quarta-feira, dezembro 11, 2019

Crescimento, um dogma a abater.


Crescimento, um dogma a abater.
Para perceber o tempo que vivemos hoje em termos de transformações ecológicas, económicas e socias, devemos olhar para o experimento de Lavoisier, que usando uma balança, o único instrumento que tinha à mão, concluiu “na Natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”, ou seja, tudo o que existe à nossa volta provem do já existente, passando a ter outras formas, tomando novas qualidades, citando Luís Vaz de Camões. Tudo vem do planeta, retirado do solo, do ar ou da água, e tudo retorna ao mesmo planeta, mas de outra forma. Tu és pó e ao pó voltarás (Gens 3,19).
Hoje vivemos um tempo do usa e deita fora. As pessoas, em especial aquelas que conhecem a conclusão de Lavoisier, parecem- na ignorar, desconhecê-la no seu uso prático e dos resultados que daí advêm, e outros que dizem conhecer o conceito de entropia, também não lhe dão qualquer uso pessoal. Como tudo isto à nossa volta flui num tempo que é o nosso, e diferente do de todos os outros, os desarranjos resultantes das transformações económicas e sociais não estão a entrar como produtos do processo, sendo desprezados e desvalorizados apesar de conhecidos os seus resultados nefastos. Estamos teimosamente a querer retirar a todo o custo do processo o produto chamado crescimento, só porque sim, pois só aí está a salvação, ouvimos a todo o momento dos altifalantes dos novos púlpitos e minaretes que teimosamente nos catequizam.

segunda-feira, dezembro 09, 2019

Tapados



Tapados.

É assim que nos ensinam, é assim que nos doutrinam a todo o momento, e é assim que acreditamos que o mundo é e terá que ser este fundamentalismo do senso comum que vivemos.

quinta-feira, dezembro 05, 2019

E agora, José?



Há uns anos começou-se a ouvir falar em crescimento sustentável. Depois passou-se a ouvir falar em desenvolvimento sustentável, claro que desenvolvimento suportado no crescimento- O crescimento passou a ser um dogma nos discursos de todos os chamados quadrantes políticos, da esquerda à direita, onde os repassadores do crescimento, quando estão na oposição até falam em números mágicos de 3% ao ano como crescimento necessário a um desenvolvimento sustentado.
Tivemos, na Europa, até há três décadas as chamadas três décadas de ouro do crescimento, e as restantes praticamente com crescimentos baixos e residuais, e quando o há é devido ao aumento do consumo.
 Será que foram 3 décadas de ouro?
Hoje estamos a pagar os problemas desse crescimento, desde as crises financeira, social, refugiados, retorno das ideologias totalitárias e poluição de todo o tipo.

E agora, José?
A festa acabou,
A luz apagou,
O povo sumiu,
A noite esfriou,
E agora, José?
E agora, você?
Você que é sem nome,
Que zomba dos outros,
Você que faz versos,
Que ama, protesta?
E agora, José?
Está sem mulher,
Está sem carinho,
Está sem discurso,
Já não pode beber,
Já não pode fumar,
Cuspir já não pode,
A noite esfriou,
O dia não veio,
O bonde não veio,
O riso não veio
Não veio a utopia
E tudo acabou
E tudo fugiu
E tudo mofou,
E agora, José?
Sua doce palavra,
Seu instante de febre,
Sua gula e jejum,
Sua biblioteca,
Sua lavra de ouro,
Seu terno de vidro,
Sua incoerência,
Seu ódio - e agora?
Com a chave na mão
Quer abrir a porta,
Não existe porta;
Quer morrer no mar,
Mas o mar secou;
Quer ir para minas,
Minas não há mais.
José, e agora?
Se você gritasse,
Se você gemesse,
Se você tocasse
A valsa vienense,
Se você dormisse,
Se você cansasse,
Se você morresse...
Mas você não morre,
Você é duro, José!
Sozinho no escuro
Qual bicho-do-mato,
Sem teogonia,
Sem parede nua
Para se encostar,
Sem cavalo preto
Que fuja a galope,
Você marcha, José!
José, para onde?
Você marcha José, José para onde?
Marcha José, José para onde?
José para onde?
Para onde?
E agora José?
José para onde?
E agora José?
Para onde?



