segunda-feira, outubro 18, 2010

Um fim de semana outonal

Juntar agulhas no pinhal do quintal
Tempo de construção
Mercado da Tocha
A guitarra de Anthero da Veiga

quarta-feira, outubro 13, 2010

Pedro Caldeira Cabral - Variações em Lá menor (Armandinho)

No comments

“O problema do Estado está na sua cultura, uma cultura de décadas em que ganharam os mais espertos e perderam os mais inteligentes, ganharam os mais manhosos e perderam os mais capazes, ganharam os mais cobardes e perderam os mais corajosos, ganharam os mais servis e perderam os mais honestos. É uma cultura onde não se premeia o valor, a honestidade, a inteligência ou a capacidade, premeia-se sim a subserviência, o servilismo, o silêncio e a obediência ao chefe. É este o resultado de décadas de domínio do aparelho de Estado por gente que por não ter valor recorrer às estruturas partidárias para vencerem na vida, e venceram.”

terça-feira, outubro 12, 2010

Mulheres de calças

(Clicar na imagem para aumentar)
Corria o maravilhoso ano de 1969. A questão era se era legal as mulheres usarem calças. É ler porque se trata de um artigo muito interessante para perceber como era a sociedade portuguesa há 41 anos.

Construções

(Bandolim brasileiro)
(Bandolim brasileiro)
(Guitarra portuguesa)

segunda-feira, outubro 11, 2010

O que levava a mala?

Quem conhece o dono da mala?

Pelo que leva na mala se conhece o dono.

Metais fantásticos

O ar do mistério paira sobre a forja, sobre a metalurgia do caldeamento. Naquele casebre da forja sobre o Cimo do Monte do Cabeço há uma técnica qualquer de feitura do metal. Ali se deve fazer novos metais, novos metais fantásticos. Mas ali não há magia negra, não pode haver, pensa o vigário, pois um homem de mãos calejadas que nunca invoca o maligno para fazer o que faz, só pode ter a seu lado a sabedoria divina. Nunca ele, um sabedor das escrituras, iria levar ao Pátio o mestre metalúrgico tão útil para a obra de Deus, apesar de o nunca ter visto a rezar.

quinta-feira, outubro 07, 2010

Areias da Gândara

O terramoto de 1755 esteve no virar de página no pensamento em Portugal e na Europa da época. As certezas em que estava apoiada a sociedade ruíram com o desabar das paredes das igrejas, no auto badalar dos sinos no dia de 1 de Novembro de 1755 e nas réplicas que se lhe seguiram.
Tal como agora, na época Portugal era Lisboa. Foi aí que o poder concentrou esforços. A restante paisagem foi seriamente danificada quer pelos abanões físicos, sociais e ideológicos, quer pelo maremoto que varreu toa a costa de Norte a Sul e Algarve.
Na minha opinião, as areias da Gândara foram resultado desse cataclismo que veio do mar, o maremoto ou tsunami como agora lhe chamam, que deve ter galgado todo o cordão dunar da época, entrando terra adentro e recuando, alterando toda a linha da costa, colocando assim enormes bancos de areia estreme à disposição do vento.
Só passados mais de 150 anos é que se pensou em semear a actual Mata da Tocha.

