quinta-feira, julho 30, 2009

Chamam-lhe férias

Vou passar uns tempos sem olhar para o relógio. Alguns chamam-lhe férias.

terça-feira, julho 28, 2009

Chover no molhado

O sector do golfe no Algarve está em crise. Em Março de 2007, um dos meses mais fortes para o negócio, venderam-se 135 mil voltas nos campos do Algarve. Dois anos depois foram apenas 95 mil, uma quebra de 30% que resulta principalmente da fuga de praticantes ingleses e irlandeses.
Se me explicarem, mas devagarinho, da razão do investimento do campo de golfe e respectiva Academia pela Câmara Municipal de Cantanhede, talvez eu entenda que esta obra é estruturante para o concelho.

segunda-feira, julho 27, 2009

Unhas para a Guitarra Portuguesa

Neste momento uso uma unha postiça feita de um pedaço de corno de boi. Foi um trabalho de escultura para a adaptar ao meu indicador, o que a torna pessoal e única, pois cada guitarrista sua mania. O resultado final é o que interessa.

sábado, julho 25, 2009

quarta-feira, julho 22, 2009

A gente paga

«Manuel Dias Loureiro deixou a Sociedade Portuguesa de Pintura e Moldagem para a Indústria Automóvel (SPPM), firma do Grupo SLN/BPN que trabalhava para a Autoeuropa, à beira da falência. Pouco mais de um ano após a sua saída da presidência da SPPM, em Novembro de 2007, a fábrica foi salva 'in extremis' pela Volkswagen, que assumiu a gestão da SPPM para evitar a paragem quase total na Autoeuropa e salvar quase 3200 postos de trabalho. Ao todo, em pouco mais de três anos, a SPPM acumulou prejuízos de 22 milhões de euros, dos quais cerca de oito milhões registaram-se em 2007.»
O homem tem pouco jeito para os negócios.

domingo, julho 19, 2009

quinta-feira, julho 16, 2009

Vai um copo?

Aqui estão boas notícias para os frequentadores da minha tasca. Entrem e tomem um copo se quiserem viver mais uns anos. (Clicar)

terça-feira, julho 14, 2009

SUSANA SEIVANE DIRECTO EN LA NUIT CELTIQUE

É Verão, tempo de dar umas gaitadas. Para os frequentadores da minha tasca, aqui vai uma gaitada dada por Susana Seivane. É gaitada que vale a pena! Um abraço a todos os clientes desta tasca.

segunda-feira, julho 13, 2009

Copianço nos Diário de Coimbra e Diário As Beiras

http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Policia/Interior.aspx?content_id=1304238
(Valha-nos São Cricalho!)
DIÁRIO DOS DIÁRIOS
Os nossos queridos diários devem ter perdido o código postal que leva à publicação de notícias sobre o escândalo do século em Coimbra. O DB e o DC continuam a não dar cartas no caso dos Amigos dos Correios. Estaremos perante um pacto de silêncio? Valha-nos São Mickael Carreira.
Publicado por osexoeacidade em 10 de Julho de 2009

Na hora do calor

quinta-feira, julho 09, 2009

Questões de cultura

Claro que a gestão camarária não está a gozar comigo só por dois milhões de euros! Será que o tal empréstimo a longo prazo que a Câmara contraiu, fazendo fé no que li no jornal asbeiras, tem este destino? É que é uma pipa de massa para fazer umas Quintitas em honra da N.S. da Eleição. Será que dará para tanto estádio de futebol? Depois da Quinta biológica (1) de Cantanhede, teremos nós a Quinta biológica (2) de Febres, e por ordem lógica e com a graça de Deus teremos para o ano a Quinta biológica (3) para Ançã, pois na Tocha não existe Quinta biológica, mas sim um Complexo de pistas rectangulares para atletismo?
Asim a Inova, especialista em pastagens biológicas, terá muito que relvar.
Caro João Moura, meu amigo guitarrista e presidente da Câmara de Cantanhede, não duvido da tua capacidade na gestão do carcalhol, só que as comissões de festas do nosso concelho têm tido um trabalho de peso, e se estica de um lado encolhe do outro.
Quando escasseia o pão, aumenta o circo.
Publicada por Manel em 4.11.07
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Foge João, que 2008 já passou!

