terça-feira, maio 26, 2020

Somos todos potencialmente descartáveis


Somos todos potencialmente descartáveis
Leio notícias e alguns dos comentários sobre o exemplo da Suécia e as ações que as autoridades sanitárias daquele país tomaram em reação ao covid-19. 
Há espertos para tudo e todos são especialistas de tudo.
Se eu entrar em especulações mais profundas, poderei concluir que nós, afinal, nem existimos.

sexta-feira, maio 22, 2020

O último cidadão soviético.




O último cidadão soviético.
Sergei Krikalev quando regressou numa cápsula da Soyuz na cidade de Arkalyk, Cazaquistão, depois de passar um tempo na Estação Espacial Mir, em 25 de março de 1992.
Foi para o espaço como cosmonauta soviético, e regressou a um país diferente como o último cidadão soviético.
Uma autêntica viagem no tempo.


terça-feira, maio 19, 2020

Castelos virtuais

(Muralha da China)
  
Nas últimas duas a três décadas temos observado os negacionistas do aquecimento global e da poluição global, a trabalhar como se não vivessem no planeta Terra, como se fossem uns eleitos do divino.
Tal como os senhores feudais tinham os castelos para se defenderem doa ataques dos servos, eles têm as suas fortalezas virtuais, mais seguras que os altos muros feitos de pedra. Eles julgam-se fora das restrições comuns aos habitantes do planeta
São eles os donos da opinião publicada. Estão em todos os estados.
Este vírus global deu uma paragem brusca e não planeada. Só que eles dos seus castelos já estão recolocar tudo a seu jeito, tu do no novo sítio, aproveitando o espaço limpo deixado pela pandemia. Esta travagem e viragem em ângulo quase reto é a oportunidade de limpar o todo o seu cadastro, para aparecerem depois com roupas novas, limpas e brilhantes aos olhos dos que vivem com os pés poisados na Terra.
A oportunidade serve para todos, dirão. Mas os senhores do castelo já a pensaram toda, e nós só comentamos como se histórias de imprensa cor-de-rosa se tratassem.
Tenho receios que o pessoal troque alguma pseudo-abundância pela limitação das liberdades individuais, logo nós que estamos viciados em petróleo.

O medo que nos salva não nos pode dominar.



Montado num perdigoto, o corona vírus suspendeu toda a economia vigente, globalizando o planeta.
Neste desconfinamento em curso, cada um em primeiro, e depois em grupo , temos que ir pensando e agindo no sentido de deixar de usar, usufruir, praticar, algumas coisas que se consideravam como normais.
A normalidade de hoje é outra.
O medo que nos salva não nos pode dominar.

sexta-feira, maio 15, 2020

Os suspeitos do costume




Os suspeitos do costume.
Esta pandemia irá passar, mais tarde ou mais cedo, com mais ou menos problemas.
O problema existe e é grave. No entanto há um caos permanente mantido e ampliando no medo. Os noticiários em contínuo das TVs são a prova disso, como se fossem pagos para isso.
Quem é que irá tomar vantagens no pós-COVID-19?
Eu suspeito dos mesmos do costume, mas eu sou um otimista.


quinta-feira, maio 14, 2020

Os apriscos virtuais.




Os apriscos virtuais.
O dinheiro é uma invenção milenar que hoje nos é apresentada como suja, não pelo seu manuseamento direto e sem regras de higiene, mas pela sua relação com a corrupção, tráfico ilegal, logo lucrativo, crime e guerra. Daí as tão famosas máquinas de lavar dinheiro. Aquele que passa de mão em mão na forma de notas e moedas é de uso de todos, é dinheiro público.
Agora por razões de saúde pública, ouço dizer, que é só para usar o dinheiro de plástico.
Ora, o dinheiro de plástico não é público, mas sim privado.
O cerco aperta-se, e como sabem eu sou um otimista.

terça-feira, maio 12, 2020

Oliveira, a árvore eterna



https://www.facebook.com/thefabulousweirdtrotter
A oliveira mais antiga do mundo. A sua idade é estimada em 1350-1100 AC. Está localizado em Kavousi, Creta, Grécia.

Oliveira, a árvore eterna, aquela que assiste ao início e fim dos impérios e ao nascimento e morte de deuses.


Fado vadio



Fado vadio.
Com a censura imposta ao fado pelo regime de Salazar os fadistas passaram a ter, obrigatoriamente, uma carteira profissional.
Um fado era muito improvisado em termos de letra e desgarrada. Logo saía de tudo, desde a desgraçada com moral da história, à crítica social e política . Dai a necessária censura imposta pelo regime.
Um fado poderia durar muito tempo de canto. Os 3 minutos foi imposto pela limitação técnica da gravação em disco.
Logo um fadista vadio não teria carteira profissional.

quinta-feira, maio 07, 2020

A normalidade que aqui nos trouxe.