segunda-feira, dezembro 02, 2019

Uma questão doutinária



Mais uma vez pela época natalícia, lá vêm embrulhados na arte de  bem comunicar, os discursos sobre o consumismo pelo consumismo, logo agora que importamos e assumimos tudo o que vem do estrangeiro, coisas tais como Black Friday, Dia dos Namorados, Halloween e Pai Natal, e tudo é culpa do consumismo, sendo sempre os outros os consumistas.
Se defendemos uma sociedade de menos consumo, teremos que que defender, obrigatoriamente, uma que produza menos. Mas, segundo ouço por aí em tudo o que é comunicação social, temos que crescer e esse, segundo a doutrina vigente, é o objectivo principal, senão o único, o que está a acarretar uma degradação progressiva em termos sociais e ambientais.
Como resolver este problema?
Já o equacionaram?
Já pensaram no assunto?

sexta-feira, novembro 29, 2019

O subversivo gosta de um copo com bom vinho e de boas ideias.




É preciso trabalhar menos para ganhar mais, porque quanto mais se trabalha, menos se recebe. É a lei do mercado.
As pessoas estão a ficar a ficar doentes, uns autênticos toxicodependentes do trabalho, e quando reduzem o tempo de trabalho passam o tempo a ver televisão, um potente veneno que coloniza a imaginação.
Trabalhar menos para viver melhor é não ver tanta televisão. Mas isto é subversivo.

quarta-feira, novembro 27, 2019

Façam o maior esforço, possível, para estarem vigilantes.



Façam o maior esforço, possível, para estarem vigilantes.
Quem não ler fica mais pobre...


Do Mural de Lourdes dos Anjos: Quando os meninos  me pediam "papel macio pró cu e roupa boa prá gente"…Um dos textos que mais me custou a  escrever e por isso tem mais lágrimas do que palavras.


