar de fins de Janeiro de 2019


segunda-feira, fevereiro 04, 2019

Cantanhede, Tocha e Caniceira





… Atendendo a que é convenientemente providenciar a conservação do pinhal Municipal da Tocha, para evitar a invasão das areias e assoreamento dos prédios particulares; atendendo a que não é menos conveniente proteger a sementeira de penisco no terreno público, ou seja feita directamente por conta do município ou espontaneamente pelos povos interessados em precaver as suas propriedades, ………………., resolve estabelecer a seguinte……………………………
---------- POSTURA MUNICIPAL…………………………….
…………. Artigo 2º ………….
… É igualmente proibido o corte ou arranque de junqueiras ou camarneiras, no referido terreno. – A contravenção tem a multa de quinhentos reis, por cada junqueira ou camarneira arrancada ou cortada. ……………………………

… Cantanhede em sessão ordinária da Câmara municipal, trinta de Julho de mil oitocentos e oitenta e oito.
(aa) José António Liberal, José Pinto de Mesquita Oliveira, António dos Santos Pereira, António Pessoa dos Santos. ……


sexta-feira, fevereiro 01, 2019

terça-feira, janeiro 29, 2019

Uma transformação adiabática.



Uma transformação adiabática.
À medida que regredimos no tempo da nossa memória, mais intenso foi o tempo vivido.
Hoje o tempo é mais líquido, apresentando-se a diluir nele mesmo. O tempo não é o que está para vir, mas sim o que está a deixar de ser, ou seja, não há futuro.
Sentimos na vida que o espaço é função do tempo, mas o tempo é função do próprio tempo, ou seja, o tempo no fim de si mesmo, isto é, não há eternidade.

O direito à preguiça



A economia gerada pelo trabalho da preguiça.
As pessoas, tal como os Estados, estão capturadas pela dívida.
Tem sido a dívida que nos tem dado a ilusão da qualidade de vida, plasmada nos bens que as pessoas vão exibindo, desde o carro às fotos de férias e viagens que exibem pelas redes sociais.
E assim para pagar a viagem ou férias já realizadas e o carro em que se desloca, o cidadão é obrigado a ir trabalhar, procurar trabalho, violando assim um dos seus direitos: o direito à preguiça.
Os políticos, todos eles, sejam da esquerda, da direita, de cima ou debaixo, tecem loas ao trabalho e ao crescimento económico, mas nunca se referem à economia gerada pela preguiça.
Falam sobre o direito ao trabalho, mas não falam sobre o direito à preguiça, e relativamente ao crescimento esquecem-se de referir que a coisa, assim como cresce logo decresce, não cresce mais do aquilo que a pele dá.

O último a sair apaga a luz



Onde estará localizado o corte geral para se apagar a luz?
O novo aeroporto de Berlim tinha a sua inauguração prevista para 2011, e segundo a Wikipédia foi adiada para 2017.
Agora tal inauguração só será para 2020 e será uma festa.
Para rentabilizar o espaço, o novo aeroporto de Berlim está a servir de parque para os automóveis Volkswagen que não se podem vender, pois aguardam a certificação para serem vendidos depois do escândalo Dieselgate.

segunda-feira, janeiro 28, 2019

A teimosia da realidade

Mesmo em tempo de pós verdade, por mais e melhor encenação que se faça, mesmo com a melhor propaganda possível, a realidade teima em ser teimosa.
No entanto o tribalismo vigente está acima e por cima da teimosia.



sexta-feira, janeiro 18, 2019

Estou a pensar que amanhã é Sexta-feira.