A normalidade que aqui nos trouxe.
FRANÇA
Covid-19: Artistas e cientistas lançam apelo
O apelo, publicado no jornal francês Le Monde, foi iniciado pela actriz Juliette Binoche e pelo físico e filósofo francês Aurélien Barrau e seguido por várias outras personalidades do mundo artístico e científico, como a actriz Cate Blanchett, o antropólogo Philippe Descola e o físico Albert Fert.
Huppert, Almodóvar, Deneuve e centenas de personalidades pedem acção a Macron
Huppert, Almodóvar, Deneuve e centenas de personalidades pedem acção a Macron
“Não a um regresso à normalidade” apela à introdução de mudanças profundas nos estilos de vida, consumo e economias, aprendendo com as consequências da pandemia causada pelo novo coronavírus.
“A pandemia de Covid-19 é uma tragédia. Mas esta crise tem a virtude de nos convidar a enfrentar as questões essenciais. O balanço é simples: os “ajustamentos” já não são suficientes, o problema é sistémico”, afirmam os signatários, entre os quais se encontram outros nomes conhecidos como o cantor Benjamin Biolay, o realizador Pedro Almodóvar, e os actores Isabelle Adjani, Javier Bardem, Emmanuelle Béart e Monica Bellucci.
Na carta, os subscritores defendem que a actual “catástrofe ecológica” é uma “meta-crise”, porque “a extinção em massa da vida na Terra já não está em dúvida e todos os indicadores apontam para uma ameaça existencial directa”.
“Ao contrário de uma pandemia, por muito grave que seja, trata-se de um colapso global cujas consequências serão incomportáveis”, alertam, apelando a líderes e cidadãos para que “se libertem da lógica insustentável que ainda prevalece, para que finalmente trabalhem no sentido de repensar profundamente os objectivos, os valores e as economias”.
Neste manifesto, artistas e também muitos cientistas das várias áreas de conhecimento, entre os quais alguns prémios Nobel, chamam a atenção para o “ponto de ruptura” que o mundo está a atingir, fruto da poluição, do aquecimento global, da destruição dos espaços naturais e de um consumismo que levou a humanidade a “negar a própria vida: a das plantas, dos animais e de um grande número de seres humanos”.
“Por estas razões, combinadas com desigualdades sociais cada vez maiores, parece impensável “voltar ao normal"”, defendem, reconhecendo que a “transformação radical exigida a todos os níveis exige ousadia e coragem” e que não se realizará “sem um compromisso maciço e determinado”.

terça-feira, maio 05, 2020

Business as usual



O que aí vem é uma oportunidade, havendo vários cenários possíveis.
Um deles é o do “business as usual”, logo agora, mais que nunca, que o terreno está aberto como uma estrada contínua, larga e desimpedida. Uma prova disto são os apoios dados em pirâmide.
As coisas não vão só piorar. Elas já pioraram.
É mais acertado afirmar que o nosso modo de vida deste passado recente, a que chamamos de hoje, já está no caixote do lixo.
No entanto há outros possíveis cenários bem mais desafiantes.

quinta-feira, abril 30, 2020

Monumentos à estupidez humana precisam-se





Teremos que escolher o que não queremos. 
O tempo de fazer mais e mais foi que nos trouxe até aqui. 
Importante será não fazer, deixar como está, ou pura e simplesmente abandonar à Natureza certas obras em curso ou executadas como monumentos à estupidez humana.
Prosperar não é crescer.

quarta-feira, abril 29, 2020

O perdigoto global

Dizem que é urgente voltar à normalidade!
Qual normalidade?
Aquela que globalizou o perdigoto?
Do uso das palavras ao seu abuso vai a distancia do salto de um perdigoto.

quinta-feira, abril 23, 2020

Os novos e os velhos impérios



A propósito dos novos e dos velhos impérios


Os USA é uma potência militar que de um modo geral não ocupa territórios. Isto não acontece desde a guerra com o México no século 19, baseado no direito divino dado por Deus aos Estados Unidos, expandiu o seu território para sul.
Agora , vai lá ao território estrangeiro, domina militarmente, e passado uns tempos retira as tropas do terreno após acordos, alguns custosos de entender, mas eles dizem que são acordos.
Nenhum Império assim fez até ao momento .
Parece que o paradigma está a mudar neste século 21.
Recordo que o século 21 começou no dia 11 de setembro de 2001.

O futuro está aí a chegar, e vem de automóvel.