“Estávamos ainda no século XX, no longínquo ano de 1968, quando a vida me deu oportunidade de cumprir um dos meus sonhos: ser professora. Dei comigo numa escola masculina, ali muito pertinho do rio Douro, na primeira freguesia de Penafiel, no lugar de Rio Mau.Era tão longe, da minha rua do Bonfim, não podia vir para casa no final do dia, não tinha a minha gente, e eu era uma menina da cidade com algum mimo, muitas rosas na alma, e tinha apenas 18 anos. Nada me fazia pensar que tanta esperança e tanta alegria me trariam tanta vida e tantas lágrimas. Os meninos afinal eram homens com calos nas mãos, pés descalços e um pedaço de broa no bolso das calças remendadas.
As meninas eram mulheres de tranças feitas ao domingo de manhã antes da missa, de saias de cotim, braços cansados de dar colo aos irmãos mais novos, e de rodilha na cabeça para aguentar o peso dos alguidares de roupa para lavar no rio ou dos molhos de erva para alimentar o gado.
As mães eram mulheres sobretudo boas parideiras, gente que trabalhava de sol a sol e esperava a sorte de alguém levar uma das suas cachopas para a cidade, “servir” para casa de gente de posses. Seria menos uma malga de caldo para encher e uns tostões que chegavam pelo correio, no final de cada mês.
Os homens eram mineiros no Pejão, traziam horas de sono por cumprir, serviam-se da mulher pela madrugada, mesmo que fosse no aido das vacas enquanto os filhos dormiam (quatro em cada enxerga), cultivavam as leiras que tinham ao redor da casa, ou perto do rio e nos dias de invernia, entre um jogo de sueca e duas malgas de vinho que na venda fiavam até receberem a féria, conseguiam dar ao seu dia mais que as 24 horas que realmente ele tinha. Filhos, eram coisas de mães e quando corriam pró torto era o cinto das calças do pai que “inducava” … e a mãe também “provava da isca” para não dizer amém com eles…E os filhos faziam-se gente.
E era uma festa quando começavam a ler as letras gordas dum velho pedaço de jornal pendurado no prego da cagadeira da casa…o menino já lia.. ai que ele é tão fino… se deus quiser, vai ser um homem e ter uma profissão!
Ai como a escola e a professora eram coisas tão importantes!
A escola que ia até aos mais remotos lugares, ao encontro das crianças que afinal até nem tinham nascido crianças…eram apenas mais braços para trabalhar, mais futuro para os pais em fim de vida, mais gente para desbravar os socalcos do Douro, mais vozes para cantar em tempo de colheitas.
E os meninos ensinaram-me a ser gente, a lutar por eles, a amanhar a lampreia, a grelhar o sável nas pedras do rio aquecidas pelas brasas, a rir de pequenas coisas, a sonhar com um país diferente, a saber que ler e escrever e pensar não é coisa para ricos mas para todos, para todos.
E por lá vivi e cresci durante três anos e por lá fiz amigos e por lá semeei algumas flores que trazia na alma inquieta de jovem que julgava conseguir fazer um mundo menos desigual.
E foi o padre António Augusto Vasconcelos, de Rio Mau, Sebolido, Penafiel, que me foi casar ao mosteiro de Leça do Balio no ano de 1971 e aí me entregou um envelope com mil oitocentos e três escudos (o meu ordenado mensal) como prenda de casamento conseguida entre todos os meus alunos mais as colegas da escola mais as senhoras da Casa do Outeiro. E foi na igreja de Sebolido que batizou o meu filho, no dia 1 de janeiro de 1973.
E é deste povo que tenho saudades. O povo que lutou sem armas, que voou sem asas, que escreveu páginas de Portugal sem saber as letras do seu próprio nome.
Hoje, o povo navega na internet, sabe a marca e os preços dos carros topo de gama, sabe os nomes de quem nos saqueia a vida e suga o sangue, mas é neles que vai votando enquanto continua á espera de um milagre de Fátima, duns trocos que os velhos guardaram, do dia das eleições para ir passear e comer fora, de saber se o jogador de futebol se zangou com a gaja que tinha comprado com os seus milhões, e é claro de ver um filmezito escaldante para aquecer a sua relação que estava há tempos no congelador.
As escolas fecharam-se, os professores foram quase todos trocados por gente que vende aulas aqui, ali e acolá, os papás são todos doutores da mula russa e sabem todas as técnicas de educação mas deseducam os seus génios, os pequenos /grandes ditadores que até são seus filhinhos e o país tornou-se um fabuloso manicómio onde os finórios são felizes e os burros comem palha e esperam pelo dia do abate.
Sabem que mais?!
Ainda vejo as letras enormes escritas no quadro preto da escola masculina, ao final da tarde de sábado, por moços de doze e treze anos com estes dois pedidos que me faziam: “Professora vá devagar que a estrada é ruim, e não se esqueça de trazer na segunda-feira, papel macio pró cu e roupa boa dos seus sobrinhos prá gente”.
Esta gente foi a gente com quem me fiz gente.
Hoje, não há gente… é tudo transgénico .
O povo adormeceu à sombra do muro da eira que construiu mas os senhores do mundo, estão acordadinhos e atentos, escarrapachados nos seus solários “badalhocamente” ricos e extraordinariamente felizes porque inventaram máquinas e reinventaram novos escravos.
Dizem que já estamos no século XXI...”
[Recebido por email]

quarta-feira, novembro 13, 2019

Sigamos o caminho


Sigamos o caminho!

segunda-feira, novembro 11, 2019

Dia de São Martinho


Apetece-me dizer (escrever) aqui, umas coisas do tipo asneiredo cabeludo e fedorento catingado , daquelas que até cheiram mal a quem as proferir , tal qual traque impróprio e fora de prazo de validade há muito, por nós largado e, que nos obriga a ir para perto dos outros pois não podemos estar perto de nós, mas só por aqui vejo fotos de comida, e com coisas sérias não se brinca.
Hoje, dia de São Martinho, com o anticiclone dos Açores a marcar posição no clima que temos.
Agora não se esqueçam de se embedarem.

Música Portuguesa a Gostar dela Própria

Música Portuguesa a Gostar dela Própria: Música da Esvumalha / Manuel Ribeiro -

quinta-feira, novembro 07, 2019

Comigo tu vais de carrinho



A indústria auto vai mudar mais nos próximos 5 anos do que nos últimos 50?
Tudo indica que sim.
A mudança efectua-se ainda mais a nível do cliente do automóvel. Até agora temos o veículo próprio como sistema. A mudança de estrutura de cliente passará para veículo partilhado dentro de 20 anos, em especial na China, USA e Europa, isto por ordem decrescente.
Além do veículo partilhado, teremos a consolidação da mobilidade eléctrica. Os veículos de combustão interna já estão a sofrer grandes transformações de melhoria, o que levará dentro de 10 anos à coexistência dos tradicionais, híbridos e eléctricos, devido à regulamentação referente às emissões de gases.

terça-feira, novembro 05, 2019

Manoel Alberto Rei

Manoel Alberto Rei (1872-1943). 
Regente florestal dedicado à arborização das dunas de Mira, Figueira da Foz e Cantanhede. 



quinta-feira, outubro 31, 2019

Baruch Espinoza



 
As palavras abaixo são de Baruch Espinoza - nascido em 1632 em Amsterdão, falecido em Haia em 21 de fevereiro de 1677. Foi um dos grandes racionalistas do século XVII dentro da chamada Filosofia Moderna, juntamente com René Descartes e Gottfried Leibniz.