Uma questão cultural

(Obras Inova na Lagoa Negra)
"Não posso deixar de expressar a minha, a nossa profunda indignação, por esta imerecida atitude da Câmara Municipal, que considero um lapso, porque recuso pensar que esta atitude configure a hostilização ao poder autárquico na freguesia, porque se assim o fosse, estaríamos perante uma dispensável arrogância, imprópria da cultura democrática que todos defendemos e desejamos na freguesia, no concelho e no país."
Estas palavras são da Presidente da Junta do Corticeiro de Cima a quando da inauguração da ETAR da Freguesia.
Eis aqui a prova que João Moura não consegue, ou não quer, fugir à cultura política herdada da Acção Nacional Popular (ANP) , a cultura que suporta a missão da máquina política local, na visão redutora do poder pelo poder.
Foge João!

quarta-feira, julho 08, 2009

Canelão e boia

Na Praia da Tocha com a companha do mestre Lídio, teve como resultado uns carapaus fritos com arroz de tomate.
Adoro estas coisas!

Momentos de plena magia

segunda-feira, julho 06, 2009

Mas que turismo?

(Caniceira 04-07-2009)
Sabe-se que o Turismo representa 10% do PIB. Isto indica a sua importância e também é aí que estão novas oportunidades de negócio, onde se englobam também as mais tradicionais e ancestrais actividades económicas e produtivas.
Mas que turismo?
A pergunta que se coloca é sobre o que se quer como turismo para a Praia da Tocha, isto é, se mais turistas ou mais receitas, sabendo nós que mais turistas dão mais receitas no imediato, mas a questão coloca-se se mais do mesmo é caminho a seguir, trazendo a banalização com a degradação associada e respectiva decadência, ou se quer um turismo mais abrangente de cadeia de valor mais longa, isto é, alargando-o às actividades locais quer comerciais quer produtivas, apostando num segmento de mercado turístico de maior capacidade de compra e de padrões de qualidade mais altos. A oferta de sol e praia, só por si, traz consigo mais automobilistas e a banalização que se já nota de ano para ano na Praia da Tocha. O negócio paralelo do arrendar casa nos meses de Verão está a definhar dadas as melhorias das acessibilidades e da mobilidade. Então o que fazer, se esgotado está o produto sol e praia, e se os produtos estratégicos que podemos ofertar para aumentar as receitas e qualidade terão que ter como componentes a gastronomia, saúde e bem-estar? O que deveria ser prioridade da autarquia que infelizmente, continua sem rumo, pois a autarquia não tem qualquer plano de desenvolvimento sustentado?
O que neste momento se entende como projecto de desenvolvimento turístico centrado na Praia da Tocha deverá ter integrado as actividades económicas da Gândara, assim como novas oportunidade de actividade e negócio.
Mas se só pensar a Gândara cansa, então fazer…

sábado, julho 04, 2009

Prisão de Coimbra em Cantanhede

Mais uma obra estruturante para Cantanhede!
Depois do campo de golfe onde todos os gandareses já se deleitam com o prazer de bater bolas com o olho da enxada, afunila-se o caminho ao anúncio da concretização de mais uma obra estruturante , que levará à melhoria dos indicadores da taxa de utilização dos complexos desportivos a construir e do perfumado e aromático campo de golfe, projectando assim o concelho de Cantanhede para o exterior.

sexta-feira, julho 03, 2009

Como é lindo o nosso fado

(clicar na imagem para aumentar)
O azar do Madoff é não viver em Portugal. Os nossos Madoffezitos divorciam-se e doam tudo às ex-esposas, ficando sem nada, sem onde cair mortos. Os americanos têm muito a aprender connosco.

quinta-feira, julho 02, 2009

É a estupidez, ó Pinho!

É a estupidez, ó estúpido! Eis a leis fundamentais da estupidez humana: Primeira lei fundamental: Cada um de nós subestima sempre e inevitavelmente o número de indivíduos estúpidos em circulação. Segunda lei fundamental: A probabilidade de uma certa pessoa ser estúpida é independente de qualquer outra característica dessa mesma pessoa. Terceira lei fundamental: Uma pessoa estúpida é aquela causa um dano a outra pessoa ou grupo de pessoas, sem que disso resulte alguma vantagem para si, ou podendo até vir a sofrer um prejuízo.

quarta-feira, julho 01, 2009

Mestre Alves André em pleno

Cartunes e Bonecos

Os nossos "Madoff" vivem todos em liberdade, com principescas reformas, regalias sociais, e outras mordomias. Os americanos têm muito a aprender connosco...
O azar do Madoff é não viver em Portugal...
Adenda de 02-07-2009: "Os nossos Madoff deveriam ser tratados como vulgares ladrões de bicicletas..."

