«Sabes o que me lembra este céu? Mais ou menos: a guerra dos astros. Tal e qual. A guerra dos mundos. Um sol maléfico, que tenta destruir a maquete, e sete planetas menores que tentam defendê-la.» [Finisterra, Carlos de Oliveira]
Um regime que caiu devido a uma queda da cadeira, e os herdeiros do partido único passaram de um momento para o outro de nacionais a democratas, tal qual décadas antes passaram a ser republicanos via telégrafo.
No entanto, em plena ruralidade o tempo ainda anda fixo e ancorado a teias de velhos poderes de capelinha, teia longa e complicada, suportada na subserviência . É claro que os rituais e liturgias têm mudado, assim como os santos protectores, mas encontrar pessoas a assumir a história tal como lhes foi imposta muitas décadas atrás, sem qualquer análise ou questão críticas, é o que me espanta e admira, especialmente daqueles nascidos há menos de 30 anos.
Terá a Democracia sido pouco republicana ou a República pouco democrata?
Histórias de favas contadas ainda proliferam por aí!
Lendo os outros , mas mais me sinto a partilhar a ideia de Miguel Torga de tomar partido pela liberdade e só pela liberdade, e não seguir uma ideologia que por definição não passa de um pensamento formatado.
Não pode existir presos político bons e presos políticos maus. Ou se é livre, se trabalha para ser livre e se está com a liberdade, ou não. Vir agitar a bandeira da liberdade e ter como convidado e amigo quem a não respeita, pratica o rapto e o negócio de droga, calando e ignorando, pois também é criminoso quem o sabe e cala, me leva a dizer que essa abençoada santa liberdade não mora em tais santuários, nem me sinto impelido em os visitar.
A demagogia é a vaca que o demagogo trata com todo o cuidado. Esta pasta e engorda no prado da ignorância não conscientemente assumida. Neste nicho ecológico se desenvolve toda uma cadeia alimentar complexa de que vive o demagogo. E só em se falar emagrecer a vaca, logo um coro de revolta se levanta como se tudo fosse ruir, desde a economia à civilização.
Se metade das ofertas de emprego ficam por preencher, como se pode falar em pleno emprego? Ou então vamos considerar como emprego o desemprego profissional?
Mas nem tudo corre mal . O Presidente da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica, António Nunes, tem mostrado como se faz um país a sério. Ao contrário de tantos outros serviços de fiscalização onde se segue uma política de fechar os olhos, quando não de pura corrupção, a ASAE tem actuado com rigor e determinação na aplicação da lei. Finalmente temos uma entidade que defende a população contra os mixordeiros e os que colocam em risco a saúde pública. Contra os que vendem gato por lebre e os que não cumprem as regras mínimas de segurança.
O último caso foi exemplar. Na sequência de uma vistoria mandou fechar a discoteca Klube e o restaurante Kasablanca em Vilamoura por flagrante falta de higiene. O administrador do grupo, mal habituado, não só não cumpriu a ordem como convocou o jet-set, que pelos vistos não se dá mal com a imundice, para uma grande festa. Foi preso.
Portugal precisava de mais uns quantos Antónios Nunes.
Recebo na caixa do correio este pedido para ceder, ainda que temporariamente, testemunhos e objectos de valor documental, para que se proceda ao seu registo fotográfico e catalogação.
É um tímido começo para um projecto que não passa de uma cópia do trabalho que os grupos etnográficos já fizeram. Sugeria que em vez disso, fosse lançado um alto patrocínio a trabalhos de outro ordem, desde o fomentar a leitura das obras de Carlos Oliveira nas escolas secundárias, apoiar a edição de obras literárias de escritores gandareses e bairradinos (lembro as obras que Idalécio Cação tem para publicar) , assim como estudos histórico e arqueológicos (lembro os trabalhos de Mário Oliveira), entre outros.
É que a memória não é só o amontoar de artefactos. Se não for vivida não tem elos para o futuro.
O diário asbeiras informa sobre o que há muito se vê e se sabe : Lojas fechadas e corredores vazios é o cenário de alguns centros comerciais. A crise, a concorrência das grandes superfícies, ou a falta de divulgação são algumas das causas.
Neste tempo de mudança rápida, em que o perceber a mudança se torna mais valia, aparecerem aqueles que propõem a protecção deste ou daquele sector condenado pela roda avassaladora, é propor mais do mesmo, isto é fazer chover no molhado.
Claro que existem as modas, os fluxos, mas culpar estes e aqueles, não passará de mais uma prova de quem não está a perceber a mudança.
