sexta-feira, março 06, 2009

A Acta nº31/2004 e túnel da Linha do Sol

5 - CONSTRUÇÃO DA E.R.335-1: VIA REGIONAL CANTANHEDE/IC1 (TOCHA) / ABERTURA DE CONCURSO PÚBLICO:- O Senhor Presidente apresentou à Câmara uma informação prestada em 10/09/04 pela Directora do Departamento de Obras Municipais, do seguinte teor: "Junto se anexa o Programa de Concurso e Caderno de Encargos para aprovação com vista ao lançamento do respectivo Concurso Público, para a Construção da ER.335-1: Via Regional Cantanhede/IC1 (Tocha). O respectivo projecto já anteriormente tinha sido aprovado na reunião de Câmara de 16/03/99. Trata-se de uma obra que permitirá ligar Cantanhede ao IC1 (Tocha), ligando a EM 584 (Taboeira/Cadima), ao EN.109/IC1 (a Norte da Tocha), totalizando uma extensão de 9.150 metros. As características geométricas previstas para esta Via Regional foram definidas de acordo com as Normas de Projecto da JAE, para a velocidade base de 60 km/h e perfil transversal de 1.00+7.00+1.00m. As bermas serão também pavimentadas. As características do traçado em planta e perfil, drenagem, dimensionamento do pavimento adoptado, obras acessórias e sinalização, constam do respectivo projecto. Este contém um estudo de tráfego e uma caracterização geológica de superfície da área atravessada. Todas as intersecções são de nível, incluindo a prevista com a EN 109. Prevê-se também um tratamento paisagístico dos taludes em escavação e aterro e ainda dos ilhéus das intersecções. Inicialmente estava prevista esta via ter início junto à Zona Industrial, mas com a execução da variante Poente de Cantanhede e posteriormente com a requalificação da EM 583 até Cadima, abandonou-se este troço inicial. Assim, a obra tem início ao Km 3+900 da fase inicialmente projectada, junto da EM 584, depois da povoação de Cadima. O final situa-se ao Km 13+050, na EN 109/IC1 (Tocha). O traçado é bastante condicionado pelas manchas de RAN e REN constantes do PDM de Cantanhede, tendo-se procurado interferir o mínimo com estas zonas. O traçado possui orientação aproximada Este/Oeste. O traçado segue assim o terreno natural, com escavações e aterros de pequena expressão. As intersecções previstas localizam-se aos seguintes Kms: Km 3+985, com a EM 584, dando acesso a Cadima, Taboeira e Olhos da Fervença (Praia Fluvial); Km 4+779, com o CM 1029, dando acesso a Aljuriça e Taboeira; Km 5+760, dando acesso a Cadima; Km 7+380, com o CM 1022, dando acesso a Corgo Encheiro e Gesteira; Km 7+825, dando ligação a Sanguinheira, com geometria de entroncamento; Km 13+010, com a EN 109, a Norte da Tocha, dando ligação a esta Vila e a Figueira da Foz, para Sul e a Mira e Aveiro para Norte. A 1ª. e última intersecção foram previstas do tipo giratório, rotunda. Esta solução visou fundamentalmente a quebra de velocidade. As restantes intersecções, não referenciadas na descrição anterior são serventias tipo, foram previstas sem qualquer separador na via principal, pois o tráfego nelas existente não o justifica; mesmo assim foi considerada a possibilidade de inversão de marcha através da colocação de rotundas nas vias secundárias. A via em apreço constitui actualmente a obra rodoviária concelhia mais importante. Situando-se entre a A14 e o IC1, aos quais terá ligação através da EN 234 e EN 234-1, terá uma importância capital no sistema rodoviário regional, como se pode comprovar pelo mapa do PRN 2000 do Distrito de Coimbra. Aliás a circunstância da inclusão desta via no PRN 2000 espelha bem a sua importância, como elemento estruturante da rede viária na região. Esta importante infra-estrutura rodoviária articula-se com outras do mesmo tipo que têm vindo a ser executadas pela Câmara Municipal e Administração Central. De facto, esta via terá o seu início na Circular Miguel Torga, que foi executada pela Câmara Municipal com a comparticipação da JAE e de fundos comunitários, pois constitui uma variante à EN 335 articula-se também com as obras de beneficiação da EN 234-1 recentemente executadas pela JAE, que incluíram a construção da Variante da Pocariça, a qual constitui o primeiro troço da beneficiação prevista pela JAE para a EN 335 entre Cantanhede e Aveiro. Por sua vez, a beneficiação da EN 234-1 englobou a variante Nascente de Cantanhede, executada pela Câmara Municipal e transferida para a JAE. O projecto de execução da obra em apreço foi executado pela firma Planvia, Ldª. após realização do competente concurso público. O projecto situa-se em área abrangida pelo Plano Director Municipal, ratificado pela RCM nº. 118/94, de 29 de Novembro, com as alterações aprovadas pela RCM nº. 56/97, publicada em 1 de Abril, estando identificado seu o traçado na respectiva carta de ordenamento. O preço base dos trabalhos ascende a 4.201.019,00 € + IVA e propõe-se um prazo de execução de 720 dias.” A Câmara, por unanimidade e tendo por base a informação prestada pela Directora do Departamento de Obras Municipais, deliberou mandar proceder à abertura do competente concurso público, para a execução da empreitada de «Construção da ER.335-1: Via Regional Cantanhede/IC1 (Tocha)», pelo que aprovou o respectivo Mapa de Medições, Programa de Concurso e Caderno de Encargos. A acta foi aprovada em minuta, quanto a esta parte, para efeitos imediatos.