segunda-feira, junho 29, 2009

Moinho

(Gravura de Alves André)
O rodízio. O rodízio do teu moinho? Sim! Até o rodízio deve ser esquerdo. Esquerdo? Sim, esquerdo para que o bruxedo não entre no moinho. Enquanto houver água na represa o moinho trabalha sem parar, não há mal de quebranto que lhe chegue. Trabalhará como deve ser, não há nada que o impeça de moer. E dorme-se bem no moinho? Claro! Dorme-se sem contar o tempo, embalado ao som dos escadelos. São dois os escadelos que ficam por debaixo da moega. Pode fazer um cigonhal que o do meu moinho está estragado? Claro que sim, posso bem fazer já antes de começar com a relha e o formão. Mas e o olho? Será que lhe fizeram bem o olho ao moinho?
O meu também faz o olho, mas o outro lá de riba, o outro faz cá um olho tão bem feitinho que é um regalo vê-lo a trabalhar. Saiu de manhã à pergunta dele para ele vir fazer o olho, andou o dia quase todo atrás dele para o agarrar. Atrás dele de taberna em taberna? Não! Só há uma taberna, não há outra além daquela. Chegaram ao cerranto da noite, abraçados um ao outro. Amigos são eles! Nada disso, vinham abraçados de bêbados para não caírem.
A andadeira está picada de pouco tempo. A fixa é a mulher, fica por baixo. A mulher quando está por baixo também se mexe. Pois é, pois é, a fixa também se move. É fixa mas também se mexe, mas leva com umas cunhas para não descontrolar. Faz com as cunhas o oscilamento quando não está certa e a de cima andadeira descontrola. A debaixo deve estar fixa, tem que estar direita para que as duas enconem perfeitamente. E tu sabes afinar? Claro que sei! Pancadinhas do lado certo. Afinação de pancada, com cunhas de madeira. O cigonhal, não esqueça o cigonhal.
Tem tudo preparado no teu moinho? E esqueço lá isso, alguma vez. Tu tens tudo? A quelha por onde o grão corre da moega prá quelha e depois pró olhal de cima da que anda de volta. Entre as duas, com um desnível de meia unha, continua a fazer farinha.
Nasci no moinho. Dentro do moinho fui parido. Será que foste feito no moinho ao som dos escadelos? Quem sabem, pois nos moinhos há tempo para tudo. Nasci e logo fui lavado na valeta que corre ao lado. Só depois é que fui para casa, para a cama. Como sabes disso? A minha mãe contou-me.

Ti António Taboeira

Ti António Taboeira foi moleiro e agricultor. Praticava o seu acordeon usando como metronomo a andadeira do seu moinho.
Aqui, Ti António, anima a inauguração do Sítio do Cartaxo, localizado na margem nascente da Lagoa de Mira, em plena paisagem lacustre e em zona classificada de Sítio Rede Natura 2000.
Trata-se de um espaço alternativo no concelho de Mira para a promoção do património natural e cultural da região, com cafetaria, biblioteca e zona de lazer, entre outras surpresas.
Os sócios e amigos da AAMARG disseram presente.

No meu pomar

Já deixaram o ninho e voam por aí!