O futuro está aí a chegar, e vem de automóvel.
Dedicado aos que continuam a querer ser enganados com o regresso ao passado

terça-feira, abril 21, 2020

Paradigmas (1)




Pensar e agir local.
O paradigma de promessas eleitorais mudou.
Doravante não será prometer fazer mas sim , prometer NÃO FAZER.
Qual a actividade que foi ou irá ser suspensa este ano devido à COVID-19 que tu NÃO gostarias que fosse retomada?
Nota: tudo indica que a pandemia não será ultrapassada antes do fim do ano..
Por favor responde sem te justificares.
É importante saber o que não se quer em primeiro lugar..
Isso não é fácil, é ir contra os dogmas vigentes .





Porque não retornar ao básico do mais básico, do seguir dos divinos astros, o Sol e a Lua?
Tudo ficaria tão simples.

sexta-feira, abril 17, 2020

Vira o disco e toca o mesmo?




Gravura alegórica e satírica, com texto descritivo em francês e holandês, referente à falência do sistema bancário e monetário do ministro das Finanças da França, John Law, sob a regência de Philippe, duque de Orleans (1715-1723
John Law ( batizado em 21 de abril de 1671 - 21 de março de 1729) era de opinião que o dinheiro era apenas um meio de troca.
Foi o inventor das acções de trampa e de gases.
Mais tarde ou mais cedo a bolha rebenta.
Mais cedo ou mais tarde a ganancia inicial se transforma em medo.
Mais tarde ou mais cedo haverá mais vendedores que compradores,


quinta-feira, abril 16, 2020

O som mavioso da madeira de caixotes


Texto de 1796 do famoso autor António da Silva Leite.
O tampo da guitarra deve ser em pinho de Veneza, ou seja da madeira que viria via marítima dos lados de referida cidade, que sabemos que não tem bosques por perto.
Seria pinho dos Alpes italianos a norte de Milão, onde hoje se luta contra o corona vírus, taĺ como cá . Seriam madeiras de caixotes, embalagens especiais , tais como as de hoje que embalam maquinaria importada.
Frias Gonçalves disse-me que ouviu de Artur Paredes , que até de madeiras de caixotes se fazem boas guitarras .
Estou a pensar em aceitar o desafio.
Abram as serrações que bem precisamos de trabalhar em toda a esfera.


quarta-feira, abril 15, 2020

A pedra cúbica



A pedra cúbica do santuário da nossa senhora d ATocha ainda lá continua.

terça-feira, abril 14, 2020

As fases da pandemia. Fonte: KAIZEN Institute

As fases da pandemia.
Fonte: KAIZEN Institute



Eu estou a ficar cada vez mais rabugento. É o que eu ouço cá por casa. O mesmo deve estar a acontecer por aí.
A situação que vivemos está a colocar mais ao de cima certas formas de ver o mundo que eu, de um modo geral, resguardo do opinar, pois sei que quem ler as minhas mensagens as olhará do lado da sua própria rabugice.
Mas aqui declaro que um cretino será sempre um cretino, e um filho da puta será sempre um filho da puta.
Os americanos (USA) antes de correr em a ir comprar máscaras e equipamentos de protecção, ou mesmo entrar em quarentena, foram comparar armas de fogo. No Brasil fazem orações de cura vírica em plena rua, com o contágio associado.
Por cá a peregrinação copofónica e os passeios para conversar, continuam.
As pessoas são mesmo assim e dificilmente mudam.
Felizmente não houve vias sacra nem compasso ou missas. Bom senso a aplaudir.
Mas para o ano haverá muita promessa a cumprir e a pagar pelos milagres realizados em 2020.
Post scrptum. A estupidez das pessoas é algo espectacular.


quinta-feira, abril 09, 2020

Páscoa molhada, Páscoa abençoada.


(Santuário da N.S. d'Atocha)

Páscoa molhada, Páscoa abençoada.
Tudo segue o seu caminho.
Hoje, para ir trabalhar, atravessei 3 concelhos, contando o meu, onde resido. Usando um dos caminhos alternativos mais rápido e curto em tempo, com recurso a auto-estrada, daria para passar por 7 em vez de 3.
Está um tempo estranho, sem aquele ar e aspecto Pascal, exceptuando a Páscoa molhada, abençoada resultado dos movimentos de maré lunar na atmosfera e nem só. Anteontem esteve uma lua prenhe, bela como só ela o é. A bela Lua Marcelina que fotografei ontem pela manhã.
Cai uma chuva de Páscoa, neste tempo do signo da  COVID-19.
Salvam-nos os Astros: a Lua e o Sol.

