«Sabes o que me lembra este céu? Mais ou menos: a guerra dos astros. Tal e qual. A guerra dos mundos. Um sol maléfico, que tenta destruir a maquete, e sete planetas menores que tentam defendê-la.» [Finisterra, Carlos de Oliveira]
Houve tempos em que eu, todos os Sábados comprava o semanário Expresso, ou melhor, tinha-o reservado na papelaria da D. Dulcínia, na Tocha. Eram uns tempos de bons e fiáveis conteúdos jornalísticos que serviam de alimento ás conversas. Era o tempo da urbanidade a sobrepor-se à ruralidade.
Acontece que a coisa se desvaneceu com as excessivas campanhas de marketing, o excesso de cadernos e mais cadernos, passando o Expresso a Espesso, acabando eu com a reserva do semanário.
Hoje é o que se vê: a programação informativa piorou, em especial nos canais televisivos, e pior, ainda piorou a fiabilidade da informação. O que interessa é dar a notícia rápido, pois o que conta é a velocidade sem olhar á fiabilidade. E depois são os DVDs, os livros para colecção, a menina bonita no suplemento, …., aquela treta toda que se leva para casa por mais uns euros. O jornalismo de suporte papel, semanários e diários nacionais e generalistas, os ditos desportivos (tantas notícias sobre não futebol), andam numa fase de não fiabilidade e então, os jornais locais e regionais andam pelas ruas da amargura em termos de credibilidade, em que não há praticamente nenhuma notícia que seja minimamente correcta, e sem de deixar de servir a quem paga por elas, dadas as suas dependências de poderes vários e obscuros.
O que eu quero de um jornal escrito, e eu posso estar enganado, é uma informação mais especializada, fidedigna sobre um determinado assunto do meu interesse.
É claro que a Liberdade anda por aí, algures, num espaço libertário global, e dado que a tinta do papel de jornal não é aconselhável em termos higiénicos e sanitários, aconselho que o enviem, sempre, para reciclagem.
Os trânsitos de Vénus de 2004 e da ISS-Estação Espacial Internacional e do vaivém Atlantis em frente ao Sol.
Jeff Davis no vibrafone, com uma técnica apuradíssima e a percorrer os novos e belos caminhos do Jazz.
O Outono tem destas coisas! Leva-nos para um espaço mais íntimo em pleno coração da Gândara.
A Escola não tem sido mais do que depósito de crianças, adolescentes e jovens, onde os pais se despiram das suas responsabilidades de educadores.
Assim, a mudança urgente deste estado de coisas peca por tardia, e tardia tem sido mais por receio do odor em mexer na coisa do que o desconhecimento dessa urgente necessidade.
Ora, este assunto está muito para além dos que se apelidam a si mesmo de agentes do ensino, que há muito não têm feito mais do que culpar aquilo a que chamam sistema, e que na prática são engrenagem deste. Mas quando toca a mudar qualquer coisa, vem o coro dos instalados, que tudo deve mudar mas com a condição da charneira ter como lugar geométrico o seu próprio umbigo, quando ouço coisas tais como, " se a ministra quer assim, estou-me nas tintas".
Confesso que já nem tenho paciência para ouvir, muito menos ver, o comentador, analista, professor universitário, Conselheiro de Estado, fazedor de factos políticos que se dá ao luxo de dar notas a tudo e a todos, que lê todos os livros, que domina o futebol e as feras e outras coisas mais que nem ele sabe nem eu imagino.
Confesso que o ouvia quando ele fazia um programa na TSF, há uns 10 anos ou mais. Mas de há um bom par de anos para cá, o professor tem demonstrado que sabe demais e de tudo, e eu não consigo acompanhar aquela espécie de homilia dominical, pregação com areia demais para a minha paciente camioneta.
Um regime que caiu devido a uma queda da cadeira, e os herdeiros do partido único passaram de um momento para o outro de nacionais a democratas, tal qual décadas antes passaram a ser republicanos via telégrafo.