sexta-feira, outubro 01, 2010

Inundação

Vivemos no resultado das decisões tomadas ao longo destes últimos 30 anos pelos que alegremente têm entrado no clube dos que comem da gamela e que por lá continuam à calada, isto para que nem se saiba. Agora, alguns até rasgam as vestes em público fazendo a figura de virgens ofendidas.
Os impasses existem, são coisas que acontecem, mas se as decisões que afectam o colectivo são suportadas na questão eleitoral quer tecnicamente, quer temporalmente, eu não gosto mesmo nada, especialmente quando me sinto afectado.
Sabemos do desmesurado número de funcionários públicos, mais grave ainda, o excedente de determinadas áreas ou serviços que não poderão compensar os défices de outras pois as exigências actuais não foram acauteladas. O passado foi a máxima JAE, isto é, o Já Arranjei Emprego, como exemplo temos o ministério da Agricultura e o seu número de veterinários e técnicos de agricultura a trabalhar na cidade de Lisboa, enquanto os dinheiros da PAC vinham para restaurar, isto é, para acabar com a agricultura especifica da nossa ruralidade.
Este é só um exemplo do ter acesso ao funcionalismo público via cartão de militante do partido, onde o campeão e primeiro responsável máximo foi o professor Cavaco. Este campeão que por aí ainda tem muitos, mesmo muitos que lhe devem favores e fortuna, foi seguido pelo engenheiro Guterres, o mimetismo dos que vivem na babuje. O pior está aí com o tomar desta prática como useira e obrigatória nas autarquias no garante da reeleição, suportadas em actividades de coisa nenhuma, sorvedouros dos dinheiros locais em rotundas floridas, onde as autarquias, empresas municipais e associações a que politicamente a teia do poder se foi ligando, passaram a ser o maior empregador local. Até a feitura das diversas listas às eleições, desde os efectivos aos suplentes, foram encaixadas e alinhadas neste procedimento.
Quebrar estas redes de ferromonas é o mesmo que dizer que o rei, ou melhor, os muitos reizinhos que por aí se criaram, vai nu, e pior ainda não tem nada de jeito para mostrar. Os elementos dos órgãos de poder, quer de decisão, quer de aprovação e controlo, desde a Assembleia da República até à Assembleia de Freguesia, estão castrados pelas ferromonas do pequeno favor, da pequena promessa disto ou daquilo, deste ou daquele, suportadas sempre na lavagem existente na gamela que todos municiamos, umas autênticas vidinhas do ámen, a figura de estar presente.
Assim, por estas orbitais complexas dos vários poderes todos se embrulham numa aleatoriedade que nem equação de Schrödiger resolve, negam a realidade, vivendo na lógica de assumir o papel que tudo está correcto, pois no papel a bota bate com a perdigota, e isso é que é preciso. Vive-se um tempo de cobardia, onde o grupo castra o indivíduo, onde poucos resistem a este negar da realidade que é a castração pelas ferromonas, forças de Van der Waals e ligações de hidrogénio que mantêm o obsoleto castelo de cartas erguido.
Um dia a casa vem abaixo, se já não está a cair neste momento. Nesse momento ficarão a olhar uns para os outros, se já o não estão a fazer, a tal figura que faz quem não entende, ou não quer entender que já não há pão para malucos, que não se pode tirar de onde há, a tal figura de parvo.
Numa análise racional e sem aquela moral estúpida que por aí vinga, chego à conclusão que a coisa está preta do quanto mais tarde cair o edifício mais caro me fica.

Dia musical

Instrumentos medievais reconstruídos a partir do originais em pedra da Sala Sinodal do Paço de Gelmírez (séc. XIII) em Compostela. realizado polo Obradoiro de instrumentos musicais da deputaçom de Lugo.

Cantiga de Amigo por Paulina Ceremuzynska.

"Mandad'ey comigo ca ven meu amigo:

E irey, madr', a Vigo!

Comigu'ey mandado ca ven meu amado:

E irey, madr', a Vigo!

Ca ven meu amigo e ven san' e vivo:

E irey, madr', a Vigo!

Ca ven meu amado e ven viv' e sano:

E irey, madr', a Vigo!

Ca ven san' e vivo e d'el-rey amigo:

E irey, madr', a Vigo!

Ca ven viv' e sano e d'el-rey privado:

E irey, madr', a Vigo!

quarta-feira, setembro 29, 2010

Quem os soldou?

Os dois pedaços têm que estar à mesma temperatura, com o mesmo calor já que são feitos da mesma liga, e assim se ligam com mais facilidade, pois são do mesmo sangue, da mesma família.
Como é que tu sabes que eles, ambos os dois, estão com o mesmo calor se estão tão quentes, num queimo que tudo abrasa? Sei só de olhar. Sei pelo claro da cor do ferro em brasa. Cada família de ferro tem a sua cor que anda ao redor do rubro branco, todas diferentes, e depois começamos com a dança entre a bigorna e forja. Põe esse avental de cabedal e aquele chapéu de aba larga, aquele desabado. Esse mesmo!
Adicionar imagem E a areia?! Para que queres tu que eu te dê a areia? É que tenho que estar atento ao rubro de cada pedaço. Tenho que atrasar um para esperar pelo outro. Atraso um dando-lhe areia enquanto o outro está mais perto da forja. O fole! Não pares com o fole, que eu darei pancadas com o martelo no corno da bigorna, o sinal para que tu me dês a outra ponta à calda. Aqueces primeiro o pedaço que arrefece mais devagar, esse maior. Com a areia eu o atraso à espera do outro, aquele ali que vai abocanhar este em ponteiro. Malha com força, mas só quando eu disser.
Força! Bate sempre assim. Está quase. Dá um pouco mais de areia para atrasar esta parte. Isso mesmo! Assim, …
Já está! Até parece milagre! Quem os soldou? Foi o fogo, a areia e o malho na mão, mas o diabo os passou pelo chão.