terça-feira, abril 07, 2020

Filosofices e outras coisas que dão chatisses


O eminente filósofo francês Bruno Latour projeta sua imaginação sobre um futuro pós-pandemia e propõe um interessante exercício para a elaboração de ações e gestos para a saída da recessão global já contratada pela pandemia, de modo a não reproduzirmos a produção insustentável e o consumismo que nos trouxe até esta situação crítica, mas aproveitarmos a oportunidade para construir um mundo mais solidário, sustentável e inclusivo, um mundo mais preparado para o enfrentamento de outra grande crise que está no horizonte próximo, a crise climática.
Por Bruno Latour
Pode haver algo de indecoroso em projetar a imaginação para o período pós-pandemia enquanto os trabalhadores da área da saúde estão, como se diz, “na linha de frente”, milhões de pessoas perdem seus empregos, e muitas famílias em luto não podem sequer enterrar seus mortos. Entretanto, é agora que devemos lutar para que, uma vez terminada a crise provocada pela pandemia, a retomada da economia não traga de volta o mesmo velho regime climático que temos tentado combater, até aqui em vão. De fato, a crise da pandemia está embutida em algo que é, não uma crise – algo sempre passageiro -, mas uma mutação ecológica duradoura e irreversível. Temos boa probabilidade de “sair” da primeira, mas não temos nenhuma chance de “sair” da segunda. As duas situações não têm a mesma escala, mas é muito esclarecedor relacioná-las. Em todo caso, seria uma pena não aproveitarmos a crise sanitária para descobrir outras formas de adentrar a mutação ecológica sem ser às cegas.
Lições da pandemia
A primeira lição da pandemia do coronavírus é também a mais espantosa. De fato, ficou provado que é possível, em questão de semanas, suspender, em todo o mundo e ao mesmo tempo, um sistema econômico que até agora nos diziam ser impossível desacelerar ou redirecionar. A todos os argumentos apresentados pelos ecologistas sobre a necessidade de alteração do nosso modo de vida, sempre se opunha o argumento da força irreversível do “trem do progresso”, que nada era capaz de tirar dos trilhos, “em virtude”, dizia-se, “da globalização”. Ora, é justamente seu caráter globalizado que torna tão frágil o famoso desenvolvimento, o qual, ao contrário, pode sim ser desacelerado e finalmente parado.
De fato, não são apenas as multinacionais ou os acordos comerciais ou a internet ou as agências de turismo que estão globalizando o planeta: cada entidade deste mesmo planeta tem sua maneira própria de integrar os outros elementos que compõem, em um dado momento, o coletivo. Isso é verdade para o CO2, que aquece a atmosfera global por sua difusão no ar; para as aves migratórias, que transportam novas formas de gripe; mas também é verdade, como estamos dolorosamente reaprendendo, para o coronavírus, cuja capacidade de ligar “todos os humanos” passa pela via aparentemente inofensiva dos nossos perdigotos. Contra a globalização, uma globalização ainda maior: se o objetivo é conectar bilhões de humanos, os micróbios estão aí para isso mesmo!
Daí esta incrível descoberta: havia de fato no sistema econômico mundial, escondido de todos os olhares, um sinal de alarme vermelho vivo, junto a uma grande alavanca de aço que cada chefe de Estado podia puxar de uma só vez para fazer parar “o trem do progresso” com um estridente guincho de freios. Se, em janeiro, o pedido por uma curva de 90 graus que nos permitisse aterrissar ainda parecia uma doce ilusão, agora ele se torna muito mais realista: qualquer motorista sabe que para ter alguma chance de se salvar fazendo uma rápida manobra no volante sem sair da estrada é melhor primeiro desacelerar…
Infelizmente, não são só os ecologistas que veem nessa pausa súbita no sistema de produção globalizado uma grande oportunidade de fazer avançar seu programa de aterrissagem. Os adeptos da globalização, aqueles que, em meados do século XX, inventaram a ideia de escapar das restrições planetárias, também veem nela uma excelente oportunidade de se desvencilhar ainda mais radicalmente do que resta de obstáculos à sua fuga para fora do mundo. Para eles, essa é uma oportunidade boa demais de se livrarem do resto do Estado social, da rede de segurança dos mais pobres, do que ainda resta de regulamentação contra a poluição e, mais cinicamente ainda, de se livrarem de toda essa gente em excesso que atulha o planeta. [1]
Os perigos que rondam o futuro próximo
Não esqueçamos, de fato, que devemos assumir que esses adeptos da globalização estão conscientes da mutação ecológica, e que todos os esforços por eles feitos nos últimos 50 anos consistiram em negar a importância das mudanças climáticas e, ao mesmo tempo, em escapar de suas consequências, construindo fortalezas que possam garantir seus privilégios, bastiões inacessíveis àqueles que terão que ser deixados para trás. Eles não são ingênuos a ponto de acreditar no grande sonho modernista da partilha universal dos “frutos do progresso”; a novidade é sua franqueza: eles agora sequer se preocupam em fazer as massas acreditar nessa ilusão. [2] São eles que aparecem todos os dias na Fox News e que estão no poder de todos os estados negacionistas do planeta, de Moscou a Brasília, de Nova Delhi a Londres e Washington.
O que torna a situação atual tão perigosa não são apenas as mortes que se acumulam diariamente, mas a suspensão geral de um sistema econômico que proporciona, àqueles que querem ir ainda mais longe em sua fuga para fora do mundo planetário, uma excelente oportunidade de “recolocar tudo em questão”. Não devemos esquecer que o que torna os adeptos da globalização tão perigosos é que eles sabem que perderam, sabem que a negação das mudanças climáticas não poderá continuar indefinidamente, que não há mais nenhuma chance de conciliar seu “desenvolvimento” com os vários “envelopes” [3] do planeta com os quais a economia terá que se haver mais cedo ou mais tarde. Isto é o que os torna dispostos a tentar de tudo para se aproveitar mais uma (última?) vez destas condições excepcionais, para poder durar um pouco mais e proteger a si próprios e aos seus filhos. [4] A “suspensão do mundo”, [5] esta frenagem, esta pausa imprevista, dá-lhes a oportunidade de fugir mais depressa e para mais longe do que jamais imaginaram. Os revolucionários do momento são eles.