2019017
Estou a pensar que amanhã é Sexta-feira. 
De semana em semana, de sexta em sexta, à medida que tudo segue o seu caminho, envelhecemos e caímos ao chão como frutos bolecos, sem memória. 
Foi assim. 
É assim.
Será assim! 
O futuro não existe, muito menos a eternidade.


terça-feira, janeiro 15, 2019

Encontrado na arrecadação


Encontrado na arrecadação.
Independente de Cantanhede de 14 de Agosto de 2001.

sexta-feira, janeiro 11, 2019

Guerras de Alecrim e Manjerona, ou Cantanhede, Tocha, Caniceira e vice-versa



Guerras de Alecrim e Manjerona. Cantanhede, Tocha, Caniceira e vice-versa.

POSTURA MUNICIPAL
…………. Artigo 1º ………….
… É proibido o arranque de alcarnacho ou grama no terreno público Municipal, que constitui o Pinhal Público da Tocha, e que confina pelo Norte com o Pinhal Municipal de Mira e pelo Sul com terrenos públicos, pertencentes ao Município da Figueira da Foz. – A contravenção tem a multa de mil reis. ….
Cantanhede em sessão ordinária da Câmara municipal, trinta de Julho de mil oitocentos e oitenta e oito.
(aa) José António Liberal, José Pinto de Mesquita Oliveira, António dos Santos Pereira, António Pessoa dos Santos


segunda-feira, janeiro 07, 2019

Tratamento para os achaques do peito e catarrais


   - Para os achaques do peito e catarrais não há nada melhor que o chá de ferrugem. E como é que tu fazes? Olha que tu não fazes nada, terás que pedir à mulher. Tu nem uma panela de batatas  sabes pôr ao lume, mas eu ensino, pois não tem nada que saber. Pegas as escorrências da chaminé, a ferrugem que lhe fica agarrada, e dentro de um pano limpo ou uma meia bem lavada, que não esteja rôta, fazes uma boneca de ferrugem. Ferves tudo muito bem numa panela limpa e será esse chá de ferrugem, depois de coado, que tomas como remédio. É assim que eu me trato dos meus achaques do peito. Vais ver que te sentirás muito aliviado. É coisa custosa de engolir, mas o que arde cura e o que aperta é o que segura. Olha que para melhorares deve usar uma colher de mel. Mais te digo que o mel cura muito mais que estes remédios todo os males da goela e do peito. As pessoas não o sabem tomar. Como são lambões aproveitam a desculpa de estarem com algum tipo de achaque e logo o comem à colherada. Ele deve ser tomado da maneira correcta. Nunca muito, um pouco na colher basta, e nunca engolir até todo o mel se desfazer por completo. A medicina do mel actua por contacto com a garganta, e quanto tempo demorar a passa pelo canal, melhor. É assim que eu trato os meus problemas de goela, quando consigo arranjar mel, claro!

quinta-feira, janeiro 03, 2019

Hoje, 06:45, olhando o céu.



Hoje, pelas 06:45, a Ursa Maior apresentava a ponta do seu rabo sobre as nossas cabeças, rodando em torno do centro da Roda do Mundo, a imóvel Estrela Polar, enquanto a se encaminha para a cama do Sol sob o olhar de Vénus. 
Depois de amanhã ficará três noites na cama do Sol, para depois aparecer, ao anoitecer, do outro lado do mundo.

sexta-feira, dezembro 21, 2018

Natal


Nasce um Deus. Outros morrem. A verdade
Nem veio nem se foi: o Erro mudou. 
Temos agora uma outra Eternidade,
E era sempre melhor o que passou.
Cega, a Ciência a inútil gleba lavra.
Louca, a Fé vive o sonho do seu culto.
Um novo Deus é só uma palavra.
Não procures nem creias: tudo é oculto.
[Fernando Pessoa]

quinta-feira, dezembro 20, 2018

Venham ver uma fogueira a arder



Há que ter a praça sempre cheia e activa, com uma fogueira a arder no seu centro, para assim se iluminar o espectáculo que é a própria fogueira.
Venham ver, venham ver uma fogueira a arder, grita o pirómano.