Notas: Decreto-Lei Nº69/2000 de 3 de Maio, a reclamação e a abordagem metodológica para projectos sustentáveis para o equilíbrio ambiental/social do território.

A rua onde moro

De: Manuel Ribeiro
Enviada: terça-feira, 24 de Fevereiro de 2009 22:05
Para: Ex.ma Sra. Vice-Presidente da Câmara Municipal de Cantanhede
Assunto:
RE: V. pedido de atribuição de número de polícia
Exma. Sra. Vice- Presidente da Câmara Municipal de Cantanhede,
Agradeço a atenção e a informação.
Serve este para informar V.Exa que o Sr. Júlio Oliveira, Presidente da Junta da Freguesia da Tocha me entregou o azulejo com o nº 8, que eu de imediato coloquei na fronte do meu portão. Mais informo V.Exa que esta parte da Rua dos Poços de Sarilho onde moro há mais de 8 anos tem lama quando chove, mas felizmente tem pó quando faz sol.
Com os meus respeitosos cumprimentos
Manuel Ribeiro
De: Anabela Fatima Santos Belchior @cm-cantanhede.pt]
Enviada: segunda-feira, 2 de Fevereiro de 2009 13:11
Para: Manuel Ribeiro
Assunto: V. pedido de atribuição de número de polícia
Na sequência do v. e-mail, datado de 25 de Janeiro de 2008 venho, por este meio, comunicar que, de acordo com a informação prestada pelo Presidente da Junta de Freguesia da Tocha, Sr. Júlio Oliveira, V. Ex.ª já foi informado de que a sua residência se localiza na Rua dos Poços de Sarilho, n. 8.
Com os melhores cumprimentos,
A Vice-Presidente da Câmara Municipal de Cantanhede com competências delegadas
Helena Teodósio No virus found in this incoming message.Checked by AVG.Version: 7.5.552 / Virus Database: 270.10.17/1932 - Release Date: 03-02-2009 7:57

Rego de Carvalho na Assembleia Municipal de Odivelas

(Clicar sobre a foto para ampliar)
A nossa classe política é mesmo exemplar!