DEUS SEGUNDO ESPINOZA ( Deus monologando para tu ouvires )

"Pára de ficar rezando e batendo no peito!
O que eu quero que faças é que saias pelo mundo e desfrutes da tua vida.
Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que Eu fiz para ti.
Pára de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa.
Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias.
Aí é onde Eu vivo e aí expresso meu amor por ti.
Pára de me culpar da tua vida miserável:
Eu nunca te disse que há algo mau em ti ou que eras um pecador, ou que tua sexualidade fosse algo mau.
O sexo é um presente que Eu te dei e com o qual podes expressar teu amor, teu êxtase, tua alegria.
Assim, não me culpes por tudo o que te fizeram crer.
Pára de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo.
Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filhinho... não me encontrarás em nenhum livro!
Confia em mim e deixa de me pedir. Tu vais me dizer como fazer meu trabalho? 
Pára de ter tanto medo de mim. Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo.
Eu sou puro amor.
Pára de me pedir perdão. Não há nada a perdoar. Se Eu te fiz...
Eu te enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio.
Como posso te culpar se respondes a algo que eu pus em ti?
Como posso te castigar por seres como és, se Eu sou quem te fez?
Crês que eu poderia criar um lugar para queimar a todos meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da eternidade?
Que tipo de Deus pode fazer isso?
Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei; essas são artimanhas para te manipular, para te controlar, que só geram culpa em ti.
Respeita teu próximo e não faças o que não queiras para ti.
A única coisa que te peço é que prestes atenção a tua vida, que teu estado de alerta seja teu guia.
Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho,
nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso.
Esta vida é a única que há aqui e agora, e a única que precisas.
Eu te fiz absolutamente livre. Não há prémios nem castigos.
Não há pecados nem virtudes. Ninguém leva um placar. Ninguém leva um registro.
Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno.
Não te poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso te dar um conselho.
Vive como se não o houvesse.
Como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar, de amar, de existir.
Assim, se não há nada, terás aproveitado da oportunidade que te dei.
E se houver, tem a certeza que Eu não vou te perguntar se foste bem comportado ou não.
Eu vou te perguntar se tu gostaste, se te divertiste... Do que mais gostaste? O que aprendeste?
Pára de crer em mim - crer é supor, adivinhar, imaginar.
Eu não quero que acredites em mim. Quero que me sintas em ti.
Quero que me sintas em ti quando beijas a tua amada, quando agasalhas tua filhinha, quando acaricias teu cachorro, quando tomas banho no mar.
Pára de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu seja?
Me aborrece que me louvem. Me cansa que agradeçam.
Tu te sentes grato? Demonstra-o cuidando de ti, da tua saúde, das tuas relações, do mundo.
Te sentes olhado, surpreendido?... Expressa tua alegria! Esse é o jeito de me louvar.
Pára de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim.
A única certeza é que tu estás aqui, que estás vivo, e que este mundo está cheio de maravilhas.
Para que precisas de mais milagres?
Para que tantas explicações?
Não me procures fora! Não me acharás. Procura-me dentro de ti...
aí é que estou."

Einstein, quando perguntado se acreditava em Deus, respondeu:
“Acredito no Deus de Spinoza, que se revela por si mesmo na harmonia de tudo o que existe.”


[recebido por email]

quarta-feira, outubro 30, 2019

Come chocolates, pequena;



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Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.
...............................................................................................

(Tabacaria - Álvaro de Campos )

sexta-feira, outubro 25, 2019

Mais de cem anos a separar


(foto de Tiago Pereira)



A guitarra da foto foi construída em 1904 por Alfredo dos Santos Carvalho.
Possivelmente, uma irmã desta guitarra serviu de modelo no quadro de Malhoa.
Duas posturas distintas de tocar guitarra, com mais de um século a separá-las.


segunda-feira, outubro 14, 2019

Tudo se passa à superfície


Tudo se passa à superfície.
No processo de assar batatas na areia, caso o aquecimento da cova não esteja uniformizado, poderão aparecer uns pontos de má cozedura do tubérculo, a que na gíria se chama maricato.
Será que tal nome dado a este defeito culinário se deve a algum Maricato que não dominava o processo?