terça-feira, dezembro 18, 2018

Ouvir o vento



Até ao solstício de Inverno a noite avança a passos largos sobre o dia, e três dias depois a Luz começará a vencer as Trevas. Este simbólico avanço da noite, hoje embrulhado em lâmpadas de piscar e ruído de música de Natal de consumo pelo consumo, é só mais um retrato do tempo que hoje vivemos.
Mansamente, sem a brutalidade que usou no passado e como se isso nunca a tivesse caracterizado, sem imposições de fila e sem uniforme, a limita-se a dizer aquilo que as pessoas querem e gostam de ouvir, cozinhando o sapo muito lentamente,  
A vitória da Luz solar sobre a Noite, sabemos nós que é pelo Natal, o tal salto de pardal, está certa.
O resto é nosso Trabalho de não irmos sendo endrominados pelas luzes piscantes e pelos ruídos manipuladores.
Maus tempos se avizinham. Basta ouvir o vento que passa.

sexta-feira, dezembro 14, 2018

Novas palavras


Ultimamente tem aprendido muito.
São palavras novas em inglês, pois em português não teriam a credibilidade necessária.

Lawfare: manipulação legal do sistema para instaurar processos para fins políticos.
Crowfunding: financiamento colectivo de diversas fontes por interessados no assunto.


quinta-feira, dezembro 13, 2018

A descredibilização em curso.





Há um processo de descredibilização  em curso.
Tudo descredibilizado faz parte do nivelamento por baixo, necessário  ao avanço  da ditadura mansa que se avizinha, cozinhando o sapo em lume brando.

Passos Manuel





"sendo aliás óbvio que quanto menor for o número destes concelhos tanto mais utilmente se empregarão os seus rendimentos em obras de pública utilidade, diminuindo-se proporcionalmente as despesas permanentes da despesa municipal, que nos pequenos concelhos consomem a totalidade da receita, mas que por isso mesmo tem criado interesses locais em muitos indivíduos, aos quais por esse motivo repugna a agregação a maiores concelhos".

[Passos Manuel, membro do Governo formado logo a seguir à Revolução de Setembro de 1836. Ocupou a pasta de secretário de Estado dos Negócios do Reino]


terça-feira, dezembro 11, 2018



Hoje o Sol cai pelos enormes eucaliptos abaixo, direito ao Mar.


quarta-feira, dezembro 05, 2018

Lua e Vénus



Lua minguante e Vénus!

A Lua desaparece de um lado do mundo para aparecer depois do lado oposto ao que se foi esconder. Desaparece para os lados do sol quando este começa a acordar a madrugada, e três noites depois aparece quando ele se está a pôr na noite, lá para as bandas do mar.

segunda-feira, dezembro 03, 2018

O frio de fora e o frio de dentro

Fonte: IPMA

O frio, muito lentamente, passo a passo, tem vindo a tomar o seu lugar. Afinal já estamos no mês do Natal e o tempo é aquele que temos. Parece que antigamente fazia mais frio, apesar de eu o aguentar melhor que agora.Nada como ir aos registos, mas o frio que está lá fora é diferente daquele que aqui está dentro.

quinta-feira, novembro 29, 2018

Chove



   
O vento esteve horas e horas a puxar a chuva e ela volta a cair lentamente, teimosamente húmida e fria, de céu forrado de água até aos quatro cantos, desabando ritmada do lado dela, empoçando água ao redor do Monte do Cabeço. Uma friagem rói os ossos e torna a lenta chuva em muita água, tanta que não há grão de areia que não esteja molhado até ao Quinto dos Infernos. Chove há muito no Monte do Cabeço e em redor dele. Chove no mundo todo quando o céu e a terra se fundem em água.