É aqui que devemos agir. Se a oportunidade serve para eles, serve também para nós. Se tudo pára, tudo pode ser recolocado em questão, infletido, selecionado, triado, interrompido de vez ou, pelo contrário, acelerado. Agora é que é a hora de fazer o balanço de fim de ano. À exigência do bom senso – “Retomemos a produção o mais rápido possível”- temos de responder com um grito: “De jeito nenhum!”. A última coisa a fazer seria voltar a fazer tudo o que fizemos antes.
Por exemplo, outro dia mostraram na televisão um floricultor holandês, com os olhos cheios de lágrimas, porque teve que jogar fora toneladas de tulipas já prontas para serem embarcadas: não podia mais enviar as tulipas de avião para os quatro cantos do mundo porque não tinha clientes. Só podemos lamentar, é claro; é justo que ele seja compensado. Mas então a câmera recuou, mostrando que suas tulipas são cultivadas hidroponicamente e sob luz artificial antes de serem entregues aos aviões de carga no aeroporto de Schiphol, em Amsterdam, sob uma chuva de querosene. O que justifica a dúvida: “Será realmente útil continuar esta forma de produzir e vender este tipo de flor?”.
Exercício para um futuro solidário, sustentável e inclusivo
Uma coisa leva a outra: se cada um de nós começar a fazer esse tipo de pergunta sobre cada aspecto de nosso sistema de produção, podemos nos tornar efetivos interruptores da globalização – tão efetivos, pois somos milhões, quanto o famoso coronavírus em sua maneira única de globalizar o planeta. O que o vírus consegue com a humilde circulação boca a boca de perdigotos – a suspensão da economia mundial – nós começamos a poder imaginar ser para nós também possível, que nossos pequenos e insignificantes gestos, acoplados uns aos outros, conseguirão: suspender o sistema produtivo. Ao nos colocarmos esse tipo de questão, cada um de nós começa a imaginar “gestos barreira”, [6] mas não apenas contra o vírus: contra cada elemento de um modo de produção que não queremos que seja retomado.
Não se trata mais de retomar ou de transformar um sistema de produção, mas de abandonar a produção como o único princípio de relação com o mundo. [7] Não se trata de revolução, mas de dissolução, pixel por pixel. Como mostra Pierre Charbonnier, [8] após cem anos de um socialismo que se limitou a pensar a redistribuição dos benefícios da economia, talvez seja o momento de inventar um socialismo que conteste a própria produção. É que a injustiça não se limita apenas à redistribuição dos frutos do progresso, mas à própria maneira de fazer o planeta produzir frutos. O que não significa viver de amor ou de brisa, mas aprender a selecionar cada segmento deste famoso sistema pretensamente irreversível, a questionar cada uma das conexões supostamente indispensáveis e a experimentar, pouco a pouco, o que é desejável e o que deixou de sê-lo.
Daí a importância fundamental de usar este tempo de confinamento imposto pela pandemia para descrevermos, primeiro cada um por si, depois em grupo, aquilo a que somos apegados, aquilo de que estamos dispostos a nos libertar, as cadeias que estamos prontos a reconstituir e aquelas que, por meio do nosso comportamento, estamos decididos a interromper. [9] Quanto aos adeptos da globalização, esses parecem ter uma ideia muito clara do que querem ver renascer após a retomada: a mesma coisa, só que pior, com a indústria petrolífera e os gigantescos navios de cruzeiro como bônus. Cabe a nós opor a eles nosso contra-inventário. Se, em apenas um ou dois meses, bilhões de humanos fomos capazes, ao apito do árbitro, de aprender o novo “distanciamento social”, de nos afastar uns dos outros para sermos mais solidários, de ficar em casa para não sobrecarregarmos os hospitais, podemos perfeitamente imaginar o poder transformador desses novos gestos, barreiras erguidas contra a repetição de tudo exatamente como era antes, ou pior, contra uma nova investida mortífera daqueles que querem escapar de vez à força de atração da Terra.
Como é sempre preferível acompanhar um argumento com um exercício, proponho este a seguir, derivado dos procedimentos do consórcio Où atterrir, que submeto ao discernimento dos leitores até que seja possível apresentar uma versão digital aceitável.
Aproveitemos a suspensão forçada da maior parte das atividades para fazer um inventário daquelas que gostaríamos que não fossem retomadas e daquelas que, pelo contrário, gostaríamos que fossem ampliadas. Responda às seguintes perguntas, primeiro individualmente e depois coletivamente:
1ª pergunta: Quais as atividades agora suspensas que você gostaria que não fossem retomadas?
2ª pergunta: Descreva por que essa atividade lhe parece prejudicial / supérflua / perigosa / sem sentido e de que forma o seu desaparecimento / suspensão / substituição tornaria outras atividades que você prefere mais fáceis / pertinentes. (Faça um parágrafo separado para cada uma das respostas listadas na pergunta 1).
3ª pergunta: Que medidas você sugere para facilitar a transição para outras atividades daqueles trabalhadores / empregados / agentes / empresários que não poderão mais continuar nas atividades que você está suprimindo?
4ª pergunta: Quais as atividades agora suspensas que você gostaria que fossem ampliadas / retomadas ou mesmo criadas a partir do zero?
5ª pergunta: Descreva por que essa atividade lhe parece positiva e como ela torna outras atividades que você prefere mais fáceis / harmoniosas / pertinentes e ajuda a combater aquelas que você considera desfavoráveis. (Faça um parágrafo separado para cada uma das respostas listadas na pergunta 4).
6ª pergunta: Que medidas você sugere para ajudar os trabalhadores / empregados / agentes / empresários a adquirir as capacidades / meios / receitas / instrumentos para retomar / desenvolver / criar esta atividade