Hoje chove a convidar à sonolência.




Hoje chove a convidar à sonolência.
No tempo do “agora é que isto vai” anunciavam-se obras de passadeira vermelha e com notícia abençoada pela jornal da paróquia.

quinta-feira, outubro 10, 2019

As quadraturas do círculo



As quadraturas do círculo
Não é possível fazer uma mudança sem que esta não provoque efeitos no meio envolvente. No fundo, é o enunciado do segundo princípio da termodinâmica aplicada a tudo e a todos.
A revolução auto que vivemos com as mudanças de motorização automóvel do convencional para o eléctrico, está a transformar toda a indústria auto com a transição energética imposta para a redução de emissões. Isto tem um enorme impacto económico e social, e está a mexer com as pessoas que trabalham directa e indirectamente neste sector, e são uns 13 milhões na Europa, li eu algures.
Novas tecnologias, novas formas de filosofia de viver e novos negócios e maneiras de negociar estão aí. Nada será como dantes.
Aquele que tiver olhos de ver que veja.


quarta-feira, outubro 09, 2019

Jogar ao Liques




Liques: Jogo de cartas, onde se pode fazer bluff f, isto é, apostar o jogo sem mostrar as cartas durante o jogo, no embaralhar, no partir de cartas e dar sinais aos parceiros.

O Liques de quatro, como o nome indica é jogado por quatro pessoas em equipas de duas. Cada jogo vale três pontos e termina aos oito jogos. A valorização das cartas é a seguinte por ordem decrescente: cinco de ouros (liques); cinco de paus (licanço); dama de espadas (sota preta); quatro de paus; ás de espadas (cona); três dos quatro naipes; dois dos quatro naipes; restantes ases e as restantes figuras. O jogo do liques de quatro é também conhecido pelo nome de jogo do Garujo.

O Liques de seis, como o nome indica é jogado por seis jogadores em equipas de três elementos. Cada jogo vale três pontos e termina aos oito jogos. A valorização das cartas é a seguinte por ordem decrescente: conde de paus (cavalo); dama de ouros (dourada); cinco de ouros (liques); cinco de paus (licanço); dama de espadas (sota preta); quatro de paus; ás de espadas (cona); três dos quatro naipes; dois dos quatro naipes; restantes ases e as restantes figuras. O jogo do liques de seis é também conhecido pelo nome de jogo do Cavalo.

O Liques de oito, como o nome indica é jogado por oito jogadores em equipas de quatro elementos. Cada jogo vale três pontos e termina aos oito jogos. A valorização das cartas é a seguinte por ordem decrescente: dois de paus; ás de paus; conde de paus (cavalo); dama de ouros (dourada); cinco de ouros (liques); cinco de paus (licanço); dama de espadas (sota preta); quatro de paus; sete de copas; ás de espadas (cona); sete de ouros (dourada); três dos quatro naipes; dois dos quatro naipes; restantes ases e as restantes figuras. 

quinta-feira, outubro 03, 2019

"Mudanças climáticas"



Estamos no meio de uma revolução automóvel.
Chamam–se OEMs (Original Equipment Manufactures) aos fabricantes  de equipamentos originais, vulgo marcas de veículos automóveis, que compram quase tudo feito , onde os fornecedores convencionais  estão no meio deste actual furacão, as “mudanças climáticas”, cascatas tecnológicas, mudanças  de comportamento dos consumidores, legislação, novos conceitos de mobilidade, e em especial a mudança drástica  no interface homem-máquina.
As  OEMs , com disse, compram quase tudo feito, e esta alteração está a afectar os fabricantes e muito mais os seus fornecedores .
Grandes alterações estão em curso nos mercados de fabricantes  e utilizadores auto na China, Europa e USA. O impacto actual ainda está a ser pouco na América do Sul e muito pouco na Africa.
O que se está a passar é muito importante para a indústria portuguesa de componentes. Atenção e cautela são necessárias e nunca são demais.