No entanto, em plena ruralidade o tempo ainda anda fixo e ancorado a teias de velhos poderes de capelinha, teia longa e complicada, suportada na subserviência . É claro que os rituais e liturgias têm mudado, assim como os santos protectores, mas encontrar pessoas a assumir a história tal como lhes foi imposta muitas décadas atrás, sem qualquer análise ou questão críticas, é o que me espanta e admira, especialmente daqueles nascidos há menos de 30 anos.
Terá a Democracia sido pouco republicana ou a República pouco democrata?
Histórias de favas contadas ainda proliferam por aí!
Lendo os outros , mas mais me sinto a partilhar a ideia de Miguel Torga de tomar partido pela liberdade e só pela liberdade, e não seguir uma ideologia que por definição não passa de um pensamento formatado.
Não pode existir presos político bons e presos políticos maus. Ou se é livre, se trabalha para ser livre e se está com a liberdade, ou não. Vir agitar a bandeira da liberdade e ter como convidado e amigo quem a não respeita, pratica o rapto e o negócio de droga, calando e ignorando, pois também é criminoso quem o sabe e cala, me leva a dizer que essa abençoada santa liberdade não mora em tais santuários, nem me sinto impelido em os visitar.
A demagogia é a vaca que o demagogo trata com todo o cuidado. Esta pasta e engorda no prado da ignorância não conscientemente assumida. Neste nicho ecológico se desenvolve toda uma cadeia alimentar complexa de que vive o demagogo. E só em se falar emagrecer a vaca, logo um coro de revolta se levanta como se tudo fosse ruir, desde a economia à civilização.
Se metade das ofertas de emprego ficam por preencher, como se pode falar em pleno emprego? Ou então vamos considerar como emprego o desemprego profissional?
Mas nem tudo corre mal . O Presidente da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica, António Nunes, tem mostrado como se faz um país a sério. Ao contrário de tantos outros serviços de fiscalização onde se segue uma política de fechar os olhos, quando não de pura corrupção, a ASAE tem actuado com rigor e determinação na aplicação da lei. Finalmente temos uma entidade que defende a população contra os mixordeiros e os que colocam em risco a saúde pública. Contra os que vendem gato por lebre e os que não cumprem as regras mínimas de segurança.
O último caso foi exemplar. Na sequência de uma vistoria mandou fechar a discoteca Klube e o restaurante Kasablanca em Vilamoura por flagrante falta de higiene. O administrador do grupo, mal habituado, não só não cumpriu a ordem como convocou o jet-set, que pelos vistos não se dá mal com a imundice, para uma grande festa. Foi preso.
Portugal precisava de mais uns quantos Antónios Nunes.
Recebo na caixa do correio este pedido para ceder, ainda que temporariamente, testemunhos e objectos de valor documental, para que se proceda ao seu registo fotográfico e catalogação.
É um tímido começo para um projecto que não passa de uma cópia do trabalho que os grupos etnográficos já fizeram. Sugeria que em vez disso, fosse lançado um alto patrocínio a trabalhos de outro ordem, desde o fomentar a leitura das obras de Carlos Oliveira nas escolas secundárias, apoiar a edição de obras literárias de escritores gandareses e bairradinos (lembro as obras que Idalécio Cação tem para publicar) , assim como estudos histórico e arqueológicos (lembro os trabalhos de Mário Oliveira), entre outros.
É que a memória não é só o amontoar de artefactos. Se não for vivida não tem elos para o futuro.
O diário asbeiras informa sobre o que há muito se vê e se sabe : Lojas fechadas e corredores vazios é o cenário de alguns centros comerciais. A crise, a concorrência das grandes superfícies, ou a falta de divulgação são algumas das causas.
Neste tempo de mudança rápida, em que o perceber a mudança se torna mais valia, aparecerem aqueles que propõem a protecção deste ou daquele sector condenado pela roda avassaladora, é propor mais do mesmo, isto é fazer chover no molhado.
Claro que existem as modas, os fluxos, mas culpar estes e aqueles, não passará de mais uma prova de quem não está a perceber a mudança.
Não seria tempo de os centros comerciais em causa mudarem o tipo de utilização do espaço? Não seria essa abertura à mudança, também opção do poder local?
É que estamos na era da bricolage!