(Manuel Ribeiro, Os Caminhos do Santuário)

terça-feira, novembro 20, 2018

Foi assim que aqui chegámos




Foi assim que aqui chegámos! 
Foi assim que os fogos do ano passado passaram a galope pelas aldeias e vilas adentro. Estavam, e continuam a estar rodeadas por árvores onde existiam campos e hortas, pois foi esse o caminho que foi mostrado às pessoas como única saída para o uso da propriedade. 
Foi assim que aqui chegámos, e estamos a continuar o trajecto trágico de que muitos nem sequer querem ouvir falar.
Há uns anos, poucos, passei por essa estrada, e só agora sei que estava a passar no topo de um muro de adobos.

quinta-feira, novembro 15, 2018

Dolce fare niente


Mais um dia a estar!
Coisa importante é esta de estar e nada fazer. Sentar e fazer umas coisas. Olhar para o trabalho feito e assim nesta coisa de estar, só que vai quase para um tempo grande, bem mais tempo do que aquele que planeei, e não estou assim tão avançado na coisa como eu desejaria. Parece que as coisas têm que ser baldeadas, misturadas entre elas, para que possam fermentar, levedar e crescer, pois sempre encontro dificuldades várias em colocar em trabalho efectivo aquilo que penso.
Quem diz que é fácil engana-vos. É muito difícil atingir o dolce fare niente. Não é para todos!

Rodagem ao motor





Antigamente a um carro novo aconselhava-se efectuar uma rodagem cuidada. Para isso o proprietário efectuava, de um modo geral, umas viagens longas para assim os componentes do motor se acomodassem uns aos outros. 
Por volta dos 1500 Km efectuados a viatura voltava à oficina, mudavam-se os filtros e o óleo, e no caso da Citroen reapertavam-se os parafusos da cabeça do motor.

quinta-feira, novembro 08, 2018

Evolução na população da Gândara de Cadima ( freguesias de Cadima, Sanguinheira e Tocha)

Evolução na população da Gândara de Cadima ( freguesias de Cadima, Sanguinheira e Tocha)
Com lugares desta freguesia foi criada pela Lei nº 23/86, de 19 de Agosto, a freguesia de Sanguinheira


quarta-feira, novembro 07, 2018

Escoural, 25 de Outubro de 1573



Neste dia de 25 de Outubro do ano de 1573 , Simão Fernandes do Escoural, baptizou a sua filha na Igreja de Cadima.

terça-feira, novembro 06, 2018

Fakebook



Fakebook.
Acreditamos mais facilmente nas mentiras que nas denúncias destas falsidades. É usual dizer-se que a Mentira dá a volta ao mundo antes de a Verdade ter tempo para se vestir.
Neste tempo de redes sociais, é nestas que as pessoas vão buscar a informação em primeira mão. Se estas tiverem mais que um parágrafo e não tiverem uma foto e título apelativos, não serão lidas pela maioria.
Nas minhas mensagens eu sou abusador a escrever. Muitas vezes uso mais que um parágrafo junto fotos e desenhos a provocar a leitura do texto. Assim, como é que um visitante do meu perfil do Facebook consegue ler dez mensagens minhas, que coloquei na rede, em menos de um minuto, pois colocou um clique gosto em cada uma?
Fica aqui mais uma provocação, e façam o favor de ser felizes. Cuidado não tropecem em muitas fake news, nem as repassem sem filtrar primeiro.



quarta-feira, outubro 31, 2018

A eterna satisfação das Divinas ofensas


A eterna satisfação das Divinas ofensas


“ Veríssimo de Mendonça, irmão do autor da História Universal dos Terremotos, não tem hesitações a esse respeito: «He sem duvida,» - escreve - «que no centro da terra há o fogo do Inferno, que tantas vezes nos lembra a Escriptura Sagrada. E ainda que este fogo seja destinado para o tormento das almas dos condemnados, e eterna satisfação das Divinas offensas, sempre he verdadeiro fogo, e da mesma natureza, que o elementar; bem que pela matéria sulphurea, e betuminoza seja mais denso, e abrazador» . “
(As interpretações dadas, na época, às causas do terramoto de 1 de Novembro de 1755)
Rómulo de Carvalho, Comunicação apresentada à Classe de Ciências, na sessão de 29 de Outubro de 1987