Não seria tempo de os centros comerciais em causa mudarem o tipo de utilização do espaço? Não seria essa abertura à mudança, também opção do poder local?
É que estamos na era da bricolage!
Os Beatles decidiram acabar com os espectáculos ao vivo devido às más condições tecnológicas da época, que impediam tocar as músicas com qualidade acústica e assim passavam a dedicar o seu tempo a gravações em estúdio. O último concerto ao vivo foi há 40 anos.
E penso que foi esse o primeiro passo para o fim da banda.
Vejam a longevidade dos Rolling Stones e dos Xutos. Vejam como o sal do público, do tocar ao vivo, tempera e ajusta o sabor, o toque do momento único, que torna a vida bela e única.
E as férias terminam sem graça, sem interesse e sem apoteose, apesar da alguma ânsia inicial na evasão.
As férias têm momentos que até parecem irracionais. Talvez tenham sido inventadas por algum professor, farto até aos cabelos de aturar os filhos dos outros.
Mas é o actual modelo da nossa sociedade, em que estar de férias é obrigatório, que as torna cansativas e irritantes, pois é aí que aparecem as filas de transito, os horários, etc., etc.,...
A Câmara Municipal de Coimbra aprovou uma postura municipal que visa impedir a circulação de resíduos industriais perigosos para co-incineração na cimenteira de Souselas. Parece que se limita a um sinal ao acesso da cimenteira.
É a Encarnação de um precedente grave, concorde-se ou não com a co-incineração. Esta é uma medida peregrina que nem passava pela cabeça do Sr. Jardim da Madeira.
O baixinho Mendes tem o partido malfadado: depois do Alberto, o Encarnação.
Em tempos que já lá vão, tinha Coimbra o velho “calinas” como instituição de referência da calinada.
Agora, nos tempos que correm, nesta ânsia de agradar a quem paga as notícias, encontramos as calinadas de quem para ser profissional já não basta a dita carteira.
O diário asbeiras que faça o frete a quem pague a despesa, mas que ao menos aperte bem a carrada da palha.
Conheço bem o secular moinho e o seu proprietário e meu amigo ti José Luís, moleiro de 80 anos, dos Olhos da Fervença bem logo ali, perto da Lagoa Negra. Sempre me lembro daquela represa sempre cheia de águas cristalinas, um viveiro de pequenos peixes embalada pelo som circular do rodízio. Hoje, 12 de Agosto 2006, ao ir ao moinho em busca de farinha de milho para a broa, encontrei o moinho sem funcionar e a represa com uma pouca água suja e lodo, onde os poucos peixes procuravam escapar. Perguntei se agora este cenário era frequente e a resposta saiu afirmativa, e que era resultado da limpeza da praia fluvial dos Olhos da Fervença. Em conversa com o moleiro e esposa, estes disseram-me que na limpeza da praia fluvial a água é desviada para a vala da veia, que é um ribeiro paralelo às nascentes dos Olhos da Fervença, e depois bombeada, quando o é, da vala da veia para a vala dos moinhos, esta sim abastecida pelas nascentes, com a utilização de uma moto bomba de 2 polegadas. Como a qualidade da água da vala da veia tem muito a desejar, assim com a sujidade criada nas águas da represa chamada praia fluvial dos Olhos da Fervença, encontra-se a rápida justificação para a diminuição do peixe, associando os cortes de abastecimento ao curso de água. Para conseguir manter os poucos Clientes, o moleiro tem recorrido a moleiros vizinhos que não estão dependentes da força motriz das até agora consideradas inesgotáveis nascentes. Tem também reclamado estes cortes de água, mas só tem esbarrado em empregados da Câmara ou da Inova. Esses pormenores de quem é quem, ele diz não saber. Pergunto onde mora o respeito pelo direito de séculos para os moinhos que, cumprindo a sua função secular de reduzir o grão a farinha para alimento das respectivas populações, e lamento que saberes de 80 anos sejam emparedados na memória do esquecimento. É que na verdade, existe um deserto envolvente aos Olhos da Fervença,
Eis os Dazkarieh no Festival Andancas2006
Outros bons grupos por lá passaram.
Ouvi, apreciei e também dancei ao som das suas músicas: MÚ, uxukalhus , minuitguibolles , João Gentil , ZEF e outros.
O festival está a encerrar.
Para o ano haverá mais!
Quando terminada a Expofacic de Cantanhede, iremos aos chavões do costume! A continuidade, a mudança, a aproximação dos autarcas e das autarquias aos munícipes, a gestão exemplar, a conversão ao rigor orçamental.