Os Beatles decidiram acabar com os espectáculos ao vivo devido às más condições tecnológicas da época, que impediam tocar as músicas com qualidade acústica e assim passavam a dedicar o seu tempo a gravações em estúdio. O último concerto ao vivo foi há 40 anos.
E penso que foi esse o primeiro passo para o fim da banda.
Vejam a longevidade dos Rolling Stones e dos Xutos. Vejam como o sal do público, do tocar ao vivo, tempera e ajusta o sabor, o toque do momento único, que torna a vida bela e única.
E as férias terminam sem graça, sem interesse e sem apoteose, apesar da alguma ânsia inicial na evasão.
As férias têm momentos que até parecem irracionais. Talvez tenham sido inventadas por algum professor, farto até aos cabelos de aturar os filhos dos outros.
Mas é o actual modelo da nossa sociedade, em que estar de férias é obrigatório, que as torna cansativas e irritantes, pois é aí que aparecem as filas de transito, os horários, etc., etc.,...
A Câmara Municipal de Coimbra aprovou uma postura municipal que visa impedir a circulação de resíduos industriais perigosos para co-incineração na cimenteira de Souselas. Parece que se limita a um sinal ao acesso da cimenteira.
É a Encarnação de um precedente grave, concorde-se ou não com a co-incineração. Esta é uma medida peregrina que nem passava pela cabeça do Sr. Jardim da Madeira.
O baixinho Mendes tem o partido malfadado: depois do Alberto, o Encarnação.
Em tempos que já lá vão, tinha Coimbra o velho “calinas” como instituição de referência da calinada.
Agora, nos tempos que correm, nesta ânsia de agradar a quem paga as notícias, encontramos as calinadas de quem para ser profissional já não basta a dita carteira.
O diário asbeiras que faça o frete a quem pague a despesa, mas que ao menos aperte bem a carrada da palha.
Conheço bem o secular moinho e o seu proprietário e meu amigo ti José Luís, moleiro de 80 anos, dos Olhos da Fervença bem logo ali, perto da Lagoa Negra. Sempre me lembro daquela represa sempre cheia de águas cristalinas, um viveiro de pequenos peixes embalada pelo som circular do rodízio. Hoje, 12 de Agosto 2006, ao ir ao moinho em busca de farinha de milho para a broa, encontrei o moinho sem funcionar e a represa com uma pouca água suja e lodo, onde os poucos peixes procuravam escapar. Perguntei se agora este cenário era frequente e a resposta saiu afirmativa, e que era resultado da limpeza da praia fluvial dos Olhos da Fervença. Em conversa com o moleiro e esposa, estes disseram-me que na limpeza da praia fluvial a água é desviada para a vala da veia, que é um ribeiro paralelo às nascentes dos Olhos da Fervença, e depois bombeada, quando o é, da vala da veia para a vala dos moinhos, esta sim abastecida pelas nascentes, com a utilização de uma moto bomba de 2 polegadas. Como a qualidade da água da vala da veia tem muito a desejar, assim com a sujidade criada nas águas da represa chamada praia fluvial dos Olhos da Fervença, encontra-se a rápida justificação para a diminuição do peixe, associando os cortes de abastecimento ao curso de água. Para conseguir manter os poucos Clientes, o moleiro tem recorrido a moleiros vizinhos que não estão dependentes da força motriz das até agora consideradas inesgotáveis nascentes. Tem também reclamado estes cortes de água, mas só tem esbarrado em empregados da Câmara ou da Inova. Esses pormenores de quem é quem, ele diz não saber. Pergunto onde mora o respeito pelo direito de séculos para os moinhos que, cumprindo a sua função secular de reduzir o grão a farinha para alimento das respectivas populações, e lamento que saberes de 80 anos sejam emparedados na memória do esquecimento. É que na verdade, existe um deserto envolvente aos Olhos da Fervença,
Eis os Dazkarieh no Festival Andancas2006
Outros bons grupos por lá passaram.
Ouvi, apreciei e também dancei ao som das suas músicas: MÚ, uxukalhus , minuitguibolles , João Gentil , ZEF e outros.
O festival está a encerrar.
Para o ano haverá mais!