segunda-feira, outubro 29, 2018

Os Cultos ancestrais originais do Mediterrâneo à Senhora da Conceição



Os Cultos ancestrais originais do Mediterrâneo à Senhora da Conceição

A Humanidade cedo se apercebeu do calendário e dos ciclos da Natureza, com a noite a alternar com o dia, e os movimentos dos astros a repetirem-se ciclicamente.
O primeiro calendário a ser usado foi o calendário lunar, regendo o astro errante as marés e influenciando as plantas e os animais.
A esta observação sistemática, os Humanos associaram os movimentos relativos do Sol em conjugação com a observação estrelar do céu nocturno em cada época do ano.
Foi assim que a Humanidade começou a encontrar justificações para a constante renovação da Natureza no livro aberto que é a abóbada celeste que nos envolve a visão.
Cedo o Homem começou a levantar o olhar para o céu e de lá buscar o entendimento das coisas terrenas, coisa que hoje em dia não acontece dada a poluição luminosa existente que a todos vai cegando.
Perante o nosso olhar para a visão nocturna da abóbada celeste, esta apresenta uma rotação anual completa, fechado o círculo e iniciando outro de renovação. Assim se dividiu a faixa zodiacal em doze, que deu origem aos doze signos do Zodíaco, doze meses do ano, doze horas do dia e as mesmas doze horas da noite. O nome Zodíaco deriva do facto de a humanidade reconhecer desenhos de animais nas estrelas, tal a importância deles nas suas vidas.
No entanto observava-se a olho nu que certos “astros” não cumpriam a rotação perfeita da esfera celeste.
Sendo assim, estes corpos celestes teriam cada um espaço próprio além do elemento ar, e daí influenciariam toda a vida das pessoas, animais, plantas e mar. Algo de importante teriam e seriam. Daí merecerem um tratamento especial, ou seja a sua divinização.
Eles são sete, a saber pela ordem dos luzeiros celestes principais até então conhecidos: Sol, Lua, Marte, Mercúrio, Júpiter, Vénus e Saturno, e segundo nossa observação da Terra, temos: Lua, Mercúrio, Vénus, Sol, Marte, Júpiter e Saturno.
Dos sete “divinos celestiais astros” temos os sete dias da semana.
Segundo o relato bíblico, Deus fez o mundo em seis dias e descansou ao sétimo dia
O número sete é usado como suporte de certas regras e rituais humanos.
Até 7 horas depois de nascido, não se sabia se o novo ser é apto para a vida.
 Aos 14 dias (2 vezes sete) os olhos da criatura podem seguir a luz.
 Aos 21 dias (3 vezes sete) volta a cabeça impelido pela curiosidade.
 Aos 7 meses saem-lhe os primeiros dentes.
 Aos 14 meses (2 vezes 7), anda.
Aos 21 meses (3 vezes 7) exprime seu pensamento por meio da voz e do gesto.
 Aos 7 anos rompem-lhe os segundos dentes.
Aos 14 anos desperta-se nele a energia sexual.
Aos 21 anos (3 vezes 7) chega à maior idade e está fisicamente formado.
 Aos 28 anos (4 vezes sete) cessa o desenvolvimento físico e começa o espiritual.
 Aos 35 anos (5 vezes sete) chega ao máximo de força e actividade.
 Aos 42 anos (6 vezes sete) chega ao máximo da aspiração ambiciosa
 Aos 49 anos (7 vezes 7) chega ao máximo de discrição e começa a decadência física.
 Aos 56 anos (8 vezes 7) atinge a plenitude do intelecto.
 Aos 63 (9 vezes 7) prevalece a espiritualidade sobre a matéria.
 Aos 70 anos (10 vezes 7) inicia-se a inversão mental e sexual.
Isto não é regra rígida, mas todos nós sabemos com que idade se inicia a escola, e até qual a idade mínima para ser, em Portugal, candidato a presidente da República.