segunda-feira, setembro 27, 2010

Foi no Domingo passado na Praia da Tocha

Limpezas auto na duna junto ao passeio entre o bar do norte e os pescadores.

sexta-feira, setembro 24, 2010

O caír da parra

“A romaria começou cedo. As fans de Tony Carreira honraram a tradição, guardando lugar junto aos portões de acesso ao recinto logo ao início da tarde. Algumas, porém, anteciparam a chegada a Cantanhede e pernoitaram nos parques de estacionamento. Só visto!”

Este delicioso pedaço de escrita pode ser encontrado no sítio da Câmara Municipal de Cantanhede. http://www.expofacic.pt/node/89
Se o povo assim quer, assim será!
É o que me dizem, e assim será o que se fará para próximo ano.
O financiamento dos Tony Carreira, dos Quim Barreiros e outros do tipo pelos orçamentos camarários, isto é pelos nossos impostos e taxas, é contribuir para muitos e outros défices.
É o que povo quer, ouço dizer, mas será o povo tem outras ofertas? Quando existem, há logo um por abaixo com o argumento que não é popular.
Até parece que a Vereação da Câmara Municipal trabalha um ano inteiro só para uma semana de festa, a importância de chamar o povo.

quarta-feira, setembro 15, 2010

domingo, setembro 12, 2010

Leituras

«Outros que não eu teriam falado de «raízes» … Não emprego esse vocabulário. Não gosto da palavra «raízes» e da imagem ainda menos. As raízes enfiam-se na terra, contorcem-se na lama, crescem nas trevas; mantêm a árvore cativa desde o seu nascimento e alimentam-na graças a uma chantagem: «Se te libertas, morres!» As árvores têm que se resignar, precisam das suas raízes; os homens não. Respiramos a luz, cobiçamos o céu e quando nos metemos na terra é para apodrecer. »

sexta-feira, setembro 10, 2010

José Craveiro

Zé do Arménio

José Craveiro (Zé do Arménio) esteve no Escoural, na festa da aldeia. Ao lado do Zé do Arménio estamos sempre em festa. Esteve entre nós o poeta, cantador, bailador, contador de histórias, mestre em curar usando as ervas medicinais, um homem de bons companheiros e de imensa sabedoria. A festa do Escoural esteve cheia de magia.

quinta-feira, setembro 09, 2010

Viciados em crescimento

Os modelos que não servem foram ou são modelos de que alguns se serviram ou servem, com prejuízo de muitos outros. Se só às vezes se consegue explicar aceitavelmente o passado, falha-se quase sempre na predição do futuro, isto porque estamos formados e educados no crescimento económico como sendo coisa tão natural como ar que respiramos.
Esquecemos a lei da população de Malthus quando as condições tecnológicas se alteraram, o que levou ao conceito de crescimento contínuo e sustentado. Apesar dos ganhos de eficiência no aproveitamento dos recursos, neste conceito de crescimento, não conseguem impedir o seu esgotamento e a degradação ecológica a nível global. Existem limites naturais e sociais ao aumento da riqueza neste crescimento que nem a alteração do regime de posse da propriedade resolverá o problema, muito menos a exportação de capitais, pois a procura da energia nesses recursos tem limites neles próprios, somando o desperdício, poluição e rendimento energético. Os conflitos pelos recursos estão aí, são do nosso conhecimento.
Não existe uma solução, mas olhar o mundo à nossa volta de outra maneira, outra maneira de interpreta a realidade, redefinir os conceitos de riqueza e de pobreza, de abundância e de escassez, talvez fosse uma ajuda, um dos muitos pontos de partida. Contra temos os políticos que têm sido e são uns paus mandados neste cartel que vicia as pessoas em crescimento, suportado na falsa capacidade de regeneração do planeta.
Estamos viciados em crescimento. Todos nós sabemos disso.