terça-feira, março 31, 2020

O efeito martelo



Depois do vírus e suas réplicas, que isto vai ter umas recaídas, pois não julguem que voltaremos ao que isto era, o pior virá e não sabemos como será . Só poderemos ter umas ideias.
As relações de poder mundial serão alteradas e uma nova geografia política e económica será desenhada, tal como aconteceu no pós segunda guerra.
Duvido que a União europeia sobreviva. Os USA deixarão de ser a principal potência e temo que os nacionalismos, no pior sentido que lhes posso dar, não venham aí como salvadores de coisa nenhuma.
A curto prazo indico que não teremos aulas do terceiro período em escola não haverá férias, nem passeios de automóvel a ver o mar . Não teremos festas romarias, procissões.
O número de bebedeiras caseiras aumentará atenção à violência doméstica , e o valor dos bens de primeira necessidade aumentarão de preço.
O relacionamento entre as pessoas terá uma mudança drástica, e não voltará , em nada a ser como dantes.

terça-feira, março 24, 2020

Nós a olhar os outros e os outros a olhar para nós



E ficamos desta janela a olhar o vizinho, o que ele está a fazer que é o mesmo que nós estamos fazer, isto é, a olhar para nós.
Mas não é isto que se faz nas redes sociais , olhar uns para o outros , nesta mediocridade dominante em que está transformado o facebook , vulgo redes sociais, de tasca aberta em tempos de quarentena?
Ultimamente tenho clicado no item não seguir e cada vez menos me chateio, pois o vinho da tasca anda a ficar uma zurrapa , martelado.
A porta da rua é larga e a foto prova que a bota não bate com a perdigota, e afinal nem se torna necessário ou obrigatório.
O non sense ajuda ao baralhar as cartas antes de distribuir jogo.

segunda-feira, março 23, 2020

O martelo e a dança




Coronavírus: o martelo e a dança 
Como serão os próximos 18 meses, se os líderes ganharem tempo.
Resumo do artigo: As fortes medidas de coronavírus hoje devem durar apenas algumas semanas, não haverá um grande pico de infecções depois e tudo pode ser feito por um custo razoável para a sociedade, salvando milhões de vidas ao longo do caminho. Se não tomarmos essas medidas, dezenas de milhões serão infectados, muitos morrerão, juntamente com qualquer pessoa que precise de cuidados intensivos, porque o sistema de saúde entrará em colapso.
O link para o artigo:

Não toquem tambor para o maluco dançar.





Não toquem tambor para o maluco dançar. 
Esta onda COVID-19 vai passar depois de arrasar e deixar a praia toda entulhada. Depois virá muitas mais ondas para nos dar com o entulho  espalhado a esmo nas canelas e nos costados. 
Não irei gastar palavras com gente que dança só ao som do pandeiro, pois vou precisar delas mais tarde, com todas as letras, para os mandar efectivamente para o cesto da gávea, mas com todos os alhos. 

quarta-feira, março 11, 2020

Covid-19 , 11 de Março de 2020.