E novidades? Teremos tudo como dantes, quartel-general em Abrantes. A contínua campanha em movimento, autarcas em movimento, subsídios em movimentos, o paleio de querer fazer obra mas não haver dinheiro (o culpado é o Zé Socas), empréstimos em movimento, a mudança e diferença na continuidade tão indígena e tão igual a si própria, a máquina pesada que não muda, não se adapta, não se interessa efectivamente pelos munícipes. Será sina esperar que estes se saturem e se voltem para quem está por fora disto?
Neste tempo de acalmia, de populismo esgotado pelo fundo à vista da gamela, voltam-se para os pequenos interesses que representam.
Há frases que me põem a pensar sobre o que pensa quem as profere, apesar da solenidade e do local em que e como foram proferidas, remoendo-me na mente de como é que essas frases foram ponderadas, repensadas, rescritas, fundamentadas e relidas antes de proferidas, em leitura de discurso de papel.
Sabemos, nós os gandareses, o que nos liga à terra e quanto vale o cheiro desta a quando das primeiras gotas de chuva. No entanto, ainda o olhar para o chão nos traz cabisbaixos e supersticiosos, numa Gândara envelhecida na espera mensal de correio e na dependência institucionalizada dos pequenos favores.
“Posso chocar alguns, mas na freguesia da Tocha há pleno emprego”.
Esta é a frase em causa, proferida a 1 de Abril de 2006 pelo presidente da Junta de Freguesia da Tocha na cerimónia oficial de entronização, I Capítulo, da Confraria Gastronómica da Gândara “Aromas e Sabores Gandareses”, num discurso sobre a Tocha, desde o Tocha vila Praia nossa, passando pelo hoje vila amanhã concelho, até ao actual pleno emprego.
Seria o facto de ser mais de 20 anos a olhar para o umbigo, ou era por ser primeiro de Abril?
· O Oásis
.Por Manuel Ribeiro
"Um oásis nos Olhos da Fervença"
(In Independente de Cantanhede de 06-02-2001)
Pacheco Pereira escreve no seu blog «http://abrupto.blogspot.com/» : «a culpa será certamente dos “políticos”, como é costume».
Mulherio: anotações espirituais & cavalheirescas
"Pergunto-me se nos podemos interessar pela alma de uma mulher que tem as pernas irremediavelmente curtas" [Henry Montherlant] / "Deus! Como estavas bonita hoje ao telefone" [Sacha Guitry] / "Quando as velas se apagam, todas as mulheres são bonitas" [Plutarco] / "Como sexo, as mulheres são insuportáveis, mas, na hora do sexo, não têm nada de melhor" [Millôr Fernandes] / "As mulheres não são senão órgãos genitais articulados e dotados da faculdade de gastar todo o dinheiro que nós possuímos" [William Faulkner] / "A virtude da mulher é a melhor invenção do homem" [Cornélia Otis Skiner] / "Os homens amam o que os demove de serem sublimes" [Agustina Bessa-Luís] / "Pobre mulherzinha! Boceja depois do amor como uma carpa saída da água sobre a mesa da cozinha" [Flaubert] / "Nunca consegui ver os ombros de uma jovem sem pensar em fundar família" [Larbaud] / "Abstenha-se de contar à sua mulher as infâmias que lhe fizeram as que a precederam. Não vale a pena dar-lhe ideias" [Sacha Guitry] / "Na adolescência amamos as outras mulheres porque elas são mais ou menos parecidas com a primeira. Mais tarde, amamo-las porque elas diferem entre si" [Flaubert] / "Ser-se primeiro amante de uma mulher não significa nada: o segredo está em ser-se o seu último amante" [Maurice Donnay] / "As mulheres seriam mais encantadoras se pudéssemos cai-lhes nos braços, sem lhes cairmos nas mãos" [Bierce] / "Algumas mulheres coram quando são beijadas. Outras chamam a policia. Outras insultam. Outras mordem. As piores são as que se riem" [Aron] / "Eu sei que a mulher é um prato para os deuses, se o diabo não o temperar" [Shakespeare] / "A mulher será sempre o perigo de todos os paraísos" [Paul Claudel] / "Não sabemos o quanto as mulheres são uma aristocracia. Não há povo nelas" [Michelet] / "O perigo de fechar as mulheres nos museus é que elas começam logo a endireitar os quadros" [Aron]
Et ... pour cause: "Tão cheios de homens, os homens" [Maria Velho da Costa] / "Gosto de duas espécies de homens: os domésticos e os estrangeiros" [Mae West] / "Um homem ... fica tão bem numa casa" [E. Gaskell] / "Macho não quer dizer mucho" [Zsa Zsa Gabor]