sexta-feira, setembro 03, 2010

Fibonacci e a Economia

O crescimento económico é a actual religião dominante na qual fomos e estamos a ser educados continuamente. Crescer é imperativo, e até uma décima percentual na estatística é arma de arremesso nos palcos da política.
A crise que sofremos é económica, financeira, ecológica, social e especialmente cultural. O nosso rendimento per capita aumentou e a nossa satisfação diminui. Apesar de os bens consumidos estarem mais acessíveis agora que no passado, gastamos muito mais energia para os ter à nossa disposição. É aqui que começa o ponto de ruptura.
Se o caracol crescesse continuamente, o peso da sua concha o esmagaria.
Os ateus do crescimento económico têm agora uma janela cada vez maior de intervenção. Para começar é reavaliar tudo, substituindo os valores dominantes por outros mais benéficos.
Vá lá, mexam-se!

quinta-feira, setembro 02, 2010

sábado, agosto 28, 2010

Arqueologia

Eis um achado arqueológico nos arrumos da minha casa.

sexta-feira, agosto 27, 2010

quinta-feira, agosto 26, 2010

quarta-feira, agosto 25, 2010

São coisas que acontecem

Há uma evidente irracionalidade nestes momentos vividos pela nossa sociedade. Até as férias são exemplo disso, quando se tornam mais cansativas e para as pessoas no regresso a casa aumenta a irritação, o antecipar do Outono em coisa cada vez pior.
É no final das férias que as crises familiares se acentuam. Felizmente o início do futebol salvador foi antecipado nos últimos anos. Na obrigatoriedade das festas que na Gândara começam com a Expofacic e terminam com a festinha da terra, estas que já estão a perder a pouca graça que tinham, encontramos o Verão cada vez menos estival e mais automobilista a aproximar-se para um Outono cada vez mais deprimido.
Os noticiários televisivos, formatados, repetem-se de ano para ano desde os fogos até às contratações do Benfica.
Durante este tempo dito de férias fui umas cinco vezes, se tanto, ao areal da praia da Tocha, e este estava pejado de beatas de cigarro e cagalhões de cão. O civismo não funciona e ao fim da tarde uma fila de automóveis entupia a estrada, a debandada diária.
Fujo deste tempo de um dia atrás do outro e igual aos anteriores. Fujo de um calendário moldado pelas férias. Aguardo a salvadora chuva de Outono que trará consigo a lavagem deste ar.
São coisa que acontecem.

segunda-feira, agosto 23, 2010

A Silly Season possível.

Não senti quaisquer resistências para reinício do trabalho após período chamado de férias. Um sinal que o tempo passado foi de descanso físico e nem só, dedicado à gastronomia e sua confecção, quase sempre peixe grelhado, daquele fresquinho que a sorte me tem servido de coisas simples e pequenas sem as frivolidades da chamada Silly Season.
Um tempo usado para manter os contactos profissionais e projectos em curso, pois do outro lado não estão de férias, ou melhor, colocam-nos a trabalhar e vão de férias logo a seguir, assinar a escritura de permuta de terrenos entre a Associação do Escoural e a Câmara Municipal de Cantanhede, uns curtos passeios pela Borda do Mar, e de vez em quando de estudo da peça Flores em Abril do mestre Octávio Sérgio.
Na Praia da Tocha, onde assentei arraiais, ainda falta a conclusão dos nove apoios de praia no âmbito do Plano de Ordenamento Costeiro, aprovados por unanimidade pela Câmara Municipal Cantanhede em 2001, assim como a conclusão do hotel de cinco estrelas aprovado faz tempo, cujo terreno já atribuído pela Câmara ainda há mais tempo, segundo dizem.
Devido ao aquecimento global vender nevoeiro ensacado será um bom negócio.