(Cartoon do autor português Vasco Gargalo sobre a guerra na Síria)

Covid-19 ,  11 de Março de 2020.
Claro que isto que nos está a acontecer será ultrapassado mais dia, menos dia, só não sabemos quando. Eu espero que seja rápido e sem mais danos para as pessoas. Para isso é preciso que cada um cumpra o que todos temos que fazer em termos sanitários, com consciência e sem pânico.
O tempo que estamos a viver é tempo de guerra, escrito aqui e agora sem aspas.  
Esta guerra terá o seu término, que espero que seja em breve, e como todas as guerras terá os vencedores, isto é, os que irão ficar mais poderosos e que irão escrever a história.



quarta-feira, março 04, 2020

Parar para pensar.


Parar para pensar.

Estou a pensar que hoje temos uma classe de pessoas descartáveis, basta olhar ao redor, e ao mesmo tempo uma cascata tecnológica que nos leva invariavelmente a uma sociedade do mundo sem trabalho, tal como o definimos hoje.

quarta-feira, fevereiro 26, 2020

Vivemos num vídeo game virtual.




Vivemos num vídeo game virtual.
Adquirimos um carro novo e ganhamos pontos. Vamos de férias e ganhamos pontos.
Os pontos ganhos servem para termos a sensação de que estamos num nível acima, que estamos a ganhar aos outros.
O consumismo é efectivamente uma religião prática. Quanto mais nós rezamos, mais elevados estamos em relação aos outros, e claro, mais perto do céu.


quinta-feira, fevereiro 20, 2020

Para os velhos problemas use-se soluções novas.




Para os velhos problemas use-se soluções novas.
Crise e economia são conceitos antigos que acompanham a humanidade e na actualidade quando ouvimos a palavra crise, esta é mais um slogan usado para que se obedeça, quando devia-mos nos adaptar e evoluir na busca de novas soluções individuais, que depois se traduzirão em soluções colectivas.

quinta-feira, fevereiro 13, 2020

A propósito de um debate que por aí anda.




A propósito de um debate que por aí anda.


Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.

[Alberto Caeiro]

terça-feira, fevereiro 11, 2020

Um pouco de magia


O que poderei eu acrescentar às novas novidades tão cansadas de nada de novo trazerem?
E que nada me parece surpreender neste dia das surpresas.

terça-feira, janeiro 14, 2020

Octavô


Transcrição:
"Aos vinte e nove dias do mes de Mayo de mil e seis centos e noventa e sete annos faleçeo An.to Fran.co Mansor das Francisquas jaz sepultado no adro desta Igr.a não fes testamento. Rib.ro"
Fonte: Assentos Paroquiais de Cantanhede, Mistos 1659-1707.

António Francisco Mansor foi o pai do primeiro a usar o apelido "Tabanez" (João Francisco Tabanez) que depois viveu nas freguesias de Cadima e da Tocha (Quintã). Todos os Tabanezes actuais, de origens lusófonas, descendem deste senhor, natural das Franciscas, junto a Cantanhede.

(Nuno Silva - Origens do apelido Tabanez).

Nota: Foi o meu 8º Avô (Octavô), natural das Franciscas da Ribeira da Varziela, e casou com Isabel Gomes (minha Octavó) natural da Pocariça.


O dogma vigente.




O dogma vigente.
O espaço disponível na Terra é limitado, e a sua capacidade de regeneração não está a acompanhar o aumento na procura dos recursos. Tudo na Natureza está a ser processado e transformado a uma velocidade cada vez maior que já ultrapassa em muito a velocidade desta em transformar o lixo que se produz em novos recursos.
Estamos a acelerar continuamente, o tal crescimento que os pregadores clamam como urgente e necessário, fazendo deste dogma o seu cavalo de batalha, o veículo em que nos deslocamos sem travões, e ao fundo da pista há um muro.
O resultado desta aceleração contínua do bólide financeiro é o desastre certo.
No entanto os púlpitos mediáticos continuam ocupados pelos mesmos catequistas desta nova religião para manter e controlar os que foram capturados pelo sistema, isto é, os Estados e os cidadãos.
Eu como sou um optimista, vos digo que a coisa irá correr mal.
Perguntam-me se há soluções para remediar isto. Direi que sim, mas isso não evitará os crashs continuados contra os muros. As pessoas só quando se esmurrarem novamente e várias vezes é que que entenderão, e só umas poucas, que o dogma vigente é que nos leva à perdição, pois não há salvação possível, e vamos sair dos próximos e sucessivos vindouros choques cada vez mais empenados.