Na ancestral filosofia de vida do ser humano presumia-se a vida do dia-a-dia integrada e fazendo parte de toda esta transcendente engrenagem.
Os seres divinos governam a esfera com funções específicas, em que seus ditames  ampliam os efeitos positivos ou os negativos, todos eles conjugados e sobrepostos uns aos outros, resultando em benefícios ou não para os humanos que vivendo integrados com a Natureza, tinham como principal objectivo, tal qual hoje, a sobrevivência.
Como animais sociais que somos, cedo se compreendeu que a sobrevivência individual está interligada com a garantida segurança do grupo e na sua renovação geracional.
Assim, as crianças deixavam de pertencer à mãe, para lentamente pertencer à tribo. A tribo, por sua vez, defendia em primeiro lugar as crianças e as mães.
Nos primórdios da sociedade a vida estava intimamente associada aos ciclos naturais, e a necessidade de crianças para o grupo estava ligado às divindades supremas, nomeadamente à Lua.
Tal foi assim tão vincado até aos nossos dias que, quando uma criança é bem-nascida, se diz que ela nasceu de rabo virado para a Lua.
Depois, a Lua com os seus efeitos de maré no mar e na atmosfera, arrasta fenómenos meteorológicos importantes para a sobrevivência humana, que as antigas práticas agrícolas com os seus adágios que às vezes nós ainda a eles recorremos.
A primeira Lua Cheia depois do equinócio de Março, início da Primavera, sempre foi um marco extraordinário para a Humanidade fustigada pelas agruras do Inverno,
A Lua no seu esplendor arrastava a esperança num novo provir trazido nos efeitos de maré atmosférica, e associado aos raios criadores do Sol. Estas festas cíclicas, que seguem o calendário Lunar associado ao calendário solar, Equinócio, são de tempos imemoriáveis  encontros de conciliação para a abundância desejada.
São interessantes as associações que os nossos antepassados faziam entre a chuva da Páscoa, ou a sua ausência e a previsão da fartura agrícola para o ano vindouro. Temos os exemplos de “Páscoa molhada, chuva abençoada”, “ não há Entrudo sem Lua Nova nem Páscoa sem Lua Cheia” e “a festa do Natal é em casa, a da Páscoa na praça, a do Espírito Santo no campo”. No caso deste último rifão popular, são vincadas as festas Lunar móveis Páscoa e Espirito Santo em relação à festa fixa solar, que é o Natal.
Natal e São João são efectivamente festas solares.
É de notar que na antiguidade o ano começava pela Primavera, e daí o mês sete fosse Setembro, o oitavo Outubro, o nono Novembro e o décimo Dezembro, isto como reminiscência latinista do império romano.
Temos aqui uma importância dada à Lua, a sua relação com o equinócio de Março, a Páscoa, a chuva da Páscoa, a renovação e o renascimento da Natureza.
Certos animais como a cobra, da observação da muda de sua pele pela Primavera, aos olhos das pessoas é um simbólico renascer enigmático.
Para a compreensão da vida integrada no seu universo, a Humanidade recorre ao simbólico do Sol que tudo cria, das estrelas que formam a abóboda Zodiacal, da Lua que dá a renovação da vida e da cobra que é a prova disso.
Assim a Senhora que concebe, a Senhora da Conceição, terá ao colo e num dos braços seu filho vingado e escorreito, na outra mão um símbolo de fartura, desde uma fruta, flor, espiga, ou uma luz (círio), a sua coroa zodiacal de doze estrelas, a Lua em Quarto Crescente que dá a renovação e a cobra a comprová-la.

quarta-feira, outubro 24, 2018

Quando de lá eu estava a vir é que deveria ter ido.