quarta-feira, setembro 18, 2019

Leituras rápidas



Eu uso escrever sempre algo, mesmo que curto, na maioria das publicações que coloco nas redes sociais, mesmo nos casos dos vídeos que partilho.
Como, de um modo geral, adiciono foto a acompanhar o texto, a leitura de uma publicação minha, desde o texto à análise da foto e seu possível relacionamento com o escrito, demorará entre meio a um minuto, no mínimo.
Às vezes, de um só leitor, levo com uma saraivada de likes em publicações sucessivas.
Poderei eu concluir que não é só o professor Marcelo que lê a alta velocidade?
Será que é para alimentar o algoritmo?
Tirem as vossas conclusões que eu ainda não tirei as minhas.

terça-feira, setembro 17, 2019

Há que manter um certo nível de cagufa.




Há que manter um certo nível de cagufa.
As notícias das TVs e dos meios de comunicação, repassadas pelas redes sociais, rodam sempre à volta da economia, têm como objectivo colocar o medo do cidadão num determinado nível de ansiedade.
Assim tudo andará à volta daquele receio constante de perder qualquer pouca coisa que se julga ter, e fica-se mais receptivo a aceitar tudo isto como normal.

segunda-feira, setembro 16, 2019

Uma questão de ismos



Uma questão de ismos.
Os graves erros em que desembocaram certas políticas que ao capturarem para si certas palavras, e que na prática trouxeram às pessoas e desses países e consequentemente à humanidade graves problemas e desgraças várias, nomeadamente a violação dos direitos humanos, deram cabo dos sentidos mais genuínos que elas encerravam em si mesmas.
Depois veio o politicamente correcto, o que se usa hoje em dia, para deturpar tudo e nada justificar.


quarta-feira, setembro 11, 2019

Dar banho ao cão, ou como sujamos hoje muito mais água que antigamente.



Dar banho ao cão, ou como sujamos hoje muito mais água que antigamente.
Eu que já tenho 60.000 Km percorridos posso dizer-vos que vi e passei por muita coisa.
A grande viragem dos finais dos anos 60, inícios dos anos 70, foi por mim observada e vivida, em criança e início da adolescência, numa aldeia erma, perdida entre pinhais, no fim do mundo.
Assim, posso dizer-vos que para aquele tempo os objectivos higiénicos eram um banho semanal, e diariamente a higiene moura, isto é lavagem diária de mãos, cara, pescoço, orelhas e pés. Para os tempos de hoje, e por mim falo, o banho diário é o standard.
Como a água não se consome, mas sim suja-se, eu penso que deveríamos retornar aos parâmetros de higiene dos tempos da minha adolescência.

Nota1: para que uma higiene moura seja mais eficaz, deveríamos seguir um procedimento próximo do abdesto ou ablução, ritual de purificação islâmico antes da reza.

Nota2: nunca esquecer a lavagem diária das partes.

Abdesto ou ablução:

  1. Lavar a mão direita até ao pulso três vezes, depois a mão esquerda.
  2. Levar água à boca e cuspi-la três vezes.
  3. Gentilmente colocar água nas narinas com a mão direita e espremer o nariz com a mão esquerda para exalar a água, repita o processo três vezes.
  4. Lavar a face (desde a linha do cabelo na testa até à barba e de orelha a orelha por três vezes.
  5. Lavar o braço direito inteiro, incluindo a mão, três vezes, e depois a mão esquerda, três vezes. O muçulmano deverá lavar-se até um ponto acima do cotovelo.
  6. Com mãos molhadas começando as mãos abertas sob a cabeça junto à linha do cabelo, limpar até ao fim da cabeça, onde o cabelo acaba e regressar. Isto só é feito uma vez.
  7. Com dedos molhados, colocar polegares nas costas das orelhas, usar o indicador nas curvas da orelha e o dedo médio para lavar as orelhas. Isto é feito apenas uma vez.
  8. Começando com o pé direito, lavar ambos os pés, incluindo os tornozelos.
(Fonte wikipédia)


11 de Setembro


11 de Setembro de 2001, o dia em que começou o milénio.