terça-feira, julho 27, 2010

Leitura para as férias

O peido que a nêga deu quase não passa no cu
A nêga tinha comido
Da panela de um cigano
Pimenta, sebo e tutano
Cebola e peba dormido
Foi tão grande o estampido
Que se ouviu no Pajeú
Toda praga de urubu
Da caixa prego desceu
O peido que a nêga deu
Quase não passa no cu
Na fazenda Gado Brabo
Num casamento que havia
Comeu tanto nesse dia
Mocotó, feijão, quiabo
Meia noite abriu do rabo
Defecando o que comeu
Toda prega se rompeu
Na porteira do baú
Quase não cabe no cu
O peido que a nêga deu
Quando o peido quis fugir
As tripas se revoltaram
E o cu do peido vedaram
Para o peido não sair
O peido não quis pedir
Mas o cu se arrependeu
O peido inchou e cresceu
Do jeito de um cururu
Quase não cabe no cu
O peido que a nêga deu
cu seboso e vagabundo
O peido tinha razão
Um fundo fazer questão
De um peido passar no fundo
Mais veloz como um segundo
Esse peido endoideceu
Fez finca-pé no "suru"
Quase não cabe no cu
O peido que a nêga deu
Depois da grande explosão
A nêga se aliviou
A meninada apanhou
"Caco" de cu pelo chão
Pano de fundo e botão
Caroço e casca de umbu
Uma chibata de angu
Do entre perna desceu
O peido que a nêga deu
Quase não passa no cu
Não foi brincadeira não
Quando o rabo estremeceu
O peido que a nêga deu
Ribombou como um trovão
Ela firmou-se no chão
No tronco de um mulungu
Levantou o mucumbu
Abriu a tripa gaiteira
Quando o peido fez carreira
Quase não passa nu cu
Ela não tem cerimonha
De peidar seja onde for
Me disse Joaquim, senhor
Que essa nêga senvergonha
Viciou-se na maconha
Mocotolina e pitu
Bebe mais do que timbu
No samba de Zé Bedeu
O peido que a nêga deu
Quase não passa no cu
Quase não pode passar
O chefe da caganeira
O peido encontrou barreira
Deu vontade de voltar
Pois quem quer se libertar
Enfrenta até canguçu
Depois do maracatu
A dona do cu gemeu
O peido que a nêga deu
Quase não passa no cu
Eu não conheço valente
Por muito brabo que seja
Que não peido na peleja
Vendo o perigo na frente
Com o medo que a gente sente
Mais ligeiro o peido vem
Empurrado por xerém
Cebola, feijão, quiabo
Dizer na porta do rabo
O valor que o peido tem
No mundo não há ninguém
Pra saber mais do que eu
O valor que o peido tem
E o peido que a nêga deu
A nêga peidou peidou num trem
Que ficou de bunda pensa
Um nêgo pediu licença
Soltou um peido também
A nêga disse meu bem
peido grande só o meu
Vale por trinta do teu
Peidei melhor do que tu
Quase não cabe no cu
O peido que a nêga deu
Assim que o peido passou
Fez a nêga uma careta
A bunda ficou mais preta
O cu abriu-se e fechou
Um chifrudo perguntou
O que foi que aconteceu?
Um veado respondeu:
Ainda não sabes tu!
Quase não cabe no cu
O peido que a nêga deu
O peido é coisa comum
Chega para todo mundo
Mas de não passar no fundo
Talvez não haja nenhum
Quando a nêga soltou um
Fedendo a defunto nu
Não escapou urubu
Quem tinha venta perdeu
O peido que a nêga deu
Quase não passa no cu
peido não sabe o que faz
É comum cego sem guia
Quase o peido não saía
O volume era demais
Para passar por detrás
Foi tão grande o sururu
Entre castanha e caju
O caju foi quem venceu
O peido que a nêga deu
Quase não passa no cu
Assim que o peido gritou
Na chapeleta do fundo
Na quadratura do mundo
A voz do peido estrondeou
Velho Amazonas deixou
De lutar contra o Xingu
A preta cor do muçu
Disse ao peido o mundo é teu
O peido que a nêga deu
Quase não passa no cu
Se famoso quis ficar
Dante sofreu na comédia
Shakespeare, na tragédia
Camões em gôa a nadar
Teve Homero de cantar
Os feitos da raça grega
A que ponto o mundo chega
Um peido eterno ficou
Depois que imortalizou
Uma nêga e o cu da nêga
(Otacílio Batista Patriota )
Poeta repentista, nasceu a 26 de setembro de 1923, na Vila Umburanas, São José do Egito, sertão pernambucano do Alto Pajeú.