Quando de lá eu estava a vir é que deveria ter ido. Seria outra coisa, não a que foi, mas foi o que foi e não o que eu, agora, desejaria que tivesse sido. Ao perturbar a minha zona de conforto, algo de construtivo me fez, pois quando tudo me parece estar bem é que eu começo a estar mal. Talvez, também por isso do desejo à posterior, as nossas memórias sejam sempre um pouco ficcionadas e se alteram no tempo à medida que o acontecimento se afasta no tempo passado. Teimosamente buscamos a felicidade e ela não existe.

sexta-feira, outubro 19, 2018

Provocações



Provocações 
A reciclagem também serve para as pessoas manterem a consciência limpa enquanto consomem. 
Os materiais que usamos, só uma pequena percentagem, talvez menos de 20%, têm a possibilidade de serem efectivamente reciclados.
O sistema baseado no crescimento não é o adequado para o futuro, pois é suportado do aumento do consumos e da produção de mais bens de usa e deita fora, neste caso para tranquilizar consciências, reciclar.
Imaginam os montes de esterco e o fedor que tinham  as cidades antes da vulgarização do motor de combustão interna?



segunda-feira, outubro 15, 2018

A cavalgada no vento




A cavalgada no vento de 13 de Outubro de 2018.

Durante todo o dia o fim do mundo foi anunciado por um funil de almude. As TVs marcavam-se umas às outras, desde Setúbal até Vila Real, imagine-se, onde as imagens eram de calmaria, em antecipação de directos.
Finalmente às 22:30, e até às 23:15, o Diabo cavalgou o vento, após tantos directos televisivos e informação de rodapé ter passar. A essa hora passou ele pelo sítio onde eu estava e onde aguardava a sua passagem.
Uma calmaria, logo de seguida de uma chuvinha estranha que antecedeu a um céu estrelado a anunciar a cavalgada diabólica, a partir, a derrubar pinheiros e eucaliptos e a destelhar telhados numa noite escura só iluminada pelo céu. Nesses três quatros de hora, o Diabo ainda teve mais que tempo para partir e derrubar postes de energia, telefone e aterrorizar a cadela Estrela. Depois sumiu-se, após tudo ter espezinhado por estas bandas.

quarta-feira, outubro 10, 2018

Sol de Outono




O Sol do início de Outono cai pelos pinhais abaixo, direito ao Mar.
Há uma teimosia nas palavras em se manterem e em nos cilindrar: pinhais! Continuamos a dizer pinhais, a chamar pinhais, nós os mais velhos no contacto com o mundo, pois pinheiros já há poucos, cada vez menos.
Dantes o Sol descia no seu caminho da noite por detrás dos grandes pinheiros de serra que cresciam devagar, muito lentamente, naquela pequena elevação, restos de uma duna que o tempo e o uso arredondaram, e a que se chegou a chamar Cabeço. Hoje esse pequeno cabeço de areia já não existe. Teria uns dois metros de altura e duas dúzias de passos de largura e a lonjura de um tiro de caçadeira, ou mais. Os pinheiros foram cortados, dando jus ao seu nome e tamanho, pois estavam mesmo a pedir machado e serra, e a areia, onde as suas raízes se fincavam, carregada em camiões de taipas feitas de metal, vedados e tapados com uma lona, para não se espalhar nenhuma pelos caminhos de estradas de alcatrão, fugindo, dizem, à Guarda pois iriam sem quaisquer guias ou autorização, aquelas coisas que os fiscais tanto desejam ver e justificam o seu trabalho. Hoje o Sol cai pelos enormes eucaliptos abaixo, direito ao Mar.
O rebento grande do enxerto de pereira feito no velho tronco já começou a largar as folhas. Foi assim de repente que deixaram de ser verdes e passaram a amarelecer. A seca antecipa esta mudança, e a planta poupa os alimentos para o Inverno.
O calor aqueceu toda a tarde e o ar até aos astros, mostrando que nos próximos tempos não teremos grande mudança de tempo, talvez até perto do Natal. As formigas andam baralhadas e as ervas secas estalam debaixo das passadas.

terça-feira, outubro 09, 2018

E o dia se cumpriu!