terça-feira, junho 23, 2009

segunda-feira, junho 22, 2009

quarta-feira, junho 17, 2009

segunda-feira, junho 15, 2009

Batata assada na areia

(...) O sol começa a apertar e os homens, esbraseados do lume e da bola que os desafia, atiram-se às ondas, geladas de rachar neste mar, em algaraviada viril para espantar o frio que corta o fôlego e enregela os ossos. Alguns, a bater o dente, chegam cá acima e são cachorros vadios a sacudirem-se nelas, que não meteram o pezinho friolento na água mas a quem, pois todas gostam de o ter regado, estes respingos de mar, assim atirados nas carnaduras que o fato de banho não cobre, arrepiam e queimam. Agradecem a afronta com ais fingidos e as hormonas à solta forçam-nos a enlear-se em guerras corpo a corpo a que só dão tréguas quando eles batem em retirada a caminho do oceano para arrefecer outros afogueamentos, mais encapelados do que as vagas, capazes de denunciar as intenções de um homem. Um olhar cúmplice de Mário certificou o meu entendimento destas campanhas de arrulhar travadas no areal.
(...)
À volta da fogueira o calor esquenta e a cerveja atiça a língua macharrona do pessoal. Aquilo não é nenhum velório e o livro bíblico afiança ser o vinho que alegra o coração do homem. Aquela, a cerveja, ou este, o tinto, tanto faz, que são simbólicos os versículos sagrados, e por agora o palhinhas Bairradino, dom divino, dizem-me, refresca, enterrado na areia rente à orla de espuma da maré vazante à espera do almoço. Gargalo de fora não vá a malta perder-lhe o rasto. Os homens mais velhos do ajuntamento estão atentos ao fogo. São eles a geração guardiã de um legado regional gastronómico que há-de datar de antanho, da primeira gente arribadiça a esta indómita costa. Pé no barco, pé na terra, este Homem do coração do litoral gandarês, evocado por Almeida Garret, endireita as costas dobradas à enxada e a um chão maninho, raso como a palma da mão, de onde arranca as batatas e os grelos de nabo, para as vergar ao desafio do oceano que lhe há-de esmolar, mãos-largas pela ousadia, fartura de peixe. Os bois puxam a rede que se abre num mar de carapau e sardinha a saltar da malha do saco para a fogueira de trangalhos recolhidos da mata de pinheiros bravos, logo ali, a fixar as areolas da costa e, do brasido, que escaldou a areia, cuja quentura há-de assar as batatas roleiras, grelha-se o peixe e aferventam-se os grelos que as acompanham. Tradição secular e curiosa esta das batatas assadas na areia a acompanhar o pescado, casamento da terra com o mar, que os seniores, patriarcas do clã, vão executando. Não há espinhas nos seus gestos seguros, emanados dos saberes dos seus maiores, que, passada que é uma hora, apresentam as ditas batatas estaladiças, capazes de embebedar-se no azeite frito com alhos que entretanto as mulheres prepararam. No ritual que homenageia a genuinidade, os mais novos são discípulos atentos que hão-de assegurar-lhe a continuidade. Demonstrada, aliás, pela dúvida interessada de um deles quando a mão de mestre de um veterano lhe estende um tubérculo a estalar e com o sal no ponto quando ninguém lhe juntara uma pitada sequer. A explicação, professoral foi pronta e eu não teria feito melhor: então o menino não sabe que o mar, na sua eterna aliança com a areia, a impregna do sal com que ela agora tempera estas batatinhas? Aprende rapaz que os velhos não duram para sempre…
De uma furgoneta de caixa aberta, que a vista de tanto braço disponível para um empurrãozinho fez afoitar pela areia solta, improvisa-se a cozinha e a mesa de apoio e, dos costaneiros que o mar dá à costa, atamancam-se bancadas. Mesmo os mais arredios se encostam, que a hora de dar ao dente é sempre boa, e cada um se desenrasca. Amesendemos! Sirvo-me desta terra que me cabe toda no prato e me sabe divinamente. A mesa concilia e até um ou outro conviva, e as já referenciadas peruas, mandam às malvas a etiqueta e se deixam arrastar pela vaga esfusiante que, amainada a larica maior, vai varrendo o areal.
(...)
Silvério Manata
in
Arneiro do Mar

quarta-feira, junho 10, 2009

A Guitarra e a Universidade

(clicar sobre a imagem para ampliar)

Gândara

...... É no relveio do Cabeço da Areia, ali ao lado das Terras Novas da Remolha, onde termina o baldeado de terra feito a muque e começa o Pinhal do Povo até às Baleiras d’Areia, que se dá o repartir das calcadas e apertadas carradas em milagre de multiplicação do número de fornecimentos de mato de elaborados ocos entre taipais e caniços graças aos pinheiros de monda, para assim aumentar o monte no recebimento do assento dos soberanos e atentos apontadores.
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terça-feira, junho 09, 2009

Gândara

(Foto tirada do http://setepartidas.blogs.sapo.pt/)
... ali estavam os dois apontadores, lado a lado, soberanos, exibindo os bastões do poder da escrita. Ali, eles tinham todo o poder do momento que a escrita tem. Ali, eles registam majestáticamente o número das carradas de mato que irão a colocar sobre a sementeira do pinho, um rego enorme no comprimento, um carreiro de formigas de mulheres de negro, de lenços traçados cobrindo as faces de memórias de tempos sarracenos ancestrais, de rostos queimados e retalhados de rugas, inclemências do tempo e do sol que queima mais vindo da areia que do céu, arrunhando e cobrindo a sementeira que o vento levará aqui, ali e acolá para o fundo da baleira.
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Um probe de Deus

Mais um que é vítima da crise. Um coitadinho que não tem onde cair morto, um sem eira nem beira, enfim, mais um Probe de Deus.
Um probe que assina de cruz, que nada sabe de contabilidade, que de tão probe nem se lembra, pois não sabia das complicadas coisas que se passavam à sua volta, só pode ser mais um asceta a santificar e a atingir o reino do céu da mão invisível que governa o offshore.