quinta-feira, março 05, 2009

Chove no Escoural

Do cimo do monte do Cabeço
Do cimo do monte do Cabeço vê-se o Caramulinho e o Bussaco da Alcoba, os fascinantes e misteriosos locais altos que tão altos são. Se não fosse o vento frio e húmido, lá se assentaria morada, pois quanto mais altos, mais perto dos Astros, mais perto da perfeição plena. Sim que o é, e era lá que se moraria.
Se possível fosse lá morar, contentava-se no só achegar-se ao astro errante que esconde e mostra a face, que umas vezes está sobre o Caramulo e outras vezes a roçar o Bussaco da Alcoba, com uma exactidão de tempos que ainda não calculou, mas não seria difícil saber. É só uma questão tempo e trabalho. Mas ninguém lá mora em tais cabeços, por certo, pois se assim fosse tal já se saberia. Alguém já teria dado novas das admiráveis perfeições das voltas errantes dentro das perfeitas conchas celestiais, entre um Sol dominador que tudo afasta quando traz o dia. Bastaria uma simples escada para chegar e tocar a Lua. Mas se não fosse como é, seria o Caramulinho ou o Bussaco da Alcoba o local para ver o que os astros e o vento mostram. Ou talvez não dê assim tanto para ver tão bem, pois se assim fosse há muito lá estaria gente de saber, e não consta que lá esteja.
Do cimo do monte do Cabeço para quem souber ler os Astros e o vento, sabe-se tudo. Sabe-se do tempo, dos ares para as colheitas, do vento mareiro ao suão, do que puxa a chuva ao que seca a poças, no anel da lua cheia, se trovoada ou molhada, ao por do sol a arder. Do monte do Cabeço tudo se sabe, se souberem ver, tudo se vê ao redor do mundo, da vida e dos animais.
O vento esteve horas e horas a puxar a chuva e ela volta a cair lentamente, teimosamente húmida e fria, de céu forrado até aos quatro cantos, desabando ritmada do lado dela, empoçando água no alto do Cabeço. Uma friagem roe os ossos e torna a lenta chuva em muita água, tanta que não há grão de areia seco até ao quinto inferno. Chove há muito no monte do Cabeço e em redor dele. Chove no mundo todo quando o céu e a terra se fundem em água.
Do cimo do monte do cabeço vê-se um mar de água onde são as courelas baixias. Até os matos à sua volta estão completamente submersos. Um mar! Uma lenta corrente batida pelo vento e pela chuva em lençol, arrasta os grãos de areia que o vento mareiro lançou por cima do saibro calcado pelos Invernos e Estios, lençóis de água de cor férrea e de sol de têmpera em centenas e centenas de passos de lonjura. Uma praia praiera arrastada de areia sequilha.
As dunas a norte da praieira estão molhadas e húmidas. Já não podendo beber mais, remijam na sua base as fontes dos corgos sanguinhais. O céu desmorona-se em água que remolha as dunas a cederem em baleiras, e sobre o cimo do monte do Cabeço.

O que é ser engenheiro?

O QUE É SER ENGENHEIRO? - Trabalhar em horários estranhos (que nem as putas) . - Pagarem-nos para fazer o cliente feliz (que nem as putas) . - O cliente às vezes até paga muito, mas o nosso patrão fica com quase tudo (que nem as putas) . - O nosso trabalho vai sempre além do expediente (que nem as putas) . - Somos recompensados por realizar as ideias do cliente (que nem as putas) . - Os nossos amigos distanciam-se e só andamos com outros iguais a nós (que nem as putas) . - Quando vamos ao encontro do cliente temos que estar sempre apresentáveis (que nem as putas) . - Mas quando voltamos parecemos saídos do Inferno (que nem as putas) . - O cliente quer sempre pagar menos e que façamos maravilhas (que nem as putas) . - Quando nos perguntam em que é que trabalhamos, temos dificuldade em explicar (que nem as putas) . - Se as coisas dão errado é sempre culpa nossa (que nem as putas) . - Todo os dias ao acordar dizemos "NÃO VOU PASSAR O RESTO DA VIDA FAZENDO ISSO" (que nem as putas).