De boas intenções está o inferno cheio

Ouvi a notícia que a Segurança Social vai cancelar o apoio aos beneficiários do Rendimento Social de Inserção (RSI), entre os 18 e os 55 anos, que recusem "emprego conveniente", trabalho socialmente necessário ou propostas de formação.
Espero para ver se o Poder Local que com eles negociou o Rendimento Mínimo terá a capacidade de os colocar a trabalhar, ou se estes só aparecerão a limpar umas valetas e a alindar rotundas uns meses antes das eleições Locais, tal qual aconteceu há um ano atrás.
Uma parte da pobreza em Portugal anda de mão dada com a falta de vontade de trabalhar, isto é a falta de princípios éticos que encontramos até na gabarolice no dizer publicamente quanto recebem. Há grupos sociais onde uma boa parte dos seus membros nunca chegam a trabalhar em toda a sua vida, vivendo de expedientes, onde o Poder Local pratica um negócio de caridade e troca de votos. Pior ainda, dá-se azo a que encontrarem excelentes soluções para viverem à custa dos que trabalham e que, não raras vezes, ganham menos do que eles.
Temos por esta Gândara desse pobres que são verdadeiros novos-ricos ao pé de outros pobres que não tendo a etiquetas de pobre, trabalham e os sustentam.
De boas intenções está o inferno cheio.

sexta-feira, julho 23, 2010

Leis Universais para Engenheiros Ingénuos

Leis Universais para Engenheiros Ingénuos do Comité de Recomendações Práticas da Sociedade Internacional de Engenheiros Filósofos.
1. Em qualquer cálculo, qualquer erro que se possa introduzir, introduzir-se-á.
2. Qualquer erro em qualquer cálculo irá na direcção do maior dano possível.
3. Em qualquer fórmula, as constantes (especialmente as que se obtêm nos manuais de engenharia) devem ser tratadas como variáveis.
4. A dimensão mais vital de qualquer plano ou desenho é a que tem mais probabilidades de ser omitida.
5. Se apenas uma requisição puder ser assegurada para qualquer projecto, o preço estará para além do razoável.
6. Se uma instalação de teste funcionar perfeitamente, toda a produção de unidades subsequentes funcionará mal.
7. Todas as promessas de entrega devem ser multiplicadas por um factor de 2.0.
8. As maiores alterações ao produto serão sempre requeridas quando o fabrico estiver quase concluído.
9. As peças que pura e simplesmente não puderem ser montadas pela ordem errada, sê-lo-ão.
10. As peças intercambiáveis, não o serão.
11. As especificações de desempenho do fabricante devem ser multiplicadas por um factor de 0.5.
12. As especificações anunciadas pelos vendedores devem ser multiplicadas por um factor de 0.25.
13. As instruções de instalação e de operação enviadas com o aparelho serão imediatamente deitadas fora pelo Departamento de Compras.
14. Qualquer aparelho que exigja reparação ou manutenção será o menos acessível de todos.
15. As Condições de Assistência Técnica mencionadas nas especificações serão sempre ultrapassadas.
16. Se mais de uma pessoa for responsável por um erro de cálculo, ninguém terá a culpa.
17. Unidades idênticas que passaram com os mesmos resultados nos testes não se comportarão de forma idêntica quando em campo.
18. Se, na prática da engenharia, um factor de segurança for definido por meio da experiência do serviço a um dado valor, um tolo engenhoso calculará imediatamente um método para exceder o factor de segurança mencionado.
19. As cláusulas de garantia perdem a validade contra o pagamento da factura.