segunda-feira, janeiro 06, 2020

in perpetuam rei memoriam


Foto de 28-12-2019


in perpetuam rei memoriam


“NESTE RESTO DO VELHO CLAUSTRO
DA SÉ ONDE TEVE O SEU BERÇO A SAN-
TA CASA DA MESIRICORDIA, MANDOU ES
TA IRMANDADE COM A DEVIDA PREMIS-
SÃO DO EX. CABIDO COLLOCAR ESTA
LAPIDE EM MEMORIA DO 4 CENTENA-
RIO DA SUA FUNDAÇÃO”

Assim gravadas numa placa de mármore fixa a uma outra de granito, toda ela cheia de verdete do musgo, ali no chão, onde caem os pingos chuva, encostada à parede do lado poente do claustro.
Abaixo da gravação no mármore que também se encontra esverdeado pelo musgo comum, onde parte das letras em baixo relevo já perderam a tinta negar que lhes dava algum realce original, cravado ao granito o logotipo da Santa Casa da Misericórdia do Porto feito em bronze, este ainda com a cor da patine de origem, composto de dois escudos lado a lado, sendo um dos escudos de Portugal e o outro da esquerda da Senhora que cobre com o seu manto misericordioso as muralhas fernandinas da cidade, encimado pela coroa de Cristo. Nas fitas entrelaçadas os dizeres “SANTA CASA DA MISIRICORDIA DO PORTO”.
Em baixo e em relevo está escrito a bronze, sendo este coberto pelo musgo que aumenta à medida que se aproxima chão húmido do tempo, o que torna difícil a leitura.
EM MEMÓRIA DO QUINTO CENTENÁRIO
DA FUNDAÇÃO DA SANTA CASA DA
MESIRICÓRDIA DO PORT
1499-1999
                                                                                    14 DE MARÇO
Uma placa comemorativa, tipo duas em uma, mais para indicar a permissão da sua localização na sua comemoração do quarto centenário, arrancada a uma parede do Claustro e agora pregada a uma outra de granito ali encostada, a para esquecimento desmemoriado pelas alterações das relações de poderes, e recordar que em tempos habitante do Paço era um autêntico monarca e o de hoje ainda o desejaria ser apesar da república que é a Santa Casa da Misericórdia do Porto lhe querer, mais uma vez, o tempo da fundação no espaço que há um controlo, e que assim fixa pelo chão do esquecimento, e não toma posse nem de uma parede sequer, pequeno espaço simbólico.
Hoje desmemoriam mais vinte anos que quatro séculos, que tudo é pó e desaparece.
Os sarcófagos em granito ali abertos, destampados, ao redor do claustro. Voltam a ser o que sempre fora, isto é, pedra de grão grosseiro talhada a malhete e ponteiro, apresenta-se ainda mais áspera, coisa que as máquinas de hoje conseguiriam da finura do usa e deita fora a uma rocha plutónica formada no início dos tempos dos magmas, em condições de temperatura únicas.
O pó dos que com pompa e circunstância repousaram naqueles sarcófagos, ele próprio perdeu a memória, indo a esmo pela cidade fora nas pontas das vassouras.

Ali está encostada cheia de verdete do musgo que se prende e afinca nos poros do granito que foi serrado naquelas potentes serrações mecânica para pedra. Se estivesse colocado do lado onde nasce o sol, como a Sé está orientada seguindo as leis da geometria da construção, ainda apanharia o sol do meio-dia ao ocaso. Mas não, está do lado poente onde a humidade da tarde se acoita vinda da neblina que demora a sair do Douro pela manhã, e só se espanta lá pelo meio-dia. A placa de granito não tem furos de fixação, nunca foi para a parede como foi a de mármore agora solidária a ela. Talvez nem fosse para ir para a parede.

Um dia destes, todo aquele claustro irá sofrer uma limpeza, um rearranjo para aquela exposição comemorativa a céu aberto. Levará a barrela devida, que de apoios ninguém é servido, e tudo será limpo. E enxaguado. A placa dupla sairá dali para se limpa a agulheta de água a alta pressão que levará para o bueiro o musgo que a cobrirá e o que resta da tinta negra nas gravações em baixo relevo, tudo para o encontro subterrâneo de outros escoadouros, direito ao rio e ao mar.
Ficará limpa e encostada a uma parede do estaleiro das limpezas, poiso provisório, à espera de outro destino. As obras continuarão, e na data de inauguração desse evento futuro teremos a ordem usada do “ fora de cena quem não é de cena”, e terminará a existência da memória do quarto e do quinto centenário que, com a devida permissão do Cabido, estava encostada à parede do lado ocidental do Claustro da Sé do Porto.
Ninguém mais se lembrará de tal coisa, com a memória esfumada há muito, pela poeira do Mundo.