segunda-feira, setembro 09, 2019

Fazer chover no molhado



Fazer chover no molhado
Os fogos rurais e florestais têm como origem principal o abandono rural. Há mais pessoas a viver na cidade do que no campo, e mesmo muitos que vivem no chamado campo têm modos de vida citadinos, tais como por exemplo compram os legumes nas grandes nas grandes superfícies espalhadas por tudo quanto é cidadezinha e vila, isto porque até existe uma rede viária que a isso proporciona.
Haverá quem esteja disponível a deixar a cidade, mudar de vida e viver no campo?
Alguns o têm feito, mas a grande maioria não tem essa possibilidade, ou mesmo a vontade em mudar de vida. Depois o sistema financeiro acabou por capturar a maioria das pessoas, o que cortou a alguns poucos, que mesmo assim seriam muitos, a ter a tal vontade de mudar de vida.
Sabemos que as árvores descarbonizam o país. Mas não têm os citadinos as maiores responsabilidades nas emissões de carbono? Não será equitativo os que fazem de carbonizadores ajudarem a pagar a manutenção dessas mesmas fontes de descarbonização?
Limpar um hectare de terreno com árvores fica caro. Deverá ser feito de 4 em 4 anos, dependendo das árvores e do terreno. Exceptuando o eucalipto a madeira só fica disponível uma geração, na melhor das hipóteses, após plantio ou sementeira. Façam as contas a que preço deverá ter a madeira quando o velho produtor a vender, caso a plante em novo. A limpeza necessita de investimentos em equipamento adequado que estão sempre em inovação, e em indústrias de processos de utilização dos resíduos florestais em matéria-prima, tais como na produção de energia, ou na agricultura. Esta última, tal como a propriedade rural se encontra e que serviu no passado para o uso dos resíduos florestais, hoje já não serve, não é rentável, nem tem aplicabilidade.   
Agora vomitar leis de limpeza de florestas sem olhar à teimosa realidade, sem dar o verdadeiro preço à madeira sem a subvencionar, e isto das subvenções e subsídios é uma ladroeira como dizia o meu vizinho, o ti Chico da Canucha, sem investir a montante e a jusante, sem dar condições para que as pessoas venham para o campo e deixem a grande cidade, é uma estupidez, é fazer chover no molhado.
Nota: a floresta portuguesa está assim dividida em termos de proprietários.
- 85% Privados.
- 12% Baldios, Comunidades Locais (Compartes).
- 3% Estado.
(fonte: wikipédia)

sexta-feira, setembro 06, 2019

Vamos falar de finanças?



Vamos é falar dos problemas financeiros, que isso é que é importante, dizem-nos.
Ouço as notícias na Rádio, vejo-as nas TVs, consulto-as na Net, e o que impingem são os chamados problemas financeiros.
Querem, alguém quer, que eu me preocupe com a finança, em vez de me preocupar comigo e com o ambiente que me cerca.


terça-feira, setembro 03, 2019

Bacalhau a pataco




Nas próximas semanas iremos gramar com as promessas de bacalhau a pataco, agora é que vai, e com os regressos dos D. Sebastião com a solução dentro da mala de mão.
Receberemos inundações de banalidade por actuais e novos imbecis de roupagens de circos televisivos, e pelos funis das redes sociais.
Por favor não me batam à porta, pois eu responderei não mora cá ninguém!

Pataco: Antiga moeda portuguesa, de bronze, que valia dois vinténs ou quatro centavos, isto é, 0,04 Escudos. Um Escudo equivale a 1/200,482 do Euro. Significava compra ou venda ao desbarato, a baixo preço, ceder em troca de dinheiro.


segunda-feira, setembro 02, 2019

O tempo segue o seu caminho



Pelas 6:00 da manhã já é forte o clarão que se vê do lado donde o Sol nasce. A Sudeste está elevado e já se vê a cintura do Caçador (constelação Oríon) e na sua retaguarda o olho (Sírius) do seu companheiro (constelação Cão Maior) de vida.
O Tempo segue o seu caminho, e nós não o olhamos com olhos de ver.


sexta-feira, agosto 30, 2019

O burro do espanhol e a cenoura

O burro do espanhol e a cenoura .
Quando estiver habituado a passar sem comer, começará a dar lucro.


segunda-feira, agosto 26, 2019

Estanquidade



Ouve-se uma chuva cantarolada nos telhados das fábricas e o cimentado onde estacionam os automóveis não liberta o cheiro à terra quando chove em pleno verão. A água escorre agora depois de molhar a superfície do piso impermeabilizado. Aqui e ali nota-se uma pequena mancha de finíssima película de óleo que ao longo do seco tempo passado se foi desprendendo dos automóveis que por aqui vão passando o tempo parados.
Nada é estanque, nem um cárter de um motor.


quinta-feira, agosto 01, 2019

Publique-se e cumpra-se como nele se contém.