segunda-feira, julho 19, 2010

O Ladrão e o Cão da Casa

Querendo um Ladrão entrar em uma casa de noite para roubar, achou à porta um Cão, que com ladridos o impedia.
O cauteloso Ladrão, para o apaziguar, lhe lançou um pedaço de pão.
Mas o cão disse: Bem entendo que me dás este pão por que me cale, e te deixe roubar a casa, não por amor que me tenhas: porém já que o dono da casa me sustenta toda a vida, não deixarei de ladrar, se não te fores, até que ele acorde, e te venha estorvar. Não quero que este bocado me custe morrer de fome toda a minha vida .
(Furtado por aí)

terça-feira, julho 13, 2010

O deserto da Gândara

O deserto existe e avança aqui na Gândara.
Não é uma questão de mais ou menos chuva, de mais ou menos Inverno, pois só pelo facto do lavadouro da Ti Esquina Santa estar cheio de água em pleno Maio como este ano esteve, não foi o agravar da desertificação da Gandara adiado por mais um ano.
A desertificação da Gândara não se tem limitado à degradação dos solos com a destruição das dunas, que podemos ver nos mapas do Google, ao entulho espalhado a esmo que um dia de limpeza folclórica não resolve e só serviu de lavagem consciência do tipo ida á missinha, nem à degradação estritamente ambiental e geográfica, mas sim a grande parte do território gandarês e sua população activa que foi deixada ao abandono. Um mundo rural excluído da Política Agrícola Comum, definhado, resultado das negociações e gestões de ajuda comunitárias, a subsidio-dependência, tal qual todo o País Rural.
Para a Gândara rural, excluída da “agricultura moderna”, nem restou a criação de porco e galinha, ou a continuação do cultivo da horta. A floresta, parte integrante do processo agrícola gandarês, foi abandonada, estando em final de linha o seu conceito tradicional de propriedade. Galifões já estão a afiar o dente e o moto serra para abocanharem uma das poucas riquezas da Gândara, que é o uso da terra, pagando tuta-e-meia ao proprietário, sempre acenado com a bandeira de investidores e criadores de riqueza.
Existirão saídas minimamente airosas que venham a contrariar estas previsões tão negras?
Direi que sim, que são várias as saídas, mas muitos mais serão os caminhos que os gandareses terão de buscar.
Mas é preciso alertar para os cantos de sereia dos que se tem governado e se vão governando, e dos que se preparam para dar a golpada com o afunilar do quanto pior melhor que vai aplanando os caminhos dos salvadores, esses esfomeados sem Ética.
Hoje, apesar do sol, ando com nuvens negras!

segunda-feira, julho 12, 2010

domingo, julho 11, 2010

A Guitarra e o Músico

Mestre Paulo Soares abraça a Guitarra de mestre Alves André.

sexta-feira, julho 09, 2010

Tapar e encher

(roubado a autor identificado)
Há uma enorme diferença entre tapar o buraco e encher o buraco. Para encher o buraco era necessário primeiro tapar o dito, e do fundo da gamela muitos chupam. Lá no fundo escuro há muitos que não querem e não deixam ver os tubos ladrão que por lá existem.
O chamado crescimento do PIB não é só por si uma saída airosa.

quarta-feira, julho 07, 2010

Ir à bosta com um cesto

Rimar trabalho com orvalho será uma saída quando se fala para não dizer nada, enquanto se anda à bosta com cesto neste tempo de vender tudo, até a mãe se derem dinheiro por ela.
Quem irá segurar nas asas do cesto que transporta a moinha serão os mesmos de sempre, pois é à moinha que vamos cantando e rindo, a caminho do céu desse deus mão invisível que acena com crescimentos e ganhos para todos, mas que será só para os eleitos.
Ir à moinha foi prática na Gândara até às décadas de sessenta e setenta do século passado. Constava na recolha manual da bosta largada pelo gado ao longo dos caminhos. Foi um produto valioso para a fertilização das finas e pobres areias gandaresas. Ir à merda com um cesto foi prática que deu proveitos imediatos para a produção de riqueza local.
Na Gândara, bosta foi um símbolo de riqueza. Daí a célebre frase de ter mais dinheiro que merda.

terça-feira, julho 06, 2010

Pois!

quarta-feira, junho 30, 2010

Nabos em dia de marchas

Nabos em dia de marchas.
A guitarra também serve para tocar nas marchas de S. João.
(recebido por email)

terça-feira, junho 29, 2010

Parabéns ao Mário da Orima

Mário de Almeida, um gandarês empreendedor.

segunda-feira, junho 28, 2010

Tertúlias

(foto de Paulo Tavares)