segunda-feira, junho 08, 2009

36 anos depois

Velhos grafites, novos designers

Pareceu-me que assim foi

Desci uma centena de metros e estava na Praça da República. Resolvi visitar a AAC.
Decorrem obras no jardim para instalação de bares para estudantes. Percorro o sempre atulhado corredor de acesso às salas da TAUC, onde os velhos grafites têm novos designers. Do corredor da outra ala vem o som de uma aula de guitarra portuguesa. Sai da sala Dr. Jorge Gomes.
30 anos depois voltei a tocar com o Gomes o Ré menor do Artur como se tivéssemos ensaiado na véspera, ou então pareceu-me que assim foi.

sexta-feira, junho 05, 2009

O Cabeço do Escoural

Do cimo do monte do Cabeço vê-se o Caramulinho e o Bussaco da Alcoba, os fascinantes e misteriosos os locais altos que tão altos são.

quarta-feira, junho 03, 2009

Uma tasca mal frequentada

A manchete do último Expresso garantia que o Presidente da República ganhou 150 mil euros no espaço de dois anos através da venda de acções da Sociedade Lusa de Negócios (detentora do BPN).
Portugal é um excelente país, só que anda mal frequentado.

terça-feira, maio 26, 2009

Anónimo disse...

Anónimo disse... A criancinha quer Playstation. A gente dá. A criancinha quer estrangular o gato. A gente deixa. A criancinha berra porque não quer comer a sopa. A gente elimina-a da ementa e acaba tudo em festim de chocolate. A criancinha quer bife e batatas fritas. Hambúrgueres muitos. Pizzas, umas tantas. Coca-Colas, às litradas. A gente olha para o lado e ela incha. A criancinha quer camisola adidas e ténis nike. A gente dá porque a criancinha tem tanto direito como os colegas da escola e é perigoso ser diferente. A criancinha quer ficar a ver televisão até tarde. A gente senta-a ao nosso lado no sofá e passa-lhe o comando. A criancinha desata num berreiro no restaurante. A gente faz de conta e o berreiro continua. Entretanto, a criancinha cresce. Faz-se projecto de homem ou mulher. Desperta. É então que a criancinha, já mais crescida, começa a pedir mesada, semanada, diária. E gasta metade do orçamento familiar em saídas, roupa da moda, jantares e bares. A criancinha já estuda. Às vezes passa de ano, outras nem por isso. Mas não se pode pressioná-la porque ela já tem uma vida stressante, de convívio em convívio e de noitada em noitada. A criancinha cresce a ver Morangos com Açúcar, cheia de pinta e tal, e torna-se mais exigente com os papás. Agora, já não lhe basta que eles estejam por perto. Convém que se comecem a chegar à frente na mota, no popó e numas férias à maneira. A criancinha, entregue aos seus desejos e sem referências, inicia o processo de independência meramente informal. A rebeldia é de trazer por casa. Responde torto aos papás, põe a avó em sentido, suja e não lava, come e não limpa, desarruma e não arruma, as tarefas domésticas são «uma seca». Um dia, na escola, o professor dá-lhe um berro, tenta em cinco minutos pôr nos eixos a criancinha que os papás abandonaram à sua sorte, mimo e umbiguismo. A criancinha, já crescidinha, fica traumatizada. Sente-se vítima de violência verbal e etc e tal. Em casa, faz queixinhas, lamenta-se, chora. Os papás, arrepiados com a violência sobre as criancinhas de que a televisão fala e na dúvida entre a conta de um eventual psiquiatra e o derreter do ordenado em folias de hipermercado, correm para a escola e espetam duas bofetadas bem dadas no professor «que não tem nada que se armar em paizinho, pois quem sabe do meu filho sou eu». A criancinha cresce. Cresce e cresce. Aos 30 anos, ainda será criancinha, continuará a viver na casa dos papás, a levar a gorda fatia do salário deles. Provavelmente, não terá um emprego. «Mas ao menos não anda para aí a fazer porcarias». Não é este um fiel retrato da realidade dos bairros sociais, das escolas em zonas problemáticas, das famílias no fio da navalha? Pois não, bem sei. Estou apenas a antecipar-me. Um dia destes, vão ser os paizinhos a ir parar ao hospital com um pontapé e um murro das criancinhas no olho esquerdo. E então teremos muitos congressos e debates para nos entretermos. 11 Março, 2007