O milagre do cabide de S. António

Milagre de S. António.
Há um milagre em que acredito: no milagre de Santo António.
Vou-vos contar esse milagre.
Estava Santo António no mosteiro e estava muito calor. Por isso, e como eram todos homens, lá foi ele todo nu, com o chapéu na cabeça, refrescar-se à fonte.
Calhou nesse dia estar lá a filha do porteiro a encher o cântaro de água. Santo António colocou imediatamente o chapéu a tapar as vergonhas. Nisto a filha do porteiro pede-lhe ajuda para colocar o cântaro na cabeça. Sempre pronto a ajudar ele tentou faze-lo com uma mão, mas não conseguiu e teve de usar as duas.
Deu-se então o milagre de Santo António: o chapéu não caiu.

terça-feira, fevereiro 24, 2009

40 anos é muito tempo para a Linha do Sol

Ferroadas

Hoje levei com umas ferroadas, não do meu amigo http://ferroada.blogspot.com/ (Rebola), mas das minhas abelhas guardas suicidas.
Na prática fiz um desdobramento de enxame, isto é, alterei a química do exame para que a Natureza elabore um novo indivíduo.

Qual é o caminho?

- Vou por aqui? - Não vás por aí.

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

O pó do tapete

Roubei este à Lucy Pepper como prova que se vê melhor do cimo da ponte e ainda melhor do lado de fora.

Jose Afonso - Balada do Outono

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Pirosice autárquica

Salazarices! Foi o que me veio à mente quando passei pelo pequeno largo de Cordinhã, agora com este novo arranjo urbanístico.
Depois da lavagem de memória feita pela SIC, com a série televisiva sobre Salazar para dar cor ao cinzento passado do ditador, encontro esta pirosice herdada da União Nacional em pleno século XXI.
Assim se vende a imagem e a marca de uma Autarquia, uma autêntica salazarice dos idos anos 30 do século passado.
Como diria o diácono Remédios: "não havia necessidade" de tanta pirosice.
Bom gosto precisa-se!

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

SANTA BARBARA

Os mineiros asturianos cantam abraçados.

terça-feira, fevereiro 10, 2009

Honestidade, precisa-se

Estamos a comemorar os 200 anos de Charles Darwin, enquanto por aí, mui doutamente, alguns apresentam e ensinam como verdade absoluta, o criacionismo, o que é uma autêntica desonestidade.
O legado de Drawin é o novo posicionamento da nossa espécie no mundo em que vivemos perante os desafios que a nossa sociedade actualmente enfrenta, desde a conservação da biodiversidade até às novas curas para doenças, passando pela nova abordagem à economia que se deseja.

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

A minha crise agrícola

Para parte do meu pomar (citrinos) este ano agrícola foi para esquecer. Irei estrumar estas decrépitas laranjeiras e aguardar que a mosca não apareça. Podia fazer de outra maneira, mas tal não me apetece.
Tenho o direito, também, de ser um pouco malandro.

Enterramento de canos

A foto mostra uma fase do enterramento de canos na minha rua.
Aguardo que o eterno lamaçal da rua onde moro termine em breve.
Por isso já prometi um decilitro de azeite à N. S. da Memória e um outro à N. S. da Eleição.

terça-feira, fevereiro 03, 2009

Post de desabafo sem sentido

Em certos momentos há alguém do outro lado a ligar o complicador.
Quanto mais simples a coisa se apresenta, mais o baralhador complica o que é simples por natureza.
Penso que todos já passámos mais ou menos vezes por situações destas, onde a propósito de coisa nenhuma que pode ser entendida como objecto ou ideia, o nosso espaço fica invadido por porra nenhuma de conversa a mascar do mesmo, coisa de rosca moída que para se sair dela só com uma pancada seca se consegue.
Uma autêntica teoria de porra nenhuma.

quinta-feira, janeiro 29, 2009

Pássaros

(Recebido por email)

quarta-feira, janeiro 28, 2009

Galos de colecção

Esta é a minha nova e actual colecção de galos.

terça-feira, janeiro 27, 2009

Vozes de burro não chegam ao céu

Apesar dos animais do Escoural e Barrins de Baixo já saberem escrever como se prova aqui, (clicar), o jornalista do Diário de Coimbra escreve o que o Sr. Presidente da Câmara de Cantanhede nunca lhe teria dito.
Pelo Sr. Presidente, eu ponho as mãos no lume.