http://almocrevedaspetas.blogspot.com/
Tudo começou com um tal Henriques que não se dava bem com a mãe e acabou por se vingar na pandilha de mauritanos que vivia do outro lado do Tejo. Para piorar ainda mais as coisas, decidiu casar com uma espanhola qualquer e não teve muito tempo para lhe desfrutar do salero porque a tipa apanhou uma camada de peste negra e morreu. Pouco tempo depois, o fulano, que por acaso era rei, bateu também as botas e foi desta para melhor. Para a coisa não ficar completamente entregue à bicharada, apareceu um tal João que, ajudado por um amigo de longa data que era afoito para a porrada, conseguiu pôr os espanhóis a enformar pão e ainda arranjou uns trocos para comprar uns barcos ao filho que era dado aos desportos náuticos. De tal maneira que decidiu pôr os barcos a render e inaugurou o primeiro cruzeiro marítimo entre Lisboa e o Japão com escalas no Funchal, Salvador, Luanda, Maputo, Ormuz, Calecute, Malaca, Timor e Macau. Quando a coisa deu para o torto, ficou nas lonas só com um pacote de pimenta para recordação e resolveu ir afogar as mágoas, provocando a malta de Alcácer-Quibir para uma cena de estalo. Felizmente, tinha um primo, o Filipe, que não se importou de tomar conta do estaminé até chegar outro João que enriqueceu com o pilim que uma tia lhe mandava do Brasil e acabou por gastar tudo em conventos e aquedutos. Com conventos a mais e dinheiro menos, as coisas lá se iam aguentando até começar tudo a abanar numa manhã de Novembro. Muita coisa se partiu. Mas sem gravidade porque, passado pouco tempo, já estava tudo arranjado outra vez, graças a um mânfio chamado Sebastião que tinha jeito para o bricolage e não era mau tipo apesar das perucas um bocado amaricadas. Foi por essa altura que o Napoleão bateu à porta a perguntar se o Pedro podia vir brincar e o irmão mais novo, o Miguel, teve uma crise de ciúmes e tratou de armar confusão que só acabou quando levou um valente puxão de orelhas do mano que já ia a caminho do Brasil para tratar de uns negócios. A malta começou a votar mas as coisas não melhoraram grande coisa e foi por isso que um Carlos anafado levou um tiro nos coiratos quando passeava de carroça pelo Terreiro do Paço. O pessoal assustou-se com o barulho e escondeu-se num buraco na Flandres onde continuaram a ouvir tiros mas apontados a eles e disparados por alemães. Ao intervalo, já perdiam por muitos mas o desafio não chegou ao fim porque uma tipa vestida de branco apareceu a flutuar por cima de uma azinheira e três pastores deram primeiro em doidos, depois em mortos e mais tarde em beatos. Se não fosse por um velhote das Beiras, a confusão tinha continuado mas, felizmente, não continuou e Angola continuava a ser nossa mesmo que andassem para aí a espalhar boatos. Comunistas dum camandro! Tanto insistiram que o velhote se mandou do cadeirão abaixo e houve rebaldaria tamanha que foi preciso pôr um chaimite e um molho cravos em cima do assunto. Depois parece que houve um Mário qualquer que assinou um papel que nos pôs na Europa e ainda teve tempo para transformar uma lixeira numa exposição mundial e mamar duas secas da Grécia na final.
E o Cavaco?
O Cavaco foi com o Pai Natal e o palhaço no comboio ao circo.
FIM
Nunca “Panis et circus” foi tão actual, e a receita tem mais de dois mil anos.
E é ver o autarca todo activo, movimentando-se de lado para lado, de garrafa de cerveja ou de água na mão, claro que é segundo o que acham mais adequado à circunstancia, de suor banhado em camisa ensopada, num prolongamento do orgasmo da campanha eleitoral, o “delirium politiquêz” com palavras culturais à mistura e de sorriso forçado à montra municipal.
E porque tudo é cultural no “circus” de bandeiras ondulantes e porque um pouco de passeio tipo telenovela relaxa os neurónios já cansados da inactividade, o que interessa é comer umas doses bem aviadas vitualhas várias, só assim a alma se sentirá bem mais reconfortada em estômago com digestão preguiçosa e demorada.
E que senão houver pão por qualquer motivo, será sempre falha do padeiro que não teve uma estratégia empresarial, pois pastelarias não faltam e o fornecimento de brioches está garantido.
É de perder a cabeça, diria a Maria Antonieta.