Decreto-lei 44579, de 19 de Setembro
  • Corpo emitente: Ministérios do Interior e da Saúde e Assistência
  • Fonte: Diário do Governo n.º 216/1962, Série I de 1962-09-19.


Usando da faculdade conferida pela 1.ª parte do n.º 2.º do artigo 109.º da Constituição, o Governo decreta e eu promulgo, para valer como lei, o seguinte:
Artigo 1.º - 1. É proibido o exercício da prostituição a partir de 1 de Janeiro de 1963.
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Publique-se e cumpra-se como nele se contém.
Paços do Governo da República, 19 de Setembro de 1962. - AMÉRICO DEUS RODRIGUES THOMAZ - António de Oliveira Salazar - Alfredo Rodrigues dos Santos Júnior - João de Matos Antunes Varela - Mário José Pereira da Silva - Fernando Quintanilha Mendonça Dias - Alberto Marciano Gorjão Franco Nogueira - Eduardo de Arantes e Oliveira - Adriano José Alves Moreira - Manuel Lopes de Almeida - José do Nascimento Ferreira Dias Júnior - Carlos Gomes da Silva Ribeiro - José João Gonçalves de Proença - Henrique de Miranda Vasconcelos Martins de Carvalho.

Ironias de antigamente

Antigamente é que era bom, e agora também.

Depois não te queixes se tiveres problemas.
Tu bem sabes que isto da liberdade a mais é o que dá. Tu sabes que depois não terás as facilidades de arranjar um emprego no Estado, como cantoneiro na estrada ou mesmo o poderes ir para a Guarda-fiscal depois de fazeres a tropa, claro. Tens que ter tento nessa língua, e não andes por aí a fazer essas partidas de Entrudo. Tens que ter cuidado com os papéis e jornais que andas a ler. Olha à tua volta  e vê aqueles estão em bons empregos, como os que te disse, andam aí mansinhos, mas andam bem. Logo tu, um rapaz de boas famílias e inteligente, andas sempre metido em sarilhos.

terça-feira, julho 30, 2019

Eles andem aí (2)


Há tempo que ela não via o padeiro! Por isso usou a gola anti fumo.

Cada um de nós subestima o número de imbecis que se multiplicam pela cadeia de decisão desta nossa sociedade.
É que eles andam por aí em circulação, e na política muitos começaram a assar febras de porco e, alguns até chegam a primeiro-ministro, ministros, secretários, mais ainda, assessores, vereadores de município, ou mesmo a presidente de junta de freguesia, sendo este último caso mais raro, por enquanto.
De quando em vez sentimos a falta do uso de vassouras para o lar do forno, e depois queixamo-nos que o padeiro não roleirou o forno correctamente.

Roleirar o forno: é o acto de limpar o forno da broa com um pau quando este se apresenta pronto para recebe a massa a cozer. Os movimentos de roleirar o forno apresentam- se como alternativos dentro e fora correndo todo o lar, piso ou chão do forno. Têm conotação popular com o acto de cópula. Daí a frase de não ver o padeiro faz tempo para a abstinência sexual.


segunda-feira, julho 29, 2019

Quando o Homem era a medida das coisas.




Sou da zona do minifúndio, e ouvi do meu pai que uma determinada terra tinha tantas aguilhadas. Foi-me ensinado, por ele, que esta medida agrária equivale a 540 m2, e que cerca de 18 ½ aguilhadas equivale a 1 hectare (10.000 m2).
Sempre me questionei acerca sua obtenção, pois não batia certo com passos nem com a antiga unidade de comprimento vara que equivale a 1,10 m., esta antiga unidade de medida de superfície, utilizada normalmente em terrenos de arroz na região do Baixo Mondego e Gândara.
Muito busquei, que encontrei, e as coisas batem certo. Com a vara de aguilhão de tanger os bois de lavoura, com o comprimento de 13 ½ palmos, isto é, 3,00 metros, donde se tira a unidade agrária: dividindo a terra lavrada em uma vara de aguilhão de lado, dando-lhe o comprimento de 60 varas de aguilhão daquela medida.
3 X (60 x 3) = 3 x 180 = 540 m2.
A unidade é o palmo, unidade fixa na mão do lavrador.