segunda-feira, janeiro 26, 2009

Desatar nós

No seguimento do “pensar global e agir local”, considero que as iniciativas individuais podem levar a acções colectivas.
Este tipo de actuações levam a mudanças que podem corrigir e apontar saídas para “viver melhor com menos”, uma saída inteligente que nunca poderá ser suportada em “fundamentalismos”, mas sim na diversificação de formas e meios.
Viver melhor com menos é uma ideia contrária às ideias vigentes, em que se confunde crescimento com desenvolvimento, sendo os resultados os que temos e vemos: poluição, alterações climáticas, esbanjamento de recursos e a recessão que mais pobres origina.
Viver melhor com menos não será recessão, nem falta de desenvolvimentos económico, social e tecnológico, pois estes últimos são essenciais para se possa aprender a viver de nova forma.
Cada um que faça a sua parte e encontre o respectivo caminho e forma de não tirar onde não há.

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Astúrias, Pátria Querida

(Para ampliar clicar nas fotos)

(Para ouvir clicar no play)

Astúrias, Pátria Querida é o hino oficial das Astúrias.

Trata-se de uma canção popular, que estava enraizada na cultura asturiana e finalmente foi escolhida como hino.

Após investigações sua possível origem é Cuba, quando Ignácio Piñero, músico cubano, fez a canção para seu pai que era asturiano e voltou a seu lugar de origem para morrer.

O hino é tocado em actos solenes do governo asturiano e em apresentações culturais do principado.

Asturies, Patria querida,

Asturies de mios amores

¡Ai! ¡Quién tuviera n'Asturies,

en toes les ocasiones!

Tengo de subir al árbol

tengo de coyer la flor,

y dá-yla a la mio morena

que la ponga nel balcón.

Que la ponga nel balcón,

que la dexe de poner,

tengo de subir al árbol

y la flor tengo coyer.

quarta-feira, janeiro 14, 2009

domingo, janeiro 11, 2009

Flores em Abril

A minha homenagem de fífias ao meu amigo e mestre Octávio Sérgio.

Crise

(recebido por email)

sábado, janeiro 10, 2009

No comboio descendente
Vinha tudo à gargalhada.
Uns por verem rir os outros
E outros sem ser por nada
No comboio descendente
De Queluz à Cruz Quebrada...
No comboio descendente
Vinham todos à janela
Uns calados para os outros
E outros a dar-lhes trela
No comboio descendente
De Cruz Quebrada a Palmela...
No comboio descendente
Mas que grande reinação!
Uns dormindo, outros com sono,
E outros nem sim nem não
No comboio descendente
De Palmela a Portimão
Fernando Pessoa

Vindima da Quinta do Nabal

(Fotos de Diogo Gomes)
O verdadeiro Nectar dos Deuses!

segunda-feira, janeiro 05, 2009

Trabalho extra

(Clicar nas fotos para aumentar)
Este tempo de Natal serviu-me para concluir (faltam as cordas) dois instrumentos tradicionais.
Agradeço aos amigos Domingos Machado e Alfredo Machado, a cedência dos planos para ambos os instrumentos, assim como as madeiras para a braguesa feita em tília no tampo harmónico, nogueira nas ilhargas e fundo e braço em choupo.
No caso do cavaquinho, com braço em nogueira e tampo em espruce, é um aproveitamento de madeiras, sobras de outras construções. As ilhargas e o fundo em plátano são de uma árvore que existiu o concelho da Figueira da Foz e abatida quando era presidente da autarquia o Sr. Lopes.