E o dia se cumpriu!
O Sol já está para lá das Bandas do Mar, e dentro de pouca espera, quando a luz da esfera baixar na sua intensidade, do lado dos Montes do Nascente, surgirá o Sete-Estrelo a anunciar a certeza que não dependerá de mim, nem de ninguém.

"... procurai o que faz o Sete-estrelo e o Órion, e torna a sombra da noite em manhã, e escurece o dia como a noite; o que chama as águas do mar e as derrama sobre a terra..." (Amós 5-8)

quarta-feira, outubro 03, 2018

O Livro aberto



A Lua agora vai no direito do Sol uma mão-travessa à distância do braço esticado por cada dia que passa. Depois ficará farta dele e, com a mesma passada certa, fugirá dele na dança do sim e do não, do bem e do malmequer. No Livro aberto pode-se ver o Sete-Estrelo, Oríon com a sua cintura bem cingida e a brilhante Sírius do cão companheiro do eterno caçador.
Um vento suão enxuga o ar debaixo deste céu que começa a clarear.

quinta-feira, setembro 27, 2018

Vaidosas pancinhas




Sente-se como observado por si mesmo na sua juventude. Aqueles ali nada devem fazer, pois não mexem uma palheira do chão. Assim pensou a quando da sua mirada observativa dos velhos a conversar na mesa do restaurante, sem pressas e ele sempre de um lado para o outro, na tentativa de perceber um pouco, um pouco sequer seria muito bom, da confusão que o rodeava. Será que aqueles ali sentados na frente dos seus petiscos de cheiro e aspecto apetitosos, de um jarro de vinho a que um deles se refere como uma pinga de estalo, estarão assim tão seguros com o dia de amanhã? Claro que estavam cheios de certeza, só pode assim ser, pois se assim não fosse, eles assim não estariam. E lá continuam eles na sua conversa só deles, sobre coisas que para quem está de fora serão banais, e mesmo assim pareciam abordar nela assuntos que ele nem sonhara, sequer, existirem. Estão certos do que afirmavam nas suas posturas doutorais. Talvez porque teriam uma gaveta com dinheiro, ou então não, talvez fosse do tempo que tinham para si que seria mesmo assim calmo e usado com parcimónia de quem o saboreia, tal qual o vinho jorrava pelas goelas em redor daquela mesa.
O tempo passou. Os velhos passaram. Já nem se recorda dos nomes que foram deles, muito menos das caras, das feições, mas na memória está marcada as mãos de unhas limpas, e que dois deles usavam sempre gravata e a mesma camisa de mangas arregaçadas, pois era o tempo da gravata mesmo no pino do Verão, e das redondas e vaidosas pancinhas que exibiam.

segunda-feira, setembro 24, 2018

Murmurai murmuradeiras


(Foto de Rocha Pato)

O que iriam dizer as murmuradeiras ao soalheiro se ela não fosse  lá? Seria mais um marmuradoiro das covelheiras  de vida alheia ainda mais do que por aí falam, isto que ela sabe, mais aquilo que nem imagina. Lembrou-se da cantiga de antigamente.

Marmurai marmuradeiras
Grande é o vosso marmurar
O Inferno já está cheio
Mas pra vós inda há lugar.

quinta-feira, setembro 20, 2018

A Origem do Mundo, pintura de Gustave Courbet, 1866.





A Origem do Mundo, pintura de Gustave Courbet, 1866.

quarta-feira, setembro 19, 2018

A noite foge do dia



O sol rompeu pelo lado da serra enquanto a enorme parede de nevoeiro continua erguida do lado do mar, negra, quase medonha, absorvendo os raios da luz pela frente e largando o negro escuro por trás, para o lado da noite que foge do dia, mar adentro.