domingo, janeiro 04, 2009

Animais escrevem ao Presidente da Câmara

Senhor Presidente da Câmara Municipal de Cantanhede:
Está prestes a ser concluída uma boa e útil obra que é a nova estrada que liga Cantanhede à Estrada Nacional nº. 109.
Esta nova estrada separa algumas habitações dos Barrins de Baixo e Escoural. Assim sendo e como esta estrada vai ter uma vedação a quase todos os animais domésticos e selvagens, o que é muito bom e como não há passadeiras nem passagens pedonais como é comum haver em todas aldeias, vilas e cidades que são atravessadas por estradas de muito trânsito, não estamos a ver como é que um transeunte passa para a outra margem depois de se deparar com uma vedação relativamente alta para as suas pernas. Tem duas opções: salta a vedação duas vezes ou caminha na direcção da rotunda mais próxima, o que não é muito aconselhável porque pensamos que as rotundas são feitas apenas para os automóveis e camiões. Por todas estas razões concluímos, e muito bem, que não somos pessoas, mas sim animais, animais que se julgam fazer parte do grupo dos mamíferos domésticos. Há ainda mais dois ou três grupos destas espécies que se movimentam de carro-de-mão, de bicicleta, de carroça de vaca, etc. mas a estes fica o Senhor presidente incumbido de dizer o grupo a que pertencem. Sorte tiveram os animais que habitam nas margens da Auto-Estrada A17, que lhe deixaram buracos/túneis para que possam, consoante a época do ano alimentarem-se, reproduzirem-se e conviverem. Era o que também queríamos, não ser menos que os outros. Os trilhos que muito usávamos para procurar alimentos, para conviver… foram-nos vedados, é certo que com a falta de alimento e a falta de convivência a espécie fica ameaçada como é comum em qualquer outra. Queremos informá-Lo dos três trilhos mais usados por estes animais e são eles os seguintes: Rua Dr. Manuel Gomes da Cruz (onde nasceu e viveu por muito tempo o primeiro médico da Freguesia da Tocha e por isso tem o seu nome), Rua do Moinho de Vento (moinho que foi propriedade deste Doutor por herança e que há mais de quarenta anos serviu para tapar todos os buracos destas duas ruas), Rua do Forno da Telha (onde existiu uma fábrica de telha de canudo que serviu para abrigar da chuva e do sol inúmeras famílias do Concelho de Cantanhede e outros e sempre desprezada pelos nossos Munícipes!) e a estrada nova em folha que liga Cochadas aos Barrins.
Sabe o que vamos fazer agora Senhor Presidente! Aconselhar todos os habitantes destas aldeias a deslocarem-se sempre de automóvel para que não pertençam a estes grupos de animais, mas também sabemos que vai ser impossível para muitos! Pelas nossas formas possíveis de comunicação tentámos que percebesse os nossos problemas mas o Senhor não percebeu, também não é obrigado a conhecer todas as vozes dos animais! Foi através dos humanos que conseguimos que o nosso palrar, grunhir, latir… fosse traduzido em Língua Portuguesa e talvez assim o Senhor Presidente perceba aquilo que queremos, que é ter apenas os mesmos direitos daqueles animais que habitam nas margens da A17.
Teríamos muito gosto que o Senhor Presidente fosse o primeiro a ler esta carta, o que será praticamente impossível porque vamos enviá-la através de mail ao maior número de pessoas possível e até porque sabemos que há mais animais com as mesmas preocupações e assim não se sentem tão sós. Obrigado por ter lido, desculpe a linguagem usada mas é exactamente aquilo que sentimos ser, tudo menos humanos! Até já há animais selvagens muito mais bem tratados que nós!
(recebido por email)
Nota: Em tempos que já lá vão, eu reclamei sobre o traçado desta via.
Existe um processo no Governo Civil de Coimbra sobre o assunto, onde a única resposta do Presidente da Câmara da época, Sr. Jorge Catarino, é de uma falta de sensatêz que me espantou, para não dizer que às vezes até me envergonhou.
A responsabilidade deste estado de coisas é do actual presidente da Câmara de Cantanhede.

quinta-feira, janeiro 01, 2009

Já não há resineiros no Escoural

O Manel nunca entendeu a falta no excesso de consumo, muito menos sentiu fartura no que tinha. Nunca entendeu o porquê da obesidade infantil, nem teve, uma vez sequer, necessidade de comprar num centro comercial, pois a feira da Tocha sempre teve tudo aquilo que necessitava para adquirir. Não sabia ver as horas, não tinha relógio, mas nunca chegou atrasado ao trabalho e a todos os encontros da vida. O Manel tinha a perfeita certeza da falta de Justiça que exite debaixo deste céu, e daí o alcunharem de “o Justiça”. O Manel Justiça é a memória do Escoural e dos seus pinhais que ele tão bem conhecia. Já não há resineiros no Escoural!